I - Introdução:
Para compreendermos melhor o
que vem a ser a Eucaristia, antes precisamos entender o que é Páscoa.
A Páscoa, é uma festa de
origem Judaica, que surgiu com a saída do povo
de Israel do Egito, sobre o comando de Moisés (cf. Ex.). O povo foi
parar no Egito, com José e seus irmãos (cf. Gn 27-50), que geraram as 12 tribos
de Israel.
A origem da festa da Páscoa
(bem como o seu nome) vem de um deus pagão, chamado Pesh, que conforme a lenda,
por onde passava matava a todos. Os povos que viram os Airapurus[1],
associaram YAHWEH (JAVÉ) a esse deus poderoso, podendo, dai ter surgido a
décima praga contra o Egito que foi a mortandade dos primogênitos (Cf. Ex.
11-12,30). A palavra Pesh, e depois a palavra Páscoa, tem como significado
“PASSAGEM”, para os hebreus, a passagem para a libertação dos Egipicios, para
os cristãos, a libertação da morte.
A Páscoa Judaica, era uma
festa familiar, onde cada família
matava um cordeiro e comiam-no com ervas amargas e pão ázimo (sem
fermento) conforme Deus lhes havia determinado (Cf. Ex. 12,3-15).
O Pão sem Fermento, não é um
pão gostoso, é o pão da miséria (Cf. Dt 16,3; Ex. 12,8,a). Para os israelitas
(e depois para os judeus) tudo o que contém bactérias (como o fermento biológico)
é impuro, e para se festejar a Páscoa, tudo o que é impuro deve ser jogado fora
(inclusive o fermento). Então durante 7 dias (tempo que dura a festa da Páscoa)
eles comem pão sem fermento, e depois, o novo fermento estará pronto para ser
usado (a massa terá fermentado).
As ervas amargas, são para
lembrar as dificuldades que o povo teve para sair do Egito e chegar até a Terra
prometida, onde mana leite e mel (Cf. Ex. 3,6-8; Ex. 12,8b).
O cordeiro deverá estar em
perfeito estado, não ter nem um osso quebrado, ter um ano de idade, e ser
assado. Tudo deve ser comido em casa, e nada deverá sair da casa (Cf. Ex.
12,3-8). A tradição judaica coloca que os hebreus ofereciam a Deus aquilo que a
terra lhes proporcionava (animais e vegetais, como podemos ver em Caim e Abel
[Cf. Gn 4,3-4}).
Se a família for pequena,
devera tomar uma família vizinha para comemorar com ela. Durante a cerimônia,
sempre, uma criança, que deve ser a mais nova da casa, deverá perguntar ao pai,
o porque daquilo, e o pai lhe contará a História do povo.
Jesus como todo judeu,
sempre comemorou a Páscoa, com sua família e dentro da sua tradição. Uma dessas
tradições, diz que toda a família deverá pelo menos uma vez na vida, ir ao
Templo, e diz ainda que deve apresentar o filho primogênito ao Templo quando
este completar 12 anos, e Jesus cumpriu inclusive essa determinação (Cf.
Lc 3,41-52).
II -
Eucaristia e Páscoa:
A Eucaristia é uma lembrança
da Páscoa judaica, pois Jesus colocou aos seus discípulos a Eucaristia numa
solene ceia Pascal (a ultima Ceia) e é ainda um memorial que nos faz sempre
lembrar de Jesus Cristo (façam isso em memória de mim).
2.1. Eucaristia e Serviço:
A Eucaristia é marca e sinal
do serviço do Homem para Deus e a comunidade. Não existe Eucaristia sem a
participação viva da comunidade.
Jesus, no dia em que ia
constituir a Eucaristia, em sinal de humildade lavou os pés dos 12 apóstolos.
Isso era uma ato de submissão e serviço, pois Ele que era o filho de Deus feito
homem, estava reduzido ao mais ralé dos servos (Cf. Jo 13,1-20). Jesus mostra
aos seus apóstolos que para ser merecedor do Reino é preciso trabalhar por ele,
divulga-lo, pois apenas aquele que esta ligado a Cristo é merecedor do Reino
(Cf. Jo 15,5).
O próprio Jesus anuncia,
aquele que é seu discípulo e seguidor, será colocado a prova, rejeitado e até
morto (cf. Jo 16). A Eucaristia não pode dar a receita para organizar a
sociedade, mas exige que o cristão coloque-se a serviço da comunidade e pela justiça.
III - Evolução
da Celebração Eucaristia:
Jesus usou da tradição
judaica para implantar um novo mundo na Terra, um mundo de Paz e Vida, só que
ao mesmo tempo ele rompeu com as mais fortes tradições judaicas, como os ritos
da pureza e da impureza, comendo com Samaritanos, Publicanos (funcionários do
Império Romano), etc.
No inicio, as comunidades
cristãs foram perseguidas e até mesmo por causa da Eucaristia, pois alguns
pesquisadores Romanos, se perguntavam como podia uma “seita” comer da carne de
seu fundador e beber de seu sangue? Mas isso não desanimava aos cristãos que
celebravam a Eucaristia em qualquer casa, ou até mesmo em grutas (conhecidas
como catacumbas). O maior pecado, era rejeitar a Cristo e a sua Eucaristia.
Hoje nos nossos dias, a perseguição oficial não existe, mas muitos são os que
rejeitam o seu batismo e até mesmo a sua Eucaristia, fugindo das obrigações
decorrentes dela, procurando na primeira dificuldade uma caminho mais simples e
“lógico”, como mudar de religião. Nós sabemos que Cristo não fundou nenhuma
religião, ele apenas balizou o caminho a ser seguido. A religião Católica foi
fundada pelos apóstolos (liderados por Pedro e Thiago - tido como irmão do
senhor, que pode ter sido um filho de José [do seu primeiro casamento] ou um
primo de Jesus, em decorrência da língua Aramaica não ter palavras para
diferenciar parentes próximos), e nessa religião que se “COMEMORAVA” a morte e
principalmente a ressurreição de Jesus de Nazaré, o Cristo filho de Deus feito
Homem.
Com o passar do tempo, as
comunidades Cristãs foram crescendo e os ritos da Eucaristia deixaram de ser
uma festa familiar para passar a ser uma comemoração comunitária. Só que o
ponto da doutrina dos Apóstolos deveria sempre estar em primeiro lugar na
comunidade (Cf. At 2,42). Para os primeiros cristãos, era inconcebível haver
uma forma especial de se dirigir a Deus e outra para se dirigir aos homens. Os
judeus (e por conseguinte os primeiros cristãos) não separavam a fé da vida do
dia-a-dia. Havia forte insistência de se estar em paz com o irmão (Mt 5,23-24).
Deviam repartir os bens como repartiam o pão (At 4,32-35). Essa partilha dos
bens NÃO era uma obrigação, mas um convite. Quem não quisesse repartir
os bens com os outros não precisava (Cf At 5,1-11). Mas o crescimento das
comunidades fez com que os cristãos perdessem o sentido de partilha em família.
IV - A nossa
Celebração Eucaristia:
Para os primeiros cristãos a
Eucaristia estava intimamente ligada à partilha do Pão. Eles tentavam praticar
o que lhes fora ensinado, de tal forma que entre eles não houvesse
necessitados. Celebravam a Eucaristia
por que praticavam o que celebravam. Este era o requisito primeiro para
fazer parte dos cristãos.
O Pão é o alimento, e o
Vinho a bebida, frutos do trabalho, que não podem estar fora da mesa de ninguém.
Por isso não podemos aceitar uma situação social onde isso ocorra. Mas a
Igreja, durante muitos anos foi condescendente com isso, permitindo aos reis
explorarem povos inteiros em nome de Cristo, mas com o interesse dos reis.
Esqueciam-se da Eucaristia e do Evangelho e nossas celebrações eram feitas em
Latim ou Grego, línguas que somente os ‘ricos e cultos’ sabiam, ou seja os
pobres, que são os verdadeiros ‘donos’ do reino, ficavam de fora.
Só que não é isso que Jesus
queria. Pela Eucaristia ele criou um pacto de sangue e vida com a humanidade, a
ultima e eterna aliança, marcada pela carne do justo (Jesus Cristo = cordeiro =
Pão Ázimo = Hóstia ) e pelo sangue do justo (vinho = Sangue de Jesus Cristo
derramado na cruz), por isso a Eucaristia tem o dever de quebrar e libertar-nos
para a vitória do Reino, rompendo o egoísmo e fazendo-nos iguais. Só que esta igualdade não pode acabar
durante a celebração, deve nos acompanhar em nossas vidas.
4.1. Os Ritos:
O rito quando unido ao
profetismo, dá vida ao acontecimento, o homem religioso deve marcar a sua vida
com gestos concretos (“A fé sem obras é morta” Tg 2,17). Pelo rito o Homem se
comunica com Deus e com a comunidade.
A Eucaristia deve ser o rito
da realidade, ligando as soluções as dificuldades da comunidade. Não podemos
dizer que o cristianismo é uma religião de bens espirituais, mas sim uma
religião que busca, pela fé e pelas obras, uma vida melhor, agora e já, pois
Cristo disse: “Na casa de Meu Pai existem várias moradas” mas ele tambem
disse “Ide por todo o mundo e pregai o
Evangelho, e aquele que crer e for batizado será salvo”. Ele falava e pregava
no hoje, agora, não escatologicamente
no futuro, na outra vida, a nossa obrigação como Cristãos (pertencentes a
Cristo) é pregar e preparar o Reino para que ele comece agora no nosso meio, na
nossa comunidade.
Os primeiros cristãos não
tinham forma fixa para o rito Eucarístico.
Foi por volta do século III d. C. que a missa começou a ter forma fixa,
parecida com a que conhecemos hoje. Na Idade Média, a missa era celebrada em
grego ou latim e de diversas formas diferentes, o que prejudicava a união e a
unidade. O maior esforço para unificada num só rito, o latim, ocorreu com o
Papa Pio V, por ocasião do concilio de Trento. Outra reforma, só ocorreu no
século XX, com o concilio do Vaticano II (1965), quando a missa passou a ser
celebrada na língua de cada povo (afinal quem celebra a Eucaristia é a
comunidade e não o padre).
4.2. - Conclusões sobre a nossa Eucaristia:
Podemos concluir, pelos
fatos e pistas apresentados, que a nossa Eucaristia não é uma cerimonia fria,
vazia e sem sentido. Ela não pode parar no tempo, e deve sempre estar pronta
para aceitar as alterações decorrentes das mudanças no mundo. Por isso a
importância de estarmos sempre celebrando a memória de Nosso Senhor Jesus Cristo,
não como uma obrigação e sim como uma participação viva e presente na nossa
vida. A participação, simplesmente pela participação esvazia o sentido da
Eucaristia e não deixa ela penetrar no nosso ser, mudando a nossa vida e nosso
modo de ver o mundo. Pela Eucaristia, as comunidades dão o seu grito profético,
desafiando a todos e a tudo para melhor atender ao projeto de Deus, que por
meio de seu Filho Jesus Cristo, quis implantar o Reino aqui na Terra.
A Eucaristia é uma força
transformadora da sociedade, que busca a fraternidade e a vida. Devemos, conhecendo
melhor a Eucaristia, saber que o papel do cristão na história não é o de dar
esmolas, mas sim o de trabalhar pelo Reino, transformando esse mundo num mundo
melhor.
V - A
Instituição da Eucaristia, segundo Lucas:
O texto que vamos ver,
relata a constituição da Eucaristia
segundo um dos Evangelho Sinópticos (similares). Nos mostra de uma forma bem
simples qual a intenção de Jesus Cristo, ao instituir a Eucaristia.
Lc 22, 14-34
Do texto acima citado, podemos
com certa facilidade afirmar o seguinte: A Eucaristia é desejo de Jesus Cristo,
e representa a Vida de Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Ele deseja que participemos do Banquete Eucarístico, de
forma a nunca esquece-lo.
Devemos partilhar da mesa do
banquete eterno da Eucaristia, não só na missa, mas na vida, para não trair o
Cristo. A nossa Eucaristia deve ser representação do nosso serviço a Cristo.
O Reino de DEUS deve ser
promovido na terra por nós, e Hoje, e para que isso ocorra devemos levar em
conta a nossa Eucarista. Por isso, mesmo sofrendo provações, nunca devemos rejeitar a nossa Eucaristia, abandonando-a
da forma mais vil. Muitos rejeitam a Eucaristia, por ser a forma mais fácil,
entretanto, retornam a ela quando percebem ser o único caminho.
Eucaristia: Memória e presença da libertação definitiva:
As
colocações do texto de Lucas, são bastante
parecidas com o texto de Paulo em ICor 11, e ambos provavelmente
refletem as celebrações da Igreja de Antioquia e das celebrações das comunidades Paulinas.
O texto
de Lucas é complexo e mostra a ligação da
Eucaristia com a celebração
Judaica da Páscoa (Judaica - 22, 15-18; Crista 22, 19-20). Ele quer mostrar que
a Eucaristia crista substituiu a Páscoa
Judaica, assumindo os seus significados, levando esses significados ao máximo. A libertação que ela
registra e uma libertação total e para
todos.
O
cordeiro Pascal, é substituído na Eucaristia pelo Pão e o Sangue-vinho do
cordeiro é substituído pelo Vinho-Sangue de Jesus. Mas o que significa a
Eucaristia? O supremo dom do Amor de DEUS em Jesus, que entrega o seu próprio
corpo e derrama o seu próprio sangue. Com isso
ele mostra até o fim a sua fidelidade ao projeto de DEUS, mostrando o
caminho para todos os que se dispuseram a segui-lo. A Eucaristia celebrada em
memória de Jesus é lembrança contínua
e ao mesmo tempo a presença do gesto que sela a fidelidade de Jesus e daqueles que o seguem. Sua
celebração nas comunidades cristas é a lembrança do preço da fidelidade a morte
de Jesus e de todos os que seguem, é a consequência provocada por todos
aqueles que rejeitam o testemunho da justiça que luta pela liberdade e
pela vida, para todos. O traidor também está presente, e participando dessa
celebração.
Quem é
ele? Jesus sabe, mas não conta. E a ansiedade toma conta de todos os que até
hoje participaram da eucaristia. Serei
Eu? Será Você? Quem é que vai trair Jesus e o seu projeto?
O maior é aquele que serve (22,24-30)
Em meio
a Páscoa Eucarística, surge a questão: "Quem é o Maior?" sinal de que
os apóstolos não entenderam nada. Não perceberam que a justiça produz a igualdade, e esta se manifesta como
partilha e fraternidade. Pelo contrário, deseja poder! Em resposta, Jesus
contra põem o costume das nações (reis) e o que devera ser a sua comunidade. O
maior será como o mais novo, aquele que governa será como aquele que serve.
Dessa forma, Jesus inverte completamente o esquema do poder. Não se trata mais
de agir com o pano de fundo da desigualdade, mas com o da igualdade. Em vista
da igualdade do poder de dominação cede o seu lugar ao poder do amor, que não
se impõem pela violência nem produz
dominação. E Jesus é o modelo. Ele é o maior, mas esta entre todos como aquele
que serve. Quando soubermos respeitar
aquele ultimo que serve, então
certamente saberemos respeitar a todos.
E mais:
é aquele que ser e que se sentará como Juiz para julgar o povo de DEUS.
De Traidor a Chefe (22,
31-34):
Costumamos
ficar impressionados com a traição
feita por Judas Iscariotes, e nos esquecemos
da que foi feita por Pedro, igualmente séria, e até mais radical. Não só
vai negar a Jesus, mas vai negar que o conhece! E isso nos faz pensar. Até o
líder dos discípulos traiu a Jesus.
Será que a traição é necessária ao AMOR? Da traição Pedro se converte, e depois
da conversão se torna o líder que fortalece os outros seguidores de Jesus. Mas
fica sempre em aberto a pergunta: Será que a traição é necessária como provação para a fidelidade ao amor?
Parece que sem o contraste das trevas, não conseguimos enxergar a luz.
Outros textos complementares: I Cor 11, 17 ss.
Com base
nesse textos, podemos refletir ainda o seguinte: A eucaristia, é a celebração
da Páscoa, dando a liberdade aos Homens, traz para todos nós a libertação, é o ato supremo de amor de DEUS para nós. A
Eucaristia Celebra a vida de Jesus Cristo RESSUSCITADO, e não do Cristo Morto,
crucificado. Renegar a Eucaristia é ser inimigo de Jesus, e rejeitar a justiça de DEUS, mas tambem temos que ter
a consciência que cada um de nós pode ser o traidor de Cristo, bastando
rejeitar a Eucaristia e a Justiça Eterna.
A
Eucaristia coloca-nos que o maior, é o humilde que serve, pois Cristo deu a sua
vida por nós, e nós devemos assumir as nossas responsabilidade Eucarísticas
fazendo parte do Corpo de Cristo. O amor é a única ferramenta para a construção do mundo melhor, e
respeitando os humildes estaremos
aceitando a nossa Eucaristia.
Todo
aquele que traiu a Jesus, pode voltar a ele desde que se converta realmente, e
aceite o trabalho pela melhoria do mundo. A traição da Eucaristia, muitas vezes
acaba como ferramenta para chegar a fidelidade a Jesus e ao seu projeto.
5.1. Conclusões:
Dentre
os Sacramentos, a Eucaristia, deve ser tomada com muita importância, pois é a
expressão viva da nossa fé na vida.
Muitas
pessoas, vão a missa no domingo, mas não tomam a Eucaristia, por motivos dos
mais variados. O mais comum, é dizer que não estão preparados, pois não se
confessaram antes. Isso é errado, pois quem vai a festa, deve comer da festa.
Ou seja, quem vai ao banquete, deve ser alimentado com o cordeiro de DEUS, que
é o corpo de Cristo Santificado no Sacrifício Eucarístico.
O
importante, para vivermos bem a nossa fé, é saber que para receber a Eucaristia
e vive-la bem, precisamos participar da celebração, não como simples ouvintes
mas como membros da comunidade. Esse erro é clássico e “Pré-Conciliar”[2],
nossos pais achavam que não estavam preparados para receber o corpo de Cristo,
se antes não tivessem se confessado. Mas como o texto de Lucas nos colocou, até
mesmo o traidor de Jesus comeu com ele a Eucaristia, então devemos reconhecer
sim, o valor Eucarístico e Sacramental da Reconciliação (Confissão), mas
aceitarmos e assumirmos que a Participação da celebração Eucarística nos habilita a tomar a Eucaristia, desde que iniciados no Sacramento. Receber o
sacramento da penitencia de forma auricular, ou seja confessando os pecados
para o padre, não é uma exigência para a Eucaristia, pois o ato Penitencial, é
a aplicação do sacramento da reconciliação, ministrado como preparação para o
recebimento do Sacramento Eucarístico. Cristo Ressuscitado dos mortos
deseja que participemos do
Banquete Eucarístico, de forma a nunca
esquece-lo (“Façam isso em memória de Mim”).
A
partilha eucarística, é a manifestação, que se dá com o ofertório, em especial
aquele que nós realmente partilhamos o pouco que temos com aqueles que tem
menos ainda. São Paulo, na sua I carta aos Corintios, coloca que nós vamos ao
Banquete Eucarístico, não para comer e nos fartamos, mas para celebrar a vida
eterna de Cristo.
Assumir
a nossa Eucaristia, não é fácil, pois depende de grandes mudanças nas nossas
vidas. Colocar os nossos dons a serviço
de Cristo, não é fácil, pois muitos são os que se dizem participantes desse banquete, mas agem como
os FARISEUS, e o povo da cidade de Corinto, ou seja, não trabalha em prol do
Corpo de Cristo, e não deixam os outros trabalharem. Devemos ter
consciência de que a apostolicidade NÃO
é exclusividade de alguns membros da
Igreja, mas uma característica de toda a Igreja. Ou como os Corintios, que iam ao Banquete Eucarístico, se
fechavam em grupos pequenos que ressaltavam as diferenças sociais. Isto é o
oposto do que Jesus prega, que é o Amor e a fidelidade do povo.
O Reino
de DEUS, deve ser construído aqui na terra, com a nossa fé, a nossa piedade e a
Justiça, que iguala a todos. Muitos
são os que se dizem cristãos, mas estão preocupados apenas com os aspectos
terrenos, estão ligados ao dinheiro, ao status e não ao Cristo, esses abandonam
a Eucaristia e vão atras de caminhos mais fácies, que na realidade não os leva para lugar algum.
Alguns percebem que Cristo é o único caminho, e
voltam para a Eucaristia, reconvertidos, na fé e na esperança, pois a
Eucaristia, é a celebração da Páscoa de Jesus Cristo, onde é celebrada a maior
das liberdades, que é a própria vida.
Jesus nos dá a liberdade de escolher
entre o Certo e o Errado.
Pela
Eucaristia, celebramos o maior ato de amor de DEUS, que foi entregar o seu
filho Unigênito a nós, para a remissão dos nossos pecados, portanto a recepção
do sacramento Eucarístico, onde se expressa
e se cria a unidade da comunidade é direito divino, a todos os batizados
que já tenham sido iniciados na comunidade Eucarística.
Entretanto,
devemos sempre respeitar os ministros das igrejas saídas da reforma, em
especial as mais tradicionais, que celebram a Ceia Eucarística, pois eles seriam,
ministros extraordinários do sacramento da Ordem, em função da graça do
Batismo. A Eucaristia protestante, portanto possui um status real e sacramental, embora imperfeita. Com vista
a entrada do terceiro milênio, e da busca do Ecumenismo Cristão, precisamos ter
sempre em mente, o respeito para com os
Protestantes, para poder pedir deles o mesmo respeito. Assim estaremos praticando
o maior dos mandamentos de Cristo: "Amem-se uns aos outros, assim
como eu vos Amei".
Alguns
dos que traíram o projeto de Cristo, traindo a sua Eucaristia, quando voltam,
usam essa experiência terrível, para fortalecer o sue amor a Jesus Cristo,
ressuscitado e ao seu projeto.
VI Bibliografia:
Sagradas Escrituras:
Chave Bíblica;
Bíblia Sagrada - Versão Ave Maria
Bíblia Sagrada - Versão Pastoral
Como ler o Evangelho de
Lucas - E.P. - Ivo Storniolo
Eucaristia Pão e Vinho da
Libertação - Série Caminhos - E.P. -
Pe. Antônio F. Falcone
[1]
Airapurus, foi o nome dado aos grupos que fugiram do Egito, por ocasião do
Êxodo.
[2] O termo pré
conciliar, quer dizer que é anterior ao conclio do Vaticano II (1965).