Foto Auto de Natal 2022
Texto Base: Mt 14, 13-21
13Quando
soube da morte de João Batista, Jesus partiu, e foi de barca para um
lugar deserto e afastado. Mas, quando as multidões ficaram sabendo
disso, saíram das cidades, e o seguiram a pé. 14Ao
sair da barca, Jesus viu grande multidão. Teve compaixão deles, e
curou os que estavam doentes.
15Ao
entardecer, os discípulos chegaram perto de Jesus e disseram: “Este
lugar é deserto, e a hora já vai adiantada. Despede as multidões,
para que possam ir aos povoados comprar alguma coisa para comer.”
16Mas
Jesus lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Vocês é que têm
de lhes dar de comer.”17Os
discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois
peixes.”18Jesus
disse: “Tragam isso aqui.”19Jesus
mandou que as multidões se sentassem na grama. Depois pegou os cinco
pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a
bênção, partiu os pães, e os deu aos discípulos; os discípulos
distribuíram às multidões. 20Todos
comeram, ficaram satisfeitos, e ainda recolheram doze cestos cheios
de pedaços que sobraram. 21O
número dos que comeram era mais ou menos cinco mil homens, sem
contar mulheres e crianças.
Para
entendermos o sentido da leitura, precisamos antes entender quem foi
João Batista. No evangelho de São Mateus, João Batista surge no
capítulo 3, pregando
um “batismo” de conversão e perdão dos pecados. O batismo de
João Batista é mais próximo do nosso sacramento da Reconciliação
do que do sacramento do Batismo, isto por que, era destinado quase
que exclusivamente (não tenho notícias de proibições de João
Batista para batizar gentios, mas também não encontro informações
que ele pregava esse batismo aos pagãos ou gentios). De acordo com a
Wikipédia (enciclopédia livre), João Batista foi citado por Flávio
Josefo, um historiador judaico romano do século I d.C., o que nos
traz uma das poucas provas documentais da existência física dele.
Flávio Josefo relacionou a derrota do exército
de Herodes frente
a Aretas IV, Rei da Nabateia, o que teria levado-o a Prisão e morte
do profeta. De acordo com Flávio Josefo, João Batista reunia uma
multidão em torno de suas pregações e o rei Herodes temia que ele
pudesse liderar uma rebelião, o que o levou a prendê-lo na prisão
de Maqueronte e matando-o em seguida.
Na
versão teológica, João Batista foi preso por Herodes após
denunciar o seu casamento ilegal com Herodíades,
esposa do seu irmão Filipe (Cf. Mc 6,17-29). A causa da morte dele
seria a raiva da então rainha contra tais acusações. Herodes tinha
medo de João Batista, por ser justo e santo e provavelmente ter um
grande número de seguidores. Ele morre nas mãos de Herodes, no dia
do aniversário do rei, quando a filha de Herodíades entrou dançando
para agradar ao rei. Este
ficou tão impressionado com a dança da menina que lhe prometeu até
metade do seu reino. Ela perguntou a mãe o que deveria pedir e esta
lhe falou: “A cabeça de João Batista!”. O rei cumpriu a sua
promessa e ordenou a um soldado que fosse buscar a cabeça dele na
prisão. O soldado trouxe a cabeça no que a Tradição coloca como
“uma bandeja de prata”. Quanto ao seu corpo, os seus discípulos
sepultaram.
Uma outra possibilidade, nos
leva ao poder politico, econômico e religioso. Um dos sacrifícios
mais caros e rendosos para o Templo eram os sacrifícios de Expiação,
entre eles o do Bode Expiatório. Com a proposta de João Batista, de
perdoar aos pecados sem os sacrifícios, mas simplesmente com o
“batismo de purificação”, os Sacerdotes e membros do Templo
perceberam uma perda muito grande (ou a possibilidade de perda),
levando ao desejo da morte de João Batista.
Quanto
ao rito, ele vem desde o AT, pois o uso da água como elemento de
purificação espiritual, com
ritos para lavar as mãos, os pés, etc.
No caso do Batismo ele “lavava
o corpo do catecúmeno” removendo os pecados. O que isso tem com a
caridade? Com o respeito? E até mesmo com a fé? Muito. João
Batista, ao contrário da Tradição, oferecia aos fiéis uma
“redenção”, uma forma de encontrar a cura e o perdão.
A
exemplo
de Jesus, precisamos buscar na oração o conforto para suportar o
sofrimento. A oração é uma forma de nos colocarmos na presença de
Jesus e do Pai, e como o povo, devemos buscar a Jesus em todos os
momentos e lugares, lembrando que na nossa busca, devemos encontrar a
vontade do Pai e não a nossa, como o que pedimos na oração que
Cristo nos ensinou, “seja feita a Tua Vontade!”.
Jesus, se ofereceu a todos por
amor, pois ele sente amor por toda a humanidade, lembrando que Deus
faz chover sobre os puros e impuros. Assim devemos buscar a Jesus em
todos as situações, não se preocupando com horário o local.
Por outro lado, muitas vezes
não entendemos o projeto de Deus. Achamos que Deus nos abandona,
pois enfrentamos muitas dificuldades. Ao contrário, nós somos
desafiados e devemos sair mais fortes desses desafios.
Ao mesmo tempo, Jesus nos
convida a assumirmos a nossa missão, enfrentando as dificuldades e
indo atender ao mais necessitado, pois devemos aprender a dar graças
a todo o momento e pedir auxílio ao Pai.
Jesus sacia a todos os que o
buscam, não fisicamente, mas espiritualmente, dando forças para que
vençamos todos os desafios que se fazem presentes. Mesmo assim, todo
o povo é convidado a participar do banquete do Senhor, o banquete
que é realizado em memória de Jesus Cristo, e que nos garante a
convivência e o encontro com o irmão.
Não
podemos ignorar o amor de Deus, refletido no irmão, afinal, somos
todos feitos a imagem e semelhança de Deus, e dessa forma, como
poderíamos amar a Deus que não vemos, se desprezamos o irmão que
está ao nosso lado?
O exercício
da vivência da eucaristia deve nos levar a vida no amor, não
podemos nos tornar pessoas desligadas da sociedade, ignorando os
problemas vividos por ela, afinal, quem ama a Jesus não pode ignorar
o pobre, ao contrário, devemos reconhecer Jesus no semblante do
irmão e assim, a obra do fiel deve refletir o amor a Jesus e esse
amor é fonte de luz!
Por fim,
devemos ter de todos os dons, a caridade como nosso carro chefe, pois
é a primeira primícia da Igreja, e a sua compatibilidade se dá
pela partilha que é a realização da vontade do Senhor.
Em uma
sociedade justa, teríamos a inexistência da fome, pois essa
inexistência é um dos caminhos para se alcançar a paz, afinal ter
uma alimentação digna é um direito de todo cidadão e o
próprio Senhor nos alertou “Eu tive fome e me destes de comer…”
a caridade esta acima da religião.
Bibliografia:
Wikipédia
– (https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Batista
consultado em 12/03/2023)
Revista
Vida Pastoral edição
251
- (pp. 18-22), MÜLLER, Prof. Antônio
Bíblia
Pastoral VVAA Editora Paulus
Complementando o texto acima, ainda podemos lembrar o seguinte:
Inicialmente vamos pegar algumas chaves do texto e analisa-las, são essas chaves:
- João Batista;
- Deserto;
- 5 pães;
- 2 peixes;
- Benção;
- 12 cestos.
João Batista sempre foi considerado como um grande profeta, o profeta anunciado pelo Profeta Isaías como aquele que vem preparar os caminhos do Senhor (Jesus). João Batista, como comentando no resumo, tinha muitos seguidores. Eles eram considerados como uma seita, a Seita dos Batistas. Com a morte de João Batista, provavelmente os seus seguidores migram para um novo grupo, o grupo dos Nazareus (que vão no futuro se transformar nos cristãos).
O Deserto é um local onde somente se encontram pedras e areia. Isso é sinal de mortes. Mas ao mesmo tempo, é um lugar que se busca a presença de Deus. O próprio Jesus é tentado no deserto, onde o Demônio, entre outras coisas, diz a ele que transforme pedras em pão, fazendo memória o Maná do Céu (livro do Êxodo). Mas o deserto também é lugar de vida. Entre outros animais, temos a presença dos Leões da Montanha, ao ponto de que o Evangelho de Marcos (ou simplesmente o evangelista Marcos) é identificado como sendo o Leão, por conta do seu texto iniciar-se no deserto.
Cinco pães, não são qualquer pães, mas pães de centeio, pães considerados pelos judeus da época como sendo o pão do pobre, pois o trigo é mais dificil de produzir e é mais caro.
Dois peixes. Os peixes são fonte comum de alimentação dos judeus antigos. Eles, embora não dominassem as águas, viviam em grande parte da pesca, especialmente dos peixes que viviam no "Mar da Galileia". Um ponto mais importante é a soma dos dois alimentos. 5 + 2 = 7. O número sete representa o próprio Senhor, e é também indicação da perfeição.
As Bençãos ou orações estão sempre presentes na vida e na missão de Jesus Cristo. Todas as vezes que Jesus ia realizar uma ação, elevava o seu pedido ao Pai, através das orações e isso vai até vencer a última tentação, no momento que precede a própria morte!
Por fim, das nossas chaves, temos 12 cestos, ou seja, todas as tribos foram atingidas. Com esse 12 que pode ser interpretado pelo mundo (quatro cantos do mundo) e pela presença do Senhor (o número 3) que juntos (4 x 3 = 12) significam TODOS os povos (ou todas as tribos) indicando que todos são convidados para participar do banquete de Deus.