Formação:
Catequistas – Ministros da Eucaristia – Ministros Leitores
Introdução:
A
formação de ministros, promovida pela Comunidade Santa Maria
Madalena, tem como objetivo oferecer aos novos ministros uma formação
inicial e aos que já exercem seus ministérios uma oportunidade para
realizar uma formação, com missão de levar novos conhecimento e
informação para o seu melhor trabalho dentro da comunidade,
oferecendo cada vez melhor os seus dons a Deus e a Seu Filho, Nosso
Senhor Jesus Cristo, na manifestação dos dons do Espirito Santo!
Os
encontros de formação em Bíblia serão oferecidos em 4 temas,
sendo o primeiro comum a todos os ministérios, depois, a partir do
segundo encontro, cada um terá um roteiro próprio, voltado ao
exercício do seu ministério.
Origem
e sentido da Palavra:
A
nossa Bíblia é a compilação de vários textos Sagrados, oriundos
de um povo, chamado de povo Semita (descendente de Sem, filho de Noé)
povo esse que também tem como descendentes, os árabes, os hebreus
entre outros. Assim, a nossa bíblia também é chamada de Sagradas
Escrituras (Escrituras no sentido texto e Sagradas por tratarem de
algo ligado diretamente a Deus). Existem, para outras fés e
religiões, outras escrituras que são chamadas por esses povos ou
religiões como sagradas. É o caso, por exemplo, do Al Corão (Al –
Deus Corão – Livro, assim é o Livro de Deus), utilizado pelos
Muçulmanos. Só para conhecimento, o mesmo Deus dos Muçulmanos é o
nosso Deus, o Deus de Abraão, Jacó e José, pois Ismael, que dará
origem ao povo árabe é filho de Abração com a escrava Hagar.
O
termo Bíblia vem do grego, da palavra βιβλία,
plural
de
βιβλίον
– Biblion,
que significa “rolo” ou “livro” e é o termo mais utilizado
para indicar, em grego, a palavra Bíblia. O mais aceito é o termo
Coleção
de Livros,
ou Coletivo
de Livros,
ou seja, Biblioteca.
A
nossa Bíblia, ou Sagrada Escritura é composta de 73 livros, sendo
46 do Antigo Testamento (AT) e 27 do Novo Testamento (NT). É
importante lembrar que o termo VELHO
Testamento
embora ainda apareça em muitos textos (mesmo em textos eruditos) é
um termo errado, pois o adjetivo velho refere-se a algo que não
serve mais, algo que deve ser descartado, diferente do AT que é a
“primeira Aliança”, e que dá cumprimento a vinda do Senhor
Jesus Cristo.
A
separação da Bíblia será estuda a diante, mas é importante
entender que o AT divide-se em 4 partes distintas, A Lei (Torá ou
Torah), composta pelo Pentateuco (cinco primeiros livros da Bíblia
[Gn, Ex, Nm, Lv e Dt]); os livros Históricos (CTUVIM – escritos,
que contam a história da criação de Israel até a sua queda sob o
julgo de Nabucodonosor, rei da Babilônia); Os livros da Sabedoria
(sapienciais).
Conteúdo
da Bíblia:
A
Bíblia nos apresenta a História da Salvação, da Criação do
Mundo (Cf Gn 1-2) até a implantação do Reino de Deus na Terra (cf.
Ap 21-22). A Bíblia é um texto “escrito por Deus”, não
diretamente, mas inspirado. Deus faz uso de um “instrumento”, um
meio para escrever aquilo que ele desejava colocar para o povo. Já
Moisés, recebe de Deus a Lei (Cf. Ex 31, 18), impressa pelas mãos
de Deus na Pedra. Todos os textos da Bíblia são Inspirados pelo
Senhor (Cf. 2 Tm 3,16), ou seja, é o próprio Senhor que escreve as
Sagradas Escrituras, mas não sem ignorar a ação e a vida social do
escritor. O Senhor faz uso do indivíduo que aceita sua proposta de
ser instrumento e incorpora na sua vida a ação que vai construir as
Sagradas Escrituras (Cf. Is 6, 6-7).
A
Bíblia apresenta as “Alianças” firmadas entre Deus e o Homem, e
como este segundo rompe com as Alianças propostas pelo Senhor, desde
a entrada do pecado (Cf. Gn 3) que levou o Homem a ser expulso do
Paraíso.
Como
a Bíblia Surgiu:
Existem
várias teorias sobre a escrita da Bíblia. A duas mais aceitas são
a da Teoria Histórica Documental e a da Perspectiva Mosaica.
A
Teoria Histórica Documental aceita que os primeiros textos bíblicos
teriam sido compilados por volta do ano 900 a.C., na época do Rei
Salomão. Já a Perspectiva Mosaica coloca a escrita do Pentateuco
exclusivamente nas mãos de Moisés. Pelo menos dois pontos da Bíblia
mostram a fragilidade dessa teoria, o primeiro está no livro do
Êxodo, mostrando que Moisés era um grande líder militar e
estratégico, mas era pouco culto, ao ponto de pedir ao Senhor que
colocasse outra pessoa para falar em Seu Nome (Cf. Ex 4,10) e no
livro do Deuteronômio que mostra o funeral de Moisés (Cf. Dt 34).
Para os defensores dessa teoria (que não são poucos) o capítulo 34
teria sido um apêndice escrito por Josué, sucessor de Moisés.
Para
os defensores da teoria Histórica Documental, os textos foram sendo
compilados e montados durante séculos, inclusive sobre a influência
de Moisés que não deve ter cansado de contar e recontar toda a
história do seu encontro com o Senhor (Ex 3) e que recomendou que a
história da Páscoa fosse contada de pai para filho durante as
gerações a fim de que não fosse esquecido (Cf. Ex 13, 8). Assim, a
história foi sendo passada de geração em geração, narrada por
Anciões, Rabinos, Mestres e Levitas até chegar na época em que
pode ser escrita. O próprio Moisés, pelo que se sabe, deveria ser
analfabeto como 99,9% das pessoas.
Gostaria
de lembrar que quando se trabalha com estudos da Bíblia, não
podemos levar a nossa sociedade e cultura para o tempo em que se está
estudando, mas buscar nos dados minimamente confiáveis para
construir as nossas teorias e basear os nossos estudos.
Lembramos
ainda, que a Bíblia começa a ser construída com a saída de Abrão
da cidade de Ur, na Mesopotâmia (Cf. Gn 11,31). Na época não era
chamado de Abraão, mas sim de Abrão. Seu nome é trocado de Abrão
para Abraão, pois vai tornar-se o Pai de várias nações (Cf. Gn
17, 5).
Fechando
essa questão da escrita da Bíblia, ela foi escrita por Homens
inspirados por Deus, usando suas experiências pessoais e sociais
para construir as Sagradas Escrituras e a esses Homens se dá o nome
de Hagiógrafos que diferente do Al Corão, que foi, de acordo com a
tradição Muçulmana ditado pelo Arcanjo Gabriel à Maomé e esse
(analfabeto) ditava para sua esposa, que o escrevia.
Assim,
a Bíblia é um texto que não contem incorreções, se observada
pelos olhos da fé. Não se pode olhar ela com os olhos da ciência,
pois a cultura onde ela foi inspirada era muito inferior a nossa.
Como
chegou aos nossos dias?
Para
chegar aos nossos dias, as Sagradas Escrituras passaram por uma
grande maratona. Foram utilizados vários meios de escrita, várias
línguas e várias bases. Entre elas temos:
Argila – utilizando a escrita cuneiforme, criada na mesopotâmia, e considerada a primeira escrita da humanidade, que, alias, tirou a humanidade da pré-história, pois a história somente se inicia com a constituição da escrita.
Papiro – Espécie de planta do pântano. Foi muito utilizado pelos egípcios como material para escrita.
As plantas são secas, e suas fibras preparadas e trançadas formando uma espécie de papel, que recebe a escrita.
Tem uma durabilidade razoável e é leve além de um custo relativamente baixo.
Pergaminho – Couro tratado. O Pergaminho é um dos materiais de escrita das Sagradas escrituras mais “famoso”. É composto de couro de animais tratado.
No verso recebe a escrita. Após a escrita o pergaminho é enrolado para ser armazenado.
Devido ao seu alto custo e dificuldade de preparo, era comum apagarem pergaminhos para reaproveitar com novos escritos.
O nome Pergaminho vem da cidade de Pérgamo que, de acordo com a lenda, seria o lugar onde surgiu a técnica.
Os
textos das Sagradas Escrituras foram traduzidos para mais de 1865
línguas e é o livro mais vendido do mundo, embora não seja um dos
mais lidos. Como já foi comentado, os textos foram sendo
construídos, por inspiração de Deus, pelas mãos dos Hagiógrafos,
que falavam ou escreviam aquilo que Deus os inspirava. De acordo com
a teoria Documental Histórica, os textos começaram a ser escritos
na época de Salomão (900 a.C.), e os textos eram reproduzidos por
Levitas, Rabï ou escribas, de acordo com a época em que os textos
eram copiados. Mesmo assim, precisamos entender alguns pontos, como a
questão de quais textos deveriam ser considerados Sagrados e quais
não eram?
Nesse
sentido, surgiram os Cânons (listas) que definiam por meio de
Concílios (reuniões de conciliação) os textos considerados
Sagrados. Assim, temos dois Cânons do Antigo Testamento, o Judaico
que tem 39 livros (utilizado pelas bíblias protestantes – chamada
de Bíblia Almeida, aqui no Brasil) e foi elaborado pelo partido dos
Fariseus (após a queda de Jerusalém, por volta do ano 70 d. C.) e o
Cânon Septuaginta (dos 70 – baseado na tradução dos escritos do
Aramaico e Hebraico para o Grego realizado pelos sábios enviados de
Jerusalém para Alexandria, no Egito) que contem 46 livros (e é o
utilizado nas bíblias católicas e ecumênicas).
Como
essas cópias eram manuais, até o advento da Impressa de Tipo Móvel,
pelo alemão Gutemberg (que alias, o seu primeiro livro impresso foi
uma versão das Sagradas Escrituras), muitos erros foram cometidos,
de forma acidental como proposital. Existem pesquisadores que
acreditam na alteração de determinados textos pelos monges
copistas, monges católicos que se dedicavam a copiar os textos
bíblicos (veja o filme e o livro O Nome da Rosa, ele mostra um
mosteiro de monges copistas e seus conflitos na idade média) para
justificar determinados pensamentos vigentes à época.
Algumas
descobertas, como os Manuscritos do Mar Morto, mostraram que pouco
foi mudado nos textos do Antigo Testamento (foram encontrados
fragmentos de alguns livros da Lei, utilizados pelos Essênios, povo
eremita que tinha uma sociedade fechada na época de Jesus e que
esconderam seus textos em vasos, nas cavernas de Qumran no ano de
1947).
Formação
dos Cânons:
A
formação dos Cânons (listas) toma caminhos muitas vezes políticos.
O Cânon do Antigo Testamento seguiu basicamente dois caminhos, o
primeiro foi o Cânon dos LXX (Setenta), montado pelos sábios da
Alexandria.
Depois
temos o Cânon Judaico que excluiu os livros que justificavam a fé
dos Sauduceus, partido politico que conflitava com o dos Fariseus
(que na tradução significa separados) sendo que esses segundos (os
Fariseus) foram os responsáveis pela construção das Sinagogas,
espaços dedicados ao estudo da Lei, a qual se declaravam fiéis
seguidores e que servia de espeço para a educação do povo.
Essa
visão dos Fariseus, legou ao cristianismo o Cânon utilizado pelos
reformadores cristãos, com 39 livros, ignorando partes de alguns
(como livro de Daniel) e 7 livros inteiros.
A
Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, em geral, adotam o Cânon dos
LXX.
Os
livros excedentes do Cânon Judaico são chamados de
Deuterocanônicos, ou seja, do segundo Cânon e os livros do Cânon
Judaico são chamados de livros Protocanônicos.
O
Novo Testamento começa a ser escrito por Paulo, por volta do ano 51
d.C., e é a Primeira Carta aos Tessalonicenses. Muitos textos, dos
séculos I a III foram escritos sobre a fé cristã, mas nem todos
foram aceitos como inspirados por Deus. Existem muitos textos, até
interessantes e que nos fornece pistas para entender a vida de Jesus,
a sociedade da época, e até mesmo dados sobre Santa Ana e São
Joaquim, avós de Jesus, sobre a morte de Pedro, etc mas que não são
textos oficiais. Esses textos recebem o nome de Apócrifos. Para os
defensores do Cânon Judaico, os sete livros deuterocanônicos e as
passagens “gregas” dos livros protocanônicos também são
chamados de Apócrifos.
O
desenvolvimento do Cânon seguiu caminhos diversos e devido ao grande
número de Heresias presentes nos primeiros anos do Cristianismo, fez
com que muitas discussões fossem realizadas até a definição do
Cânon do Novo Testamento. Para os Cristãos Gregos (Ortodoxos) a
definição se deu primeiro, no Concílio de Quinissexto, já no ano
de 692 d.C. e reafirmado no Sínodo de Jerusalém em 1672. A Igreja
Católica somente define o Cânon no Concilio de Trento, em 1546,
confirmando as decisões do Concílio de Florença de 1442, mas essas
discussões já vinham desde os Concílios de Hipona (397) e Cartago
(419). Para algumas Igrejas da Reforma teremos outras datas. Para
fechar o assunto, é importante entender que a principio o Cânon do
N.T. era apenas os Evangelhos (4 atuais – Mt, Mc, Lc e Jo), o Ato
dos Apóstolos (At), e algumas cartas. A esses textos, tecnicamente
também se dá o nome de Protocanônicos. Outros textos, como o livro
do Apocalipse, a carta aos Hebreus e as II e III Carta de João, são
chamados de Deuterocanônicos.
Patriarcas
e Personalidades importantes da Bíblia:
Algumas
pessoas são muito importantes nas Sagradas Escrituras. Nesse adendo
da nossa primeira aula, vamos trabalhar alguns nomes que são
importantes a todos os estudantes e ministros de fé!
Os
Patriarcas são os homens que começaram a construção do povo de
Deus, escolhidos, um a um, para criar um povo fiel e digno de ser e
receber o amor de do Senhor!
Começamos
com Abraão, de nome original Abrão, que saiu da sua terra, Ur na
Mesopotâmia para a terra de Canaã, e foi até o Egito. Sua história
é contada no livro de Gênesis. Abraão foi pai de Ismael, que deu
origem ao povo Ismaelita, filho da escrava de Sarah, de nome Hagar, e
esse povo é o povo árabe, que deu origem a fé muçulmana. Além de
Ismael, Abraão teve outro filho, esse com a esposa Sarah chamado
Isaac. Isaac teve um filho, chamado Jacó. Jacó foi pai de 12
filhos, que deram origem as 12 tribos de Israel. Alias, Jacó recebe
do Senhor o nome de Israel. A história desses personagens
encontra-se no livro do Gênesis (Gn 11-50).
Outra
pessoa importante para a fé judaica e cristã é a pessoa de Moisés
(Ex). De origem Israelita, criado na corte egípcia, é o responsável
pela criação do povo de Israel, os Judeus, por volta do ano 1850
a.C.. Depois vamos ter os Juízes de Israel, em especial Josué,
sucessor de Moisés e Samuel, último dos juízes e que consagrou os
reis de Israel.
Teremos
depois os reis de Israel, em especial Saul, Davi e Salomão, sendo
que Saul foi o primeiro rei de Israel, mas não foi obediente a Deus
que consagrou também Davi, filho mais novo de Jessé como Rei de
Israel. Davi foi o responsável pela união do povo. Seu filho mais
novo, Salomão, foi ou último rei de um estado unido, depois dele o
reino se dividiu. Ele foi um dos reis mais importantes de Israel.
Entre
os profetas, para os cristãos, um dos mais importantes é o profeta
Isaías, chamado de profeta do Advento, pois anuncia a chegada de um
Messias que salvaria o povo de Deus.
No
Novo Testamento temos João Batista que precede a Jesus, Maria, a Mãe
do Senhor, José, seu esposo que aceita o projeto do Pai sem relutar,
Pedro que traiu todo o projeto de Jesus e se arrepende, e
principalmente Paulo, a quem pelo menos um terço do Novo Testamento
fala dele ou foi escrito por ele.
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