segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Formação: Catequistas – Como usar a Bíblia na catequese

Introdução:

Nesse terceiro encontro, vamos trabalhar o uso da Bíblia na catequese. A principio a catequese tem a sua disposição um sem número de publicações (manuais) que podem ser utilizados na preparação ou na ação de ministrar encontros.

Esses manuais seguem, na sua maioria, uma ordenação, uma organização lógica que segue a orientação de uma Diocese, de uma Paróquia ou da própria Igreja.

O uso de manuais é muito antigo e serve como orientação aos Catecumentos. Pode-se afirmar que pelo menos dois grandes manuais foram preparados ainda nas primeiras comunidades. O Didaque, um manual do século I ou II d.C. e o Evangelho de São Marcos, que seria, a principio, a Dadaque de Pedro, escrita pelo seu então secretário, João Marcos, que posteriormente tornou-se o nosso Evangelista Marcos.

Alguns dos Métodos de Catequese:

Tradicionalmente temos alguns métodos são muito conhecidos e utilizados nas nossas comunidades. Entre eles, vamos ver o TRADICIONAL, desenvolvido inicialmente na Igreja, e muito utilizado. Sua metodologia não vincula um fato ao outro (ver figura 1) e é chamado nos meios pedagógicos como “Método de Serra”.

A ideia do método tradicional é que se sai do "zero" e se vai ao encontro do objetivo. Ao alcançar o objetivo, volta-se para o zero, dai o movimento de "dente de serra". 

Ver Agir Julgar e Celebrar:

O método VER, AGIR, JULGAR, CELEBRAR, foi desenvolvido pela Diocese de Osasco, parte de um método antigo, mais didaticamente correto, que vincula um tema ao outro. Essa metodologia tem um manual muito utilizado, inclusive nas nossas comunidades, do qual sou crítico (não do método mas do manual), em decorrência da posição e da proposta dos encontros (ver figura 2).

Esse método é circular. A partir de uma analise (ver) começa uma ação que culmina com a celebração e inicia-se novamente com uma nova avaliação e o novo ciclo. 

Catequese em Mutirão:
Outro método, esse desenvolvido na Diocese do Belém (nossa Diocese) é o método da Catequese em Mutirão. Sua proposta principal é baseada na construção da catequese com base na realidade local. Prima pelos encontros missionários, fora da paróquia, assim fortalecendo a dimensão Missionária da Igreja (figura 3).

Essa proposta coloca a a Igreja em Missão, trabalhando a intercomunicação e a expansão.

Catequese por Idades:
E por fim, para que nós não nos estendemos muito, a Metodologia da Catequese Por Idades (CPI), desenvolvida na Diocese de Sant’Anna, zona Norte de São Paulo, que tem como objeto principal o catequizando. Essa metodologia, tem como base 4 elementos (Fé, Consciência, Oração e Engajamento) e leva em conta 6 características ou dimensões psicofisicas do catequizando (físico ou corpo, emocional, inteligência, vontade, social e religiosidade). Esse método, criado por Dom Joel Ivo Cataplan e sua equipe embora tenha tido um livro publicado mostrando a metodologia, não dispõem de manual (ver figura 4). Esse método baseia-se em 10 passos, o Tema, o Texto Bíblico e complementar, os ensinamentos (exegese), Objetivos (o que desejo transmitir), os 4 grandes momentos (Fé, Consciência, Oração e Engajamento), Dimensões Psicofisicas (característica dos catequizandos conforme a idade), síntese do Catequista, Quadro Resumo, estratégias (como vou transmitir o conteúdo e chegar nos objetivos), atividades do 
encontro (separada em Resumo do Catequizando, atividades diversas, frase de fixação).


Temário:

Quando se prepara uma turma de Catequese, é necessário se ter um projeto, uma relação de temas para trabalhar. A essa relação chamamos de Temário. Eu, particularmente, recomendo que todos os encontros ou turmas de catequese iniciem-se com o tema BÍBLIA, pois como o catequizando pode manusear as Sagradas Escrituras, se não as conhece? Esse é um dos pontos em que critico o manual de Osasco. Alguns temas devem ser evitados, conforme a idade, maturidade do catequizando. Pessoas com menos de 10 anos, em geral, ainda não construíram algumas visões, assim encontros como Santíssima Trindade devem ser evitados ou trabalhados com muito cuidado pois três pessoas em uma é difícil de ser entendido para muitos adultos, imagina para uma criança. Outros temas são redundantes ou geram confusão. Por exemplo “Caim matou Abel. Deus o expulsou do Paraíso, onde, num primeiro momento somente existiam Adão, Eva, Caim e Abel. Mas ele ao ser expulso casa-se… Veja o texto abaixo:

Gn 4, 11-16

11 Por isso você é amaldiçoado por essa terra que abriu a boca para receber de suas mãos o sangue do seu irmão. 12 Ainda que você cultive o solo, ele não lhe dará mais o seu produto. Você andará errante e perdido pelo mundo". 13 Caim disse a Javé: "Minha culpa é grave e me atormenta. 14 Se hoje me expulsas do solo fértil, terei de esconder-me de ti, andando errante e perdido pelo mundo; o primeiro que me encontrar, me matará". 15 Javé lhe respondeu: "Quem matar Caim será vingado sete vezes". E Javé colocou um sinal sobre Caim, a fim de que ele não fosse morto por quem o encontrasse. 16 Caim saiu da presença de Javé, e habitou na terra de Nod, a leste de Éden.

Ora, então Adão e Eva não eram os únicos humanos na face da Terra? Quem havia criado os outros seres humanos? Esse tipo de questionamento, mostra que o Livro do Genises é um livro de contos, com estórias que mostram a proposta de Deus para o Homem (Gn 1-11 criação do mundo; Gn 12-50 criação da sociedade).
O Catequista a principio, pode escolher qualquer temário ou tema para trabalhar a catequese, e utilizar a Bíblia (isso é fundamental) para utilizar nos seus encontros, pois sem o uso da Palavra, não estaremos trabalhando e ensinando a proposta que nos é pedida (ensino religioso Cristão).
Mas isso nos leva a uma pergunta, como escolher o texto Bíblico? Escolhendo o tema, vamos ao encontro do texto. Um pouco de experiencia, orientação dos catequistas mais antigos, documentos da Igreja, tempo litúrgico vão ajudar, mas existem outras ferramentas, como os glossários bíblicos (Chave Bíblica, por exemplo), dicionários Teológicos e de Imagens, etc vão mostrar os textos associados aos temas escolhidos pelo catequista.

Exegese, Hermenêutica e Homilética:
Essas três palavras, de origem grega, pouco comuns no nosso dia a dia, representam três pontos de um triângulo muito importante para os estudos. A Exegese é o estudo do texto, aprofundando em cada um de seus temas, hermenêutica é o estudo do texto bíblico e homilética é a arte de realizar homília, ou seja, discursos.

É fundamental ao Catequista que aprenda a fazer a interpretação do texto bíblico (Exegese e Hermenêutica), pois assim poderá retirar do texto a essência do seu ensinamento.

Mas como se faz um estudo bíblico?
Esse será o nosso trabalho principal de hoje.
Vamos pegar o texto do Gn 4, 11-16, e vamos separá-lo por versículos.
Em seguida, vamos pensar num objetivo para esse estudo.
Ver o contexto em que foi escrito.
O tipo de texto.
Objetivo: O que desejo mostrar com esse texto?
O Senhor é piedoso com o pecador. Podemos falar que o tema do encontro é o PERDÃO.
Contexto: é um texto orientativo.
Tipo de Texto: Narração ou diálogo


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Bíblia II



Formação: Catequistas

Introdução:
Neste encontro, vamos trabalhar a Bíblia, não na sua origem, mas na sua formação e no seu entendimento. Não vamos, com certeza, esgotar o assunto, mas dar uma breve pincelada sobre as Sagradas Escrituras.
Lembrando o que tratamos no nosso primeiro encontro, a Bíblia se divide em duas grandes partes, o Antigo Testamento e o Novo Testamento. Na Bíblia Católica, que segue o Cânon Septuagínta (Cânon Grego), temos 46 livros no A.T. e 27 no N.T..
Para entendermos melhor as construções das Sagradas Escrituras, precisamos entender alguns pontos primordiais. Entre eles, como divide-se esses dois grandes grupos (subdivisão).

Divisão do Antigo Testamento:
O Antigo Testamento é dividido, basicamente em quatro grandes partes:
A Lei (Torá ou Torah) composta dos cinco primeiros livros da Bíblia (Gn, Ex, Lv, Nm, Dt), onde cada um deles mostra uma parte da história do Povo de Deus, iniciando-se pela criação da humanidade (Gn 1-12) e do povo ou da sociedade (Gn 13-50). O livro do Êxodo mostra a Saga de Moisés e como o povo que foi para o Egito, com José, e acaba escravizado, vai sair de lá com uma nova aliança. Como recebem a Lei (Decálogo – Dez Mandamentos), a traição do projeto de Deus (Ex 32) e toda a peregrinação de 40 anos no deserto. O Livro do Levítico é um livro de Leis, normas formais para o culto e a vivência do povo de Deus, obediente aos preceitos do Senhor. O livro de Números mostra as dificuldades enfrentadas pelo povo, sob o comando de Moisés, para atravessar o deserto e chegar na terra prometida. E por fim, temos o Deuteronômio, um livro que reflete e reescreve o livro do Êxodo, com foco no livro do Levítico, no livro de Números e das experiências vividas pelo povo.
Cada um dos livros, em seus originais, tomam o seu nome da primeira palavra de cada um deles. Assim, por exemplo, Gênesis, que quer dizer inicio ou principio inicia-se com a palavra No princípio… (Cf. Gn 1,1 – Bíblia Pastoral).
Dentro dos cinco livros da lei, temos diversos Gêneros Literários (que serão tratados a frente). Na Lei, os Gêneros Literários podem aparecer muito misturados, entre os versículos. Nos outros livros, os gêneros literários são mais fortes ou presentes, conforme a classe do livro.
Além da Lei, temos ainda no Antigo Testamento, os livros proféticos (Nebiin), que mostram a atividade profética realizada por Deus através dos seus instrumentos (Profetas, cujo a tradução da palavra é aquele que fala em nome de Deus – nesse caso em nome de alguém, que por definição, para os cristãos e para os judeus é DEUS); Os livros Sapienciais (Ketumbim) que são os livros de Sabedoria, destinados a ensinar ao povo como viver; e os Históricos (Ctuvim) que são aqueles que relatam a história do povo de Deus.

Divisão do Novo Testamento:
O N.T. tem como base a História de vida de Jesus, do seu nascimento a sua ressurreição e o surgimento das primeiras comunidades e como elas se comportavam.
Podemos dividir o N.T. em partes, a exemplo do A. T., assim, teremos: quatro evangelhos (Mt, Mc, Lc e Jo); um Ato dos Apóstolos (At), escrito por um gentio (Lucas), que também escreveu um dos quatro evangelhos. Lucas, não conheceu a Jesus, era discípulo de Paulo e, aparentemente escreve um trabalho em dois volumes, o Evangelho e Atos dos Apóstolos, direcionados a um “certo” Teófilo, que a princípio pode ser considerado uma pessoa, um patrocinador, ou simplesmente uma comunidade (Teófilo significa Povo de Deus). O Evangelho de Lucas é o que tem o melhor grego dentre os Evangelhos e o seu autor é considerado como médico e historiador da sua época. Diz a lenda que Lucas escreve a anunciação com tantos detalhes pois teria conversado pessoalmente com Nossa Senhora, a mãe do Senhor.
Outro ponto importante é a questão de Paulo. Sha’ul1 (em hebraico), Saul (em grego), nascido em Tarso, atual Turquia, tem a tradução de seu nome para Saulo e depois em Latim para Paulo, deve ter nascido por volta do ano 1 d.C. (pode ter nascido até o ano 5 d.C.) e se converteu por volta dos anos 31 e 36, e sua conversão é mostrada no Livro de Atos dos Apóstolos (Cf. At 9). Ele escreveu o primeiro texto do N.T.,a Carta de São Paulo aos Galatas, por volta do ano 51. Também foi por causa de Paulo que os seguidores de Jesus passaram a ser chamados de Cristãos.
O Novo Testamento que relata a última e definitiva aliança, com a entrega de Jesus Cristo, Filho de Deus, como marco da nossa salvação, é extremamente influenciado por Paulo, pois de todos os escritos do N.T., 1/3 foi escrito por ele ou sobre ele.
Os Quatro Evangelhos também são marcados por simbolismos muito fortes, para citar alguns, temos no Evangelho de Mateus a referência ao Homem (imagem que simboliza o evangelho), pois começa com a Genealogia de Jesus. Esse evangelho deve ter sido escrito a cristãos (ou comunidades cristãs) compostas de judeus convertidos. Mostra a justificativa da Lei Mosaíca, apresentando, inclusive, os novos mandamentos (Mt 5) com as Bem Aventuranças. O Evangelho de Marcos, possivelmente o mais antigo de todos os Evangelhos Canônicos, tem como símbolo o Leão, pois o Evangelho inicia-se no Deserto, habitat dessas feras. É muito forte a tendência de se colocar o Evangelho de Marcos como sendo de Pedro, ou seja, Marcos seria João Marcos, que foi companheiro de Paulo e que o abandonou, podendo ter voltado à Jerusalém para atender a um chamado de Pedro, que prisioneiro lhe teria ditado o seu Didaque (Catequese), transformado em Evangelho. Se observarmos o Evangelho de Marcos, ele não mostra Jesus como o Senhor, ele dá pistas. Ninguém anuncia Jesus, ele precisa ser descoberto até o final, quando os guardas anunciam: “- Realmente este Homem era o filho de Deus” (Cf. Mc 15, 39b). O evangelho de Lucas tem como símbolo o Touro, pois o evangelho de Lucas inicia-se no Templo (Cf Lc1, 5-8) e por fim, o evangelho de João tem como símbolo a Águia, pois é considerado como o de Teologia mais elevada, e inicia falando que a Palavra (Jesus) era voltada para Deus, ou seja, estava no alto (Cf Jo 1, 1-4)!
Mas de onde vem esse simbolismo de animais? Temos uma visão de quatro criaturas mostradas no livro do Apocalipse de São João (Cf. Ap 4, 7-8), além do pensamento de São Jeronimo que fixou essa ideia, já presente desde o A.T. (Cf. Ez 1, 5.10).

É atribuído a João a escrita de 3 cartas, um evangelho e o Livro do Apocalipse. Quanto a autoria do Livro do Apocalipse ter sido escrito por um João, ninguém tem, ou pode ter dúvida, pois o próprio autor assina seu livro (Cf. Ap 1, 1b-2; 4 entre outras citações). Entretanto não é possível afirmar que o João que escreve as Cartas, o Evangelho e o Apocalipse seja a mesma pessoa, ao contrário, acredita-se que sejam pelo menos duas pessoas.

Citações Bíblicas:
As Sagradas Escrituras eram escritas em rolos, depois em livros, mas não existiam divisões, apenas diferenciavam os livros, mas não eram divididos em capítulos e versículos. A divisão dos capítulos é atribuída a Stephen Langton (ou Estevão Langton), clérigo inglês que tomou os espaços existentes nos rolos dos textos bíblicos, para separar os textos das Sagradas Escrituras em Capítulos, isso por volta de 1823, com a edição de uma Bíblia Vulgata (em latim, o modelo criado ou adotado por S. Jerônimo). A divisão em versículos foi mais complexa (mesmo por que não havia referência, como nos capítulos) nos textos originais. Essa divisão foi realizada ainda no século XVI, por Santes Pagnino de Lucca (†1554), que gastou 25 anos para divir o AT e o NT em versículos numerados. Depois, Roberto Estêvão, tipógrafo francês, refez a distribuição do NT no ano de 1551. Esse trabalho permitiu aos fiéis localizar os textos com muito mais facilidade.
A nomenclatura dos livros é relativamente simples. Toma-se as duas primeiras consoantes do nome do livro, dando assim a origem a sua sigla, por exemplo: Livro de Gêneses – Gn sendo que a primeira letra é maiúscula e a segunda minúscula. Alguns livros existem mais de um tomo (texto), nesse caso recebem o número à frente. Exemplo I Livro de Cronicas – I Cr. Outros livros tem as mesmas iniciais (consoantes). Para diferenciar, recebem vogais na sua sigla. Exemplo: Primeira Carta de São Paulo aos Corintios – I Cor.
Na nomenclatura teremos sempre o nome do livro, capítulo (número grande nas nossas bíblias), versículos (número pequeno nas nossas bíblias). Assim, vamos tomar como exemplo o livro de Mateus, capítulo 5 dos versículos de 1 a 12:
1 – Para o texto composto do capítulo 5, dos versículos de 1 até 12 temos a seguinte nomenclatura: Mt 5, 1-12. A vírgula separa o capítulo dos vesiculosos e o traço indica versículos contínuos.
2 – Para o texto composto do capítulo 5, versículos 1 e 12 (somente os dois) temos a seguinte nomenclatura: Mt 5, 1.12 o ponto separa os versículos 1 e 12 sem ler os de dois a 11.
3 – Para a situação onde temos combinações entre o versículo 1 até o 5 e o 12, teremos a seguinte nomenclatura: Mt 5, 1-5.12.
Lembrando que o símbolo de separação entre capítulo e versículo, principalmente utilizado por escritores não católicos é o “:” e não a “,”.
Assim, de maneira geral, temos as seguintes ferramentas de separação na nomenclatura dos livros:
, separa capítulo de versículo;
. separa partes distintas descontinuadas;
- separa partes contínuas de um texto;
; separa partes de um mesmo texto ou textos distintos;
s indica que é o versículo mais o próximo.
ss indica os versículos indicados até o final do capítulo.
Todas as ferramentas podem ser combinadas entre si, por exemplo, quando referencio um texto composto de partes distintas de um mesmo livro ou de livros diferentes (Mt 5, 1-12; Lc 6, 2-8; 15-17 – neste exemplo o meu texto refere-se aos livros de Mateus, capítulo 5 versículos de um a doze e Lucas, capítulo 6 versículos de dois a oito e quinze a dezessete).

Gênero Literário:
Em um estudo bíblico é importante saber algumas informações, entre elas o contexto histórico em que o livro ou texto foi escrito. Conhecer a história é importante para compreender o como o livro foi escrito e porque. Outro fator importante é o Gênero Literário. Conhecer o Gênero Literário auxilia na compreensão do conteúdo do texto. Por exemplo, Jesus falava muito por parábolas, esse é um gênero literário. Fábulas, epopeias, epistolar são outros gêneros literários muito presentes nas Sagradas Escrituras.
Para conhecer ou iniciar o conhecimento de um livro das Sagradas Escrituras, precisamos buscar fontes externas ou internas. Para isso, temos, nas bíblias católicas, a introdução dos livros, que buscam esclarecer o contexto histórico e os principais gêneros que permeiam o livro. Ainda assim, é importante conhecer bibliografias externas, recomendo, entre outras, a Revista Vida Pastoral, publicada bimestralmente pela Editora Paulus (que traz inclusive comentários sobre os textos das leituras dominicais), Atlas bíblico (para conhecer a região e as peculiaridades), outras publicações sobre o tema, livro ou perícope que se está estudando.

Gêneros Literários e Tradições do Pentateuco:

Podemos constar nestes textos várias tradições:
Javista (J): datada do século X a.C. e provem do reino do Sul da terra de Canaã. Essa tradição se caracteriza por chamar DEUS de Javé (YHWH). Seu modo de descrever os fatos é cheio de imagens e comparações. Por exemplo Ex 19, 16-25.

Elóista (E): datada do século IX a.C. e provem do reino do Norte. Essa tradição trata o nome de DEUS como Eloim. Usa menos imagens que o Javista. O Elóista deu mais importância ao primitivo Israel como uma comunidade Obrigada religiosa e eticamente (comportamento) pelo pacto (ou aliança) com Javé. Menos ligada à monarquia. Por exemplo: Ex 24,8.

Deuteronomista (D): Século VIII a.C.. Descobre-se essa tradição em textos que recordam ao povo que ele foi escravo no Egito. O livro do Deuteronômio começa por uma segunda narração da lei dada por Moisés. Não confundir a tradição Deuteronomista com o livro do Deuteronômio. Nesse livro descobre-se as características dessas tradições (D). Por Exemplo Dt. 13,11.

Sacerdotal (P) – Priester – data da época do exílio – desde o Gêneses até Números encontramos trechos dessa tradição. Por exemplo Ex 12; 13,16 (páscoa Israelita).
Essas tradições encontram-se misturadas na Bíblia e muitas vezes é difícil descobri-las.
Além das tradições, há formas e gêneros literários na Bíblia Hebraica. Conforme um estudioso da Bíblia, há 59 gêneros literários. Outros encontra até 200! Os estudos modernos da Bíblia distinguem por exemplo, os relatos históricos (Jz 9; I Sm 11), a saga (uns dizem que a saga é uma história não verídica, outros, aqueles que acham que a Bíblia é a Palavra de DEUS, dizem que a saga é uma história em que se condensaram as experiências de um povo). Por exemplo, Gn 21, 22-31 (estória de Abraão). O mito aparece como exemplo fragmentário dentro de outros gêneros. Por exemplo Gn 6,1-4, casamento de seres divinos com mulheres humanas. Is 14, 12-20. O conto é apenas motivo dentro de outros gêneros literários. Por exemplo: Gn 39, 7-20. A fábula por exemplo: Jz 9,8-15; II Rs 14,9; Pr 30,24-31. Novelas, por exemplo: o livro de Jonas e de Rute. A pregação, a exortação (a apocalíptica), a confissão, a parábola, a comparação, a metáfora, o oráculo profético, a lei, a máxima sapiencial, o provérbio, o enigma (Jz 14,14; Pr 1,6), o discurso, o contrato, a lista, o cântico. 2
Essas são apenas algumas formas e gêneros literários.
Na leitura da Bíblia você pode se defrontar com algum versículo obscuro ou difícil de entender, pode ocorrer que a explicação seja encontrada no tipo de tradição ou gênero literário.
Quanto as dez pragas do Egito, alguns estudiosos só mencionam 6 ou 7 em seus comentários. A praga dos Primogênitos não é comentada. Por que? Ela não aparece em nenhum texto fora da Bíblia, por exemplo, não consta na história do Egito que tenha ocorrido tal calamidade. Um acréscimo da tradição sacerdotal (P), bem posterior ao texto JAVISTA das demais pragas.
Os estudiosos dizem hoje que nesse relato há dois núcleos: um histórico e um núcleo teológico cúltico. Segundo S. Jerônimo, citando uma tradição antiga judaica, naquela noite celebrava-se entre os egípcios a “festa da apresentação dos primogênitos” nos templos deles. Os templos egípcios perceberam um terremoto naquela noite. Com o terremoto, pereceram os deuses egípcios e os que os adoravam. Há outras interpretações, por exemplo, que os chefes hebreus tenham matado os egípcios. No entanto, não há registro histórico de tal fato.
O núcleo teológico cúltico conta que a partir da libertação do Egito, o povo de Israel deve ter consciência de que é ele o “primogênito” de DEUS. A eliminação dos primogênitos egípcios é o sinal dessa escolha. Como lembrança dessa pertença a DEUS, Israel deverá consagrar-lhe todos os primogênitos, quer dos homens, quer dos animais. São Paulo vai falar de Cristo, como o Primogênito de toda criatura. Diferentemente dos cultos pagãos, os primogênitos de Israel não devem ser sacrificados, mas “santificados”, isto é, separados, consagrados ao Senhor. Com esse rito Cúltico-Teólogico o texto do êxodo quer sublinhar que DEUS é o autor e defensor da vida. Ele não quer a morte de ninguém.

1Sha’ul em hebraico antigo (traduzido para o nosso alfabeto) tem como sentido da palavra “o que se pediu, o que se orou por”
2 Todos os gêneros apresentados, aparecem tanto em poesia como em prosa.

Biblia I


Formação: Catequistas – Ministros da Eucaristia – Ministros Leitores

Introdução:
A formação de ministros, promovida pela Comunidade Santa Maria Madalena, tem como objetivo oferecer aos novos ministros uma formação inicial e aos que já exercem seus ministérios uma oportunidade para realizar uma formação, com missão de levar novos conhecimento e informação para o seu melhor trabalho dentro da comunidade, oferecendo cada vez melhor os seus dons a Deus e a Seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, na manifestação dos dons do Espirito Santo!
Os encontros de formação em Bíblia serão oferecidos em 4 temas, sendo o primeiro comum a todos os ministérios, depois, a partir do segundo encontro, cada um terá um roteiro próprio, voltado ao exercício do seu ministério.

Origem e sentido da Palavra:
A nossa Bíblia é a compilação de vários textos Sagrados, oriundos de um povo, chamado de povo Semita (descendente de Sem, filho de Noé) povo esse que também tem como descendentes, os árabes, os hebreus entre outros. Assim, a nossa bíblia também é chamada de Sagradas Escrituras (Escrituras no sentido texto e Sagradas por tratarem de algo ligado diretamente a Deus). Existem, para outras fés e religiões, outras escrituras que são chamadas por esses povos ou religiões como sagradas. É o caso, por exemplo, do Al Corão (Al – Deus Corão – Livro, assim é o Livro de Deus), utilizado pelos Muçulmanos. Só para conhecimento, o mesmo Deus dos Muçulmanos é o nosso Deus, o Deus de Abraão, Jacó e José, pois Ismael, que dará origem ao povo árabe é filho de Abração com a escrava Hagar.
O termo Bíblia vem do grego, da palavra βιβλία, plural de βιβλίον – Biblion, que significa “rolo” ou “livro” e é o termo mais utilizado para indicar, em grego, a palavra Bíblia. O mais aceito é o termo Coleção de Livros, ou Coletivo de Livros, ou seja, Biblioteca.
A nossa Bíblia, ou Sagrada Escritura é composta de 73 livros, sendo 46 do Antigo Testamento (AT) e 27 do Novo Testamento (NT). É importante lembrar que o termo VELHO Testamento embora ainda apareça em muitos textos (mesmo em textos eruditos) é um termo errado, pois o adjetivo velho refere-se a algo que não serve mais, algo que deve ser descartado, diferente do AT que é a “primeira Aliança”, e que dá cumprimento a vinda do Senhor Jesus Cristo.
A separação da Bíblia será estuda a diante, mas é importante entender que o AT divide-se em 4 partes distintas, A Lei (Torá ou Torah), composta pelo Pentateuco (cinco primeiros livros da Bíblia [Gn, Ex, Nm, Lv e Dt]); os livros Históricos (CTUVIM – escritos, que contam a história da criação de Israel até a sua queda sob o julgo de Nabucodonosor, rei da Babilônia); Os livros da Sabedoria (sapienciais).

Conteúdo da Bíblia:
A Bíblia nos apresenta a História da Salvação, da Criação do Mundo (Cf Gn 1-2) até a implantação do Reino de Deus na Terra (cf. Ap 21-22). A Bíblia é um texto “escrito por Deus”, não diretamente, mas inspirado. Deus faz uso de um “instrumento”, um meio para escrever aquilo que ele desejava colocar para o povo. Já Moisés, recebe de Deus a Lei (Cf. Ex 31, 18), impressa pelas mãos de Deus na Pedra. Todos os textos da Bíblia são Inspirados pelo Senhor (Cf. 2 Tm 3,16), ou seja, é o próprio Senhor que escreve as Sagradas Escrituras, mas não sem ignorar a ação e a vida social do escritor. O Senhor faz uso do indivíduo que aceita sua proposta de ser instrumento e incorpora na sua vida a ação que vai construir as Sagradas Escrituras (Cf. Is 6, 6-7).
A Bíblia apresenta as “Alianças” firmadas entre Deus e o Homem, e como este segundo rompe com as Alianças propostas pelo Senhor, desde a entrada do pecado (Cf. Gn 3) que levou o Homem a ser expulso do Paraíso.

Como a Bíblia Surgiu:
Existem várias teorias sobre a escrita da Bíblia. A duas mais aceitas são a da Teoria Histórica Documental e a da Perspectiva Mosaica.
A Teoria Histórica Documental aceita que os primeiros textos bíblicos teriam sido compilados por volta do ano 900 a.C., na época do Rei Salomão. Já a Perspectiva Mosaica coloca a escrita do Pentateuco exclusivamente nas mãos de Moisés. Pelo menos dois pontos da Bíblia mostram a fragilidade dessa teoria, o primeiro está no livro do Êxodo, mostrando que Moisés era um grande líder militar e estratégico, mas era pouco culto, ao ponto de pedir ao Senhor que colocasse outra pessoa para falar em Seu Nome (Cf. Ex 4,10) e no livro do Deuteronômio que mostra o funeral de Moisés (Cf. Dt 34). Para os defensores dessa teoria (que não são poucos) o capítulo 34 teria sido um apêndice escrito por Josué, sucessor de Moisés.
Para os defensores da teoria Histórica Documental, os textos foram sendo compilados e montados durante séculos, inclusive sobre a influência de Moisés que não deve ter cansado de contar e recontar toda a história do seu encontro com o Senhor (Ex 3) e que recomendou que a história da Páscoa fosse contada de pai para filho durante as gerações a fim de que não fosse esquecido (Cf. Ex 13, 8). Assim, a história foi sendo passada de geração em geração, narrada por Anciões, Rabinos, Mestres e Levitas até chegar na época em que pode ser escrita. O próprio Moisés, pelo que se sabe, deveria ser analfabeto como 99,9% das pessoas.
Gostaria de lembrar que quando se trabalha com estudos da Bíblia, não podemos levar a nossa sociedade e cultura para o tempo em que se está estudando, mas buscar nos dados minimamente confiáveis para construir as nossas teorias e basear os nossos estudos.
Lembramos ainda, que a Bíblia começa a ser construída com a saída de Abrão da cidade de Ur, na Mesopotâmia (Cf. Gn 11,31). Na época não era chamado de Abraão, mas sim de Abrão. Seu nome é trocado de Abrão para Abraão, pois vai tornar-se o Pai de várias nações (Cf. Gn 17, 5).
Fechando essa questão da escrita da Bíblia, ela foi escrita por Homens inspirados por Deus, usando suas experiências pessoais e sociais para construir as Sagradas Escrituras e a esses Homens se dá o nome de Hagiógrafos que diferente do Al Corão, que foi, de acordo com a tradição Muçulmana ditado pelo Arcanjo Gabriel à Maomé e esse (analfabeto) ditava para sua esposa, que o escrevia.
Assim, a Bíblia é um texto que não contem incorreções, se observada pelos olhos da fé. Não se pode olhar ela com os olhos da ciência, pois a cultura onde ela foi inspirada era muito inferior a nossa.

Como chegou aos nossos dias?
Para chegar aos nossos dias, as Sagradas Escrituras passaram por uma grande maratona. Foram utilizados vários meios de escrita, várias línguas e várias bases. Entre elas temos:

Argila – utilizando a escrita cuneiforme, criada na mesopotâmia, e considerada a primeira escrita da humanidade, que, alias, tirou a humanidade da pré-história, pois a história somente se inicia com a constituição da escrita.

                     Papiro – Espécie de planta do pântano. Foi muito utilizado pelos egípcios como material para escrita.

As plantas são secas, e suas fibras preparadas e trançadas formando uma espécie de papel, que recebe a escrita.
Tem uma durabilidade razoável e é leve além de um custo relativamente baixo.

                      Pergaminho – Couro tratado. O Pergaminho é um dos materiais de escrita das Sagradas escrituras mais “famoso”. É composto de couro de animais tratado.
No verso recebe a escrita. Após a escrita o pergaminho é enrolado para ser armazenado.
Devido ao seu alto custo e dificuldade de preparo, era comum apagarem pergaminhos para reaproveitar com novos escritos.
O nome Pergaminho vem da cidade de Pérgamo que, de acordo com a lenda, seria o lugar onde surgiu a técnica.

Os textos das Sagradas Escrituras foram traduzidos para mais de 1865 línguas e é o livro mais vendido do mundo, embora não seja um dos mais lidos. Como já foi comentado, os textos foram sendo construídos, por inspiração de Deus, pelas mãos dos Hagiógrafos, que falavam ou escreviam aquilo que Deus os inspirava. De acordo com a teoria Documental Histórica, os textos começaram a ser escritos na época de Salomão (900 a.C.), e os textos eram reproduzidos por Levitas, Rabï ou escribas, de acordo com a época em que os textos eram copiados. Mesmo assim, precisamos entender alguns pontos, como a questão de quais textos deveriam ser considerados Sagrados e quais não eram?
Nesse sentido, surgiram os Cânons (listas) que definiam por meio de Concílios (reuniões de conciliação) os textos considerados Sagrados. Assim, temos dois Cânons do Antigo Testamento, o Judaico que tem 39 livros (utilizado pelas bíblias protestantes – chamada de Bíblia Almeida, aqui no Brasil) e foi elaborado pelo partido dos Fariseus (após a queda de Jerusalém, por volta do ano 70 d. C.) e o Cânon Septuaginta (dos 70 – baseado na tradução dos escritos do Aramaico e Hebraico para o Grego realizado pelos sábios enviados de Jerusalém para Alexandria, no Egito) que contem 46 livros (e é o utilizado nas bíblias católicas e ecumênicas).
Como essas cópias eram manuais, até o advento da Impressa de Tipo Móvel, pelo alemão Gutemberg (que alias, o seu primeiro livro impresso foi uma versão das Sagradas Escrituras), muitos erros foram cometidos, de forma acidental como proposital. Existem pesquisadores que acreditam na alteração de determinados textos pelos monges copistas, monges católicos que se dedicavam a copiar os textos bíblicos (veja o filme e o livro O Nome da Rosa, ele mostra um mosteiro de monges copistas e seus conflitos na idade média) para justificar determinados pensamentos vigentes à época.
Algumas descobertas, como os Manuscritos do Mar Morto, mostraram que pouco foi mudado nos textos do Antigo Testamento (foram encontrados fragmentos de alguns livros da Lei, utilizados pelos Essênios, povo eremita que tinha uma sociedade fechada na época de Jesus e que esconderam seus textos em vasos, nas cavernas de Qumran no ano de 1947).

Formação dos Cânons:

A formação dos Cânons (listas) toma caminhos muitas vezes políticos. O Cânon do Antigo Testamento seguiu basicamente dois caminhos, o primeiro foi o Cânon dos LXX (Setenta), montado pelos sábios da Alexandria.
Depois temos o Cânon Judaico que excluiu os livros que justificavam a fé dos Sauduceus, partido politico que conflitava com o dos Fariseus (que na tradução significa separados) sendo que esses segundos (os Fariseus) foram os responsáveis pela construção das Sinagogas, espaços dedicados ao estudo da Lei, a qual se declaravam fiéis seguidores e que servia de espeço para a educação do povo.
Essa visão dos Fariseus, legou ao cristianismo o Cânon utilizado pelos reformadores cristãos, com 39 livros, ignorando partes de alguns (como livro de Daniel) e 7 livros inteiros.
A Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, em geral, adotam o Cânon dos LXX.
Os livros excedentes do Cânon Judaico são chamados de Deuterocanônicos, ou seja, do segundo Cânon e os livros do Cânon Judaico são chamados de livros Protocanônicos.
O Novo Testamento começa a ser escrito por Paulo, por volta do ano 51 d.C., e é a Primeira Carta aos Tessalonicenses. Muitos textos, dos séculos I a III foram escritos sobre a fé cristã, mas nem todos foram aceitos como inspirados por Deus. Existem muitos textos, até interessantes e que nos fornece pistas para entender a vida de Jesus, a sociedade da época, e até mesmo dados sobre Santa Ana e São Joaquim, avós de Jesus, sobre a morte de Pedro, etc mas que não são textos oficiais. Esses textos recebem o nome de Apócrifos. Para os defensores do Cânon Judaico, os sete livros deuterocanônicos e as passagens “gregas” dos livros protocanônicos também são chamados de Apócrifos.
O desenvolvimento do Cânon seguiu caminhos diversos e devido ao grande número de Heresias presentes nos primeiros anos do Cristianismo, fez com que muitas discussões fossem realizadas até a definição do Cânon do Novo Testamento. Para os Cristãos Gregos (Ortodoxos) a definição se deu primeiro, no Concílio de Quinissexto, já no ano de 692 d.C. e reafirmado no Sínodo de Jerusalém em 1672. A Igreja Católica somente define o Cânon no Concilio de Trento, em 1546, confirmando as decisões do Concílio de Florença de 1442, mas essas discussões já vinham desde os Concílios de Hipona (397) e Cartago (419). Para algumas Igrejas da Reforma teremos outras datas. Para fechar o assunto, é importante entender que a principio o Cânon do N.T. era apenas os Evangelhos (4 atuais – Mt, Mc, Lc e Jo), o Ato dos Apóstolos (At), e algumas cartas. A esses textos, tecnicamente também se dá o nome de Protocanônicos. Outros textos, como o livro do Apocalipse, a carta aos Hebreus e as II e III Carta de João, são chamados de Deuterocanônicos.

Patriarcas e Personalidades importantes da Bíblia:
Algumas pessoas são muito importantes nas Sagradas Escrituras. Nesse adendo da nossa primeira aula, vamos trabalhar alguns nomes que são importantes a todos os estudantes e ministros de fé!
Os Patriarcas são os homens que começaram a construção do povo de Deus, escolhidos, um a um, para criar um povo fiel e digno de ser e receber o amor de do Senhor!
Começamos com Abraão, de nome original Abrão, que saiu da sua terra, Ur na Mesopotâmia para a terra de Canaã, e foi até o Egito. Sua história é contada no livro de Gênesis. Abraão foi pai de Ismael, que deu origem ao povo Ismaelita, filho da escrava de Sarah, de nome Hagar, e esse povo é o povo árabe, que deu origem a fé muçulmana. Além de Ismael, Abraão teve outro filho, esse com a esposa Sarah chamado Isaac. Isaac teve um filho, chamado Jacó. Jacó foi pai de 12 filhos, que deram origem as 12 tribos de Israel. Alias, Jacó recebe do Senhor o nome de Israel. A história desses personagens encontra-se no livro do Gênesis (Gn 11-50).
Outra pessoa importante para a fé judaica e cristã é a pessoa de Moisés (Ex). De origem Israelita, criado na corte egípcia, é o responsável pela criação do povo de Israel, os Judeus, por volta do ano 1850 a.C.. Depois vamos ter os Juízes de Israel, em especial Josué, sucessor de Moisés e Samuel, último dos juízes e que consagrou os reis de Israel.
Teremos depois os reis de Israel, em especial Saul, Davi e Salomão, sendo que Saul foi o primeiro rei de Israel, mas não foi obediente a Deus que consagrou também Davi, filho mais novo de Jessé como Rei de Israel. Davi foi o responsável pela união do povo. Seu filho mais novo, Salomão, foi ou último rei de um estado unido, depois dele o reino se dividiu. Ele foi um dos reis mais importantes de Israel.
Entre os profetas, para os cristãos, um dos mais importantes é o profeta Isaías, chamado de profeta do Advento, pois anuncia a chegada de um Messias que salvaria o povo de Deus.
No Novo Testamento temos João Batista que precede a Jesus, Maria, a Mãe do Senhor, José, seu esposo que aceita o projeto do Pai sem relutar, Pedro que traiu todo o projeto de Jesus e se arrepende, e principalmente Paulo, a quem pelo menos um terço do Novo Testamento fala dele ou foi escrito por ele.




quarta-feira, 4 de abril de 2018

Postura dos Leitores em uma Celebração


Qual a postura dos Leitores durante a Liturgia?

Tomando a Celebração da Eucaristia e a Celebração da Palavra como meio de meditar, gostaria de perguntar a cada membro da comunidade, o que significa “Ser um Leitor da Palavra?”.

Se tomarmos as Sagradas Escrituras como meio de pensar, vamos ter o próprio Jesus como leitor na Sinagoga, como podemos ver no texto a seguir:







15 Ele ensinava nas sinagogas, e todos o elogiavam. 16 Jesus foi à cidade de Nazaré, onde se havia criado. Conforme seu costume, no sábado entrou na sinagoga, e levantou-se para fazer a leitura. 17 Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem onde está escrito: 18 "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos,19 e para proclamar um ano de graça do Senhor." 20 Em seguida Jesus fechou o livro, o entregou na mão do ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Então Jesus começou a dizer-lhes: "Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês acabam de ouvir."
Lc 4,14-21

Ora, o próprio Senhor, Jesus Cristo, se coloca na posição e da importância a leituras das Sagradas Escrituras (Bíblia). E nós, como nos comportamos?

De acordo com o Missal Romano, temos a visão da Igreja quanto aos leitores:

II. OS DIVERSOS ELEMENTOS DA MISSA

Leitura da palavra de Deus e sua explanação. Quando na Igreja se lê a Sagrada Escritura, é o próprio Deus quem fala ao seu povo, é Cristo, presente na sua palavra, quem anuncia o Evangelho.
Por isso as leituras da palavra de Deus, que oferecem à Liturgia um elemento da maior importância, devem ser escutadas por todos com veneração. E embora a palavra divina, contida nas leituras da Sagrada Escritura, seja dirigida a todos os homens de todos os tempos e seja para eles inteligível, no entanto a sua mais plena compreensão e a sua eficácia são favorecidas por um comentário vivo, isto é, a homilia, que faz parte da ação litúrgica.

Introdução ao Missal Romano

Com essa introdução inicial, vamos, tomando fontes das mais diversas para construir uma reflexão. Na constituição da Eucaristia, Jesus determina aos seus discípulos, que devem ir e escolher um ambiente, previamente preparado para que eles pudessem “comer aquela Páscoa” (Cf. Lc 22,12). Assim, na nossa realidade do dia a dia, precisamos pensar o que é necessário à comunidade para celebrar com dignidade e real participação a Eucaristia. Esse momento passa pela preparação do ambiente, dos objetos litúrgicos, das vestes (do celebrante e dos participantes), do nosso respeito e reconhecimento do momento ímpar que se manifesta naquele momento de extrema importância.

A Celebração Eucarística é presidida pelo Sacerdote (Presbítero – Padre) mas somente é celebrada na sua maior eficácia com a presença do Povo de Deus, conquistado por Jesus Cristo (Cf. Ap 7, 9-10). O parágrafo 12 da Introdução do Missal Romano, reportando-se aos documentos do Concílio Vaticano II (11/10/1962 – 08/12/1965), em especial a Constituição Sacrosanctun Concilium (SC), que, mudando a visão do Concílio de Trento (1545—1563), adota a língua Vernácula (nativa), onde alias, o SC vai muito além da disposição sobre a importância da língua vernácula, e fala muito sobre a participação do povo na Liturgia (SC 19), lembrando que o Povo de Deus deve estar presente nas ações internas e externas, respeitando a idade, condições de vida e graus de cultura religiosa e por que não, civil (educacional – complemento meu), entretanto, não exclui nenhum fiel da participação da liturgia, respeitando e trabalhando não somente a Palavra, mas também o exemplo de vida.

O Item III do SC (Reforma da Sagrada Liturgia) lembra que o Concílio deve abrir as portas da Igreja para que a comunidade vislumbre, com amor e claramente, as coisas Santas, permitindo ao povo de Deus compreendê-las, afinal as celebrações são coletivas (SC 26) e não privadas, exclusivas de um grupo ou pessoa, mas voltadas a toda a comunidade. Assim, a Liturgia deve ser o instrumento da divulgação do verdadeiro sacramento de união do povo.

Por fim, a Igreja Particular (comunidade) deve buscar oferecer à Assembleia uma Catequese, ecoar a Boa Nova (Evangelho) a todos, de forma que cada um possa assumir o seu papel junto a Messe do Senhor, afinal não faltam coisas a serem feitas, mas faltam operários (obra – Cf. Mt 9,37 b)! A Participação dos fiéis é um desejo da Santa Madre Igreja e uma necessidade para que realmente tenhamos uma Comunidade, onde todos os fiéis possam participar ativamente dos eventos (Cf. SC 14)!