Fica aqui o convite a todos, em especial catequistas.
Um convite para discutir e pensar na Catequese Pastoral e na vivencia do Dia-a-Dia.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Breve visão do Apocalipse
Apocalipse
de São João:
I.
Introdução Geral:
O que você
pensa quando se fala em apocalipse?
Normalmente, as pessoas pensam em fim de mundo, destruição, monstros e
morte. Na realidade, o apocalipse, por ser um livro da Bíblia, inspirado por
Deus, não poderia e não tratar desses assuntos.
1.1. As
chaves do Apocalipse:
Ao contrario do
que as pessoas pensam, o Apocalipse é um livro de:
1.
Resistência (Convicção, certeza da mudança).
2.
Denúncia (Profecia
- a denúncia profética, é aquela que revela uma situação que leva a
morte).
3.
Celebração (Convida a celebrarmos a Ressurreição de
Jesus Cristo, que venceu a morte e está vivo, junto ao Pai [Cf. Ap 1]).
4.
Testemunho (Representado principalmente pelo Martírio,
aquele que jamais nega a Cristo).
5.
Felicidade (É um livro que nos mostra a felicidade,
mostrando-nos como viver as 7 bem aventuranças [Mt 5, 1-12; Lc 6,20-23]).
6.
Urgente (É um livro sempre atual, que nos trás hoje, a
mesma esperança que trouxe quando foi escrito em 95).
7.
Esperança (Vida melhor, vida com Cristo e junto a Deus,
na Jerusalém Celeste, descida para a Terra [Cf. Ap 21]).
1.2.
Estilo Literário do Apocalipse:
O estilo
apocalíptico (Apocalíptica), não é exclusividade do Apocalipse de São João,
podemos encontra-lo em diversos textos, como por exemplo nos Evangelhos (Cf. Mc
13), nos livros Proféticos (Cf. Dn; Ez 37, 1 ss.), em livros sapienciais e em
muitos apócrifos (livros de cunho religioso, mas que não fazem parte do Cânon
Católico ou cristão/judaico).
1.3. Autor
do Apocalipse:
O autor do
Apocalipse é um certo João (Cf. Ap 1,1; 2,4. 9; 22, 8) que a tradição costuma
ligar com o Discípulo Amado, autor do quarto Evangelho (João) e de 3 cartas (I,
II e III João).
Não é possível
garantir que o autor do Evangelho, das Cartas e do Apocalipse seja o mesmo. Pelo
menos dois nomes de peso, colocam como autor do Apocalipse outros homens: Gaio,
presbítero romano do inicio do século III, atribui ao herege Arinto, fundador
dos Ebionitas (Pobres de Cristo). O outro é Dionisio, bispo de Alexandria
(metade do Século III) que relata a existência em Éfeso, de um outro João,
distinto do Apóstolo, que seria o autor.
1.3.1.
Quem era “esse” João:
Profeta:
Ap 22, 8-9; 1, 10-11 - É chamado de Profeta pelo anjo (Cf. Ap 22,
9), e lhe é dito que deve escrever tudo o que vê (1,10-11), portanto, fala em
nome de Deus.
Perseguido:
exilado em Patmos, provavelmente por causa do Evangelho (Cf. Ap 1,9).
1.4.
Significado do nome Apocalipse:
O significado
da Palavra Apocalipse, aparece logo
no inicio do livro (cf. Ap 1,1), e deriva da palavra grega Apokálipsis, e é
traduzida como revelação, mas no sentido de descobrir, retirar o véu.
1.5.
Destinatários Originais:
O Apocalipse é
destinado a 7 comunidades da Ásia, que representam todas as comunidades cristãs
do mundo.
Éfeso:
Capital da Ásia Menor.
Localizada no
Mar Egeu.
Porto
importante.
Dona do
Colossos de Rodes (uma das 7 maravilhas do mundo antigo, das quais sobrou
apenas as pirâmides do Egito).
Tinha o
importante Templo de Ártemis, local de
peregrinação para os gregos.
Era uma
cidade imperialista (culto ao Imperador de Roma), por isso tinha o título de
NEÓCORIS.
Paulo pregou
ali, numa comunidade fundada por João Batista (cf. At 18, 19ss).
Tinha uma
industria de jóias sofisticada, tanto que os seus ourives sentiam-se prejudicados
pelo cristianismo.
Conforme a
tradição popular, João, o discípulo de Jesus, teria fugido com Maria, mãe do
Senhor, para Éfeso, após a morte do Mestre (Cf. 19,25-27).
Esmirna:
Fundada em 600 a.C..
Cidade
moderna e funcional, bem planejada.
Tinha um
porto importante, ao norte de Éfeso.
Tinha muitos
pobres (comunidades cristãs).
Templos a
deusa Roma, ao Imperador e ao Senado.
Judeus
perseguiam cristãos.
Não via o seu
lado negativo. Não enxergava os seus problemas.
Única cidade
que existe até hoje, a moderna Izmir.
Ruínas mais
importantes, é o fórum onde o bispo Policarpo confessou a Cristo e foi
martirizado por volta do ano de 155.
Pergamo:
Cidade originaria do Pergaminho.
Localizava-se
na Acrópole.
O grande
trono de Satanás, pode ser uma alusão ao grande altar de Zeus.
Base do culto
ao imperador.
Centro
terapêutico, baseado no Templo de Esculápio.
Tiatira:
Centro comercial.
Atividade
Cerâmica e Tecelagem (Cf. At 16,14).
Sardes:
Ex-capital do antigo reino da Lídia.
Creso, rei de
Sardes, era muito rico.
Colônia
grega.
Arqueólogos,
descobriram uma Sinagoga.
Filadélfia:
Localizada num vale de ricas culturas.
Algumas
referencias encontradas no Apocalipse, podem dizer respeito a antigos templos,
como o erguido sobre a colina, atras da cidade.
Leodicéia:
Cidade prospera, próxima a Colossos e Hierápolis, no vale do Lico.
Cidade rica.
Produzia lã e
colírio.
Centro
econômico.
Julgava-se
auto-suficiente.
Foi destruída
no ano 60, por uma erupção.
Rejeitou ajuda
do senado.
Tinha fontes
térmicas (Vulcânicas e sulforosas).
Fabricava
remédios para os ouvidos e colírio.
II.
Introdução ao livro do Apocalipse:
É importante
ler e conhecer o apocalipse, e principalmente, não o interpretar de forma
fundamentalista. O escritor e teólogo D.H. Lawrence escreveu: “O Apocalipse é o
mais detestável livro da Bíblia, quando tomado superficialmente”. E para
contrapor essa afirmação, o teólogo italiano Eugênio Corsini escreveu: “Pior
que conhecer superficialmente o apocalipse, é não conhece-lo” (Cf. Grande
Comentários Bíblicos - O Apocalipse de São João - Editora Paulinas - Eugênio
Corsini [Introdução do Livro]).
O livro do
Apocalipse, é dividido em 22 capítulos curtos, e podemos dividido em 3 grandes
partes: uma introdução (Ap 1-3) e dois roteiros, sendo que o primeiro mostra a
história do Povo, sua caminhada de salvação com Deus (Ap 4-11). E o segundo
roteiro, que mostra o julgamento de Deus (Ap 12-22).
Outra forma de
dividir o Apocalipse é em Setenários, ai teremos 4 setenários que se
complementam e refletem-se entre si. O primeiro é o das Cartas (7 cartas -
2-3); o segundo é o dos selos (7 selos - 6,1-8,1); o terceiro é o das trombetas
(7 trombetas -8,6-11,19); e o quarto e ultimo é o das taças (7 taças - 16).
Cada um desses setenários tem uma introdução e uma conclusão.
O inicio do
Apocalipse, ocorre no céu (Ap 1,10), João é levado pelo anjo para ver e
conhecer o anuncio da revelação, e termina com o Céu (Jerusalém Celeste)
descendo para a Terra (Ap 21,2). Quem mostra a João o que ele deve falar e
escrever é o próprio Jesus Cristo (Cf. Ap 1, 12ss).
III. As
Sete Cartas:
As sete cartas
(Ap 2,1-3,22) são pequenas cartas quase bilhetes que tem todas as mesma
estrutura e forma.
As cartas se
apresentam como palavra de Jesus (Cf. Ap 2,1) - “Assim diz aquele que tem na
mão direita as sete estrelas”, referindo-se ao Ap 1. Jesus recebe sempre um
título, que serve de motivação.
São dirigidas a
um anjo, provavelmente líder da comunidade - “...escreva ao anjo da Igreja de
Éfeso...” (Cf. Ap 2,1 a).
Inicia-se com a
motivação - “conheço a conduta de vocês” (Cf Ap 2, 2-3).
Após a
motivação, vem a critica (porem), que mostra
algo negativo da comunidade - “mas há uma coisa que reprovo...” (Cf. Ap
2,4). Duas comunidades não apresentam sinais negativos, Esmirna e Filadélfia.
A carta sempre
termina com um aviso final - “Preste atenção, repare onde caiu...” (Cf. Ap
2,5).
Aos vencedores,
aqueles que conseguem a conversão, é dado um prêmio conforme a cultura ou a
tradição da comunidade - “Ao vencedor, Eu darei como prêmio...” (Cf. Ap 2,7).
Todas as cartas
tem a mesma estrutura literária, e o mesmo estilo.
IV. 1º
Roteiro - Os Sete Selos:
A maior parte
dos estudiosos, dividem o livro do Apocalipse em 3 partes, a introdução, que
vai de Ap 1,1-3; o primeiro Roteiro, dos Selos, que é composto de Ap 4-11; e o
segundo Roteiro, o Julgamento de Deus, Ap 12-22.
João inicia o
roteiro dos selos, mostrando como era o Céu. O trono e aquele que se apresenta
no trono, lembra o Êxodo.
O Céu não é
exclusividade de Deus, está numa comunidade com 24 anciões e 4 seres vivos, que
lembram os 4 evangelhos, conforme o comentário de Irineu (Leão - Marcos; Homem
- Mateus; Touro - Lucas e Águia - João), e convida as comunidades que já
conhecem o Evangelho, o seu conteúdo, e as suas exigências a participarem de um
novo êxodo.
O roteiro dos
sete selos, mostra um livro escrito por dentro e por fora (AT) e será aberto
por Jesus (Leão de Judá).
Os 4 primeiros
selos, mostram a história da humanidade, controlada pelo mau.
4.1. Os
Cavaleiros do Apocalipse:
A visão dos
cavaleiros do Apocalipse, João vai buscar no livro do Profeta Zacarias (Cf. Zc
1,8. 6,1ss).
Cada um dos
cavaleiros, tem uma cor e um simbolismo.
1º. Selo: Cavalo Branco - poder militar, avanço do
poder militar Romano.
2º. Selo: Cavalo Vermelho - guerras sangrentas
entre os povos do império Romano.
3º. Selo: Cavalo Preto: fome e carestia, custo de
vida.
4º. Selo: Cavalo Esverdeado - representa a morte,
peste e doenças, também conseqüência do avanço do império.
5º. Selo: Ano presente (ano de 95 d.C.) - ninguém
pode impedir o avanço dos dominadores. Os que recebem as vestes brancas já
alcançaram a vitória do Cordeiro (6, 9-11).
6º. O que vai
acontecer?
É dividido em 3
partes:
- 6,12-17 -
Manifestação da ira de Deus.
- 7, 1-8 -
Marca de Deus.
- 7, 9-17 - A
multidão se encontra.
Na primeira
parte, os dominadores que vem dominando até o 5º selo, fogem apavorados.
O texto da 2ª
parte, mostra que os fieis a Deus são marcados (Batismo). O povo, até então
desorganizado aparece agora organizado em 12 tribos (Cf. Nm 1, 20-43).
O terceiro
texto (Ap 7, 9-17) mostra o encontro de todos os povos, perseguidos pela Besta,
que serão acolhidos por Deus (Lavaram e Alvejaram as roupas no sangue do
cordeiro - Ap 7, 13ss).
7º. O sétimo selo, anuncia o julgamento e a tentativa
do poder em sufocar a profecia (matar as testemunhas).
As catástrofes
naturais, mostradas nesse trecho, lembram o poder de Deus.
V. 2º
Roteiro - Os Sinais do Céu:
5.1.
Introdução:
No primeiro
roteiro, João esta na terra (Patmos - Cf. Ap 1,9) e de lá vai ver as coisas que
realizam-se no céu. No segundo roteiro, ele começa olhando o céu (12,1), e esse
sinal desce para a terra, para que seja realizada a implantação do Reino (Cf.
Ap 21,2). No segundo roteiro, vamos ver o julgamento.
5.2.
Primeira Visão - A mulher e o Dragão:
O segundo
roteiro, começa com uma luta desigual, uma mulher gravida contra um dragão, e
Deus vem ao encontro dos mais desfavorecidos (12, 1-6).
5.2.1.
Quem é a mulher?
Podemos dizer
que a mulher é Eva (mãe de todos, a primeira mulher), Maria (Mãe de Jesus, e
por isso gravida) ou ainda Israel, o povo de Deus, escolhido desde o Êxodo.
5.2.2.
Quem é o Dragão?
Lembra aqui o
livro do Gênesis, a antiga serpente, o diabo, satanás, todo poder do mau e do
pecado. O Dragão, figura com características romanas (sete cabeças, que podem
ser as sete colinas do império), a cor vermelha (sangue e martírio) muito
utilizada pelos soldados romanos e mantos dos reis e imperadores. O Dragão é
forte, mas não é perfeito (10 chifres).
5.2.3.
A Batalha:
Deus socorre a
mulher, mandando-a para o deserto (a exemplo de Elias, que para fugir da
perseguição de Jezabel e Acab, foge para o monte Carmelo [Cf. I Rs 17-19; 21,
52-54]).
A mulher deu a
luz (inicio da Igreja) e o Dragão, derrotado, desce para a terra atras da
mulher.
Outra lembrança
que o Dragão é Roma, sede do poder perseguidor, é o rio (12, 15-16) lembrando a
lenda da fundação de Roma (quando os dois irmãos, Romulo e Remo, mamavam nas
tetas de uma loba, nas margens do rio).
5.3. A
Besta:
O Dragão foi
vencido (podemos dizer que ele representava o poder político). Ele para de
frente a uma praia, na beira do mar (12,18). O mar, para os judeus, era um
limite intransponível, por isso mesmo, morada de todo mau.
O Dragão
transfere o seu poder para a Besta Fera, que tinha as mesmas características do
Dragão. Podemos aqui dizer que o Dragão é Nero (conforme a interpretação de um
grande número de estudiosos), e a Besta é Domiciliano.
A aparência da
Besta revela suas intenções: tudo o que havia de mau nos grandes impérios antigos
(descrição da Besta - 13, 1-8). A aparência de Pantera ou Leopardo = Império Persa;
Pés de Urso = Império Medo; Boca de Leão = Império Babilônico.
5.3.1.
Cabeça Ferida de Morte:
Pode ser uma
referencia usada para comparar ou lembrar a ressurreição de Cristo, só que aqui
alude a Nero, recuperado em Domiciliano pelo culto ao imperador.
5.3.2.
A segunda Besta:
João faz
referencia a uma segunda Besta, menor que a primeira e que na aparência lembra
o cordeiro (Cristo), mas que fala como o Dragão (podemos dizer que essa segunda
Besta, lembra o poder religioso corrompido). São os falsos profetas, e
representam a propaganda ideológica do Império.
Quando se fala,
em marcados na mão direita e na fronte, esta lembrando o culto ao imperador,
pelo qual quem não comparecesse e participasse, aceitando o imperador como um
representante da divindade, não podia comprar nem vender nada (mão direita).
Quando se aceita o imperador como representante da divindade, aceita-se a sua
ideologia de morte e perseguição (marcados na fronte - 13, 16-17).
O número da
Besta, o 666, é explicado de várias formas, mas a mais corrente é que ele
representa César Nero, o 8º Imperador de sua dinastia, que suicidou-se por
volta do ano 68. Existia uma lenda, que dizia que Nero iria voltar para retomar
o seu poder, comandando um exercito de soldados de fora do império Romano,
entre eles os Pardos e Medos, que usavam o gás de enxofre como arma química.
Aplicando-se o
cálculo pitagórico (Somatória dos números de 1 a n) teremos:
Nero 8º Imperador.
n=8.
(1+2+3+...+N)=
[nx(n+1)]/2 = [8x(8+1)]/2=36.
Ora, para os
antigos cristãos, Domiciliano era a reencarnação da maldade de Nero, portanto,
Nero nasceu de novo:
n=36, é
novamente aplicado ao cálculo pitagórico, novamente temos:
[36x(36+1)]/2 =
[36 x 37]/2 = 666
Outra forma de
ver esse número misterioso, é mostrando-o como imperfeito (metade de 12, e não
chega a 7). Então ele se contrapõem ao número 777, que representaria a total perfeição.
5.4. O
povo do Cordeiro:
É uma nova
visão. João vê o inicio do julgamento, e que Roma (representada pela Babilônia)
com seus representantes e sistemas vai cair. Recupera as imagens anteriores, os
4 seres vivos, e os 144 mil marcados com o sinal do Cordeiro (Israel). Ele
mostra também quem presidirá o julgamento, Jesus (14, 14ss).
5.5.
Julgamento definitivo (15-16):
Agora são os
vencedores da Besta que entoam um canto, canto novo, canto de Moisés e do
Cordeiro (Novo Moisés). Lembra e relê Ex 15 (Ap 15, 3-5).
O novo Moisés,
ira conduzir o povo para a nova Terra Prometida (Jerusalém Celeste - 21). O
projeto de Deus será executado, por isso os anjos saem do templo.
Todos tiveram
tempo para se converter e aceitar o Evangelho. Ao ver que o povo preferia não
se converter, Deus determina o inicio do julgamento (16, 1).
As pragas
lembram as do Êxodo:
- Ulceras;
- Água em
Sangue (rios e mares);
- Sol que
queima o Homem (não pertence as pragas do Egito);
- Trevas.
Mesmo após as 5
primeiras pragas, que atingiram todo o universo, os Homens ainda não se
converteram (Cf. 16,11).
- Seca
(Eufrates é um dos rios da Mesopotânea, terra da origem de Abraão, o outro é o
rio Tigre - aqui lembra a saga de Elias [I Rs 17]). A praga não é a seca, mas a
guerra (Cf. 16,12).
A Besta, Dragão
e Falso Profeta, contrapõem a Santíssima Trindade.
Ai, o mau reúne
todos aqueles aliados que sobraram e prepara-se para o confronto final.
Harmagedon (16, 16) significa Montanha Meguido, lugar de derrotas famosas,
narradas no Antigo Testamento.
- Terremoto.
- Granizo.
A sétima praga
é a consumação da ira de Deus, contra todos os infiéis.
5.6.
Consumação Final (17-18):
No deserto
encontramos outra mulher, não a mesma protegida por Deus, mas uma suntuosa
prostituta (ROMA). Ela representa todo o mau e poder do imperador (nomes usados
pelo imperador). Ela utiliza-se do sangue dos mártires e testemunhas de Cristo
para embriagar-se (o vício reduz o Homem a um escravo).
Os chifres se revoltam contra a Besta (17, 16-18), ou
seja, vendo a derrota iminente, os dominados se rebelam contra Roma a dominadora.
Ap 18, 1-19:
Ap 18, 1-3 -
Mostra que Deus não abandonou o seu povo, e a prostituta, jaz derrotada.
A queda da
cidade faz com que os grupos dominantes fiquem tristes: Lamentações dos reis
(Poder Político), Mercadores (Poder econômico), Navegantes (Poder da
Comunicação).
5.7.
Celebração da Vitória (19):
Mostra a
manifestação da Gloria de Deus, e ao mesmo tempo, traz um alerta, não devemos
engrandecer e glorificar aquele que é instrumento de Deus (At 10; Ap 19, 9-10).
Quem vai julgar
e executar o julgamento é o próprio Jesus, usando o seu Evangelho.
A Besta e o
Falso Profeta são jogados no lago de fogo e enxofre (Império Medo) e os corpos
são abandonados para serem comidos pelas aves (19, 19-21). Quem mata os
inimigos é o Evangelho.
5.8. Fim
da História (20-22):
O capítulo 20,
já deu origem a muitos problemas, o mais conhecido e divulgado é o Milenarismo.
Muitas seitas (até nos nossos dias) usam a expressão 1000 anos como referencia
a grandes tragédias. Mas isso não é novo. Santo Agostinho escreveu um livro
para combater o Milenarismo, chamado XX.
Os mil anos
citados no Apocalipse, significam um longo tempo, e comparado a ação da Besta
(3 anos e meio, 46 meses ou 1260 dias), vamos perceber que o domínio é curto.
No capítulo 21,
o mar não existe mais, pois para os judeus antigos, o mar é morada do mau,
barreira intransponível. A cidade Celeste desce, é o reino de Deus no nosso
meio. A tenda de Deus lembra a tenda da Aliança (Ex). Deus passa a habitar com
os Homens, recuperando o equilíbrio quebrado em Gênesis (Gn 3) por ocasião do
pecado. Existe uma fonte de água viva (lembra o batismo), uma água que cura e
purifica. Aqui, não existem rejeitados, todos são filhos de Deus. Os infiéis,
foram jogados no “inferno” representado pelo lago de fogo e enxofre.
A cidade que
desce é a noiva do cordeiro, é toda perfeita, seus números são perfeitos e sua
construção valiosa (pedras preciosas). Ela não tem templo, pois Deus habita
nela com o Homem, por isso não precisa de religião (religação do Homem com
Deus). Nessa cidade, não tem sol nem lua, a noite não existe, pois representa
as trevas, e a cidade será morada de todos os povos. Todos estão inscritos no
livro da vida, no Evangelho.
O capítulo 22,
encerra o livro com uma tranqüilidade e paz, sem nunca esquecer que para se
viver na Jerusalém celeste, é preciso viver a profecia e a verdade.
O livro do
apocalipse, não é para ser escondido, mas para ser anunciado e vivido (22, 10).
Deus está
pronto para nos julgar, mas não como nós, humanos, e sim como Ele, Deus (Cf. Mt
20, 1-12).
6.
Bibliografia (Leituras para aprofundamento):
Esperança De Um
Povo Que Luta
Carlos Mester -
Paulus
Grande
Comentário Bíblico - Apocalipse de São João
Eugênio Corsini
- Paulinas/Paulus
Dicionário de
Figuras e Símbolos Bíblicos
Paulus
Como ler o
Apocalipse (resistir e denunciar)
Pe. José
Bortolini - Ed. Paulus
Não Tenham Medo
(Apocalipse)
Frei Gorgulho/
Ana Flora Anderson - Ed. Paulus
Os lugares da
Bíblia
Ed. Paulus
Jornal Mundo
Jovem - Maio/98
José Afonso
Beraldin, professor de Bíblia na PUC-RS.
Ato dos Apóstolos
Perguntas:
1- Quando se iniciou o
crescimento das comunidades Cristãs?
2- A partir de quando?
3- Quem é Barnabé?
4- Quem é Saulo de Tarço?
3- Quem é Barnabé?
4- Quem é Saulo de Tarço?
5- Quem é João Marcos?
6- Porque ocorreu o concilio de
Jerusalém?
7- O porque do Naziriato de
Paulo?
Para poder se
entender a expansão da Igreja, e mais precisamente do Cristianismo, é preciso
antes entender o que é Igreja, e o que é Cristianismo. O Cristianismo é a fé
professada na Ressurreição de Cristo. A Igreja é uma instituição, uma organização
que levou (e deveria levar) a fé as pessoas. A arma do cristianismo é o Evangelho,
que foi escrito a partir da ressurreição de Jesus, e não do seu nascimento.
O mais antigo
dos Evangelhos, o Proto-Marcos (vamos ver isso melhor no Módulo sobre
Sinóticos), traz-nos a proposta da comunidade para ser batizada, descobrir o
caminho do Senhor. Esse querigma, mostra ao povo que mesmo ma perseguição e até
na morte, encontraremos a vida que vem de Jesus.
Por isso,
podemos dizer que a expansão cristã começou com os discípulos e apóstolos de
Jesus, iniciado por João Batista, que anunciava a vinda do messias e foi
aumentando até alcançar uma multidão incontável (Cf. Mt 5, 1-2).
O próprio livro
de Atos, inicia-se com um relato onde elenca um conjunto de comunidades que
expressa a grande divulgação e relata a expansão por todo o oriente conhecido
(Cf. At 2, 8-11). Mas o que os pregadores, discípulos e apóstolos de Jesus
pregavam? Era sobre as maravilhas que Deus realizou (cf. At 2, 11b) vistas e enfocadas
a partir da Ressurreição de Cristo, que rompe com o medo e a morte, mostrando
ser possível viver sempre mais e melhor (Cf. Jo 10, 10).
Jesus de
Nazaré, cujo o título para os cristãos era Cristo (Messias = Ungido) não fundou
nenhuma Igreja (instituição, organização), Ele deu as “metas”, os princípios
pelos quais devemos ser norteados, e deixou a organização para os Apóstolos.
Jesus fazia um trabalho missionário e de evangelização, que depois foi seguido
por outros missionários, como Filipe, Barnabé, João Marcos e Paulo, entre
outros. Com o decorrer do livro, o foco muda de Jerusalém (Comunidade Petrina)
para os Pagãos (Comunidades Paulinas).
O principal
personagem do livro dos Atos, é Saul, nascido na cidade de Tarço, um porto
importante da Ásia. O nome Saul, é equivalente a Saulo, cujo o paralelo latino
é Paulo, e é considerado como o último dos apóstolos (que viu a Jesus, não como
os outros apóstolos, que viveram com Ele, mas por efeito de uma parusia), e foi
um grande perseguidor da Igreja (em especial das comunidades de Jerusalém),
participando inclusive do apedrejamento de Estevão (o primeiro Mártir cristão,
morto por volta do ano 37 d.C.), segurando as túnicas daqueles que o
apedrejavam (Cf. At 7, 58; 8, 1; 22, 20). Aos poucos, Paulo vai assumindo o
lugar de Pedro dentro do livro dos Atos, fazendo o foco sair de Jerusalém para
os gentios. Antes de Paulo ser citado, vários missionários vão ao encontro dos
gentios, em especial os helenistas, como Filipe, que evangelizou a Samaria, e o
funcionário Etíope.
Para se
conhecer bem um livro, ou um assunto, é preciso conhecer bem também para quem,
e como foi escrito o livro. No nosso livro de Atos, temos diversos personagens
que levam a Boa Nova a vários locais, e muitas vezes envolvem-se em conflitos.
O primeiro modelo de comunidade, é um modelo utópico, um sonho, que serve de
base para a criação real das comunidades, e é nesses moldes de sonho que o
livro nos relata o episódio de Ananias e Safira, um casal que vendeu um
terreno, e resolveu por algum motivo enganar a comunidade (só que eles estavam
mentindo para Deus, e não para a comunidade). Foram punidos com a morte. Antes
desse episódio, é apresentado um levita de nome José, nascido na Ilha do
Chipre, que entregou tudo o que tinha para a comunidade e abraçou a fé cristã
como missionário. Ele recebeu por parte da comunidade o nome de Barnabé (Cf. At
4, 36). Esse mesmo missionário, será no futuro o fiador da fé paulina, pois ele
atesta perante os apóstolos que Paulo é fiel a Cristo (Cf. At 9, 26-30).
Barnabé tinha
como outro companheiro de missão, certo João Marcos, que a tradição ligou como
o Marcos, autor do Evangelho, que seria a compilação da pregação oral feita por
Pedro. João Marcos acompanhou os missionários Paulo e Barnabé na sua primeira
viagem missionária, indo até a Panfilia (Cf. At 15,38), onde sem explicação
explicita no livro, abandona o grupo e volta para Jerusalém (a tradição costuma
colocar essa deserção de Marcos como sendo a sua volta para escrever o Evangelho).
Aparentemente,
a primeira viagem missionária de Paulo terminaria com o concilio de Jerusalém
(Cf. At 15, 5ss), entretanto, parece mais correto colocar esse concilio no fim
do livro (Cf. At 21, 17-26), explicando entre outras coisas, o Nazariato de
Paulo, uma promessa em que só se corta o cabelo após cumpri-la, sendo então que
a promessa de Paulo seria pela aceitação dos cristãos gentios dentro das
comunidades.
As 4 Grandes Viagens de Paulo:
Primeira
Viagem (At 13-14):
Essa primeira
missão envolvia Barnabé, João Marcos e Paulo. Marca o fim da primeira etapa da
vida da Igreja, ligada diretamente a Jerusalém. Como Barnabé era natural do
Chipre, justifica o motivo pelo qual Lucas começa a missão deles por essa
região.
Segunda Viagem
(At 15,38-18,22):
O concilio de
Jerusalém escancara as portas da Igreja para a entrada dos gentios. Assim,
Paulo começa a sua segunda viagem, com a missão de evangelizar o mundo pagão.
Ele alcança a Macedônia e a Grécia, penetrando no mundo Europeu.
Lucas salienta
que as comunidades surgiram por obra do Espírito Santo, talvez por que
comunidades cristãs surgidas em ambientes pagãos fossem mau vistas pelos outros
cristãos (vindos do Judaísmo), que enxergavam nessas comunidades a ambição dos
missionários.
A segunda missão começa com o
conflito de Paulo, Barnabé e João Marcos, que se desentenderam. Aparentemente,
Marcos deixou Paulo e Barnabé por discordar com o método deles. Entretanto, na
carta aos Gálatas (cf. Gl 2, 11-14) Paulo fala que o motivo do desentendimento
é mais grave. De qualquer forma, Marcos e Barnabé vão para Chipre, terra natal
de Barnabé, e Paulo tomando Silas como novo companheiro, parte para o ocidente.
Terceira
Viagem (At 18,22-21,16):
A terceira
viagem de Paulo é ancorada em Éfeso. Nessa cidade, Paulo escreve a I carta aos
Corintios, uma outra, provavelmente embutida na II Corintios (Cf. II Cor
10-13), escreve aos Galatas e aos Filipenses. Paulo ficou preso em Éfeso (Cf.
II Cor 1, 8; Fl), porém Lucas não menciona nada desse tempo. Ele está mais
interessado nos desvios que podem comprometer a fé dos cristãos.
Éfeso parece ser um centro meio judaico, meio cristão, com
judeus seguidores do Batista (Cf. At 19, 1-17). Entretanto, conheciam apenas o
Cristo Histórico. Como Apólo, doutrinado no cristianismo por Priscila e Aquila,
esses Homens citados por Lucas, 12 no total - que pode ser um número simbólico,
tinham como Apólo uma “Jesulogia”, e que o Batismo transforma em Cristianismo.
É o terceiro Pentecostes do livro, pelo batismo eles recebem o Espírito Santo
(cf. At 2,10).
Paulo em Roma
(At 21,17-28,16):
A prisão de
Paulo, ocorre em Jerusalém, dai, vai preso para Cesaréia, onde é julgado pelo
Tribuno Lísias, e pelo Governador Félix. Quando Félix é substituído por Festo, as autoridades de Jerusalém tentam convence-lo de mandar
Paulo para ser julgado em Jerusalém, mas Festo não cai nessa armadilha.
Festo propõem
a Paulo que seja julgado em Jerusalém, mas ele apela a Roma, quer ser julgado
por César. O imperador na época, era Nero, mas Paulo já conhecia a sua
sentença, se fosse julgado pelos judeus, então arrisca tudo para ser levado a
Roma.
A viagem de
Paulo a Roma é marcada por muitos acidentes, o que quer mostrar que o
missionário, condenado pelos judeus (como Jesus) é capaz de levar a vida a
todos (como Jesus na ressurreição).
Paulo na
Espanha:
Embora o livro
dos Atos não fale, pode ser que Paulo tenha ido até a Espanha. Isso por que ele
não teria ficado preso todo o tempo, teria ficado preso, sendo libertado, e
depois, retornando da Espanha, teria sido preso novamente, e ai decapitado.
Aparentemente
Paulo teve uma curta liberdade em Roma, podendo, até ter vivido lá durante os 2
anos citados em Atos, ou também ter sido liberto e ido até a Espanha (Cf.
Epistola de São Clemente) de onde quando
retornou a Roma, foi preso e
martirizado pelo imperador Nero.
Até
o relato dos Atos, parece justificar, pois se Paulo foi martirizado em Roma,
por que esperar dois anos? Isso mostra bem a possibilidade de ter sido
libertado, e depois novamente preso e ai decapitado.
Bibliografia:
- Bíblia Sagrada - Versão: TEB - Tradução Ecumênica da
Bíblia/Versão: Pastoral/ Bíblia de Jerusalém/Bíblia do Peregrino - Novo
Testamento
-
Como Ler Os Atos dos Apóstolos
O
caminho do Evangelho - Ivo Storniolo
-
Pequeno Vocabulário da Bíblia - W. Gruen - 11a. Edição
-
Apontamentos do Curso de Teologia - RESA - 1998
-
Revista Vida Pastoral nº 201
Julho/Agosto
1998
Espírito
Sopra onde quiser.
Pe.
José Bortolini
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Campanha da Fraternidade
I. Campanhas da Fraternidade:
Em 1961, três
padres responsáveis pela Cáritas Brasileira idealizaram uma campanha para
arrecadar fundos para as atividades assistenciais e promocionais da instituição
e torná-la autônoma financeiramente. A atividade foi chamada Campanha da
Fraternidade e realizada pela primeira vez na quaresma de 1962, em Natal-RN,
com adesão de outras três Dioceses e apoio financeiro dos Bispos
norte-americanos. No ano seguinte, 16 Dioceses do Nordeste realizaram a
campanha. Não teve êxito financeiro, mas foi o embrião de um projeto anual dos
Organismos Nacionais da CNBB e das Igrejas Particulares no Brasil, realizado à
luz e na perspectiva das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral (Evangelizadora) da
Igreja em nosso País.
Em seu início,
teve destacada atuação o Secretariado Nacional de Ação Social da CNBB, sob cuja
dependência estava a Cáritas Brasileira, que fora fundada no Brasil em 1957. Na
época, o responsável pelo Secretariado de Ação Social era Dom Eugênio de Araújo
Sales, e por isso, Presidente da Cáritas Brasileira. O fato de ser Administrador
Apostólico de Natal-RN explica que a Campanha tenha iniciado naquela
circunscrição eclesiástica e em todo o Rio Grande do Norte.
Este projeto
foi lançado, em nível nacional, no dia 26 de dezembro de 1963, sob o impulso
renovador do espírito do Concílio Vaticano II, em andamento na época, e
realizado pela primeira vez na quaresma de 1964. O tempo do Concílio foi
fundamental para a concepção e estruturação da Campanha da Fraternidade, bem
como o Plano Pastoral de Emergência e o Plano de Pastoral de Conjunto, enfim,
para o desencadeamento da Pastoral Orgânica e outras iniciativas de renovação
eclesial. Ao longo de quatro anos seguidos, por um período extenso em cada um,
os Bispos ficaram hospedados na mesma casa, em Roma, participando das sessões
do Concílio e de diversos momentos de reunião, estudo, troca de experiências.
Nesse contexto, nasceu e cresceu a Campanha da Fraternidade.
Em 20 de
dezembro de 1964, os Bispos aprovaram o fundamento inicial da mesma intitulado:
"Campanha da Fraternidade - Pontos Fundamentais apreciados pelo Episcopado
em Roma". Em 1965, tanto Cáritas quanto Campanha da Fraternidade, que estavam
vinculadas ao Secretariado Nacional de Ação Social, foram vinculadas
diretamente ao Secretariado Geral da CNBB. A CNBB passou a assumir a CF. Nesta
transição, foi estabelecida a estruturação básica da CF. Em 1967, começou a ser
redigido um subsídio maior que os anteriores para a organização anual da CF.
Nesse mesmo ano iniciaram também os encontros nacionais das Coordenações
Nacional e Regionais da CF. A partir de 1971, participam deles também a
Presidência e a Comissão Episcopal de Pastoral.
Em 1970, a CF
ganhou um especial e significativo apoio: a mensagem do Papa em rádio e
televisão em sua abertura, na quarta-feira de cinzas. A mensagem papal continua
enriquecendo a abertura da CF.
De 1963 até
hoje, a Campanha da Fraternidade é uma atividade ampla de evangelização desenvolvida
num determinado tempo (quaresma), para ajudar os cristãos e as pessoas de boa
vontade a viverem a fraternidade em compromissos concretos no processo de
transformação da sociedade a partir de um problema específico que exige a
participação de todos na sua solução. É grande instrumento para desenvolver o
espírito quaresmal de conversão, renovação interior e ação comunitária
como a verdadeira penitência que Deus quer de nós em preparação da Páscoa. É
momento de conversão, de prática de gestos concretos de fraternidade, de
exercício de pastoral de conjunto em prol da transformação de situações
injustas e não cristãs. É precioso meio para a evangelização do tempo
quaresmal, retomando a pregação dos profetas confirmada por Cristo, segundo a
qual a verdadeira penitência que agrada a Deus é repartir o pão com quem tem
fome, dar de vestir ao maltrapilho, libertar os oprimidos, promover a todos.
A Campanha da
Fraternidade tornou-se especial manifestação de evangelização libertadora,
provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da Igreja e a transformação da
sociedade, a partir de problemas específicos, tratados à luz do Projeto de
Deus.
A Campanha da
Fraternidade tem como objetivos permanentes: despertar o espírito comunitário e
cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do
bem comum; educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor,
exigência central do Evangelho; renovar a consciência da responsabilidade de
todos pela ação da Igreja na Evangelização, na promoção humana, em vista de uma
sociedade justa e solidária (todos devem evangelizar e todos devem sustentar a
ação evangelizadora e libertadora da Igreja; daí o destino da coleta final:
realização de projetos de caridade libertadora e manutenção da ação pastoral).
- A proposta
litúrgica na quaresma e a CF
A Campanha da Fraternidade é realizada durante a quaresma e para aprofundar o espírito quaresmal. A Campanha é um meio a serviço da evangelização em vista de novas relações fraternas, de compromisso com a justiça social. Não é a quaresma que realiza a Campanha da Fraternidade.
A Campanha da Fraternidade é realizada durante a quaresma e para aprofundar o espírito quaresmal. A Campanha é um meio a serviço da evangelização em vista de novas relações fraternas, de compromisso com a justiça social. Não é a quaresma que realiza a Campanha da Fraternidade.
A reflexão da
temática da Campanha da Fraternidade, por outro lado, não pode ficar restrita
aos momentos litúrgicos. A promoção e a vivência da Campanha devem acontecer
também na catequese, nos encontros de grupos de famílias, nos meios de comunicação
social, em mesas-redondas, em palestras, seminários e cursos.
Naturalmente,
as celebrações litúrgicas - não só a celebração eucarística - são momentos
privilegiados para repercutir o que as pessoas e os grupos aprofundaram sobre a
Campanha e ao mesmo tempo para iluminar e desencadear os passos seguintes.
Desta forma, a CF não é algo paralelo à quaresma, nem algo que a relega a
segundo plano. Ela é um modo criativo de a Igreja no Brasil celebrar a quaresma
em preparação à Páscoa. Ela dá ao tempo quaresmal uma dimensão histórica,
humana, encarnada, comprometida com a caminhada libertadora de nosso povo na
Páscoa do Senhor.
Os temas da CF
no seu contexto histórico
A Campanha da Fraternidade surgiu durante o desenvolvimento do Concílio Vaticano II. O primeiro documento conciliar aprovado foi sobre a Liturgia. O documento Lumen Gentium, constituição dogmática, sobre a Igreja - sua natureza e sua missão evangelizadora - foi também dos primeiros documentos refletidos e aprovados pelo Concílio. O documento Gaudium et Spes, constituição pastoral, sobre a Igreja no mundo de hoje - sua presença transformadora , surgiu de um discurso do Cardeal Suenens no final da primeira sessão. Foi aprovado no final do Concílio.
A Campanha da Fraternidade surgiu durante o desenvolvimento do Concílio Vaticano II. O primeiro documento conciliar aprovado foi sobre a Liturgia. O documento Lumen Gentium, constituição dogmática, sobre a Igreja - sua natureza e sua missão evangelizadora - foi também dos primeiros documentos refletidos e aprovados pelo Concílio. O documento Gaudium et Spes, constituição pastoral, sobre a Igreja no mundo de hoje - sua presença transformadora , surgiu de um discurso do Cardeal Suenens no final da primeira sessão. Foi aprovado no final do Concílio.
A primeira das
Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano após o período conciliar, em
Medellín, 1968, foi convocada para a implementação do Concílio no Continente. A
reflexão sobre a realidade latino-americana levou a Igreja a enfrentar o
desafio da pobreza e da urgente presença transformadora nas estruturas sociais.
A Conferência de Puebla, dez anos depois, acentuou ainda mais a dimensão social
da fé e da vivência cristã, a fim de se superar a situação de marginalização,
opressão e exclusão em que vive a maioria do povo, e criar comunhão e
participação.
Os temas da
Campanha da Fraternidade, inicialmente, também contemplaram mais a vida interna
da Igreja. A consciência sempre maior da realidade sócio-econômico-política,
marcada pela injustiça, pela exclusão, por índices sempre mais altos de
miséria, fez escolher como temas da Campanha aspectos bem determinados desta realidade
em que a Fraternidade está ferida e cujo restabelecimento é compromisso urgente
da fé. A partir do início dos encontros nacionais sobre a CF, em 1971, a
escolha de seus temas vem tendo sempre mais ampla participação dos 16 Regionais
da CNBB que recolhem sugestões das Dioceses e estas das paróquias e
comunidades.
Alguns pontos
de referência na escolha dos temas são:
- Aspectos da
vida da Igreja e da sociedade (eventos especiais, como centenário da Rerum
Novarum em 1991 - Solidários na Dignidade do Trabalho; ano da família em 1994 -
A Família, como vai?);
- Desafios
sociais, econômicos, políticos, culturais e religiosos da realidade brasileira;
- As Diretrizes
Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e documentos do Magistério da
Igreja Universal;
- A Palavra de
Deus e as exigências da Quaresma.
|
1a FASE: EM
BUSCA DA RENOVAÇÃO INTERNA DA IGREJA
1) Renovação da
Igreja
CF-64
Tema: Igreja em Renovação
CF-66Lema: Lembre-se: você também é Igreja
CF-65
Tema: Paróquia em Renovação
Lema: Faça de sua paróquia uma Comunidade de fé, culto e amor
2) Renovação do
Cristão
CF-66
Tema: Fraternidade
Lema: Somos responsáveis uns pelos outros
CF-67
Tema: Co-responsabilidade
Lema: Somos todos iguais, somos todos irmãos
CF-68
Tema: Doação
Lema: Crer com as mãos
CF-69
Tema: Descoberta
Lema: Para o outro, o próximo é você
CF-70
Tema: Participação
Lema: Participar
CF-71
Tema: Reconciliação
Lema: Reconciliar
CF-72
Tema: Serviço e Vocação
Lema: Descubra a felicidade de servir |
|
2a FASE: A IGREJA
PREOCUPA-SE COM A REALIDADE SOCIEAL DO POVO, DENUNCIANDO O PECADO SOCIAL E
PROMOVENDO A JUSTIÇA (VATICANO II, MEDELLÍN E PUEBLA)
CF-73
Tema: Fraternidade e Libertação
Lema: O egoísmo escraviza, o amor liberta
CF-74
Tema: Reconstruir a Vida
Lema: Onde está teu irmão?
CF-75
Tema: Fraternidade é Repartir
Lema: Repartir o Pão
CF-76
Tema: Fraternidade e Comunidade
Lema: Caminhar juntos
CF-77
Tema: Fraternidade na Família
Lema: Comece em sua casa
CF-78
Tema: Fraternidade no Mundo do Trabalho
Lema: Trabalho e justiça para todos
CF-79
Tema: Por um mundo mais humano
Lema: Preserve o que é de todos
CF-80
Tema: Fraternidade no mundo das Migrações Exigência da
Eucaristia
Lema: Para onde vais?
CF-81
Tema: Saúde e Fraternidade
Lema: Saúde para todos
CF-82
Tema: Educação e Fraternidade
Lema: A verdade vos libertará
CF-83
Tema: Fraternidade e Violência
Lema: Fraternidade sim, violência não
CF-84
Tema: Fraternidade e Vida
Lema: Para que todos tenham Vida
3a FASE: A IGREJA
VOLTA-SE PARA SITUAÇÕES EXISTENCIAIS DO POVO BRASILEIRO
CF-85
Tema: Fraternidade e fome
Lema: Pão para quem tem fome
CF-86
Tema: Fraternidade e terra
Lema: Terra de Deus, terra de irmãos
CF-87
Tema: A Fraternidade e o Menor
Lema: Quem acolhe o menor, a Mim acolhe
CF-88
Tema: A Fraternidade e o Negro
Lema: Ouvi o clamor deste povo!
CF-89
Tema: A Fraternidade e a Comunicação
Lema: Comunicação para a verdade e a paz
CF-90
Tema: A Fraternidade e a Mulher
Lema: Mulher e homem: imagem de Deus
CF-91
Tema: A Fraternidade e o Mundo do Trabalho
Lema: Solidários na dignidade do trabalho
CF-92
Tema: Fraternidade e Juventude
Lema: Juventude - caminho aberto
CF-93
Tema: Fraternidade e Moradia
Lema: Onde moras?
CF-94
Tema: A Fraternidade e a Família
Lema: A família, como vai?
CF-95
Tema: A Fraternidade e os Excluídos
Lema: Eras tu, Senhor?
CF-96
Tema: A Fraternidade e a Política
Lema: Justiça e paz se abraçarão!
CF-97
Tema: A Fraternidade e os Encarcerados.
Lema: Cristo Liberta de todas as Prisões!
CF-98
Tema: A Fraternidade e a Educação.
Lema: A Serviço da Vida e da Esperança!
CF-99
Tema: Fraternidade e os Desempregados.
Lema: Sem Trabalho? Por que?
No ano 2000, iniciou-se uma experiência que marcou a
década 00, a campanha de 2000 foi Ecumênica, marcada por mudanças de visão e
até de elaboração dos documentos.
CF-2000
Tema: Ecumênica – Dignidade Humana e Paz.
Lema: Novo Milênio se Exclusões.
CF-2001
Tema: Vida Sim!
Lema: Drogas não!
Essa campanha foi elaborada
pela pastoral da juventude, com um tema que levou uma realidade difícil para
dentro do dia a dia das comunidades.
CF-2002
Tema: Fraternidade e Povos Indígenas.
Lema: Por Uma Terra Sem Males.
CF-2003
Tema: Fraternidade e a Pessoa Idosa.
Lema: Vida, Dignidade e Esperança!
CF-2004
Tema: Fraternidade e Água.
Lema: Água, Fonte de Vida!
CF-2005
Tema: Ecumênica - Solidariedade e Paz
Lema: Felizes os que Promovem a Paz!
CF-2006
Tema: Fraternidade e Pessoas Com Deficiências.
Lema: Levanta-te e Vem Para o Meio!
CF-2007
Tema: Fraternidade e Amazônia.
Lema: Vida e Missão nesse Chão!
CF-2008
Tema: Fraternidade e Defesa da Vida.
Lema: Escolhe Pois a Vida! (Dt 30,19-B)
|
.
II. C. F. 2000 - Ecumenica:
A Campanha da
Fraternidade do ano 2000, o ano Jubilar, e do ano 2005 foram feitas a “sete
mãos”, com apoio e ações conjuntas do CONIC (Conselho Nacional das Igrejas
Cristãs), que congrega sete denominações Cristãs (Igreja Católica Apostólica
Romana, Igreja Cristã Reformada do Brasil, Igreja Episcopal Anglicana, Igreja
Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Metodista, Igreja Ortodoxa
Sirian do Brasil e Igreja Presbiteriana Unida). Devemos entender, antes de
tudo, que não foram campanhas sobre o Ecumenismo, é sim campanhas com a
colaboração de outras comunidades que professam Jesus Cristo como o Senhor, e
desejam como nós que o Reino de Deus se faça presente.
A campanha da
Fraternidade de 2000 foi um divisor de águas, a partir desse ano várias
comunidades passaram a ver e viver o ecumenismo de forma mais aberta e
verdadeira e não como um simples ato de bondade.
Bibliografia: http://www.cf.org.br/natureza3.php
consultado em 01/02/2007;
Manual da CF
2000 e 2007 editora Salesiana
Complementando, gostaria lembrar que este texto foi utilizado como síntese de um encontro de catequese, mas a campanha da fraternidade de 2005 também foi no formato Ecumênico, e a campanha deste ano, 2016, busca o resgate do ser humano quando ao seu meio, através da necessidade de implantação de rede coletora de esgoto a fim de que se busque a dignidade humana, refletida na saúde publica!
Boa Quaresma para todos!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Escola de Teologia para Leitos
O Setor Sapopemba tem uma tradicional escola de formação Teológica voltada para os leigos, catequistas, ministros e demais interessados no assunto. Trata-se da Escola de Teologia D. Élder Câmara, instalada na Comunidade e Paróquia Nossa Senhora de Fátima no Sapopemba. Agora, no dia 22/02/2016 teremos a aula inaugural desse maravilhoso projeto!Fica o convite para que todos possam participar!
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