sábado, 18 de março de 2023

"Dai vocês mesmos de Comer" - CF-2023 (Mt 14,13-21)

 

Foto Auto de Natal 2022

Texto Base: Mt 14, 13-21

13Quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu, e foi de barca para um lugar deserto e afastado. Mas, quando as multidões ficaram sabendo disso, saíram das cidades, e o seguiram a pé. 14Ao sair da barca, Jesus viu grande multidão. Teve compaixão deles, e curou os que estavam doentes.

15Ao entardecer, os discípulos chegaram perto de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto, e a hora já vai adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar alguma coisa para comer.” 16Mas Jesus lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Vocês é que têm de lhes dar de comer.”17Os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes.”18Jesus disse: “Tragam isso aqui.”19Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Depois pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães, e os deu aos discípulos; os discípulos distribuíram às multidões. 20Todos comeram, ficaram satisfeitos, e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços que sobraram. 21O número dos que comeram era mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.


Para entendermos o sentido da leitura, precisamos antes entender quem foi João Batista. No evangelho de São Mateus, João Batista surge no capítulo 3, pregando um “batismo” de conversão e perdão dos pecados. O batismo de João Batista é mais próximo do nosso sacramento da Reconciliação do que do sacramento do Batismo, isto por que, era destinado quase que exclusivamente (não tenho notícias de proibições de João Batista para batizar gentios, mas também não encontro informações que ele pregava esse batismo aos pagãos ou gentios). De acordo com a Wikipédia (enciclopédia livre), João Batista foi citado por Flávio Josefo, um historiador judaico romano do século I d.C., o que nos traz uma das poucas provas documentais da existência física dele. Flávio Josefo relacionou a derrota do exército de Herodes frente a Aretas IV, Rei da Nabateia, o que teria levado-o a Prisão e morte do profeta. De acordo com Flávio Josefo, João Batista reunia uma multidão em torno de suas pregações e o rei Herodes temia que ele pudesse liderar uma rebelião, o que o levou a prendê-lo na prisão de Maqueronte e matando-o em seguida.

Na versão teológica, João Batista foi preso por Herodes após denunciar o seu casamento ilegal com Herodíades, esposa do seu irmão Filipe (Cf. Mc 6,17-29). A causa da morte dele seria a raiva da então rainha contra tais acusações. Herodes tinha medo de João Batista, por ser justo e santo e provavelmente ter um grande número de seguidores. Ele morre nas mãos de Herodes, no dia do aniversário do rei, quando a filha de Herodíades entrou dançando para agradar ao rei. Este ficou tão impressionado com a dança da menina que lhe prometeu até metade do seu reino. Ela perguntou a mãe o que deveria pedir e esta lhe falou: “A cabeça de João Batista!”. O rei cumpriu a sua promessa e ordenou a um soldado que fosse buscar a cabeça dele na prisão. O soldado trouxe a cabeça no que a Tradição coloca como “uma bandeja de prata”. Quanto ao seu corpo, os seus discípulos sepultaram.

Uma outra possibilidade, nos leva ao poder politico, econômico e religioso. Um dos sacrifícios mais caros e rendosos para o Templo eram os sacrifícios de Expiação, entre eles o do Bode Expiatório. Com a proposta de João Batista, de perdoar aos pecados sem os sacrifícios, mas simplesmente com o “batismo de purificação”, os Sacerdotes e membros do Templo perceberam uma perda muito grande (ou a possibilidade de perda), levando ao desejo da morte de João Batista.

Quanto ao rito, ele vem desde o AT, pois o uso da água como elemento de purificação espiritual, com ritos para lavar as mãos, os pés, etc.

No caso do Batismo ele “lavava o corpo do catecúmeno” removendo os pecados. O que isso tem com a caridade? Com o respeito? E até mesmo com a fé? Muito. João Batista, ao contrário da Tradição, oferecia aos fiéis uma “redenção”, uma forma de encontrar a cura e o perdão.

A exemplo de Jesus, precisamos buscar na oração o conforto para suportar o sofrimento. A oração é uma forma de nos colocarmos na presença de Jesus e do Pai, e como o povo, devemos buscar a Jesus em todos os momentos e lugares, lembrando que na nossa busca, devemos encontrar a vontade do Pai e não a nossa, como o que pedimos na oração que Cristo nos ensinou, “seja feita a Tua Vontade!”.

Jesus, se ofereceu a todos por amor, pois ele sente amor por toda a humanidade, lembrando que Deus faz chover sobre os puros e impuros. Assim devemos buscar a Jesus em todos as situações, não se preocupando com horário o local.

Por outro lado, muitas vezes não entendemos o projeto de Deus. Achamos que Deus nos abandona, pois enfrentamos muitas dificuldades. Ao contrário, nós somos desafiados e devemos sair mais fortes desses desafios.

Ao mesmo tempo, Jesus nos convida a assumirmos a nossa missão, enfrentando as dificuldades e indo atender ao mais necessitado, pois devemos aprender a dar graças a todo o momento e pedir auxílio ao Pai.

Jesus sacia a todos os que o buscam, não fisicamente, mas espiritualmente, dando forças para que vençamos todos os desafios que se fazem presentes. Mesmo assim, todo o povo é convidado a participar do banquete do Senhor, o banquete que é realizado em memória de Jesus Cristo, e que nos garante a convivência e o encontro com o irmão.

Não podemos ignorar o amor de Deus, refletido no irmão, afinal, somos todos feitos a imagem e semelhança de Deus, e dessa forma, como poderíamos amar a Deus que não vemos, se desprezamos o irmão que está ao nosso lado?

O exercício da vivência da eucaristia deve nos levar a vida no amor, não podemos nos tornar pessoas desligadas da sociedade, ignorando os problemas vividos por ela, afinal, quem ama a Jesus não pode ignorar o pobre, ao contrário, devemos reconhecer Jesus no semblante do irmão e assim, a obra do fiel deve refletir o amor a Jesus e esse amor é fonte de luz!

Por fim, devemos ter de todos os dons, a caridade como nosso carro chefe, pois é a primeira primícia da Igreja, e a sua compatibilidade se dá pela partilha que é a realização da vontade do Senhor.

Em uma sociedade justa, teríamos a inexistência da fome, pois essa inexistência é um dos caminhos para se alcançar a paz, afinal ter uma alimentação digna é um direito de todo cidadão e o próprio Senhor nos alertou “Eu tive fome e me destes de comer…” a caridade esta acima da religião.

Bibliografia:

Wikipédia – (https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Batista consultado em 12/03/2023)

Revista Vida Pastoral edição 251 - (pp. 18-22), MÜLLER, Prof. Antônio

Bíblia Pastoral VVAA Editora Paulus

Complementando o texto acima, ainda podemos lembrar o seguinte: 

Inicialmente vamos pegar algumas chaves do texto e analisa-las, são essas chaves:

- João Batista;

- Deserto;

- 5 pães;

- 2 peixes;

- Benção;

- 12 cestos. 

João Batista sempre foi considerado como um grande profeta, o profeta anunciado pelo Profeta Isaías como aquele que vem preparar os caminhos do Senhor (Jesus). João Batista, como comentando no resumo, tinha muitos seguidores. Eles eram considerados como uma seita, a Seita dos Batistas. Com a morte de João Batista, provavelmente os seus seguidores migram para um novo grupo, o grupo dos Nazareus (que vão no futuro se transformar nos cristãos). 

O Deserto é um local onde somente se encontram pedras e areia. Isso é sinal de mortes. Mas ao mesmo tempo, é um lugar que se busca a presença de Deus. O próprio Jesus é tentado no deserto, onde o Demônio, entre outras coisas, diz a ele que transforme pedras em pão, fazendo memória o Maná do Céu (livro do Êxodo). Mas o deserto também é lugar de vida. Entre outros animais, temos a presença dos Leões da Montanha, ao ponto de que o Evangelho de Marcos (ou simplesmente o evangelista Marcos) é identificado como sendo o Leão, por conta do seu texto iniciar-se no deserto. 

Cinco pães, não são qualquer pães, mas pães de centeio, pães considerados pelos judeus da época como sendo o pão do pobre, pois o trigo é mais dificil de produzir e é mais caro. 

Dois peixes. Os peixes são fonte comum de alimentação dos judeus antigos. Eles, embora não dominassem as águas, viviam em grande parte da pesca, especialmente dos peixes que viviam no "Mar da Galileia". Um ponto mais importante é a soma dos dois alimentos. 5 + 2 = 7. O número sete representa o próprio Senhor, e é também indicação da perfeição. 

As Bençãos ou orações estão sempre presentes na vida e na missão de Jesus Cristo. Todas as vezes que Jesus ia realizar uma ação, elevava o seu pedido ao Pai, através das orações e isso vai até vencer a última tentação, no momento que precede a própria morte!

Por fim, das nossas chaves, temos 12 cestos, ou seja, todas as tribos foram atingidas. Com esse 12 que  pode ser interpretado pelo mundo (quatro cantos do mundo) e pela presença do Senhor (o número 3) que juntos (4 x 3 = 12) significam TODOS os povos (ou todas as tribos) indicando que todos são convidados para participar do banquete de Deus. 


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