segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Biblia I


Formação: Catequistas – Ministros da Eucaristia – Ministros Leitores

Introdução:
A formação de ministros, promovida pela Comunidade Santa Maria Madalena, tem como objetivo oferecer aos novos ministros uma formação inicial e aos que já exercem seus ministérios uma oportunidade para realizar uma formação, com missão de levar novos conhecimento e informação para o seu melhor trabalho dentro da comunidade, oferecendo cada vez melhor os seus dons a Deus e a Seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, na manifestação dos dons do Espirito Santo!
Os encontros de formação em Bíblia serão oferecidos em 4 temas, sendo o primeiro comum a todos os ministérios, depois, a partir do segundo encontro, cada um terá um roteiro próprio, voltado ao exercício do seu ministério.

Origem e sentido da Palavra:
A nossa Bíblia é a compilação de vários textos Sagrados, oriundos de um povo, chamado de povo Semita (descendente de Sem, filho de Noé) povo esse que também tem como descendentes, os árabes, os hebreus entre outros. Assim, a nossa bíblia também é chamada de Sagradas Escrituras (Escrituras no sentido texto e Sagradas por tratarem de algo ligado diretamente a Deus). Existem, para outras fés e religiões, outras escrituras que são chamadas por esses povos ou religiões como sagradas. É o caso, por exemplo, do Al Corão (Al – Deus Corão – Livro, assim é o Livro de Deus), utilizado pelos Muçulmanos. Só para conhecimento, o mesmo Deus dos Muçulmanos é o nosso Deus, o Deus de Abraão, Jacó e José, pois Ismael, que dará origem ao povo árabe é filho de Abração com a escrava Hagar.
O termo Bíblia vem do grego, da palavra βιβλία, plural de βιβλίον – Biblion, que significa “rolo” ou “livro” e é o termo mais utilizado para indicar, em grego, a palavra Bíblia. O mais aceito é o termo Coleção de Livros, ou Coletivo de Livros, ou seja, Biblioteca.
A nossa Bíblia, ou Sagrada Escritura é composta de 73 livros, sendo 46 do Antigo Testamento (AT) e 27 do Novo Testamento (NT). É importante lembrar que o termo VELHO Testamento embora ainda apareça em muitos textos (mesmo em textos eruditos) é um termo errado, pois o adjetivo velho refere-se a algo que não serve mais, algo que deve ser descartado, diferente do AT que é a “primeira Aliança”, e que dá cumprimento a vinda do Senhor Jesus Cristo.
A separação da Bíblia será estuda a diante, mas é importante entender que o AT divide-se em 4 partes distintas, A Lei (Torá ou Torah), composta pelo Pentateuco (cinco primeiros livros da Bíblia [Gn, Ex, Nm, Lv e Dt]); os livros Históricos (CTUVIM – escritos, que contam a história da criação de Israel até a sua queda sob o julgo de Nabucodonosor, rei da Babilônia); Os livros da Sabedoria (sapienciais).

Conteúdo da Bíblia:
A Bíblia nos apresenta a História da Salvação, da Criação do Mundo (Cf Gn 1-2) até a implantação do Reino de Deus na Terra (cf. Ap 21-22). A Bíblia é um texto “escrito por Deus”, não diretamente, mas inspirado. Deus faz uso de um “instrumento”, um meio para escrever aquilo que ele desejava colocar para o povo. Já Moisés, recebe de Deus a Lei (Cf. Ex 31, 18), impressa pelas mãos de Deus na Pedra. Todos os textos da Bíblia são Inspirados pelo Senhor (Cf. 2 Tm 3,16), ou seja, é o próprio Senhor que escreve as Sagradas Escrituras, mas não sem ignorar a ação e a vida social do escritor. O Senhor faz uso do indivíduo que aceita sua proposta de ser instrumento e incorpora na sua vida a ação que vai construir as Sagradas Escrituras (Cf. Is 6, 6-7).
A Bíblia apresenta as “Alianças” firmadas entre Deus e o Homem, e como este segundo rompe com as Alianças propostas pelo Senhor, desde a entrada do pecado (Cf. Gn 3) que levou o Homem a ser expulso do Paraíso.

Como a Bíblia Surgiu:
Existem várias teorias sobre a escrita da Bíblia. A duas mais aceitas são a da Teoria Histórica Documental e a da Perspectiva Mosaica.
A Teoria Histórica Documental aceita que os primeiros textos bíblicos teriam sido compilados por volta do ano 900 a.C., na época do Rei Salomão. Já a Perspectiva Mosaica coloca a escrita do Pentateuco exclusivamente nas mãos de Moisés. Pelo menos dois pontos da Bíblia mostram a fragilidade dessa teoria, o primeiro está no livro do Êxodo, mostrando que Moisés era um grande líder militar e estratégico, mas era pouco culto, ao ponto de pedir ao Senhor que colocasse outra pessoa para falar em Seu Nome (Cf. Ex 4,10) e no livro do Deuteronômio que mostra o funeral de Moisés (Cf. Dt 34). Para os defensores dessa teoria (que não são poucos) o capítulo 34 teria sido um apêndice escrito por Josué, sucessor de Moisés.
Para os defensores da teoria Histórica Documental, os textos foram sendo compilados e montados durante séculos, inclusive sobre a influência de Moisés que não deve ter cansado de contar e recontar toda a história do seu encontro com o Senhor (Ex 3) e que recomendou que a história da Páscoa fosse contada de pai para filho durante as gerações a fim de que não fosse esquecido (Cf. Ex 13, 8). Assim, a história foi sendo passada de geração em geração, narrada por Anciões, Rabinos, Mestres e Levitas até chegar na época em que pode ser escrita. O próprio Moisés, pelo que se sabe, deveria ser analfabeto como 99,9% das pessoas.
Gostaria de lembrar que quando se trabalha com estudos da Bíblia, não podemos levar a nossa sociedade e cultura para o tempo em que se está estudando, mas buscar nos dados minimamente confiáveis para construir as nossas teorias e basear os nossos estudos.
Lembramos ainda, que a Bíblia começa a ser construída com a saída de Abrão da cidade de Ur, na Mesopotâmia (Cf. Gn 11,31). Na época não era chamado de Abraão, mas sim de Abrão. Seu nome é trocado de Abrão para Abraão, pois vai tornar-se o Pai de várias nações (Cf. Gn 17, 5).
Fechando essa questão da escrita da Bíblia, ela foi escrita por Homens inspirados por Deus, usando suas experiências pessoais e sociais para construir as Sagradas Escrituras e a esses Homens se dá o nome de Hagiógrafos que diferente do Al Corão, que foi, de acordo com a tradição Muçulmana ditado pelo Arcanjo Gabriel à Maomé e esse (analfabeto) ditava para sua esposa, que o escrevia.
Assim, a Bíblia é um texto que não contem incorreções, se observada pelos olhos da fé. Não se pode olhar ela com os olhos da ciência, pois a cultura onde ela foi inspirada era muito inferior a nossa.

Como chegou aos nossos dias?
Para chegar aos nossos dias, as Sagradas Escrituras passaram por uma grande maratona. Foram utilizados vários meios de escrita, várias línguas e várias bases. Entre elas temos:

Argila – utilizando a escrita cuneiforme, criada na mesopotâmia, e considerada a primeira escrita da humanidade, que, alias, tirou a humanidade da pré-história, pois a história somente se inicia com a constituição da escrita.

                     Papiro – Espécie de planta do pântano. Foi muito utilizado pelos egípcios como material para escrita.

As plantas são secas, e suas fibras preparadas e trançadas formando uma espécie de papel, que recebe a escrita.
Tem uma durabilidade razoável e é leve além de um custo relativamente baixo.

                      Pergaminho – Couro tratado. O Pergaminho é um dos materiais de escrita das Sagradas escrituras mais “famoso”. É composto de couro de animais tratado.
No verso recebe a escrita. Após a escrita o pergaminho é enrolado para ser armazenado.
Devido ao seu alto custo e dificuldade de preparo, era comum apagarem pergaminhos para reaproveitar com novos escritos.
O nome Pergaminho vem da cidade de Pérgamo que, de acordo com a lenda, seria o lugar onde surgiu a técnica.

Os textos das Sagradas Escrituras foram traduzidos para mais de 1865 línguas e é o livro mais vendido do mundo, embora não seja um dos mais lidos. Como já foi comentado, os textos foram sendo construídos, por inspiração de Deus, pelas mãos dos Hagiógrafos, que falavam ou escreviam aquilo que Deus os inspirava. De acordo com a teoria Documental Histórica, os textos começaram a ser escritos na época de Salomão (900 a.C.), e os textos eram reproduzidos por Levitas, Rabï ou escribas, de acordo com a época em que os textos eram copiados. Mesmo assim, precisamos entender alguns pontos, como a questão de quais textos deveriam ser considerados Sagrados e quais não eram?
Nesse sentido, surgiram os Cânons (listas) que definiam por meio de Concílios (reuniões de conciliação) os textos considerados Sagrados. Assim, temos dois Cânons do Antigo Testamento, o Judaico que tem 39 livros (utilizado pelas bíblias protestantes – chamada de Bíblia Almeida, aqui no Brasil) e foi elaborado pelo partido dos Fariseus (após a queda de Jerusalém, por volta do ano 70 d. C.) e o Cânon Septuaginta (dos 70 – baseado na tradução dos escritos do Aramaico e Hebraico para o Grego realizado pelos sábios enviados de Jerusalém para Alexandria, no Egito) que contem 46 livros (e é o utilizado nas bíblias católicas e ecumênicas).
Como essas cópias eram manuais, até o advento da Impressa de Tipo Móvel, pelo alemão Gutemberg (que alias, o seu primeiro livro impresso foi uma versão das Sagradas Escrituras), muitos erros foram cometidos, de forma acidental como proposital. Existem pesquisadores que acreditam na alteração de determinados textos pelos monges copistas, monges católicos que se dedicavam a copiar os textos bíblicos (veja o filme e o livro O Nome da Rosa, ele mostra um mosteiro de monges copistas e seus conflitos na idade média) para justificar determinados pensamentos vigentes à época.
Algumas descobertas, como os Manuscritos do Mar Morto, mostraram que pouco foi mudado nos textos do Antigo Testamento (foram encontrados fragmentos de alguns livros da Lei, utilizados pelos Essênios, povo eremita que tinha uma sociedade fechada na época de Jesus e que esconderam seus textos em vasos, nas cavernas de Qumran no ano de 1947).

Formação dos Cânons:

A formação dos Cânons (listas) toma caminhos muitas vezes políticos. O Cânon do Antigo Testamento seguiu basicamente dois caminhos, o primeiro foi o Cânon dos LXX (Setenta), montado pelos sábios da Alexandria.
Depois temos o Cânon Judaico que excluiu os livros que justificavam a fé dos Sauduceus, partido politico que conflitava com o dos Fariseus (que na tradução significa separados) sendo que esses segundos (os Fariseus) foram os responsáveis pela construção das Sinagogas, espaços dedicados ao estudo da Lei, a qual se declaravam fiéis seguidores e que servia de espeço para a educação do povo.
Essa visão dos Fariseus, legou ao cristianismo o Cânon utilizado pelos reformadores cristãos, com 39 livros, ignorando partes de alguns (como livro de Daniel) e 7 livros inteiros.
A Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, em geral, adotam o Cânon dos LXX.
Os livros excedentes do Cânon Judaico são chamados de Deuterocanônicos, ou seja, do segundo Cânon e os livros do Cânon Judaico são chamados de livros Protocanônicos.
O Novo Testamento começa a ser escrito por Paulo, por volta do ano 51 d.C., e é a Primeira Carta aos Tessalonicenses. Muitos textos, dos séculos I a III foram escritos sobre a fé cristã, mas nem todos foram aceitos como inspirados por Deus. Existem muitos textos, até interessantes e que nos fornece pistas para entender a vida de Jesus, a sociedade da época, e até mesmo dados sobre Santa Ana e São Joaquim, avós de Jesus, sobre a morte de Pedro, etc mas que não são textos oficiais. Esses textos recebem o nome de Apócrifos. Para os defensores do Cânon Judaico, os sete livros deuterocanônicos e as passagens “gregas” dos livros protocanônicos também são chamados de Apócrifos.
O desenvolvimento do Cânon seguiu caminhos diversos e devido ao grande número de Heresias presentes nos primeiros anos do Cristianismo, fez com que muitas discussões fossem realizadas até a definição do Cânon do Novo Testamento. Para os Cristãos Gregos (Ortodoxos) a definição se deu primeiro, no Concílio de Quinissexto, já no ano de 692 d.C. e reafirmado no Sínodo de Jerusalém em 1672. A Igreja Católica somente define o Cânon no Concilio de Trento, em 1546, confirmando as decisões do Concílio de Florença de 1442, mas essas discussões já vinham desde os Concílios de Hipona (397) e Cartago (419). Para algumas Igrejas da Reforma teremos outras datas. Para fechar o assunto, é importante entender que a principio o Cânon do N.T. era apenas os Evangelhos (4 atuais – Mt, Mc, Lc e Jo), o Ato dos Apóstolos (At), e algumas cartas. A esses textos, tecnicamente também se dá o nome de Protocanônicos. Outros textos, como o livro do Apocalipse, a carta aos Hebreus e as II e III Carta de João, são chamados de Deuterocanônicos.

Patriarcas e Personalidades importantes da Bíblia:
Algumas pessoas são muito importantes nas Sagradas Escrituras. Nesse adendo da nossa primeira aula, vamos trabalhar alguns nomes que são importantes a todos os estudantes e ministros de fé!
Os Patriarcas são os homens que começaram a construção do povo de Deus, escolhidos, um a um, para criar um povo fiel e digno de ser e receber o amor de do Senhor!
Começamos com Abraão, de nome original Abrão, que saiu da sua terra, Ur na Mesopotâmia para a terra de Canaã, e foi até o Egito. Sua história é contada no livro de Gênesis. Abraão foi pai de Ismael, que deu origem ao povo Ismaelita, filho da escrava de Sarah, de nome Hagar, e esse povo é o povo árabe, que deu origem a fé muçulmana. Além de Ismael, Abraão teve outro filho, esse com a esposa Sarah chamado Isaac. Isaac teve um filho, chamado Jacó. Jacó foi pai de 12 filhos, que deram origem as 12 tribos de Israel. Alias, Jacó recebe do Senhor o nome de Israel. A história desses personagens encontra-se no livro do Gênesis (Gn 11-50).
Outra pessoa importante para a fé judaica e cristã é a pessoa de Moisés (Ex). De origem Israelita, criado na corte egípcia, é o responsável pela criação do povo de Israel, os Judeus, por volta do ano 1850 a.C.. Depois vamos ter os Juízes de Israel, em especial Josué, sucessor de Moisés e Samuel, último dos juízes e que consagrou os reis de Israel.
Teremos depois os reis de Israel, em especial Saul, Davi e Salomão, sendo que Saul foi o primeiro rei de Israel, mas não foi obediente a Deus que consagrou também Davi, filho mais novo de Jessé como Rei de Israel. Davi foi o responsável pela união do povo. Seu filho mais novo, Salomão, foi ou último rei de um estado unido, depois dele o reino se dividiu. Ele foi um dos reis mais importantes de Israel.
Entre os profetas, para os cristãos, um dos mais importantes é o profeta Isaías, chamado de profeta do Advento, pois anuncia a chegada de um Messias que salvaria o povo de Deus.
No Novo Testamento temos João Batista que precede a Jesus, Maria, a Mãe do Senhor, José, seu esposo que aceita o projeto do Pai sem relutar, Pedro que traiu todo o projeto de Jesus e se arrepende, e principalmente Paulo, a quem pelo menos um terço do Novo Testamento fala dele ou foi escrito por ele.




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