quarta-feira, 5 de março de 2014

Quaresma

Estamos na Quaresma, mas o que significa isso?

Quaresma é um tempo para se rever a própria consciência e a própria vida! Esse período que vai da Quarta-feira de Cinzas até o Domingo de Ramos, marca um período para a nossa conversão. A conversão nesse ponto não é a mudança de religião, como se costuma colocar, mas sim a mudança de atitude...

Chegou à época de revermos o que fizemos de errado no ano e buscar a nossa mudança, com uma nova atitude. Esse período lembra os 40 anos que o povo, saindo do Egito, guiado por Moisés, deveria adorar a Javé (ou Jeová) no monte Horeb (ou Sinai), após os sinais das 10 pragas lançadas por Deus contra o povo opressor (Cf. Ex 7,14-12,30)! Essas pragas, em ordem crescente, culminaram com a morte dos primogênitos, e para que os primogênitos de Israel não morressem, deveriam marcar a porta com o sangue do cordeiro imolado, esse cordeiro imolado, comido com ervas amargas e pão sem fermento, marcou o inicio da Páscoa (Ex 12, 1-11).

A palavra Páscoa vem de uma língua antiga e indica o termo passagem, lembrando que Deus passou levando aqueles que não estavam marcados com o seu sinal.

Durante essa caminhada, o povo teve provas do poder de Deus, como na transposição do Mar Vermelho, onde os israelitas passaram de um lado para o outro e os perseguidores ficaram no caminho. Alem dessa prova, quando o poro teve fome e sede, temendo pela própria vida, Deus os ofereceu o Maná do Céu, um pão que alimentava e Moises, tocando a pedra, fez surgir água.

Mesmo assim, o povo teve dúvidas... construiu para si um “deus” próprio, forjado como o ouro retirado do Egito e das jóias das mulheres, e fizeram uma estatua na forma de bezerro de ouro (Ex 32).

A punição foi grande, pois inicialmente 3000 homens foram mortos para expiar os pecados do povo... (Cf. Ex 32, 28) mesmo assim, todos os que saíram do Egito, inclusive Moisés, morreram no caminho para a Terra Santa!

Foi nesse período que Deus oferece ao povo a sua Lei, os mandamentos que foram escritos por Deus nas tabuas de pedra, e que Moises (depois de destruir as pedras) guarda na Arca da Aliança, uma arca feita de madeira e revestida de ouro com dois querubins sobre a tampa e que servia para transportar a Lei sem que nenhum homem a tocasse.

A segunda passagem, a que se refere o período de 40 dias é o tempo que Jesus passou sendo tentado no deserto. Esse período ocorre logo após o batismo de Jesus no Rio Jordão por João Batista, e marca o inicio de seu magistério (pregação). Nesse período, de acordo com os Evangelhos, Jesus é tentado. Tentado a contrariar a vontade do Pai. De acordo com o Evangelista Lucas, o mau se afasta para retornar mais tarde, no momento da paixão!

É nessa hora, celebrada na Sexta-feira Santa ou da Paixão que Cristo é tentado novamente ao se ver abandonado por seus mais fieis amigos... então o mau lhe oferece a chance de rejeitar o projeto do Pai, pois ele é abandonado por seus mais chegados amigos, como Pedro, um dos, para não dizer o maior dos traidores, pois rejeita o Mestre por três vezes (Cf. Lc 22,54-62)... ou os discípulos de Emaus, citados por Lucas, que dão as costas para o projeto de Jesus, fugindo para a cidade de Emaus (Cf. Lc 23, 13-35).
 
Os discípulos não entenderam o projeto de Jesus, nem a grandeza da missão, fundo para Emaus dão as costas para Jerusalém, deixando Jesus para trás.

Como eles foram chamados no partir do pão a retornar (Cf. Lc 23, 30-31) somos nós também convidados para atender ao chamado do Pai e do Filho, pela força do Espírito Santo a participar e viver a fé, aceitando e buscando a vida nova, a vida em Cristo!


Fica então o convite que nesta quaresma saibamos que o mais importante não é o jejum de carne na quarta-feira e sexta-feira, mas sim  viver o projeto de Jesus, implantando o Reino de Deus, a Jerusalém Celeste aqui e agora (Cf. Ap 21-22).

(NOTA: Imagens obtidas na Internet)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Da Homilia do Papa Francisco (25/12/2013 – Missa do Galo)

Olhar a Igreja e ver à frente dela um homem como o Papa Francisco é ter renovada a esperança de que essa instituição de importância impar pode mudar... A renuncia de Bento XVI, ocorrida no dia 11/02/2013, tirando um papa vivo do comando da Igreja depois de 598 anos, e abrindo um precedente inovador para a Igreja, pois ele deixava o comando da mesma admitindo não ser capaz de cuidar das funções a ele legadas (como alias o Papa João Paulo II havia dado indícios no ano jubilar de 2000 de renunciar) e que ele já sentia o peso, dos seus 85 anos junto com as responsabilidades assumidas e para muitos causas de parte do “fracasso” de seu papado, na gestão do Santo Papa João Paulo II, que acabou por ocultar ou negligenciar vários fatos da cúria Romana, e lembrando quando o então cardeal alemão Joseph Aloisius Ratzinger, tomou posse no primado de Pedro como Papa, e adotou o nome de Bento, já dava sinais de que seu pontificado não seria longo, pois a maioria dos papas que adotaram o nome Bento tiveram pontificados curtos. Bento XV, por exemplo teve um pontificado de apenas 8 anos.

Seu sucessor, o então cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, assume o pontificado com uma visão totalmente diferente da Igreja. Traz uma Igreja mais fraterna, mais humana, mais voltada a comunidade... a comunidade Universal, ou seja cumprindo a premissa do nome Católica que significa Universal!

Na sua posse rejeita uma série de vantagens do cargo (afinal na Igreja Católica temos poucas funções na ordem, são elas os Leigos [população, fieis, e membros em geral, não ordenados], os Diáconos [aqueles que são ordenados para servir], os Presbíteros [os Padres, que deveriam assumir a postura de um pai, conselheiro, etc] e os Bispos [Representantes dos 12 apóstolos de Jesus Cristo]) e assume o nome de um santo que, filho de pais ricos, de nome Giovanni di Pietro di Bernardoni, mais conhecido como São Francisco, da cidade de Assis, rejeita toda a fortuna da família e vai viver na pobreza, criando uma ordem, a ordem dos Frades Menores, mais conhecida como os Franciscanos, que na sua origem foi, inclusive, rejeitada pela Igreja e pelo Papa Inocêncio III, que acabou reconhecendo as virtudes e aceitou a ordem como parte da Igreja!

Neste artigo, publicado no jornal A Boa Noticia, da diocese de Santo André, nos trás a Homilia desse papa impar, que promete, como o fundador da sua ordem, revolucionar a Igreja!

Ele mostra de forma simples, como o povo deve reconhecer a Deus como fonte de luz... a festa de Natal, como aqueles que estudam bem sabem, não é a marca do nascimento de Jesus (Jesus não nasceu em 25/12) mas sim uma adaptação para permitir a conversão dos pagãos a Igreja Católica, na época nascente. A festa celebrada originalmente era a festa do deus Sol (Solstício de Inverno) e somente adotada pela Igreja no século III da era Cristã. O povo, desde o Patriarca Abraão, é um povo que caminha em busca da luz, não somente a luz externa, mas também a luz interna, ou seja, Deus nos deu o Livre Arbítrio, o direito de escolher que queremos realmente ser luz ou não... cabe a cada um decidir o que quer seguir!

Ao mesmo tempo, o Santo Padre nos lembra que desde o tempo de Abraão, lá no livro do Genisis, passando por Maria, quando da anunciação que aparece no Evangelho de Lucas, Deus não obriga ninguém a cumprir a missão, ele os convida, como nos convida hoje também.  O convite é feito para que sigamos o caminho da Terra Santa, da Jerusalém Celeste, proposta no Apocalipse, não uma nova Terra na concepção de um novo planeta, mas uma nova Terra como uma nova sociedade.

Somos humanos e portanto suscetíveis a erros e “escorregões”, e a humanidade se desviou por várias vezes, como nos exemplos bíblicos do Bezerro de Ouro (Êxodo) ou a rejeição do projeto de Jesus por um dos Homens que ele mais amava e confiava, o antecessor de Francisco, o primeiro Papa Pedro, que rejeita o projeto de Deus por três vezes... lembra ainda os discípulos de Emaus, relatados no evangelho de Lucas que estão dando as constas ao projeto de Jesus e somente quando vêem a Eucaristia é que percebem a grandeza e voltam correndo. Mas o ser humano é como Jô, acredita que se basta em si mesmo... é preciso uma grande mudança para perceber que caminhávamos nas trevas pois as trevas nos cegavam, e caminhávamos sem saber por onde íamos (Cf. I Jô 2,11) até que a luz, que começa pequena, no nascimento de Jesus Cristo, cresce e ilumina a toda a humanidade (povo que lavou e alvejou as roupas no sangue do Cordeiro – Cf. Ap 7) pois a graça de Deus, manifestada no amor de Jesus Cristo por nós, nos traz a Salvação (Cf. Tt 2,11).

Concluindo, o Santo Padre coloca como Jesus vem para COMPARTILHAR conosco a nossa vida, o nosso caminho, tornando-se homem, com carne, com problemas e até com dúvidas... Jesus não é apenas um mestre de sabedoria, é a encarnação do Deus Vivo e essa encarnação recebe primeiro a visita dos pastores, pessoas rejeitadas pela sociedade, ignoradas por seus iguais pois tinham que ficar a noite tomando conta de seus rebanhos!

Depois, de acordo com o evangelho de Mateus, Jesus recebe a visita de três reis, os Reis Magos (Gaspar, Belchior e Baltazar) que seriam como cientistas modernos que seguiram os sinais (Teofânia) do nascimento de Jesus!

Mas Jesus é a Luz do Mundo... e como ele mesmo coloca para nós, no Sermão da Montanha (Mt 5-7) nós somos LUZ DO MUNDO e SAL DA TERRA, para vivermos esse projeto e cumprir que Jesus é a própria luz que ilumina a nossa existência!


Só para constar, gostaria de acrescentar o comentário que o presépio, a obra de arte que liga os evangelhos de Lucas e Mateus também é obra de São Francisco de Assis!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O que é Catequese?

I.               O que é catequese?
·        O que entendemos por catequese?
·        O que a catequese exige de nós, como catequistas?
·        Em que o grupo de catequistas pode colaborar com a comunidade?
·        Por que me tornei catequista?
·        Assinale três qualidades de um bom catequista.
·        Como usar a Bíblia na catequese?

CATEQUESE: a palavra tem o sentido de ecoar, ou seja, fazer eco, levar a frente algo que para mim é bom.
Toda catequese deve ser um processo:

Permanente: Inicia-se no seio da mãe, afinal a família deve ser a primeira a apresentar o Cristo vivo aos filhos, e nunca tem fim. A vida do ser humano, é um constante aprendizado, desde o nascimento até a sua morte.

Comunitária: ocorre e acontece inserida numa comunidade, onde todos expressam a sua fé. Não existe comunhão sem comunidade, não existe Eucaristia, sem a presença do irmão (Cf. I Cor 11, 20-22)

Dinâmica: Pronta para reconhecer e se atualizar sem perder a história da vida, acompanhando as mudanças sociais, econômicas, religiosas, seculares, etc.
Sistemática: deve estar pronta a assumir um programa (forma) de apresentar a Boa Nova, de forma a facilitar o conhecimento.
Nós, aqui na Escola, mostramos um sistema. Não podemos afirmar que seja o melhor, nem o pior, mas é o nosso sistema, ou seja, a Catequese por Idades (CPI).
Na segunda pergunta, podemos começar a identificar o “objeto” da catequese, ou seja, para quem vamos preparar o encontro de catequese e qual o procedimento que vamos adotar para levar essa Boa Nova. Quem é a pessoa que desejamos que conheça a Boa Nova? É o Catequizando.

Portanto, dentro do nosso método é preciso conhecer bem o catequizando para, interagindo com ele, levar a Boa Nova.
Como fazemos isso? Cada um de nós recebe o seu chamado de uma forma diferente (pergunta 4), mas se chegamos aqui, na escola, foi por que achamos que era a hora de melhorar a nossa catequese.
Voltemos ao nosso método. Podemos resumi-lo na seguinte forma:
Catequista -> Catequizando -> Conteúdo -> Estratégia

Ou seja, o catequista deve conhecer bem o seu catequizando, e assim poder escolher melhor qual o conteúdo que vai levar a ele, por meio das estratégias.
 
Resumindo: tudo deve estar em “acordo com o meu “alvo”, o catequizando.
E finalmente, onde entra a Bíblia? Ela é a fonte de toda a catequese. O combustível que alimenta a locomotiva (catequista) até o seu destino (catequizando).


Mas o que eu devo passar aos meus catequizandos, e qual a forma?

 Em primeiro lugar, aproveitando as experiências do próprio catequizando, mostrando-lhes as verdades reveladas por Deus nas Sagradas Escrituras (Bíblia). Isso ocorrerá através da formação na Fé, da Consciência, para a Oração e para o Engajamento, que serão objetos do nosso estudo no futuro.

Concluindo, podemos dizer que a catequese não é:
·      Ensinar orações.
·      Ensinar verdades prontas e defendidas por nós ou nossa sociedade, nem dar formulas prontas.
·      Não é um ato mágico, que num determinado ponto, nos permite o acesso a algo extraordinário, mas é ação que deve mudar a nossa vida.
·      Não pode ficar “parada” sem se atualizar com os fatos da vida de hoje.
Por isso, vocês tem ai, na pauta de vocês o item refletindo, que vem ao encontro do que foi exposto aqui.

II.            Refletindo:
·       A catequese é continua (acompanha toda a vida dos cristãos).
·  A catequese é um processo de educação permanente da fé (visando formar o catequizando na fé, sua consciência, para a oração e para o engajamento).
·     Catequese não é passar um conjunto de verdades definidas, prontas; nem dar formulas.
·   A Catequese não é um ato isolado(sem compromisso com a comunidade), não é só preparação para os sacramentos, mas sim uma preparação para a vida na comunidade.
·  A catequese deve ser dinâmica: por que os valores são dinâmicos; a vida caminha e interroga; o caminho da Igreja exige reflexão e compromisso.
·   A catequese deve apresentar respostas aos problemas concretos da vida, respeitando a faixa etária dos catequizandos (vamos aprofundar mais adiante), a fim de leva-los ao engajamento na vida da comunidade.

III.          Por que uma educação permanente na fé?

Por que a catequese deve possibilitar:
·        O crescimento explicito na fé que me leva a Jesus Cristo.
·        O aprofundamento bíblico que leva a uma vivência evangélica.
·          A descoberta e vivência dos valores humanos e cristãos, numa linha libertadora.
·          A re-leitura da realidade (olhar o mundo e as pessoas com um olhar cristão).
·          A participação na comunidade.
·          A educação para a oração e para a celebração da fé na liturgia, capacitando o catequizando para o testemunho de vida.
A catequese não é algo finito, que tem data para iniciar e para terminar. Pela catequese permanente nos aproximamos de Jesus Cristo, e chegamos a um amadurecimento na fé, por meio das virtudes e através do exercício e prática da Palavra de Deus, que vem da Bíblia.
E o que a Bíblia nos ensina? Ela nos mostra, entre outras coisas, o respeito ao irmão e a Deus. A bíblia nos mostra que o único caminho é o amor.
A catequese permanente, deve proporcionar ao ser humano uma re-leitura da sua situação de vida, atualizando a leitura bíblica com a vida hoje. Isso nos leva a vivênciar mais fortemente o amor de Deus. Olhar o outro como irmão é ver nele a pessoa de Deus e assim, assumir o projeto do Reino.
O adulto que cresce na fé, participa da comunidade de forma ativa e viva, não como um simples observador, mas alguém que vive a realidade da Igreja e da vida.
Ora uma pessoa dificilmente é realmente madura na fé, ela amadurece na medida que consegue enxergar no outro a figura da presença de Deus.
Fechando esse comentário sobre os objetivos, podemos colocar que o grande objetivo da catequese é alcançar o catequizando, independente da sua idade, ou posição social, levando a ele a real visão do mundo (secular) e do Reino (projeto de Deus).

IV.             Objetivos da Catequese:

1.      “Educar na fé as diversas dimensões da vida cristã, à luz da Palavra de Deus, para construir comunidades catequizadoras comprometidas com a verdade e a justiça, sinais do Reino já presente entre nós” (Ecoando 4).
2.      Os objetivos da catequese devem ser parte do caminho e devem integrar vida e fé, levando ao processo contínuo de conversão ao Cristo, à vida da comunidade, à vida sacramental e ao compromisso apostólico (Puebla 1007).
3.      Os objetivos da catequese devem estar integrados aos objetivos da evangelização da Igreja no Brasil (Doc. 56 e 61 da CNBB).
É objetivo da catequese por idades:
·        Conhecer, valorizar e respeitar as diferentes idades dos catequizandos e suas dimensões psico-físicas.
Quando se conhece bem o catequizando, conseguimos fazer com que a nossa mensagem consiga atingi-lo. Como exemplo, basta ver que para se comunicar o indivíduo precisa conhecer o “código” usado sob a pena de não entender o que se quer passar. Assim, eu consigo balancear as atividades, de forma a não deixa-las muito fáceis (infantis) nem muito difíceis (o que geraria uma decepção muito grande no grupo, por não conseguir realiza-la).
As dimensões psico-físicas serão objeto do nosso estudo em encontros futuros.
·        Conhecer bem o conteúdo da catequese adequando às diferentes faixas etárias.
A Bíblia é repleta de  belas passagens, mas será que eu posso usar qualquer tema com qualquer catequizando? Não. Devo conhecer o meu catequizando para escolher um tema que venha ao encontro daquilo que ele pode e deve receber. Usar um tema muito denso, pode resultar no desinteresse por parte dos catequizandos. Por exemplo, não posso trabalhar a Santíssima Trindade com crianças de 6 a 7 anos, pois eles não desenvolveram o sentido de abstrato, necessário para se compreender como Deus pode ser ao mesmo tempo UNO e TRINO.
·        Assumir como processo metodológico a interação fé e vida.
Não existe fé desligada da vida. Tudo funciona na nossa vida. Portanto, precisamos tomar o cuidado de não simplificar o tema colocando-o “no tempo de Jesus” ou de outra situação do passado, mas trazer a luz do Evangelho para hoje, na nossa realidade.
·        Utilizar diferentes textos, manuais e estratégias na catequese, mas sempre adequadas às faixas etárias.
A Bíblia é essencial à catequese, especialmente na CPI que não adota manual algum, mas isso não dispensa o catequista de fazer pesquisas, tanto no sentido metodológico, estratégico, textos seculares e religiosos, alem de diferentes manuais que muitas vezes nos ajudam no trabalho de um tema.
·        Apresentar uma verdadeira caminhada de fé e não um simples ensino da doutrina.
Devemos fortalecer na catequese a vivência do caminho. O amor fraternal nos leva a Deus, e podemos afirmar que esse amor é realizado em nós por Jesus, através do Espírito Santo.
·        Possibilitar a participação de todos num processo permanente de educação na fé e não só a preparação para os sacramentos.
·        Apresentar Jesus como caminho ao Pai pelo Espírito Santo.
·        Ter a Bíblia como fonte de inspiração e uma mediação na catequese.
·        Motivar o catequizando para a experiência de conversão e leva-lo a assumir o seu papel dentro e fora da comunidade, como verdadeiro cristão.
Mostrar aos catequizandos (especialmente os mais velhos – Adolescentes e Adultos) que a conversão não é mudar de religião, mas de atitude. Nós nos convertemos todas as vezes que aceitamos o amor de Jesus Cristo.
·        Introduzir o catequizando à vida litúrgica na comunidade.
O catequizando chega a catequese como que por imposição dos pais, que muitas vezes não participam da comunidade mas querem os seus filhos “católicos como eles o são”. Por isso, eles enxergam a catequese como uma formação finita, sem compromissos definidos e sem obrigações. Cabe ao catequista mostrar ao catequizando que ele é membro do Corpo de Cristo (Cf. I Cor 12) e faz parte da vida da comunidade.
·        Valorizar os costumes e festas do povo.
Valorizar a fé popular é aceitar a cultura da comunidade, mas cuidado, muitas comunidades e grupos esquecem dos valores máximos da nossa fé a favor das suas devoções e da sua fé popular, muitas vezes, misturando ritos e religiões (Sincretismo religioso) que se chocam com a fé católica  e até mesmo com o cristianismo. Cabe ao catequista, enquanto membro ativo da comunidade corrigir essas falhas.
·        Motivar a participação do catequizando nas outras dimensões da ação pastoral da Igreja, dentro e fora da comunidade.
O catequizando, após a sua identificação como membro da Igreja particular (Comunidade) precisa se identificar com a Igreja (Ministério) e assim assumir os projetos que ultrapassam o nível da sua própria comunidade.

Planejamento é importante na catequese, por que?
A principio pode parecer besteira se falar de planejamento catequético, mas é a forma mais correta de se aproveitar ao máximo todos os recursos que dispomos na catequese.
·        Para se trabalhar melhor e não perder de vista os objetivos.
O planejamento serve para nos orientar, permitindo sempre uma visão clara dos nossos objetivos.
Ao se preparar um planejamento é preciso ter conhecimento e consciência das metas que devemos alcançar, tomando-se como base, os recursos humanos (pessoas que vão trabalhar em determinado projeto) e logísticos (equipamentos, espaço físico disponível, datas, etc.) que se tem a disposição. O bom planejamento não é certeza de realização e deve permitir ser revisto, reavaliado e até re-elaborado se necessário, em períodos determinados de tempo. Normalmente se faz um planejamento anual, o que não impede, por exemplo, de se fazer um planejamento mais amplo, que atinja 2, 3 ou mais anos.
·        Para aproveitar melhor os recursos e evitar os esforços inúteis.
O bom planejamento deve otimizar a utilização dos equipamentos e pessoas, de forma a não sobrecarregar uns e deixar outros ociosos. Muitas vezes, na comunidade, as pessoas acabam “querendo assumir” vários cargos e atividades ao mesmo tempo, isso é prejudicial, pois vão acabar não desenvolvendo bem nem uma nem outra coisa. Cabe nesse caso aos coordenadores limitar as atividades, a fim de não prejudicar o conjunto.
·        Para garantir a continuidade da caminhada priorizando o essencial no trabalho.
Essa característica do planejamento é importante, pois garante a sobrevivência de um projeto. É importante, principalmente quando estamos considerando períodos de tempo ou projetos  relativamente longos.

Conclusão: O planejamento é uma ferramenta que serve aos catequistas de forma a ajuda-los a organizar sua ação, não é infalível e deve ser constantemente avaliado e revisto, de forma a sempre seguir o caminho “Ótimo”, ou seja, que apresente o menor esforço e gasto para se alcançar o mesmo meio.

Desafios de hoje:
Para os catequizandos:
Quem são os catequizandos de hoje? Até alguns anos atrás, poderíamos nos referenciar aos catequizandos como as crianças da catequese. Hoje, o termo catequizando é mais amplo, atingindo todo o ser humano. É cada vez mais comum encontrar-mos grupos de catequizandos adultos e até mesmo grupos de catequizandos que já receberam o sacramento da Eucaristia, mas desejam reencontrar com a pessoa de Cristo.
·         A perseverança.
Hoje a perseverança é o maior desafio que atinge a catequese. Como fazer frente a Internet, Vídeo-games, futebol, e até mesmo com a Televisão? A lista dos concorrentes cresce a cada dia, e atrai a atenção e a religião, normalmente, não faz parte delas. De cada grupo de 20 jovens que recebem a Primeira Eucaristia, somente cinco costuma permanecer ligado a comunidade, seja através de grupos de jovens ou outras atividades da comunidade.
·         A participação na vida da comunidade.
Ligada diretamente a perseverança, a participação das pessoas na vida da comunidade deve ser fruto de estimulo e realização para todo cristão. Entretanto, são comuns as histórias de pessoas que são rejeitadas, deixadas de lado numa comunidade, principalmente quando começam. Nós pregamos a fraternidade, mas praticamos a exclusão.

Para os catequistas:
·         Planejar as atividades na catequese.
Conseguir criar ações que consigam garantir aos catequizandos a perseverança e a participação na vida da comunidade.

Compromisso:
·         Estar a serviço do objetivo da catequese e não aos meus próprios objetivos.
·         Ter consciência da necessidade de ser formar uma comunidade catequizadora.
·         Estar a serviço da verdade e da justiça.
·         Estar a serviço de uma catequese como educação continua da fé.

V.          Estudo Bíblico:
Como devemos trabalhar o Estudo Bíblico?
Em primeiro lugar, devemos deixar claro para os catequistas, que para se fazer um bom estudo bíblico, devemos buscar informações sobre a época do escrito (seu contexto histórico) como era a sociedade da época (contexto social), para quem ele foi escrito (destinatário) e o tipo de texto (Gênero).
Já com essas informações, passamos par ao texto propriamente dito, ai, vamos ver qual a mensagem central que ele nos passa (não a que queremos que ele passe, mas a que Deus nos oferece) e extraímos os ensinamentos. É importante dizer que ensinamento não é resumo, síntese ou compressão, mas pequenas frases que levam a boa nova ao nosso coração.
Neste texto, temos:
Gênero Literário: Parábola Comparativa
Mensagem Central: O Reino de Deus é um tesouro.
Mt 13, 31-33.44-46
31 E Jesus contou outra parábola: “O Reino do Céu é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo.
32 Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce fica maior que as outras plantas. E se torna uma árvore, de modo que os pássaros do céu vêm e fazem seus ninhos em seus ramos”.
33 Jesus contou-lhes ainda outra parábola: “O Reino do Céu é como o fermento que a mulher pega e mistura com três porções de farinha, até eu tudo fique fermentado”.
44 “O Reino do Céu é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra, e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens, e compra esse campo.
45 “O Reino do Céu é também como um comprador que procura pérolas preciosas.
46 Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens, e compra essa pérola.”
V.31 –  Jesus falava de forma que todos pudessem entender.

V.32 – O Reino de Deus começa no coração de cada um e atinge a sociedade toda.

V.33 – O Reino de Deus é para todos.

V.44 – O Reino de Deus está escondido nos nossos corações.

V.45 – O reino de Deus deve ser encontrado.

V.46 – Quando encontramos o verdadeiro Reino de Deus, nada mais importa.
Documento: Encontro 01 para monitores da Escola/RESA
Elaboração: Lourdes Dias dos Santos Lobo e Zacarias Ribeiro Lobo
(zacarias_ribeiro@ig.com.br/ldslobo@ig.com.br)

Versão 1.0 – 02/2003

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

PERDOAR SEM LIMITES

Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou:
"Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?"   Jesus respondeu: "Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: 'Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo'.
Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida.  Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo:
'Pague logo o que me deve'. O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: 'Dê-me um prazo, e eu pagarei a você'. Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: 'Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?'  O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. É assim
que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão."

O texto acima, retirado do Evangelho de Mateus (Mt 18, 21 ss - versão Pastoral) nos traz algumas ideias sobre o que vem a ser o perdão... Pedro se aproxima de Jesus e pergunta quantas vezes devemos perdoar. Ele mesmo responde... "Até sete vezes?" Para Pedro, falar em perdoar sete vezes era algo muito alem das propostas colocadas pelos Rabïs, Sacerdotes e Sumos Sacerdotes da época que pregavam o perdão por até cinco vezes.

Entretanto, ao olharmos o texto de forma fundamentalista e simples poderíamos pensar que Jesus propõem que se deve perdoar quatrocentas e noventa vezes (7 x 70 = 490)... mas não é isso que Jesus diz. Para se entender isso é preciso compreender a questão dos números na cultura judaica. O número 7 indica a ligação ou a perfeição de Deus, a totalidade. Assim, quando Pedro fala de perdoar sete vezes ele liga o perdão a Deus. Mas Jesus vai muito alem, pois a multiplicação indica o infinito, é o perdão eterno, permanente, e único garantia de que se alcança o Reino de Deus.

Jesus completa com uma parábola (que nesse texto é colocada na pessoa do Patrão, mas em alguns textos indica o Rei), nesse texto o primeiro empregado devia ao patrão uma fortuna impagável... assim o Patrão,  como era costume na época e na região, resolve vendê-lo com a família para quitar a dívida, que, como se percebe no texto,  não seria possível quitar a dívida. O empregado pede piedade e um prazo para pagar a divida. O Patrão, que representa o Pai, sabendo que por maior que fosse o prazo ele jamais conseguiria pagar a dívida (pecado), resolve perdoar a dívida.

Entretanto, esse mesmo empregado tinha um companheiro que lhe devia uma grande quantia, algo como três ou quatro meses de salario (cem moedas de prata). Ao vê-lo cobrou a dívida e como esse não tinha como pagar ele o manda para a cadeia. Ele não teve piedade, não perdoou o companheiro!

Os outros empregados, vendo o que havia ocorrido, chamam o patrão e lhe dizem como ele não sabia perdoar. O patrão manda prender o homem que não sabia perdoar e lhe manda castigar. Observe que ele não prende a família do devedor, mas somente ele.

Nessa situação, a divida é o pecado... e quantos pecados precisamos ter para sermos condenados? Lembrando que a punição, ou seja a prisão do Patrão é o Inferno, ou seja, o local onde aqueles que não tem direito a viver na Jerusalém Celeste (Ap 21-22) serão enviados... a resposta é muito simples, basta um pecado... você pode perguntar, como assim? A construção do pecado esta na nossa ação, ou seja, na nossa intenção de destruir, prejudicar ou de alguma forma MATAR o irmão... cobrar dele o perdão que não sabemos oferecer.

No Sermão da Montanha (Mt 7, 12) Jesus nos entrega a única forma de alcançar o Reino de Deus, cumprir a Lei e os Profetas, ou seja, fazer para o irmão aquilo que se deseja receber do irmão. Ora, quem ama o irmão como a si mesmo não rouba, mata, comete adultério, etc e respeita, o irmão, a pessoa do Senhor! Por isso vamos voltar as Bem Aventuranças (Mt 5, 1-12) que também esta presente no Sermão da Montanha e que na visão do Evangelista Mateus vem dar cumprimento aos Dez Mandamentos, presentes no Livro do Êxodo. Afinal, se eu desejo receber o bem, vou semear o bem! Para receber o o perdão, vou praticar o perdão! Simples assim!

Desejo, a todos que
por ventura já tenha ofendido, minhas mais sinceras desculpas... e espero deles apenas o seu perdão, pois a gente tem o hábito de guardar muitas coisas por muito tempo... para que ocupar o coração com magoas?

Zacarias Ribeiro Lobo

Catequista Católico