sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O que é Catequese?

I.               O que é catequese?
·        O que entendemos por catequese?
·        O que a catequese exige de nós, como catequistas?
·        Em que o grupo de catequistas pode colaborar com a comunidade?
·        Por que me tornei catequista?
·        Assinale três qualidades de um bom catequista.
·        Como usar a Bíblia na catequese?

CATEQUESE: a palavra tem o sentido de ecoar, ou seja, fazer eco, levar a frente algo que para mim é bom.
Toda catequese deve ser um processo:

Permanente: Inicia-se no seio da mãe, afinal a família deve ser a primeira a apresentar o Cristo vivo aos filhos, e nunca tem fim. A vida do ser humano, é um constante aprendizado, desde o nascimento até a sua morte.

Comunitária: ocorre e acontece inserida numa comunidade, onde todos expressam a sua fé. Não existe comunhão sem comunidade, não existe Eucaristia, sem a presença do irmão (Cf. I Cor 11, 20-22)

Dinâmica: Pronta para reconhecer e se atualizar sem perder a história da vida, acompanhando as mudanças sociais, econômicas, religiosas, seculares, etc.
Sistemática: deve estar pronta a assumir um programa (forma) de apresentar a Boa Nova, de forma a facilitar o conhecimento.
Nós, aqui na Escola, mostramos um sistema. Não podemos afirmar que seja o melhor, nem o pior, mas é o nosso sistema, ou seja, a Catequese por Idades (CPI).
Na segunda pergunta, podemos começar a identificar o “objeto” da catequese, ou seja, para quem vamos preparar o encontro de catequese e qual o procedimento que vamos adotar para levar essa Boa Nova. Quem é a pessoa que desejamos que conheça a Boa Nova? É o Catequizando.

Portanto, dentro do nosso método é preciso conhecer bem o catequizando para, interagindo com ele, levar a Boa Nova.
Como fazemos isso? Cada um de nós recebe o seu chamado de uma forma diferente (pergunta 4), mas se chegamos aqui, na escola, foi por que achamos que era a hora de melhorar a nossa catequese.
Voltemos ao nosso método. Podemos resumi-lo na seguinte forma:
Catequista -> Catequizando -> Conteúdo -> Estratégia

Ou seja, o catequista deve conhecer bem o seu catequizando, e assim poder escolher melhor qual o conteúdo que vai levar a ele, por meio das estratégias.
 
Resumindo: tudo deve estar em “acordo com o meu “alvo”, o catequizando.
E finalmente, onde entra a Bíblia? Ela é a fonte de toda a catequese. O combustível que alimenta a locomotiva (catequista) até o seu destino (catequizando).


Mas o que eu devo passar aos meus catequizandos, e qual a forma?

 Em primeiro lugar, aproveitando as experiências do próprio catequizando, mostrando-lhes as verdades reveladas por Deus nas Sagradas Escrituras (Bíblia). Isso ocorrerá através da formação na Fé, da Consciência, para a Oração e para o Engajamento, que serão objetos do nosso estudo no futuro.

Concluindo, podemos dizer que a catequese não é:
·      Ensinar orações.
·      Ensinar verdades prontas e defendidas por nós ou nossa sociedade, nem dar formulas prontas.
·      Não é um ato mágico, que num determinado ponto, nos permite o acesso a algo extraordinário, mas é ação que deve mudar a nossa vida.
·      Não pode ficar “parada” sem se atualizar com os fatos da vida de hoje.
Por isso, vocês tem ai, na pauta de vocês o item refletindo, que vem ao encontro do que foi exposto aqui.

II.            Refletindo:
·       A catequese é continua (acompanha toda a vida dos cristãos).
·  A catequese é um processo de educação permanente da fé (visando formar o catequizando na fé, sua consciência, para a oração e para o engajamento).
·     Catequese não é passar um conjunto de verdades definidas, prontas; nem dar formulas.
·   A Catequese não é um ato isolado(sem compromisso com a comunidade), não é só preparação para os sacramentos, mas sim uma preparação para a vida na comunidade.
·  A catequese deve ser dinâmica: por que os valores são dinâmicos; a vida caminha e interroga; o caminho da Igreja exige reflexão e compromisso.
·   A catequese deve apresentar respostas aos problemas concretos da vida, respeitando a faixa etária dos catequizandos (vamos aprofundar mais adiante), a fim de leva-los ao engajamento na vida da comunidade.

III.          Por que uma educação permanente na fé?

Por que a catequese deve possibilitar:
·        O crescimento explicito na fé que me leva a Jesus Cristo.
·        O aprofundamento bíblico que leva a uma vivência evangélica.
·          A descoberta e vivência dos valores humanos e cristãos, numa linha libertadora.
·          A re-leitura da realidade (olhar o mundo e as pessoas com um olhar cristão).
·          A participação na comunidade.
·          A educação para a oração e para a celebração da fé na liturgia, capacitando o catequizando para o testemunho de vida.
A catequese não é algo finito, que tem data para iniciar e para terminar. Pela catequese permanente nos aproximamos de Jesus Cristo, e chegamos a um amadurecimento na fé, por meio das virtudes e através do exercício e prática da Palavra de Deus, que vem da Bíblia.
E o que a Bíblia nos ensina? Ela nos mostra, entre outras coisas, o respeito ao irmão e a Deus. A bíblia nos mostra que o único caminho é o amor.
A catequese permanente, deve proporcionar ao ser humano uma re-leitura da sua situação de vida, atualizando a leitura bíblica com a vida hoje. Isso nos leva a vivênciar mais fortemente o amor de Deus. Olhar o outro como irmão é ver nele a pessoa de Deus e assim, assumir o projeto do Reino.
O adulto que cresce na fé, participa da comunidade de forma ativa e viva, não como um simples observador, mas alguém que vive a realidade da Igreja e da vida.
Ora uma pessoa dificilmente é realmente madura na fé, ela amadurece na medida que consegue enxergar no outro a figura da presença de Deus.
Fechando esse comentário sobre os objetivos, podemos colocar que o grande objetivo da catequese é alcançar o catequizando, independente da sua idade, ou posição social, levando a ele a real visão do mundo (secular) e do Reino (projeto de Deus).

IV.             Objetivos da Catequese:

1.      “Educar na fé as diversas dimensões da vida cristã, à luz da Palavra de Deus, para construir comunidades catequizadoras comprometidas com a verdade e a justiça, sinais do Reino já presente entre nós” (Ecoando 4).
2.      Os objetivos da catequese devem ser parte do caminho e devem integrar vida e fé, levando ao processo contínuo de conversão ao Cristo, à vida da comunidade, à vida sacramental e ao compromisso apostólico (Puebla 1007).
3.      Os objetivos da catequese devem estar integrados aos objetivos da evangelização da Igreja no Brasil (Doc. 56 e 61 da CNBB).
É objetivo da catequese por idades:
·        Conhecer, valorizar e respeitar as diferentes idades dos catequizandos e suas dimensões psico-físicas.
Quando se conhece bem o catequizando, conseguimos fazer com que a nossa mensagem consiga atingi-lo. Como exemplo, basta ver que para se comunicar o indivíduo precisa conhecer o “código” usado sob a pena de não entender o que se quer passar. Assim, eu consigo balancear as atividades, de forma a não deixa-las muito fáceis (infantis) nem muito difíceis (o que geraria uma decepção muito grande no grupo, por não conseguir realiza-la).
As dimensões psico-físicas serão objeto do nosso estudo em encontros futuros.
·        Conhecer bem o conteúdo da catequese adequando às diferentes faixas etárias.
A Bíblia é repleta de  belas passagens, mas será que eu posso usar qualquer tema com qualquer catequizando? Não. Devo conhecer o meu catequizando para escolher um tema que venha ao encontro daquilo que ele pode e deve receber. Usar um tema muito denso, pode resultar no desinteresse por parte dos catequizandos. Por exemplo, não posso trabalhar a Santíssima Trindade com crianças de 6 a 7 anos, pois eles não desenvolveram o sentido de abstrato, necessário para se compreender como Deus pode ser ao mesmo tempo UNO e TRINO.
·        Assumir como processo metodológico a interação fé e vida.
Não existe fé desligada da vida. Tudo funciona na nossa vida. Portanto, precisamos tomar o cuidado de não simplificar o tema colocando-o “no tempo de Jesus” ou de outra situação do passado, mas trazer a luz do Evangelho para hoje, na nossa realidade.
·        Utilizar diferentes textos, manuais e estratégias na catequese, mas sempre adequadas às faixas etárias.
A Bíblia é essencial à catequese, especialmente na CPI que não adota manual algum, mas isso não dispensa o catequista de fazer pesquisas, tanto no sentido metodológico, estratégico, textos seculares e religiosos, alem de diferentes manuais que muitas vezes nos ajudam no trabalho de um tema.
·        Apresentar uma verdadeira caminhada de fé e não um simples ensino da doutrina.
Devemos fortalecer na catequese a vivência do caminho. O amor fraternal nos leva a Deus, e podemos afirmar que esse amor é realizado em nós por Jesus, através do Espírito Santo.
·        Possibilitar a participação de todos num processo permanente de educação na fé e não só a preparação para os sacramentos.
·        Apresentar Jesus como caminho ao Pai pelo Espírito Santo.
·        Ter a Bíblia como fonte de inspiração e uma mediação na catequese.
·        Motivar o catequizando para a experiência de conversão e leva-lo a assumir o seu papel dentro e fora da comunidade, como verdadeiro cristão.
Mostrar aos catequizandos (especialmente os mais velhos – Adolescentes e Adultos) que a conversão não é mudar de religião, mas de atitude. Nós nos convertemos todas as vezes que aceitamos o amor de Jesus Cristo.
·        Introduzir o catequizando à vida litúrgica na comunidade.
O catequizando chega a catequese como que por imposição dos pais, que muitas vezes não participam da comunidade mas querem os seus filhos “católicos como eles o são”. Por isso, eles enxergam a catequese como uma formação finita, sem compromissos definidos e sem obrigações. Cabe ao catequista mostrar ao catequizando que ele é membro do Corpo de Cristo (Cf. I Cor 12) e faz parte da vida da comunidade.
·        Valorizar os costumes e festas do povo.
Valorizar a fé popular é aceitar a cultura da comunidade, mas cuidado, muitas comunidades e grupos esquecem dos valores máximos da nossa fé a favor das suas devoções e da sua fé popular, muitas vezes, misturando ritos e religiões (Sincretismo religioso) que se chocam com a fé católica  e até mesmo com o cristianismo. Cabe ao catequista, enquanto membro ativo da comunidade corrigir essas falhas.
·        Motivar a participação do catequizando nas outras dimensões da ação pastoral da Igreja, dentro e fora da comunidade.
O catequizando, após a sua identificação como membro da Igreja particular (Comunidade) precisa se identificar com a Igreja (Ministério) e assim assumir os projetos que ultrapassam o nível da sua própria comunidade.

Planejamento é importante na catequese, por que?
A principio pode parecer besteira se falar de planejamento catequético, mas é a forma mais correta de se aproveitar ao máximo todos os recursos que dispomos na catequese.
·        Para se trabalhar melhor e não perder de vista os objetivos.
O planejamento serve para nos orientar, permitindo sempre uma visão clara dos nossos objetivos.
Ao se preparar um planejamento é preciso ter conhecimento e consciência das metas que devemos alcançar, tomando-se como base, os recursos humanos (pessoas que vão trabalhar em determinado projeto) e logísticos (equipamentos, espaço físico disponível, datas, etc.) que se tem a disposição. O bom planejamento não é certeza de realização e deve permitir ser revisto, reavaliado e até re-elaborado se necessário, em períodos determinados de tempo. Normalmente se faz um planejamento anual, o que não impede, por exemplo, de se fazer um planejamento mais amplo, que atinja 2, 3 ou mais anos.
·        Para aproveitar melhor os recursos e evitar os esforços inúteis.
O bom planejamento deve otimizar a utilização dos equipamentos e pessoas, de forma a não sobrecarregar uns e deixar outros ociosos. Muitas vezes, na comunidade, as pessoas acabam “querendo assumir” vários cargos e atividades ao mesmo tempo, isso é prejudicial, pois vão acabar não desenvolvendo bem nem uma nem outra coisa. Cabe nesse caso aos coordenadores limitar as atividades, a fim de não prejudicar o conjunto.
·        Para garantir a continuidade da caminhada priorizando o essencial no trabalho.
Essa característica do planejamento é importante, pois garante a sobrevivência de um projeto. É importante, principalmente quando estamos considerando períodos de tempo ou projetos  relativamente longos.

Conclusão: O planejamento é uma ferramenta que serve aos catequistas de forma a ajuda-los a organizar sua ação, não é infalível e deve ser constantemente avaliado e revisto, de forma a sempre seguir o caminho “Ótimo”, ou seja, que apresente o menor esforço e gasto para se alcançar o mesmo meio.

Desafios de hoje:
Para os catequizandos:
Quem são os catequizandos de hoje? Até alguns anos atrás, poderíamos nos referenciar aos catequizandos como as crianças da catequese. Hoje, o termo catequizando é mais amplo, atingindo todo o ser humano. É cada vez mais comum encontrar-mos grupos de catequizandos adultos e até mesmo grupos de catequizandos que já receberam o sacramento da Eucaristia, mas desejam reencontrar com a pessoa de Cristo.
·         A perseverança.
Hoje a perseverança é o maior desafio que atinge a catequese. Como fazer frente a Internet, Vídeo-games, futebol, e até mesmo com a Televisão? A lista dos concorrentes cresce a cada dia, e atrai a atenção e a religião, normalmente, não faz parte delas. De cada grupo de 20 jovens que recebem a Primeira Eucaristia, somente cinco costuma permanecer ligado a comunidade, seja através de grupos de jovens ou outras atividades da comunidade.
·         A participação na vida da comunidade.
Ligada diretamente a perseverança, a participação das pessoas na vida da comunidade deve ser fruto de estimulo e realização para todo cristão. Entretanto, são comuns as histórias de pessoas que são rejeitadas, deixadas de lado numa comunidade, principalmente quando começam. Nós pregamos a fraternidade, mas praticamos a exclusão.

Para os catequistas:
·         Planejar as atividades na catequese.
Conseguir criar ações que consigam garantir aos catequizandos a perseverança e a participação na vida da comunidade.

Compromisso:
·         Estar a serviço do objetivo da catequese e não aos meus próprios objetivos.
·         Ter consciência da necessidade de ser formar uma comunidade catequizadora.
·         Estar a serviço da verdade e da justiça.
·         Estar a serviço de uma catequese como educação continua da fé.

V.          Estudo Bíblico:
Como devemos trabalhar o Estudo Bíblico?
Em primeiro lugar, devemos deixar claro para os catequistas, que para se fazer um bom estudo bíblico, devemos buscar informações sobre a época do escrito (seu contexto histórico) como era a sociedade da época (contexto social), para quem ele foi escrito (destinatário) e o tipo de texto (Gênero).
Já com essas informações, passamos par ao texto propriamente dito, ai, vamos ver qual a mensagem central que ele nos passa (não a que queremos que ele passe, mas a que Deus nos oferece) e extraímos os ensinamentos. É importante dizer que ensinamento não é resumo, síntese ou compressão, mas pequenas frases que levam a boa nova ao nosso coração.
Neste texto, temos:
Gênero Literário: Parábola Comparativa
Mensagem Central: O Reino de Deus é um tesouro.
Mt 13, 31-33.44-46
31 E Jesus contou outra parábola: “O Reino do Céu é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo.
32 Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce fica maior que as outras plantas. E se torna uma árvore, de modo que os pássaros do céu vêm e fazem seus ninhos em seus ramos”.
33 Jesus contou-lhes ainda outra parábola: “O Reino do Céu é como o fermento que a mulher pega e mistura com três porções de farinha, até eu tudo fique fermentado”.
44 “O Reino do Céu é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra, e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens, e compra esse campo.
45 “O Reino do Céu é também como um comprador que procura pérolas preciosas.
46 Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens, e compra essa pérola.”
V.31 –  Jesus falava de forma que todos pudessem entender.

V.32 – O Reino de Deus começa no coração de cada um e atinge a sociedade toda.

V.33 – O Reino de Deus é para todos.

V.44 – O Reino de Deus está escondido nos nossos corações.

V.45 – O reino de Deus deve ser encontrado.

V.46 – Quando encontramos o verdadeiro Reino de Deus, nada mais importa.
Documento: Encontro 01 para monitores da Escola/RESA
Elaboração: Lourdes Dias dos Santos Lobo e Zacarias Ribeiro Lobo
(zacarias_ribeiro@ig.com.br/ldslobo@ig.com.br)

Versão 1.0 – 02/2003

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

PERDOAR SEM LIMITES

Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou:
"Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?"   Jesus respondeu: "Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: 'Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo'.
Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida.  Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo:
'Pague logo o que me deve'. O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: 'Dê-me um prazo, e eu pagarei a você'. Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: 'Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?'  O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. É assim
que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão."

O texto acima, retirado do Evangelho de Mateus (Mt 18, 21 ss - versão Pastoral) nos traz algumas ideias sobre o que vem a ser o perdão... Pedro se aproxima de Jesus e pergunta quantas vezes devemos perdoar. Ele mesmo responde... "Até sete vezes?" Para Pedro, falar em perdoar sete vezes era algo muito alem das propostas colocadas pelos Rabïs, Sacerdotes e Sumos Sacerdotes da época que pregavam o perdão por até cinco vezes.

Entretanto, ao olharmos o texto de forma fundamentalista e simples poderíamos pensar que Jesus propõem que se deve perdoar quatrocentas e noventa vezes (7 x 70 = 490)... mas não é isso que Jesus diz. Para se entender isso é preciso compreender a questão dos números na cultura judaica. O número 7 indica a ligação ou a perfeição de Deus, a totalidade. Assim, quando Pedro fala de perdoar sete vezes ele liga o perdão a Deus. Mas Jesus vai muito alem, pois a multiplicação indica o infinito, é o perdão eterno, permanente, e único garantia de que se alcança o Reino de Deus.

Jesus completa com uma parábola (que nesse texto é colocada na pessoa do Patrão, mas em alguns textos indica o Rei), nesse texto o primeiro empregado devia ao patrão uma fortuna impagável... assim o Patrão,  como era costume na época e na região, resolve vendê-lo com a família para quitar a dívida, que, como se percebe no texto,  não seria possível quitar a dívida. O empregado pede piedade e um prazo para pagar a divida. O Patrão, que representa o Pai, sabendo que por maior que fosse o prazo ele jamais conseguiria pagar a dívida (pecado), resolve perdoar a dívida.

Entretanto, esse mesmo empregado tinha um companheiro que lhe devia uma grande quantia, algo como três ou quatro meses de salario (cem moedas de prata). Ao vê-lo cobrou a dívida e como esse não tinha como pagar ele o manda para a cadeia. Ele não teve piedade, não perdoou o companheiro!

Os outros empregados, vendo o que havia ocorrido, chamam o patrão e lhe dizem como ele não sabia perdoar. O patrão manda prender o homem que não sabia perdoar e lhe manda castigar. Observe que ele não prende a família do devedor, mas somente ele.

Nessa situação, a divida é o pecado... e quantos pecados precisamos ter para sermos condenados? Lembrando que a punição, ou seja a prisão do Patrão é o Inferno, ou seja, o local onde aqueles que não tem direito a viver na Jerusalém Celeste (Ap 21-22) serão enviados... a resposta é muito simples, basta um pecado... você pode perguntar, como assim? A construção do pecado esta na nossa ação, ou seja, na nossa intenção de destruir, prejudicar ou de alguma forma MATAR o irmão... cobrar dele o perdão que não sabemos oferecer.

No Sermão da Montanha (Mt 7, 12) Jesus nos entrega a única forma de alcançar o Reino de Deus, cumprir a Lei e os Profetas, ou seja, fazer para o irmão aquilo que se deseja receber do irmão. Ora, quem ama o irmão como a si mesmo não rouba, mata, comete adultério, etc e respeita, o irmão, a pessoa do Senhor! Por isso vamos voltar as Bem Aventuranças (Mt 5, 1-12) que também esta presente no Sermão da Montanha e que na visão do Evangelista Mateus vem dar cumprimento aos Dez Mandamentos, presentes no Livro do Êxodo. Afinal, se eu desejo receber o bem, vou semear o bem! Para receber o o perdão, vou praticar o perdão! Simples assim!

Desejo, a todos que
por ventura já tenha ofendido, minhas mais sinceras desculpas... e espero deles apenas o seu perdão, pois a gente tem o hábito de guardar muitas coisas por muito tempo... para que ocupar o coração com magoas?

Zacarias Ribeiro Lobo

Catequista Católico