quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Breve visão do Apocalipse

Apocalipse de São João:
I. Introdução Geral:
O que você pensa quando se fala em apocalipse?  Normalmente, as pessoas pensam em fim de mundo, destruição, monstros e morte. Na realidade, o apocalipse, por ser um livro da Bíblia, inspirado por Deus, não poderia e não tratar desses assuntos.

1.1. As chaves do Apocalipse:
Ao contrario do que as pessoas pensam, o Apocalipse é um livro de:
1.      Resistência (Convicção, certeza da mudança).
2.      Denúncia (Profecia  - a denúncia profética, é aquela que revela uma situação que leva a morte).
3.      Celebração (Convida a celebrarmos a Ressurreição de Jesus Cristo, que venceu a morte e está vivo, junto ao Pai [Cf. Ap 1]).
4.      Testemunho (Representado principalmente pelo Martírio, aquele que jamais nega a Cristo).
5.      Felicidade (É um livro que nos mostra a felicidade, mostrando-nos como viver as 7 bem aventuranças [Mt 5, 1-12; Lc 6,20-23]).
6.      Urgente (É um livro sempre atual, que nos trás hoje, a mesma esperança que trouxe quando foi escrito em 95).
7.      Esperança (Vida melhor, vida com Cristo e junto a Deus, na Jerusalém Celeste, descida para a Terra [Cf. Ap 21]).

1.2. Estilo Literário do Apocalipse:
O estilo apocalíptico (Apocalíptica), não é exclusividade do Apocalipse de São João, podemos encontra-lo em diversos textos, como por exemplo nos Evangelhos (Cf. Mc 13), nos livros Proféticos (Cf. Dn; Ez 37, 1 ss.), em livros sapienciais e em muitos apócrifos (livros de cunho religioso, mas que não fazem parte do Cânon Católico ou cristão/judaico).

1.3. Autor do Apocalipse:
O autor do Apocalipse é um certo João (Cf. Ap 1,1; 2,4. 9; 22, 8) que a tradição costuma ligar com o Discípulo Amado, autor do quarto Evangelho (João) e de 3 cartas (I, II e III João).
Não é possível garantir que o autor do Evangelho, das Cartas e do Apocalipse seja o mesmo. Pelo menos dois nomes de peso, colocam como autor do Apocalipse outros homens: Gaio, presbítero romano do inicio do século III, atribui ao herege Arinto, fundador dos Ebionitas (Pobres de Cristo). O outro é Dionisio, bispo de Alexandria (metade do Século III) que relata a existência em Éfeso, de um outro João, distinto do Apóstolo, que seria o autor.

1.3.1. Quem era “esse” João:
Profeta: Ap 22, 8-9;  1, 10-11 -  É chamado de Profeta pelo anjo (Cf. Ap 22, 9), e lhe é dito que deve escrever tudo o que vê (1,10-11), portanto, fala em nome de Deus.
Perseguido: exilado em Patmos, provavelmente por causa do Evangelho (Cf.  Ap 1,9).

1.4. Significado do nome Apocalipse:
O significado da Palavra Apocalipse, aparece logo no inicio do livro (cf. Ap 1,1), e deriva da palavra grega Apokálipsis, e é traduzida como revelação, mas no sentido de descobrir, retirar o véu.

1.5. Destinatários Originais:
O Apocalipse é destinado a 7 comunidades da Ásia, que representam todas as comunidades cristãs do mundo.
Éfeso: Capital da Ásia Menor.
Localizada no Mar Egeu.
Porto importante.
Dona do Colossos de Rodes (uma das 7 maravilhas do mundo antigo, das quais sobrou apenas as pirâmides do Egito).
Tinha o importante Templo de  Ártemis, local de peregrinação para os gregos.
Era uma cidade imperialista (culto ao Imperador de Roma), por isso tinha o título de NEÓCORIS.
Paulo pregou ali, numa comunidade fundada por João Batista (cf. At 18, 19ss).
Tinha uma industria de jóias sofisticada, tanto que os seus ourives sentiam-se prejudicados pelo cristianismo.
Conforme a tradição popular, João, o discípulo de Jesus, teria fugido com Maria, mãe do Senhor, para Éfeso, após a morte do Mestre (Cf. 19,25-27).

Esmirna: Fundada em 600 a.C..
Cidade moderna e funcional, bem planejada.
Tinha um porto importante, ao norte de Éfeso.
Tinha muitos pobres (comunidades cristãs).
Templos a deusa Roma, ao Imperador e ao Senado.
Judeus perseguiam cristãos.
Não via o seu lado negativo. Não enxergava os seus problemas.
Única cidade que existe até hoje, a moderna Izmir.
Ruínas mais importantes, é o fórum onde o bispo Policarpo confessou a Cristo e foi martirizado por volta do ano de 155.

Pergamo: Cidade originaria do Pergaminho.
Localizava-se na Acrópole.
O grande trono de Satanás, pode ser uma alusão ao grande altar de Zeus.
Base do culto ao imperador.
Centro terapêutico, baseado no Templo de Esculápio.

Tiatira: Centro comercial.
Atividade Cerâmica e Tecelagem (Cf. At 16,14).

Sardes: Ex-capital do antigo reino da Lídia.
Creso, rei de Sardes, era muito rico.
Colônia grega.
Arqueólogos, descobriram uma Sinagoga.

Filadélfia: Localizada num vale de ricas culturas.
Algumas referencias encontradas no Apocalipse, podem dizer respeito a antigos templos, como o erguido sobre a colina, atras da cidade.

Leodicéia: Cidade prospera, próxima a Colossos e Hierápolis, no vale do Lico.
Cidade rica.
Produzia lã e colírio.
Centro econômico.
Julgava-se auto-suficiente.
Foi destruída no ano 60, por uma erupção.
Rejeitou ajuda do senado.
Tinha fontes térmicas (Vulcânicas e sulforosas).
Fabricava remédios para os ouvidos e colírio.

II. Introdução ao livro do Apocalipse:
É importante ler e conhecer o apocalipse, e principalmente, não o interpretar de forma fundamentalista. O escritor e teólogo D.H. Lawrence escreveu: “O Apocalipse é o mais detestável livro da Bíblia, quando tomado superficialmente”. E para contrapor essa afirmação, o teólogo italiano Eugênio Corsini escreveu: “Pior que conhecer superficialmente o apocalipse, é não conhece-lo” (Cf. Grande Comentários Bíblicos - O Apocalipse de São João - Editora Paulinas - Eugênio Corsini [Introdução do Livro]).
O livro do Apocalipse, é dividido em 22 capítulos curtos, e podemos dividido em 3 grandes partes: uma introdução (Ap 1-3) e dois roteiros, sendo que o primeiro mostra a história do Povo, sua caminhada de salvação com Deus (Ap 4-11). E o segundo roteiro, que mostra o julgamento de Deus (Ap 12-22).
Outra forma de dividir o Apocalipse é em Setenários, ai teremos 4 setenários que se complementam e refletem-se entre si. O primeiro é o das Cartas (7 cartas - 2-3); o segundo é o dos selos (7 selos - 6,1-8,1); o terceiro é o das trombetas (7 trombetas -8,6-11,19); e o quarto e ultimo é o das taças (7 taças - 16). Cada um desses setenários tem uma introdução e uma conclusão.
O inicio do Apocalipse, ocorre no céu (Ap 1,10), João é levado pelo anjo para ver e conhecer o anuncio da revelação, e termina com o Céu (Jerusalém Celeste) descendo para a Terra (Ap 21,2). Quem mostra a João o que ele deve falar e escrever é o próprio Jesus Cristo (Cf. Ap 1, 12ss).

III. As Sete Cartas:
As sete cartas (Ap 2,1-3,22) são pequenas cartas quase bilhetes que tem todas as mesma estrutura e forma.
As cartas se apresentam como palavra de Jesus (Cf. Ap 2,1) - “Assim diz aquele que tem na mão direita as sete estrelas”, referindo-se ao Ap 1. Jesus recebe sempre um título, que serve de motivação.
São dirigidas a um anjo, provavelmente líder da comunidade - “...escreva ao anjo da Igreja de Éfeso...” (Cf. Ap 2,1 a).
Inicia-se com a motivação - “conheço a conduta de vocês” (Cf Ap 2, 2-3).
Após a motivação, vem a critica (porem), que mostra  algo negativo da comunidade - “mas há uma coisa que reprovo...” (Cf. Ap 2,4). Duas comunidades não apresentam sinais negativos, Esmirna e Filadélfia.
A carta sempre termina com um aviso final - “Preste atenção, repare onde caiu...” (Cf. Ap 2,5).
Aos vencedores, aqueles que conseguem a conversão, é dado um prêmio conforme a cultura ou a tradição da comunidade - “Ao vencedor, Eu darei como prêmio...” (Cf. Ap 2,7).
Todas as cartas tem a mesma estrutura literária, e o mesmo estilo.

IV. 1º Roteiro - Os Sete Selos:
A maior parte dos estudiosos, dividem o livro do Apocalipse em 3 partes, a introdução, que vai de Ap 1,1-3; o primeiro Roteiro, dos Selos, que é composto de Ap 4-11; e o segundo Roteiro, o Julgamento de Deus, Ap 12-22.
João inicia o roteiro dos selos, mostrando como era o Céu. O trono e aquele que se apresenta no trono, lembra o Êxodo.
O Céu não é exclusividade de Deus, está numa comunidade com 24 anciões e 4 seres vivos, que lembram os 4 evangelhos, conforme o comentário de Irineu (Leão - Marcos; Homem - Mateus; Touro - Lucas e Águia - João), e convida as comunidades que já conhecem o Evangelho, o seu conteúdo, e as suas exigências a participarem de um novo êxodo.
O roteiro dos sete selos, mostra um livro escrito por dentro e por fora (AT) e será aberto por Jesus (Leão de Judá).
Os 4 primeiros selos, mostram a história da humanidade, controlada pelo mau.

4.1. Os Cavaleiros do Apocalipse:
A visão dos cavaleiros do Apocalipse, João vai buscar no livro do Profeta Zacarias (Cf. Zc 1,8. 6,1ss).
Cada um dos cavaleiros, tem uma cor e um simbolismo.
1º.  Selo: Cavalo Branco - poder militar, avanço do poder militar Romano.
2º.  Selo: Cavalo Vermelho - guerras sangrentas entre os povos do império Romano.
3º.  Selo: Cavalo Preto: fome e carestia, custo de vida.
4º.  Selo: Cavalo Esverdeado - representa a morte, peste e doenças, também conseqüência do avanço do império.
5º.  Selo: Ano presente (ano de 95 d.C.) - ninguém pode impedir o avanço dos dominadores. Os que recebem as vestes brancas já alcançaram a vitória do Cordeiro (6, 9-11).
6º. O que vai acontecer?
É dividido em 3 partes:
- 6,12-17 - Manifestação da ira de Deus.
- 7, 1-8 - Marca de Deus.
- 7, 9-17 - A multidão se encontra.
Na primeira parte, os dominadores que vem dominando até o 5º selo, fogem apavorados.
O texto da 2ª parte, mostra que os fieis a Deus são marcados (Batismo). O povo, até então desorganizado aparece agora organizado em 12 tribos (Cf. Nm 1, 20-43).
O terceiro texto (Ap 7, 9-17) mostra o encontro de todos os povos, perseguidos pela Besta, que serão acolhidos por Deus (Lavaram e Alvejaram as roupas no sangue do cordeiro - Ap 7, 13ss).
. O sétimo selo, anuncia o julgamento e a tentativa do poder em sufocar a profecia (matar as testemunhas).
As catástrofes naturais, mostradas nesse trecho, lembram o poder de Deus.

V. 2º Roteiro - Os Sinais do Céu:
5.1. Introdução:
No primeiro roteiro, João esta na terra (Patmos - Cf. Ap 1,9) e de lá vai ver as coisas que realizam-se no céu. No segundo roteiro, ele começa olhando o céu (12,1), e esse sinal desce para a terra, para que seja realizada a implantação do Reino (Cf. Ap 21,2). No segundo roteiro, vamos ver o julgamento.

5.2. Primeira Visão - A mulher e o Dragão:
O segundo roteiro, começa com uma luta desigual, uma mulher gravida contra um dragão, e Deus vem ao encontro dos mais desfavorecidos (12, 1-6).

5.2.1. Quem é a mulher?
Podemos dizer que a mulher é Eva (mãe de todos, a primeira mulher), Maria (Mãe de Jesus, e por isso gravida) ou ainda Israel, o povo de Deus, escolhido desde o Êxodo.

5.2.2. Quem é o Dragão?
Lembra aqui o livro do Gênesis, a antiga serpente, o diabo, satanás, todo poder do mau e do pecado. O Dragão, figura com características romanas (sete cabeças, que podem ser as sete colinas do império), a cor vermelha (sangue e martírio) muito utilizada pelos soldados romanos e mantos dos reis e imperadores. O Dragão é forte, mas não é perfeito (10 chifres).

5.2.3. A Batalha:
Deus socorre a mulher, mandando-a para o deserto (a exemplo de Elias, que para fugir da perseguição de Jezabel e Acab, foge para o monte Carmelo [Cf. I Rs 17-19; 21, 52-54]).
A mulher deu a luz (inicio da Igreja) e o Dragão, derrotado, desce para a terra atras da mulher.
Outra lembrança que o Dragão é Roma, sede do poder perseguidor, é o rio (12, 15-16) lembrando a lenda da fundação de Roma (quando os dois irmãos, Romulo e Remo, mamavam nas tetas de uma loba, nas margens do rio).

5.3. A Besta:
O Dragão foi vencido (podemos dizer que ele representava o poder político). Ele para de frente a uma praia, na beira do mar (12,18). O mar, para os judeus, era um limite intransponível, por isso mesmo, morada de todo mau.
O Dragão transfere o seu poder para a Besta Fera, que tinha as mesmas características do Dragão. Podemos aqui dizer que o Dragão é Nero (conforme a interpretação de um grande número de estudiosos), e a Besta é Domiciliano.
A aparência da Besta revela suas intenções: tudo o que havia de mau nos grandes impérios antigos (descrição da Besta - 13, 1-8). A aparência de Pantera ou Leopardo = Império Persa; Pés de Urso = Império Medo; Boca de Leão = Império Babilônico.

5.3.1. Cabeça Ferida de Morte:
Pode ser uma referencia usada para comparar ou lembrar a ressurreição de Cristo, só que aqui alude a Nero, recuperado em Domiciliano pelo culto ao imperador.

5.3.2. A segunda Besta:
João faz referencia a uma segunda Besta, menor que a primeira e que na aparência lembra o cordeiro (Cristo), mas que fala como o Dragão (podemos dizer que essa segunda Besta, lembra o poder religioso corrompido). São os falsos profetas, e representam a propaganda ideológica do Império.
Quando se fala, em marcados na mão direita e na fronte, esta lembrando o culto ao imperador, pelo qual quem não comparecesse e participasse, aceitando o imperador como um representante da divindade, não podia comprar nem vender nada (mão direita). Quando se aceita o imperador como representante da divindade, aceita-se a sua ideologia de morte e perseguição (marcados na fronte - 13, 16-17).
O número da Besta, o 666, é explicado de várias formas, mas a mais corrente é que ele representa César Nero, o 8º Imperador de sua dinastia, que suicidou-se por volta do ano 68. Existia uma lenda, que dizia que Nero iria voltar para retomar o seu poder, comandando um exercito de soldados de fora do império Romano, entre eles os Pardos e Medos, que usavam o gás de enxofre como arma química.
Aplicando-se o cálculo pitagórico (Somatória dos números de 1 a n) teremos:
Nero 8º Imperador. n=8.
(1+2+3+...+N)= [nx(n+1)]/2 = [8x(8+1)]/2=36.
Ora, para os antigos cristãos, Domiciliano era a reencarnação da maldade de Nero, portanto, Nero nasceu de novo:
n=36, é novamente aplicado ao cálculo pitagórico, novamente temos:
[36x(36+1)]/2 = [36 x 37]/2 = 666
Outra forma de ver esse número misterioso, é mostrando-o como imperfeito (metade de 12, e não chega a 7). Então ele se contrapõem ao número 777, que representaria a total perfeição.

5.4. O povo do Cordeiro:
É uma nova visão. João vê o inicio do julgamento, e que Roma (representada pela Babilônia) com seus representantes e sistemas vai cair. Recupera as imagens anteriores, os 4 seres vivos, e os 144 mil marcados com o sinal do Cordeiro (Israel). Ele mostra também quem presidirá o julgamento, Jesus (14, 14ss).

5.5. Julgamento definitivo (15-16):
Agora são os vencedores da Besta que entoam um canto, canto novo, canto de Moisés e do Cordeiro (Novo Moisés). Lembra e relê Ex 15 (Ap 15, 3-5).
O novo Moisés, ira conduzir o povo para a nova Terra Prometida (Jerusalém Celeste - 21). O projeto de Deus será executado, por isso os anjos saem do templo.
Todos tiveram tempo para se converter e aceitar o Evangelho. Ao ver que o povo preferia não se converter, Deus determina o inicio do julgamento (16, 1).
As pragas lembram as do Êxodo:
- Ulceras;
- Água em Sangue (rios e mares);
- Sol que queima o Homem (não pertence as pragas do Egito);
- Trevas.
Mesmo após as 5 primeiras pragas, que atingiram todo o universo, os Homens ainda não se converteram (Cf. 16,11).
- Seca (Eufrates é um dos rios da Mesopotânea, terra da origem de Abraão, o outro é o rio Tigre - aqui lembra a saga de Elias [I Rs 17]). A praga não é a seca, mas a guerra (Cf. 16,12).
A Besta, Dragão e Falso Profeta, contrapõem a Santíssima Trindade.
Ai, o mau reúne todos aqueles aliados que sobraram e prepara-se para o confronto final. Harmagedon (16, 16) significa Montanha Meguido, lugar de derrotas famosas, narradas no Antigo Testamento.
- Terremoto.
- Granizo.
A sétima praga é a consumação da ira de Deus, contra todos os infiéis.

5.6. Consumação Final (17-18):
No deserto encontramos outra mulher, não a mesma protegida por Deus, mas uma suntuosa prostituta (ROMA). Ela representa todo o mau e poder do imperador (nomes usados pelo imperador). Ela utiliza-se do sangue dos mártires e testemunhas de Cristo para embriagar-se (o vício reduz o Homem a um escravo).
Os chifres  se revoltam contra a Besta (17, 16-18), ou seja, vendo a derrota iminente, os dominados se rebelam contra Roma a dominadora.
Ap 18, 1-19:
Ap 18, 1-3 - Mostra que Deus não abandonou o seu povo, e a prostituta, jaz derrotada.
A queda da cidade faz com que os grupos dominantes fiquem tristes: Lamentações dos reis (Poder Político), Mercadores (Poder econômico), Navegantes (Poder da Comunicação).

5.7. Celebração da Vitória (19):
Mostra a manifestação da Gloria de Deus, e ao mesmo tempo, traz um alerta, não devemos engrandecer e glorificar aquele que é instrumento de Deus (At 10; Ap 19, 9-10).
Quem vai julgar e executar o julgamento é o próprio Jesus, usando o seu Evangelho.
A Besta e o Falso Profeta são jogados no lago de fogo e enxofre (Império Medo) e os corpos são abandonados para serem comidos pelas aves (19, 19-21). Quem mata os inimigos é o Evangelho.

5.8. Fim da História (20-22):
O capítulo 20, já deu origem a muitos problemas, o mais conhecido e divulgado é o Milenarismo. Muitas seitas (até nos nossos dias) usam a expressão 1000 anos como referencia a grandes tragédias. Mas isso não é novo. Santo Agostinho escreveu um livro para combater o Milenarismo, chamado XX.
Os mil anos citados no Apocalipse, significam um longo tempo, e comparado a ação da Besta (3 anos e meio, 46 meses ou 1260 dias), vamos perceber que o domínio é curto.
No capítulo 21, o mar não existe mais, pois para os judeus antigos, o mar é morada do mau, barreira intransponível. A cidade Celeste desce, é o reino de Deus no nosso meio. A tenda de Deus lembra a tenda da Aliança (Ex). Deus passa a habitar com os Homens, recuperando o equilíbrio quebrado em Gênesis (Gn 3) por ocasião do pecado. Existe uma fonte de água viva (lembra o batismo), uma água que cura e purifica. Aqui, não existem rejeitados, todos são filhos de Deus. Os infiéis, foram jogados no “inferno” representado pelo lago de fogo e enxofre.
A cidade que desce é a noiva do cordeiro, é toda perfeita, seus números são perfeitos e sua construção valiosa (pedras preciosas). Ela não tem templo, pois Deus habita nela com o Homem, por isso não precisa de religião (religação do Homem com Deus). Nessa cidade, não tem sol nem lua, a noite não existe, pois representa as trevas, e a cidade será morada de todos os povos. Todos estão inscritos no livro da vida, no Evangelho.
O capítulo 22, encerra o livro com uma tranqüilidade e paz, sem nunca esquecer que para se viver na Jerusalém celeste, é preciso viver a profecia e a verdade.
O livro do apocalipse, não é para ser escondido, mas para ser anunciado e vivido (22, 10).
Deus está pronto para nos julgar, mas não como nós, humanos, e sim como Ele, Deus (Cf. Mt 20, 1-12).

6. Bibliografia (Leituras para aprofundamento):

Esperança De Um Povo Que Luta
Carlos Mester - Paulus

Grande Comentário Bíblico - Apocalipse de São João
Eugênio Corsini - Paulinas/Paulus

Dicionário de Figuras e Símbolos Bíblicos
Paulus

Como ler o Apocalipse (resistir e denunciar)
Pe. José Bortolini - Ed. Paulus

Não Tenham Medo (Apocalipse)
Frei Gorgulho/ Ana Flora  Anderson - Ed. Paulus

Os lugares da Bíblia
 Ed. Paulus

Jornal Mundo Jovem - Maio/98
José Afonso Beraldin, professor de Bíblia na PUC-RS.


Ato dos Apóstolos

Perguntas:
1- Quando se iniciou o crescimento das comunidades Cristãs?
2- A partir de quando?
3- Quem é Barnabé?
4- Quem é Saulo de Tarço?
5- Quem é João Marcos?
6- Porque ocorreu o concilio de Jerusalém?
7- O porque do Naziriato de Paulo?

Para poder se entender a expansão da Igreja, e mais precisamente do Cristianismo, é preciso antes entender o que é Igreja, e o que é Cristianismo. O Cristianismo é a professada na Ressurreição de Cristo. A Igreja é uma instituição, uma organização que levou (e deveria levar) a fé as pessoas. A arma do cristianismo é o Evangelho, que foi escrito a partir da ressurreição de Jesus, e não do seu nascimento.
O mais antigo dos Evangelhos, o Proto-Marcos (vamos ver isso melhor no Módulo sobre Sinóticos), traz-nos a proposta da comunidade para ser batizada, descobrir o caminho do Senhor. Esse querigma, mostra ao povo que mesmo ma perseguição e até na morte, encontraremos a vida que vem de Jesus.
Por isso, podemos dizer que a expansão cristã começou com os discípulos e apóstolos de Jesus, iniciado por João Batista, que anunciava a vinda do messias e foi aumentando até alcançar uma multidão incontável (Cf. Mt 5, 1-2).
O próprio livro de Atos, inicia-se com um relato onde elenca um conjunto de comunidades que expressa a grande divulgação e relata a expansão por todo o oriente conhecido (Cf. At 2, 8-11). Mas o que os pregadores, discípulos e apóstolos de Jesus pregavam? Era sobre as maravilhas que Deus realizou (cf. At 2, 11b) vistas e enfocadas a partir da Ressurreição de Cristo, que rompe com o medo e a morte, mostrando ser possível viver sempre mais e melhor (Cf. Jo 10, 10).
Jesus de Nazaré, cujo o título para os cristãos era Cristo (Messias = Ungido) não fundou nenhuma Igreja (instituição, organização), Ele deu as “metas”, os princípios pelos quais devemos ser norteados, e deixou a organização para os Apóstolos. Jesus fazia um trabalho missionário e de evangelização, que depois foi seguido por outros missionários, como Filipe, Barnabé, João Marcos e Paulo, entre outros. Com o decorrer do livro, o foco muda de Jerusalém (Comunidade Petrina) para os Pagãos (Comunidades Paulinas).
O principal personagem do livro dos Atos, é Saul, nascido na cidade de Tarço, um porto importante da Ásia. O nome Saul, é equivalente a Saulo, cujo o paralelo latino é Paulo, e é considerado como o último dos apóstolos (que viu a Jesus, não como os outros apóstolos, que viveram com Ele, mas por efeito de uma parusia), e foi um grande perseguidor da Igreja (em especial das comunidades de Jerusalém), participando inclusive do apedrejamento de Estevão (o primeiro Mártir cristão, morto por volta do ano 37 d.C.), segurando as túnicas daqueles que o apedrejavam (Cf. At 7, 58; 8, 1; 22, 20). Aos poucos, Paulo vai assumindo o lugar de Pedro dentro do livro dos Atos, fazendo o foco sair de Jerusalém para os gentios. Antes de Paulo ser citado, vários missionários vão ao encontro dos gentios, em especial os helenistas, como Filipe, que evangelizou a Samaria, e o funcionário Etíope.
Para se conhecer bem um livro, ou um assunto, é preciso conhecer bem também para quem, e como foi escrito o livro. No nosso livro de Atos, temos diversos personagens que levam a Boa Nova a vários locais, e muitas vezes envolvem-se em conflitos. O primeiro modelo de comunidade, é um modelo utópico, um sonho, que serve de base para a criação real das comunidades, e é nesses moldes de sonho que o livro nos relata o episódio de Ananias e Safira, um casal que vendeu um terreno, e resolveu por algum motivo enganar a comunidade (só que eles estavam mentindo para Deus, e não para a comunidade). Foram punidos com a morte. Antes desse episódio, é apresentado um levita de nome José, nascido na Ilha do Chipre, que entregou tudo o que tinha para a comunidade e abraçou a fé cristã como missionário. Ele recebeu por parte da comunidade o nome de Barnabé (Cf. At 4, 36). Esse mesmo missionário, será no futuro o fiador da fé paulina, pois ele atesta perante os apóstolos que Paulo é fiel a Cristo (Cf. At 9, 26-30).
Barnabé tinha como outro companheiro de missão, certo João Marcos, que a tradição ligou como o Marcos, autor do Evangelho, que seria a compilação da pregação oral feita por Pedro. João Marcos acompanhou os missionários Paulo e Barnabé na sua primeira viagem missionária, indo até a Panfilia (Cf. At 15,38), onde sem explicação explicita no livro, abandona o grupo e volta para Jerusalém (a tradição costuma colocar essa deserção de Marcos como sendo a sua volta para escrever o Evangelho).
Aparentemente, a primeira viagem missionária de Paulo terminaria com o concilio de Jerusalém (Cf. At 15, 5ss), entretanto, parece mais correto colocar esse concilio no fim do livro (Cf. At 21, 17-26), explicando entre outras coisas, o Nazariato de Paulo, uma promessa em que só se corta o cabelo após cumpri-la, sendo então que a promessa de Paulo seria pela aceitação dos cristãos gentios dentro das comunidades.

As 4 Grandes Viagens de Paulo:
Primeira Viagem (At 13-14):
Essa primeira missão envolvia Barnabé, João Marcos e Paulo. Marca o fim da primeira etapa da vida da Igreja, ligada diretamente a Jerusalém. Como Barnabé era natural do Chipre, justifica o motivo pelo qual Lucas começa a missão deles por essa região.

Segunda Viagem (At 15,38-18,22):
O concilio de Jerusalém escancara as portas da Igreja para a entrada dos gentios. Assim, Paulo começa a sua segunda viagem, com a missão de evangelizar o mundo pagão. Ele alcança a Macedônia e a Grécia, penetrando no mundo Europeu.
Lucas salienta que as comunidades surgiram por obra do Espírito Santo, talvez por que comunidades cristãs surgidas em ambientes pagãos fossem mau vistas pelos outros cristãos (vindos do Judaísmo), que enxergavam nessas comunidades a ambição dos missionários.
A segunda missão começa com o conflito de Paulo, Barnabé e João Marcos, que se desentenderam. Aparentemente, Marcos deixou Paulo e Barnabé por discordar com o método deles. Entretanto, na carta aos Gálatas (cf. Gl 2, 11-14) Paulo fala que o motivo do desentendimento é mais grave. De qualquer forma, Marcos e Barnabé vão para Chipre, terra natal de Barnabé, e Paulo tomando Silas como novo companheiro, parte para o ocidente.

Terceira Viagem (At 18,22-21,16):
A terceira viagem de Paulo é ancorada em Éfeso. Nessa cidade, Paulo escreve a I carta aos Corintios, uma outra, provavelmente embutida na II Corintios (Cf. II Cor 10-13), escreve aos Galatas e aos Filipenses. Paulo ficou preso em Éfeso (Cf. II Cor 1, 8; Fl), porém Lucas não menciona nada desse tempo. Ele está mais interessado nos desvios que podem comprometer a fé dos cristãos.
Éfeso parece ser um centro meio judaico, meio cristão, com judeus seguidores do Batista (Cf. At 19, 1-17). Entretanto, conheciam apenas o Cristo Histórico. Como Apólo, doutrinado no cristianismo por Priscila e Aquila, esses Homens citados por Lucas, 12 no total - que pode ser um número simbólico, tinham como Apólo uma “Jesulogia”, e que o Batismo transforma em Cristianismo. É o terceiro Pentecostes do livro, pelo batismo eles recebem o Espírito Santo (cf. At 2,10).

Paulo em Roma (At 21,17-28,16):
A prisão de Paulo, ocorre em Jerusalém, dai, vai preso para Cesaréia, onde é julgado pelo Tribuno Lísias, e pelo Governador Félix. Quando Félix é substituído  por Festo, as autoridades  de Jerusalém tentam convence-lo de mandar Paulo para ser julgado em Jerusalém, mas Festo não cai nessa armadilha.
Festo propõem a Paulo que seja julgado em Jerusalém, mas ele apela a Roma, quer ser julgado por César. O imperador na época, era Nero, mas Paulo já conhecia a sua sentença, se fosse julgado pelos judeus, então arrisca tudo para ser levado a Roma.
A viagem de Paulo a Roma é marcada por muitos acidentes, o que quer mostrar que o missionário, condenado pelos judeus (como Jesus) é capaz de levar a vida a todos (como Jesus na ressurreição).

Paulo na Espanha:
Embora o livro dos Atos não fale, pode ser que Paulo tenha ido até a Espanha. Isso por que ele não teria ficado preso todo o tempo, teria ficado preso, sendo libertado, e depois, retornando da Espanha, teria sido preso novamente, e ai decapitado.
                        Aparentemente Paulo teve uma curta liberdade em Roma, podendo, até ter vivido lá durante os 2 anos citados em Atos, ou também ter sido liberto e ido até a Espanha (Cf. Epistola de São Clemente) de onde quando  retornou  a Roma, foi preso e martirizado pelo imperador Nero.
                        Até o relato dos Atos, parece justificar, pois se Paulo foi martirizado em Roma, por que esperar dois anos? Isso mostra bem a possibilidade de ter sido libertado, e depois novamente preso e ai decapitado.

Bibliografia:
- Bíblia Sagrada - Versão: TEB - Tradução Ecumênica da Bíblia/Versão: Pastoral/ Bíblia de Jerusalém/Bíblia do Peregrino - Novo Testamento
- Como Ler Os Atos dos Apóstolos
O caminho do Evangelho - Ivo Storniolo
- Pequeno Vocabulário da Bíblia - W. Gruen - 11a. Edição
- Apontamentos do Curso de Teologia - RESA - 1998
- Revista Vida Pastoral nº 201
Julho/Agosto 1998
Espírito Sopra onde quiser.

Pe. José Bortolini

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Campanha da Fraternidade

I. Campanhas da Fraternidade:
Em 1961, três padres responsáveis pela Cáritas Brasileira idealizaram uma campanha para arrecadar fundos para as atividades assistenciais e promocionais da instituição e torná-la autônoma financeiramente. A atividade foi chamada Campanha da Fraternidade e realizada pela primeira vez na quaresma de 1962, em Natal-RN, com adesão de outras três Dioceses e apoio financeiro dos Bispos norte-americanos. No ano seguinte, 16 Dioceses do Nordeste realizaram a campanha. Não teve êxito financeiro, mas foi o embrião de um projeto anual dos Organismos Nacionais da CNBB e das Igrejas Particulares no Brasil, realizado à luz e na perspectiva das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral (Evangelizadora) da Igreja em nosso País.
Em seu início, teve destacada atuação o Secretariado Nacional de Ação Social da CNBB, sob cuja dependência estava a Cáritas Brasileira, que fora fundada no Brasil em 1957. Na época, o responsável pelo Secretariado de Ação Social era Dom Eugênio de Araújo Sales, e por isso, Presidente da Cáritas Brasileira. O fato de ser Administrador Apostólico de Natal-RN explica que a Campanha tenha iniciado naquela circunscrição eclesiástica e em todo o Rio Grande do Norte.
Este projeto foi lançado, em nível nacional, no dia 26 de dezembro de 1963, sob o impulso renovador do espírito do Concílio Vaticano II, em andamento na época, e realizado pela primeira vez na quaresma de 1964. O tempo do Concílio foi fundamental para a concepção e estruturação da Campanha da Fraternidade, bem como o Plano Pastoral de Emergência e o Plano de Pastoral de Conjunto, enfim, para o desencadeamento da Pastoral Orgânica e outras iniciativas de renovação eclesial. Ao longo de quatro anos seguidos, por um período extenso em cada um, os Bispos ficaram hospedados na mesma casa, em Roma, participando das sessões do Concílio e de diversos momentos de reunião, estudo, troca de experiências. Nesse contexto, nasceu e cresceu a Campanha da Fraternidade.
Em 20 de dezembro de 1964, os Bispos aprovaram o fundamento inicial da mesma intitulado: "Campanha da Fraternidade - Pontos Fundamentais apreciados pelo Episcopado em Roma". Em 1965, tanto Cáritas quanto Campanha da Fraternidade, que estavam vinculadas ao Secretariado Nacional de Ação Social, foram vinculadas diretamente ao Secretariado Geral da CNBB. A CNBB passou a assumir a CF. Nesta transição, foi estabelecida a estruturação básica da CF. Em 1967, começou a ser redigido um subsídio maior que os anteriores para a organização anual da CF. Nesse mesmo ano iniciaram também os encontros nacionais das Coordenações Nacional e Regionais da CF. A partir de 1971, participam deles também a Presidência e a Comissão Episcopal de Pastoral.
Em 1970, a CF ganhou um especial e significativo apoio: a mensagem do Papa em rádio e televisão em sua abertura, na quarta-feira de cinzas. A mensagem papal continua enriquecendo a abertura da CF.
De 1963 até hoje, a Campanha da Fraternidade é uma atividade ampla de evangelização desenvolvida num determinado tempo (quaresma), para ajudar os cristãos e as pessoas de boa vontade a viverem a fraternidade em compromissos concretos no processo de transformação da sociedade a partir de um problema específico que exige a participação de todos na sua solução. É grande instrumento para desenvolver o espírito quaresmal de conversão, renovação interior e ação comunitária como a verdadeira penitência que Deus quer de nós em preparação da Páscoa. É momento de conversão, de prática de gestos concretos de fraternidade, de exercício de pastoral de conjunto em prol da transformação de situações injustas e não cristãs. É precioso meio para a evangelização do tempo quaresmal, retomando a pregação dos profetas confirmada por Cristo, segundo a qual a verdadeira penitência que agrada a Deus é repartir o pão com quem tem fome, dar de vestir ao maltrapilho, libertar os oprimidos, promover a todos.
A Campanha da Fraternidade tornou-se especial manifestação de evangelização libertadora, provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da Igreja e a transformação da sociedade, a partir de problemas específicos, tratados à luz do Projeto de Deus.
A Campanha da Fraternidade tem como objetivos permanentes: despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum; educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor, exigência central do Evangelho; renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja na Evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária (todos devem evangelizar e todos devem sustentar a ação evangelizadora e libertadora da Igreja; daí o destino da coleta final: realização de projetos de caridade libertadora e manutenção da ação pastoral).
- A proposta litúrgica na quaresma e a CF
A Campanha da Fraternidade é realizada durante a quaresma e para aprofundar o espírito quaresmal. A Campanha é um meio a serviço da evangelização em vista de novas relações fraternas, de compromisso com a justiça social. Não é a quaresma que realiza a Campanha da Fraternidade.
A reflexão da temática da Campanha da Fraternidade, por outro lado, não pode ficar restrita aos momentos litúrgicos. A promoção e a vivência da Campanha devem acontecer também na catequese, nos encontros de grupos de famílias, nos meios de comunicação social, em mesas-redondas, em palestras, seminários e cursos.
Naturalmente, as celebrações litúrgicas - não só a celebração eucarística - são momentos privilegiados para repercutir o que as pessoas e os grupos aprofundaram sobre a Campanha e ao mesmo tempo para iluminar e desencadear os passos seguintes. Desta forma, a CF não é algo paralelo à quaresma, nem algo que a relega a segundo plano. Ela é um modo criativo de a Igreja no Brasil celebrar a quaresma em preparação à Páscoa. Ela dá ao tempo quaresmal uma dimensão histórica, humana, encarnada, comprometida com a caminhada libertadora de nosso povo na Páscoa do Senhor.
Os temas da CF no seu contexto histórico
A Campanha da Fraternidade surgiu durante o desenvolvimento do Concílio Vaticano II. O primeiro documento conciliar aprovado foi sobre a Liturgia. O documento Lumen Gentium, constituição dogmática, sobre a Igreja - sua natureza e sua missão evangelizadora - foi também dos primeiros documentos refletidos e aprovados pelo Concílio. O documento Gaudium et Spes, constituição pastoral, sobre a Igreja no mundo de hoje - sua presença transformadora , surgiu de um discurso do Cardeal Suenens no final da primeira sessão. Foi aprovado no final do Concílio.
A primeira das Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano após o período conciliar, em Medellín, 1968, foi convocada para a implementação do Concílio no Continente. A reflexão sobre a realidade latino-americana levou a Igreja a enfrentar o desafio da pobreza e da urgente presença transformadora nas estruturas sociais. A Conferência de Puebla, dez anos depois, acentuou ainda mais a dimensão social da fé e da vivência cristã, a fim de se superar a situação de marginalização, opressão e exclusão em que vive a maioria do povo, e criar comunhão e participação.
Os temas da Campanha da Fraternidade, inicialmente, também contemplaram mais a vida interna da Igreja. A consciência sempre maior da realidade sócio-econômico-política, marcada pela injustiça, pela exclusão, por índices sempre mais altos de miséria, fez escolher como temas da Campanha aspectos bem determinados desta realidade em que a Fraternidade está ferida e cujo restabelecimento é compromisso urgente da fé. A partir do início dos encontros nacionais sobre a CF, em 1971, a escolha de seus temas vem tendo sempre mais ampla participação dos 16 Regionais da CNBB que recolhem sugestões das Dioceses e estas das paróquias e comunidades.
Alguns pontos de referência na escolha dos temas são:
- Aspectos da vida da Igreja e da sociedade (eventos especiais, como centenário da Rerum Novarum em 1991 - Solidários na Dignidade do Trabalho; ano da família em 1994 - A Família, como vai?);
- Desafios sociais, econômicos, políticos, culturais e religiosos da realidade brasileira;
- As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e documentos do Magistério da Igreja Universal;
- A Palavra de Deus e as exigências da Quaresma.

Ao longo dos mais de trinta anos, podem ser destacadas as seguintes fases nos seus temas:

 1a FASE: EM BUSCA DA RENOVAÇÃO INTERNA DA IGREJA

1) Renovação da Igreja

CF-64
Tema: Igreja em Renovação
CF-66Lema: Lembre-se: você também é Igreja

CF-65
Tema: Paróquia em Renovação
Lema: Faça de sua paróquia uma Comunidade de fé, culto e amor

2) Renovação do Cristão

CF-66
Tema: Fraternidade
Lema: Somos responsáveis uns pelos outros

CF-67
Tema: Co-responsabilidade
Lema: Somos todos iguais, somos todos irmãos

CF-68
Tema: Doação
Lema: Crer com as mãos

CF-69
Tema: Descoberta
Lema: Para o outro, o próximo é você

CF-70
Tema: Participação
Lema: Participar

CF-71
Tema: Reconciliação
Lema: Reconciliar

CF-72
Tema: Serviço e Vocação
Lema: Descubra a felicidade de servir


2a FASE: A IGREJA PREOCUPA-SE COM A REALIDADE SOCIEAL DO POVO, DENUNCIANDO O PECADO SOCIAL E PROMOVENDO A JUSTIÇA (VATICANO II, MEDELLÍN E PUEBLA)

CF-73
Tema: Fraternidade e Libertação
Lema: O egoísmo escraviza, o amor liberta

CF-74
Tema: Reconstruir a Vida
Lema: Onde está teu irmão?

CF-75
Tema: Fraternidade é Repartir
Lema: Repartir o Pão

CF-76
Tema: Fraternidade e Comunidade
Lema: Caminhar juntos

CF-77
Tema: Fraternidade na Família
Lema: Comece em sua casa

CF-78
Tema: Fraternidade no Mundo do Trabalho
Lema: Trabalho e justiça para todos

CF-79
Tema: Por um mundo mais humano
Lema: Preserve o que é de todos

CF-80
Tema: Fraternidade no mundo das Migrações Exigência da Eucaristia
Lema: Para onde vais?

CF-81
Tema: Saúde e Fraternidade
Lema: Saúde para todos

CF-82
Tema: Educação e Fraternidade
Lema: A verdade vos libertará

CF-83
Tema: Fraternidade e Violência
Lema: Fraternidade sim, violência não

CF-84
Tema: Fraternidade e Vida
Lema: Para que todos tenham Vida

3a FASE: A IGREJA VOLTA-SE PARA SITUAÇÕES EXISTENCIAIS DO POVO BRASILEIRO

CF-85
Tema: Fraternidade e fome
Lema: Pão para quem tem fome

CF-86
Tema: Fraternidade e terra
Lema: Terra de Deus, terra de irmãos

CF-87
Tema: A Fraternidade e o Menor
Lema: Quem acolhe o menor, a Mim acolhe

CF-88
Tema: A Fraternidade e o Negro
Lema: Ouvi o clamor deste povo!

CF-89
Tema: A Fraternidade e a Comunicação
Lema: Comunicação para a verdade e a paz

CF-90
Tema: A Fraternidade e a Mulher
Lema: Mulher e homem: imagem de Deus

CF-91
Tema: A Fraternidade e o Mundo do Trabalho
Lema: Solidários na dignidade do trabalho

CF-92
Tema: Fraternidade e Juventude
Lema: Juventude - caminho aberto

CF-93
Tema: Fraternidade e Moradia
Lema: Onde moras?

CF-94
Tema: A Fraternidade e a Família
Lema: A família, como vai?

CF-95
Tema: A Fraternidade e os Excluídos
Lema: Eras tu, Senhor?

CF-96
Tema: A Fraternidade e a Política
Lema: Justiça e paz se abraçarão!

CF-97
Tema: A Fraternidade e os Encarcerados.
Lema: Cristo Liberta de todas as Prisões!

CF-98
Tema: A Fraternidade e a Educação.
Lema: A Serviço da Vida e da Esperança!

CF-99
Tema: Fraternidade e os Desempregados.
Lema: Sem Trabalho? Por que?

No ano 2000, iniciou-se uma experiência que marcou a década 00, a campanha de 2000 foi Ecumênica, marcada por mudanças de visão e até de elaboração dos documentos.

CF-2000
Tema: Ecumênica – Dignidade Humana e Paz.
Lema: Novo Milênio se Exclusões.

CF-2001
Tema: Vida Sim!
Lema: Drogas não!
Essa campanha foi elaborada pela pastoral da juventude, com um tema que levou uma realidade difícil para dentro do dia a dia das comunidades.

CF-2002
Tema: Fraternidade e Povos Indígenas.
Lema: Por Uma Terra Sem Males.

CF-2003
Tema: Fraternidade e a Pessoa Idosa.
Lema: Vida, Dignidade e Esperança!

CF-2004
Tema: Fraternidade e Água.
Lema: Água, Fonte de Vida!

CF-2005
Tema: Ecumênica - Solidariedade e Paz
Lema: Felizes os que Promovem a Paz!

CF-2006
Tema: Fraternidade e Pessoas Com Deficiências.
Lema: Levanta-te e Vem Para o Meio!

CF-2007
Tema: Fraternidade e Amazônia.
Lema: Vida e Missão nesse Chão!

CF-2008
Tema: Fraternidade e Defesa da Vida.
Lema: Escolhe Pois a Vida! (Dt 30,19-B)
.
II. C. F. 2000 - Ecumenica:
A Campanha da Fraternidade do ano 2000, o ano Jubilar, e do ano 2005 foram feitas a “sete mãos”, com apoio e ações conjuntas do CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs), que congrega sete denominações Cristãs (Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Cristã Reformada do Brasil, Igreja Episcopal Anglicana, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Metodista, Igreja Ortodoxa Sirian do Brasil e Igreja Presbiteriana Unida). Devemos entender, antes de tudo, que não foram campanhas sobre o Ecumenismo, é sim campanhas com a colaboração de outras comunidades que professam Jesus Cristo como o Senhor, e desejam como nós que o Reino de Deus se faça presente.
A campanha da Fraternidade de 2000 foi um divisor de águas, a partir desse ano várias comunidades passaram a ver e viver o ecumenismo de forma mais aberta e verdadeira e não como um simples ato de bondade.

Bibliografia: http://www.cf.org.br/natureza3.php consultado em 01/02/2007;

Manual da CF 2000 e 2007 editora Salesiana

Complementando, gostaria lembrar que este texto foi utilizado como síntese de um encontro de catequese, mas a campanha da fraternidade de 2005 também foi no formato Ecumênico, e a campanha deste ano, 2016, busca o resgate do ser humano quando ao seu meio, através da necessidade de implantação de rede coletora de esgoto a fim de que se busque a dignidade humana, refletida na saúde publica!

Boa Quaresma para todos!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Escola de Teologia para Leitos

O Setor Sapopemba tem uma tradicional escola de formação Teológica voltada para os leigos, catequistas, ministros e demais interessados no assunto. Trata-se da Escola de Teologia D. Élder Câmara, instalada na Comunidade e Paróquia Nossa Senhora de Fátima no Sapopemba. Agora, no dia 22/02/2016 teremos a aula inaugural desse maravilhoso projeto!

Fica o convite para que todos possam participar!