sábado, 20 de julho de 2013

Eucaristia, Pão e Vinho da Libertação


I - Introdução:
Para compreendermos melhor o que vem a ser a Eucaristia, antes precisamos entender o que é Páscoa. 

A Páscoa, é uma festa de origem Judaica, que surgiu com a saída do povo  de Israel do Egito, sobre o comando de Moisés (cf. Ex.). O povo foi parar no Egito, com José e seus irmãos (cf. Gn 27-50), que geraram as 12 tribos de Israel.

A origem da festa da Páscoa (bem como o seu nome) vem de um deus pagão, chamado Pesh, que conforme a lenda, por onde passava matava a todos. Os povos que viram os Airapurus[1], associaram YAHWEH (JAVÉ) a esse deus poderoso, podendo, dai ter surgido a décima praga contra o Egito que foi a mortandade dos primogênitos (Cf. Ex. 11-12,30). A palavra Pesh, e depois a palavra Páscoa, tem como significado “PASSAGEM”, para os hebreus, a passagem para a libertação dos Egipicios, para os cristãos, a libertação da morte.

A Páscoa Judaica, era uma festa familiar, onde cada família  matava um cordeiro e comiam-no com ervas amargas e pão ázimo (sem fermento) conforme Deus lhes havia determinado (Cf. Ex. 12,3-15).

O Pão sem Fermento, não é um pão gostoso, é o pão da miséria (Cf. Dt 16,3; Ex. 12,8,a). Para os israelitas (e depois para os judeus) tudo o que contém bactérias (como o fermento biológico) é impuro, e para se festejar a Páscoa, tudo o que é impuro deve ser jogado fora (inclusive o fermento). Então durante 7 dias (tempo que dura a festa da Páscoa) eles comem pão sem fermento, e depois, o novo fermento estará pronto para ser usado (a massa terá fermentado). 

As ervas amargas, são para lembrar as dificuldades que o povo teve para sair do Egito e chegar até a Terra prometida, onde mana leite e mel (Cf. Ex. 3,6-8; Ex. 12,8b).

O cordeiro deverá estar em perfeito estado, não ter nem um osso quebrado, ter um ano de idade, e ser assado. Tudo deve ser comido em casa, e nada deverá sair da casa (Cf. Ex. 12,3-8). A tradição judaica coloca que os hebreus ofereciam a Deus aquilo que a terra lhes proporcionava (animais e vegetais, como podemos ver em Caim e Abel [Cf. Gn 4,3-4}).

Se a família for pequena, devera tomar uma família vizinha para comemorar com ela. Durante a cerimônia, sempre, uma criança, que deve ser a mais nova da casa, deverá perguntar ao pai, o porque daquilo, e o pai lhe contará a História do povo.

Jesus como todo judeu, sempre comemorou a Páscoa, com sua família e dentro da sua tradição. Uma dessas tradições, diz que toda a família deverá pelo menos uma vez na vida, ir ao Templo, e diz ainda que deve apresentar o filho primogênito ao Templo quando este completar 12 anos, e Jesus cumpriu inclusive essa determinação (Cf. Lc  3,41-52).

II - Eucaristia e Páscoa:
A Eucaristia é uma lembrança da Páscoa judaica, pois Jesus colocou aos seus discípulos a Eucaristia numa solene ceia Pascal (a ultima Ceia) e é ainda um memorial que nos faz sempre lembrar de Jesus Cristo (façam isso em memória de mim).

2.1. Eucaristia e Serviço:
A Eucaristia é marca e sinal do serviço do Homem para Deus e a comunidade. Não existe Eucaristia sem a participação viva da comunidade.

Jesus, no dia em que ia constituir a Eucaristia, em sinal de humildade lavou os pés dos 12 apóstolos. Isso era uma ato de submissão e serviço, pois Ele que era o filho de Deus feito homem, estava reduzido ao mais ralé dos servos (Cf. Jo 13,1-20). Jesus mostra aos seus apóstolos que para ser merecedor do Reino é preciso trabalhar por ele, divulga-lo, pois apenas aquele que esta ligado a Cristo é merecedor do Reino (Cf. Jo 15,5).

O próprio Jesus anuncia, aquele que é seu discípulo e seguidor, será colocado a prova, rejeitado e até morto (cf. Jo 16). A Eucaristia não pode dar a receita para organizar a sociedade, mas exige que o cristão coloque-se a serviço da comunidade e pela justiça.

III - Evolução da Celebração Eucaristia:
Jesus usou da tradição judaica para implantar um novo mundo na Terra, um mundo de Paz e Vida, só que ao mesmo tempo ele rompeu com as mais fortes tradições judaicas, como os ritos da pureza e da impureza, comendo com Samaritanos, Publicanos (funcionários do Império Romano), etc. 

No inicio, as comunidades cristãs foram perseguidas e até mesmo por causa da Eucaristia, pois alguns pesquisadores Romanos, se perguntavam como podia uma “seita” comer da carne de seu fundador e beber de seu sangue? Mas isso não desanimava aos cristãos que celebravam a Eucaristia em qualquer casa, ou até mesmo em grutas (conhecidas como catacumbas). O maior pecado, era rejeitar a Cristo e a sua Eucaristia. Hoje nos nossos dias, a perseguição oficial não existe, mas muitos são os que rejeitam o seu batismo e até mesmo a sua Eucaristia, fugindo das obrigações decorrentes dela, procurando na primeira dificuldade uma caminho mais simples e “lógico”, como mudar de religião. Nós sabemos que Cristo não fundou nenhuma religião, ele apenas balizou o caminho a ser seguido. A religião Católica foi fundada pelos apóstolos (liderados por Pedro e Thiago - tido como irmão do senhor, que pode ter sido um filho de José [do seu primeiro casamento] ou um primo de Jesus, em decorrência da língua Aramaica não ter palavras para diferenciar parentes próximos), e nessa religião que se “COMEMORAVA” a morte e principalmente a ressurreição de Jesus de Nazaré, o Cristo filho de Deus feito Homem. 

Com o passar do tempo, as comunidades Cristãs foram crescendo e os ritos da Eucaristia deixaram de ser uma festa familiar para passar a ser uma comemoração comunitária. Só que o ponto da doutrina dos Apóstolos deveria sempre estar em primeiro lugar na comunidade (Cf. At 2,42). Para os primeiros cristãos, era inconcebível haver uma forma especial de se dirigir a Deus e outra para se dirigir aos homens. Os judeus (e por conseguinte os primeiros cristãos) não separavam a fé da vida do dia-a-dia. Havia forte insistência de se estar em paz com o irmão (Mt 5,23-24). Deviam repartir os bens como repartiam o pão (At 4,32-35). Essa partilha dos bens NÃO era uma obrigação, mas um convite. Quem não quisesse repartir os bens com os outros não precisava (Cf At 5,1-11). Mas o crescimento das comunidades fez com que os cristãos perdessem o sentido de partilha em família.
 
IV - A nossa Celebração Eucaristia:
Para os primeiros cristãos a Eucaristia estava intimamente ligada à partilha do Pão. Eles tentavam praticar o que lhes fora ensinado, de tal forma que entre eles não houvesse necessitados. Celebravam a Eucaristia  por que praticavam o que celebravam. Este era o requisito primeiro para fazer parte dos cristãos.

O Pão é o alimento, e o Vinho a bebida, frutos do trabalho, que não podem estar fora da mesa de ninguém. Por isso não podemos aceitar uma situação social onde isso ocorra. Mas a Igreja, durante muitos anos foi condescendente com isso, permitindo aos reis explorarem povos inteiros em nome de Cristo, mas com o interesse dos reis. Esqueciam-se da Eucaristia e do Evangelho e nossas celebrações eram feitas em Latim ou Grego, línguas que somente os ‘ricos e cultos’ sabiam, ou seja os pobres, que são os verdadeiros ‘donos’ do reino, ficavam de fora.

Só que não é isso que Jesus queria. Pela Eucaristia ele criou um pacto de sangue e vida com a humanidade, a ultima e eterna aliança, marcada pela carne do justo (Jesus Cristo = cordeiro = Pão Ázimo = Hóstia ) e pelo sangue do justo (vinho = Sangue de Jesus Cristo derramado na cruz), por isso a Eucaristia tem o dever de quebrar e libertar-nos para a vitória do Reino, rompendo o egoísmo e fazendo-nos iguais.  Só que esta igualdade não pode acabar durante a celebração, deve nos acompanhar em nossas vidas.

4.1. Os Ritos:
O rito quando unido ao profetismo, dá vida ao acontecimento, o homem religioso deve marcar a sua vida com gestos concretos (“A fé sem obras é morta” Tg 2,17). Pelo rito o Homem se comunica com Deus e com a comunidade.

A Eucaristia deve ser o rito da realidade, ligando as soluções as dificuldades da comunidade. Não podemos dizer que o cristianismo é uma religião de bens espirituais, mas sim uma religião que busca, pela fé e pelas obras, uma vida melhor, agora e já, pois Cristo disse: “Na casa de Meu Pai existem várias moradas” mas ele tambem disse  “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho, e aquele que crer e for batizado será salvo”. Ele falava e pregava no hoje, agora, não escatologicamente no futuro, na outra vida, a nossa obrigação como Cristãos (pertencentes a Cristo) é pregar e preparar o Reino para que ele comece agora no nosso meio, na nossa comunidade.

Os primeiros cristãos não tinham forma fixa para o rito Eucarístico.  Foi por volta do século III d. C. que a missa começou a ter forma fixa, parecida com a que conhecemos hoje. Na Idade Média, a missa era celebrada em grego ou latim e de diversas formas diferentes, o que prejudicava a união e a unidade. O maior esforço para unificada num só rito, o latim, ocorreu com o Papa Pio V, por ocasião do concilio de Trento. Outra reforma, só ocorreu no século XX, com o concilio do Vaticano II (1965), quando a missa passou a ser celebrada na língua de cada povo (afinal quem celebra a Eucaristia é a comunidade e não o padre).

4.2. - Conclusões sobre a nossa Eucaristia:
Podemos concluir, pelos fatos e pistas apresentados, que a nossa Eucaristia não é uma cerimonia fria, vazia e sem sentido. Ela não pode parar no tempo, e deve sempre estar pronta para aceitar as alterações decorrentes das mudanças no mundo. Por isso a importância de estarmos sempre celebrando a memória de Nosso Senhor Jesus Cristo, não como uma obrigação e sim como uma participação viva e presente na nossa vida. A participação, simplesmente pela participação esvazia o sentido da Eucaristia e não deixa ela penetrar no nosso ser, mudando a nossa vida e nosso modo de ver o mundo. Pela Eucaristia, as comunidades dão o seu grito profético, desafiando a todos e a tudo para melhor atender ao projeto de Deus, que por meio de seu Filho Jesus Cristo, quis implantar o Reino aqui na Terra.

A Eucaristia é uma força transformadora da sociedade, que busca a fraternidade e a vida. Devemos, conhecendo melhor a Eucaristia, saber que o papel do cristão na história não é o de dar esmolas, mas sim o de trabalhar pelo Reino, transformando esse mundo num mundo melhor.

V - A Instituição da Eucaristia, segundo Lucas:
O texto que vamos ver, relata a constituição da  Eucaristia segundo um dos Evangelho Sinópticos (similares). Nos mostra de uma forma bem simples qual a intenção de Jesus Cristo, ao instituir a Eucaristia.
Lc 22, 14-34
Do texto acima citado, podemos com certa facilidade afirmar o seguinte: A Eucaristia é desejo de Jesus Cristo, e representa a Vida de Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Ele deseja  que participemos do Banquete Eucarístico, de forma a nunca esquece-lo.

Devemos partilhar da mesa do banquete eterno da Eucaristia, não só na missa, mas na vida, para não trair o Cristo. A nossa Eucaristia deve ser representação do nosso serviço a Cristo.

O Reino de DEUS deve ser promovido na terra por nós, e Hoje, e para que isso ocorra devemos levar em conta a nossa Eucarista. Por isso, mesmo sofrendo provações, nunca devemos  rejeitar a nossa Eucaristia, abandonando-a da forma mais vil. Muitos rejeitam a Eucaristia, por ser a forma mais fácil, entretanto, retornam a ela quando percebem ser o único caminho.

Eucaristia: Memória e presença da libertação definitiva:
                        As colocações do texto de Lucas, são bastante  parecidas com o texto de Paulo em ICor 11, e ambos provavelmente refletem as celebrações da Igreja de Antioquia e das celebrações  das comunidades Paulinas.

                   O texto de Lucas é complexo e mostra a ligação da  Eucaristia com  a celebração Judaica da Páscoa (Judaica - 22, 15-18; Crista 22, 19-20). Ele quer mostrar que a Eucaristia  crista substituiu a Páscoa Judaica, assumindo os seus significados, levando esses significados  ao máximo. A libertação que ela registra  e uma libertação total e para todos.

                       O cordeiro Pascal, é substituído na Eucaristia pelo Pão e o Sangue-vinho do cordeiro é substituído pelo Vinho-Sangue de Jesus. Mas o que significa a Eucaristia? O supremo dom do Amor de DEUS em Jesus, que entrega o seu próprio corpo e derrama o seu próprio sangue. Com isso  ele mostra até o fim a sua fidelidade ao projeto de DEUS, mostrando o caminho para todos os que se dispuseram a segui-lo. A Eucaristia celebrada em memória  de Jesus é lembrança  contínua  e ao mesmo tempo a presença do gesto que sela a fidelidade  de Jesus e daqueles que o seguem. Sua celebração nas comunidades cristas é a lembrança do preço da fidelidade a morte de Jesus e de todos os que seguem, é a consequência  provocada por todos  aqueles que rejeitam o testemunho da justiça que luta pela liberdade e pela vida, para todos. O traidor também está presente, e participando dessa celebração.

                        Quem é ele? Jesus sabe, mas não conta. E a ansiedade toma conta de todos os que até hoje participaram  da eucaristia. Serei Eu? Será Você? Quem é que vai trair Jesus e o seu projeto? 

            O maior é aquele que serve (22,24-30)
                        Em meio a Páscoa Eucarística, surge a questão: "Quem é o Maior?" sinal de que os apóstolos não entenderam nada. Não perceberam que a justiça  produz a igualdade, e esta se manifesta como partilha e fraternidade. Pelo contrário, deseja poder! Em resposta, Jesus contra põem o costume das nações (reis) e o que devera ser a sua comunidade. O maior será como o mais novo, aquele que governa será como aquele que serve. Dessa forma, Jesus inverte completamente o esquema do poder. Não se trata mais de agir com o pano de fundo da desigualdade, mas com o da igualdade. Em vista da igualdade do poder de dominação cede o seu lugar ao poder do amor, que não se impõem pela violência  nem produz dominação. E Jesus é o modelo. Ele é o maior, mas esta entre todos como aquele que serve. Quando soubermos respeitar  aquele ultimo  que serve, então certamente saberemos respeitar  a todos.

                        E mais: é aquele que ser e que se sentará como Juiz para julgar o povo de DEUS.

         De Traidor a Chefe (22, 31-34):
                        Costumamos ficar impressionados  com a traição feita por Judas Iscariotes, e nos esquecemos  da que foi feita por Pedro, igualmente séria, e até mais radical. Não só vai negar a Jesus, mas vai negar que o conhece! E isso nos faz pensar. Até o líder dos discípulos  traiu a Jesus. Será que a traição é necessária ao AMOR? Da traição Pedro se converte, e depois da conversão se torna o líder que fortalece os outros seguidores de Jesus. Mas fica sempre em aberto a pergunta: Será que a traição é necessária  como provação para a fidelidade ao amor? Parece que sem o contraste das trevas, não conseguimos enxergar a luz.

Outros textos complementares: I Cor 11, 17 ss.
                        Com base nesse textos, podemos refletir ainda o seguinte: A eucaristia, é a celebração da Páscoa, dando a liberdade aos Homens, traz para todos nós a libertação,  é o ato supremo de amor de DEUS para nós. A Eucaristia Celebra a vida de Jesus Cristo RESSUSCITADO, e não do Cristo Morto, crucificado. Renegar a Eucaristia é ser inimigo de Jesus, e rejeitar  a justiça de DEUS, mas tambem temos que ter a consciência que cada um de nós pode ser o traidor de Cristo, bastando rejeitar a Eucaristia e a Justiça Eterna.

                        A Eucaristia coloca-nos que o maior, é o humilde que serve, pois Cristo deu a sua vida por nós, e nós devemos assumir as nossas responsabilidade Eucarísticas fazendo parte do Corpo de Cristo. O amor é a única ferramenta  para a construção do mundo melhor, e respeitando os humildes  estaremos aceitando a nossa Eucaristia.  

                        Todo aquele que traiu a Jesus, pode voltar a ele desde que se converta realmente, e aceite o trabalho pela melhoria do mundo. A traição da Eucaristia, muitas vezes acaba como ferramenta para chegar a fidelidade a Jesus e ao seu projeto. 

5.1. Conclusões:
                        Dentre os Sacramentos, a Eucaristia, deve ser tomada com muita importância, pois é a expressão viva da nossa fé na vida.

                        Muitas pessoas, vão a missa no domingo, mas não tomam a Eucaristia, por motivos dos mais variados. O mais comum, é dizer que não estão preparados, pois não se confessaram antes. Isso é errado, pois quem vai a festa, deve comer da festa. Ou seja, quem vai ao banquete, deve ser alimentado com o cordeiro de DEUS, que é o corpo de Cristo Santificado no Sacrifício Eucarístico.

                        O importante, para vivermos bem a nossa fé, é saber que para receber a Eucaristia e vive-la bem, precisamos participar da celebração, não como simples ouvintes mas como membros da comunidade. Esse erro é clássico e “Pré-Conciliar”[2], nossos pais achavam que não estavam preparados para receber o corpo de Cristo, se antes não tivessem se confessado. Mas como o texto de Lucas nos colocou, até mesmo o traidor de Jesus comeu com ele a Eucaristia, então devemos reconhecer sim, o valor Eucarístico e Sacramental da Reconciliação (Confissão), mas aceitarmos e assumirmos que a Participação da celebração Eucarística nos habilita a tomar a Eucaristia, desde que iniciados no Sacramento. Receber o sacramento da penitencia de forma auricular, ou seja confessando os pecados para o padre, não é uma exigência para a Eucaristia, pois o ato Penitencial, é a aplicação do sacramento da reconciliação, ministrado como preparação para o recebimento do Sacramento Eucarístico. Cristo Ressuscitado dos mortos deseja  que participemos do Banquete  Eucarístico, de forma a nunca esquece-lo (“Façam isso em memória de Mim”). 

                        A partilha eucarística, é a manifestação, que se dá com o ofertório, em especial aquele que nós realmente partilhamos o pouco que temos com aqueles que tem menos ainda. São Paulo, na sua I carta aos Corintios, coloca que nós vamos ao Banquete Eucarístico, não para comer e nos fartamos, mas para celebrar a vida eterna de Cristo.

                        Assumir a nossa Eucaristia, não é fácil, pois depende de grandes mudanças nas nossas vidas. Colocar os nossos  dons a serviço de Cristo, não é fácil, pois muitos são os que se dizem  participantes desse banquete, mas agem como os FARISEUS, e o povo da cidade de Corinto, ou seja, não trabalha em prol do Corpo de Cristo, e não deixam os outros trabalharem. Devemos ter consciência  de que a apostolicidade NÃO é exclusividade  de alguns membros da Igreja, mas uma característica de toda a Igreja.  Ou como os Corintios, que iam ao Banquete Eucarístico, se fechavam em grupos pequenos que ressaltavam as diferenças sociais. Isto é o oposto do que Jesus prega, que é o Amor e a fidelidade  do povo.

                        O Reino de DEUS, deve ser construído aqui na terra, com a nossa fé, a nossa piedade e a Justiça, que iguala a todos. Muitos são os que se dizem cristãos, mas estão preocupados apenas com os aspectos terrenos, estão ligados ao dinheiro, ao status e não ao Cristo, esses abandonam a Eucaristia e vão atras de caminhos mais fácies, que na realidade  não os leva para lugar algum. 

                        Alguns  percebem que Cristo é o único caminho, e voltam para a Eucaristia, reconvertidos, na fé e na esperança, pois a Eucaristia, é a celebração da Páscoa de Jesus Cristo, onde é celebrada a maior das liberdades, que é a própria  vida. Jesus nos dá a liberdade de escolher  entre o Certo e o Errado. 

                        Pela Eucaristia, celebramos o maior ato de amor de DEUS, que foi entregar o seu filho Unigênito a nós, para a remissão dos nossos pecados, portanto a recepção do sacramento Eucarístico, onde se expressa  e se cria a unidade da comunidade é direito divino, a todos os batizados que já tenham sido iniciados na comunidade Eucarística.

                        Entretanto, devemos sempre respeitar os ministros das igrejas saídas da reforma, em especial as mais tradicionais, que celebram a Ceia Eucarística, pois eles seriam, ministros extraordinários do sacramento da Ordem, em função da graça do Batismo. A Eucaristia protestante, portanto possui um status real  e sacramental, embora imperfeita. Com vista a entrada do terceiro milênio, e da busca do Ecumenismo Cristão, precisamos ter sempre em mente, o respeito  para com os Protestantes, para poder pedir deles o mesmo respeito. Assim estaremos  praticando  o maior dos mandamentos de Cristo: "Amem-se uns aos outros, assim como eu vos Amei".

                        Alguns dos que traíram o projeto de Cristo, traindo a sua Eucaristia, quando voltam, usam essa experiência terrível, para fortalecer o sue amor a Jesus Cristo, ressuscitado e ao seu projeto. 

VI Bibliografia:
Sagradas Escrituras:
            Chave Bíblica;
            Bíblia Sagrada - Versão Ave Maria
            Bíblia Sagrada - Versão Pastoral
Como ler o Evangelho de Lucas - E.P. - Ivo Storniolo
Eucaristia Pão e Vinho da Libertação - Série Caminhos - E.P. -  Pe. Antônio F. Falcone

[1] Airapurus, foi o nome dado aos grupos que fugiram do Egito, por ocasião do Êxodo.
[2] O termo pré conciliar, quer dizer que é anterior ao conclio do Vaticano II (1965).

sábado, 13 de julho de 2013

A Bíblia - Vamos entender esse texto maravilhoso!


Na Catequese, se usa textos bíblicos para se construir o conhecimento que se espera passar ao educando, nesse caso chamado de catequizando. Nesse caso, para entender a Bíblia, recomendo a leitura da parábola do semeador, presente no Lc 8, 4-15. Gosto dos textos Lucanos pois trazem um Jesus voltado a caridade e ao atendimento do mais necessitado. A parábola em tela não é exclusiva do evangelista Lucas. Vamos entender esse texto (um pouco longo mas muito denso), na primeira parte apresenta uma breve e simples explicação sobre o texto bíblico, depois trata de todas as Sagradas Escrituras, com uma introdução importante para quem deseja se aprofundar nesses estudos.

DEUS é o Semeador, sua Palavra a Semente e nós o solo. Os tipos diferentes de solo, são os corações  que reagem de forma diferente à Palavra de Deus. Aqueles que não permitem a entrada da Palavra, são as sementes a beira do caminho, e não aceitam a Boa Nova. Aqueles que tem o coração como o solo cheio de pedras, são as pessoas que recebem bem a Boa Nova, mas no primeiro desafio, a abandonam. Aquele que tem o coração cheio de espinhos, são os que permitem que as coisas do mundo (como a riqueza) sufoquem a Boa Nova. Agora a terra boa, são os corações que conseguem continuar a obra de Jesus, ajudando a Implantar o Reino.

A Palavra de DEUS nos orienta para a caminhada, os problemas aparecem, mas, aquele que a ouve e a vive com atos concretos não desanima e dá bons frutos.

Não adianta somente ouvir a Palavra de DEUS e deixa-la de lado, pois assim se perderá pelo caminho. Ouvir a Palavra e não Pô-la em prática, é como não ouvi-la, pois Cristo espera de nós atitudes dignas, capazes de mudar este mundo.

JESUS nesta parábola nos ensina a ser Semeadores do Pai, então estaremos colaborando para construir o Reino.
UMA INTRODUÇÃO AS SAGRADAS ESCRITURAS:
As Sagradas Escrituras, são nada mais nada menos do que a nossa Bíblia. Ela foi traduzida em 1685 línguas diferentes, antigamente ela somente existia em Grego, Aramaico e Hebraico.
1. Surgimento do Povo de Deus:
O chamado povo de DEUS, é inicialmente aos povos descendentes de Abraão.  Abraão, vivia na cidade de Ur, na Mesopotâmia, que ficava entre os rios Tigre e Eufrates. Abraão e seus parentes, saíram da cidade de Ur e deslocaram-se para a cidade de Harã. O pai de Abraão era Taré. da cidade de Harã, Abraão e sua esposa, Saara, mudaram-se  para Hebron próximo ao lago da Galiléia.
Foram os anjos que anunciaram  a destruição de Sodoma e Gomorra, que também anunciaram a Abraão o nascimento de seu filho Isaac (o nome ISAAC, significa aquele que ri, e ele tem esse nome, pois Saara, quando escutou, atrás da tenda o anuncio do anjo, que falava de que em um ano ele voltaria e Abraão teria um filho com Saara [já avançada em idade] e ela riu-se do anjo).
2. Os Patriarcas e as Primícias do Povo:
                        A palavra Patriarca, tem como significado o termo Pai, e para o Povo de DEUS, os Patriarcas são três: Abraão/Isaac/Jacó.
                                Eles são os fundadores do povo da Bíblia. Abraão inicia a História do Povo na cidade de Ur  no ano de +/- 1850 a.C.
                                Muitos Hebreus, provavelmente em decorrência de uma grande seca que devastou a região, mudam para o Egito, no tempo de José filho de Jacó. Depois de certo tempo, os Egípcios, escravizaram o povo Hebreu até o aparecimento de Moisés, que através de uma ovelha desgarrada, encontrou uma pequena árvore (ou espinheiro, que nos textos bíblicos figura como SARSA) ardendo (queimando), e não se consumia (diminuía). Deus conversou ai pela primeira vez com Moisés, e esse foi libertar o povo (Ex 3).
                                Moisés, apesar de ter sido o principal articulador da saída do povo do Egito, nunca entrou na terra Santa. Ele morreu antes, mas ungiu um sacerdote de nome JOSUÉ, para que completasse a sua missão.
                                As terras foram divididas, em 12 partes, a cada uma das tribos coube uma parte da terra. Os lideres de cada uma das 12 tribos, era chamado Juiz. O ultimo Juiz foi Samuel, que ungiu o primeiro Rei de Israel, que foi Saul. O mesmo Samuel, por ordem de DEUS ungiu como Rei também, um menino da família de Jesse. Esse menino é DAVI.
                                Davi ficou amigo do Rei Saul. Davi somente se tornou rei após a morte de Saul. Davi teve o seu filho também ungido REI, entretanto não foi o primogênito, como mandava a tradição, mas outro filho, que era SALOMÃO (+/- 900 a.C.).
                                Com a morte de Salomão, o povo descontente não queria que o filho de Salomão assumisse o trono, dai Israel  foi dividida em 2 partes. O reino do Norte e o reino do Sul. No sul ficou o Reino de Judá e no norte o Reino de Israel. Na parte política, no Reino do Norte, o rei foi ungido como sendo Jeroboão, que era um general de Salomão. No reino do sul, ficou com Roboão, filho de Salomão.
                                Foi na época de Salomão, que escreveram os primeiros textos da bíblia.

3. A Bíblia Sagrada: 
3.1. Introdução:
                                A Bíblia é o livro mais vendido no universo, porém é o menos lido. Diferente do Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos), a Bíblia foi traduzida para quase todos os idiomas.
                                Os escritores da Bíblia, foram muitos homens e mulheres, inspirados por DEUS (cf. 2Tm), para que emprestassem suas experiências e corpos para que DEUS se manifestasse. Ela surgiu no meio do povo no Oriente, esse povo descendente de Abraão, conhecido por HEBREUS.
3.2. Libertação e Volta a Terra Prometida:
                                O povo tornou-se escravo no Egito. Do meio daquele povo surgiu um redentor, Moisés. Ele era um líder nato, ou seja ele tinha completo controle sobre o povo.
                                O povo é libertado, caminha pelo deserto durante 40 anos de vota a Canaã, a terra Prometida por DEUS, através da aliança com Abraão. Durante esses 40 anos, o povo é "purificado", ou seja todos os nascidos no Egito, morreram. Além disso a caminhada não foi constante (se tivessem andado sem parar, teriam chegado rapidamente a terra de Canaã, tendo em vista os relatos posteriores, como a fuga de Jesus de Belém para o Egito).
                                Josué, o sucessor de Moisés, após a sua morte, conduz o povo até Canaã, e atravessa o Rio Jordão, como Moisés fez na travessia do mar Vermelho. Josué foi um sacerdote ungido por Moisés para que terminasse a sua missão. Com a morte de Josué, o povo passou a ser liderado por chefes tribais, chamados JUÍZES. O ultimo Juiz foi Samuel. No tempo de Samuel, as tribos decidiram pela monarquia, que seria uma forma de garantir mais força no confronto direto com outras nações.
                                O primeiro rei é Saul, que foi ungido por Samuel contra a sua vontade. O 2o. rei foi Davi, também ungido por Samuel, mas ai a unção foi ordenada por DEUS. O filho de Davi, também sagrado Rei, foi o rei Salomão, que casou-se com uma egípcia, podendo ter saído dai a ideia de uma serpente ter enganado a mulher no paraíso (tendo em vista que o símbolo do Egito era a serpente).
                                Foi no tempo de Salomão, que foi construído o templo de Jerusalém (onde hoje somente existe uma parede, chamada de muro das lamentações).
                                Com a morte de Salomão, o reino de Israel é dividido em duas nações, a do Norte, chamada Israel cujo a capital era a Samaria (não podemos confundir essa cidade com a região da Samaria do tempo de Jesus, pois são regiões diferentes) e o do Sul, chamado de Judá, cujo a capital era Jerusalém. A divisão se deu em virtude de disputas internas do poder.
                                O reino do Norte, cai na mão da Assíria, que destrói a capital Samaria. 150 anos mais tarde a Babilônia, toma o Império Assírio, e toma também o reino do Sul (Judá), o povo é deportado para a Babilônia onde ficam durante 50 anos (587-538 a.C.). A Babilônia foi vencida pelos Persas, e o Rei Ciro, manda libertar o Povo de Israel, que voltando para a casa, e vê que não existem mais o templo.
                                Embora livre o povo sempre fica sob o julgo de algum dominador. Por isso surgiu a idéia de um Messias Libertador. O povo espera um novo DAVI, uma vez que foi o Rei Davi, que depois de muita luta conseguiu pacificar e unificar a nação.
3.3. O Autor da Bíblia e quando a Bíblia foi escrita:
                                DEUS é o verdadeiro autor da Bíblia. Ela foi escrita  pelo Homem (Hagiógrafo), por inspiração de DEUS (cf. 2Tm). É um livro  em que DEUS se manifestou ao Homem, fazendo com que este, colocasse no texto, aquilo que DEUS queria, mas respeitando a natureza do Homem.
                                O papel do Homem, é de coautor da Bíblia. E por ser obra divina, nenhuma criatura pode alterar, acrescentar ou tirar qualquer texto. Quem faz essa afirmativa é o próprio DEUS, através da Bíblia (Dt 4, 1-2; Ap. 22, 18-19).
                                A Bíblia começou  a ser escrita provavelmente, por volta do ano 900 a.C. e terminou por volta do ano 100 d.C. A outra possibilidade é dela ter começado a ser escrita por volta do ano de 1250 a.C., no tempo de Moisés, quando o Faraó Ramsés II, governava o Egito. E de qualquer forma, ela foi encerrada por volta do ano 100 d.C, quando morreu o ultimo dos Apóstolos, São João Evangelista, autor de um evangelho (evangelho segundo João) e do Apocalipse, e mais 3 pequenas cartas[1]. Os evangelhos e outros escritos podem não ter sido escritos pelos evangelistas, mas por comunidades orientadas por eles. E de qualquer forma a ordem dos textos é diferente da ordem cronológica.
                                As cópias mais antigas que se tem dos textos da Bíblia, estão guardadas no museu Britânico e na Biblioteca do Vaticano. Ela Bíblia foi escrita em diversas línguas. Inicialmente em Hebraico, a língua falada pelos Semitas (oriente médio) - filho de NOÉ [Semi]. Aramaico, foi a segunda língua da Bíblia, estreitamente ligada ao hebraico. Foi a língua falada por Jesus e pelos apóstolos e pela Igreja de Jerusalém.  
                                De todas as línguas Bíblicas  a que melhor se conhece, é Grego. O grego Bíblico não é o Grego Clássico (Helenistico) mas sim o Grego Popular, chamado "KOINÉ". O Novo Testamento [NT] foi todo escrito em GREGO exceto o evangelho de Matheus, que, aparentemente,  foi escrito em Aramaico, por se destinar a uma comunidade Judaica.
                                A Bíblia divide-se em duas partes: Antigo Testamento e Novo Testamento. O AT, foi escrito em Aramaico ou Hebraico, com exceção dos livros da Sabedoria, o 2o. Macabeus e trechos dos livros de Daniel e Ester, que forma escritos em Grego.

3.4. O nome de DEUS na Bíblia:
Quando Jesus nasceu foi-lhe dado o nome de "Jesus" (Jesus é o nome dado ao filho de DEUS. Cristo veio depois, e significa crucificado ou ungido - cf. Mt 1,25). Antes disso porem, não se encontrava na Bíblia nenhum lugar onde se dê um nome a DEUS. Na Bíblia  não vamos encontrar um nome próprio para DEUS, encontraremos contudo, certas expressões  que designavam a Pessoa Divina.
Vamos ver, aqui, alguns desses nomes e seus significados. Devemos sempre ter em mente, que para o povo judeu, o nome representava aquilo que a pessoa deveria ser.
ELôHIM - é o plural de el. Ao pé da letra significa: os deuses. mas o sentido que se dá  é O SENHOR (Ex 18,11)
ADONAI - quer dizer: Meu Senhor, Meu Deus ou Meu Mestre (Dt 3,24).
ELYON - A palavra "El-Eloyn" significa, traduzida ao pé da letra, a parte mais alta de um lugar. Porem essa palavra é usada para dizer "O DEUS ALTISSIMO de Abraão ou dos arameus" (cf. Gn 14,18-22; Nm 24,16).
SADDAI - é uma palavra que significa o Todo Poderoso, o Senhor. Por exemplo: Pelo DEUS de teu pai, que te socorre. Por El Saddai, que te abençoa (cf. Gn 49,25). O livro de Jó emprega 31 vezes o nome SADDAI.
Podemos encontrar o nome SADDAI, escrito também como SHADDAI, que tem como significado, O TODO PODEROSO.
JAVÉ - é o nome  de DEUS deu a si mesmo, quando Moisés lhe perguntou qual o Seu nome. Mas não é propriamente um nome. Javé (Yahweh) quer dizer: "Eu sou aquele que sou" ou "Eu sou aquele que é" (Cf. Ex 3,14). Alguns vêem nessa expressão, EU SOU O QUE SOU, uma afirmação  de que DEUS existe por si mesmo, enquanto os deuses pagãos  não passam de estatuas  feitas pelas mãos dos Homens. Também  tem o sentido de um DEUS-Presente, que é fiel e esta sempre junto de seu povo. 
Jeová - é uma tradução errada do nome de Yahweh (Javé).

3.6. Como chegou até nós (escrita e material usado)
Escrita Cuneiforme - Escrita em símbolos inventada pelos Sumerianos (3500 a.C.). Era mais usada pelos povos das mais importantes culturas do Oriente Antigo, ou seja Sumerianos, Babilônios, Assírios e Hititas.
Hieróglifos - Usada pelos Egipicios, era menos difícil, constituído em sinais  representando  objetos que significavam palavras, sílabas ou consoantes.
Existiu outros tipos menos conhecidos como: Herática, Demótica, Paleo-Hebraica, Quadrada, etc (era hieróglifo simplificado).
                                ARGILA: São tabuinhas ou placas de barro, onde gravam  as letras (símbolos) com auxilio  de uma ponta de madeira a seguir colocam-nas no sol para secar ou no forno para queimar como tijolos.
Papiro - menos durável que as tabuinhas  de argila. Era usado pelos Egípcios. Era uma planta  cultivada às margens do rio Nilo. É interessante notar que a própria Bíblia  faz menção do papiro como planta nativa do brejo (Jó 8,11-12). O papiro  era uma árvore que chegava até à altura de 4 metros. Do Egito o papiro passou para a Síria, Sicília e Palestina, que é a terra onde foi escrita a Bíblia.
Pergaminho - Somente mais tarde os Hebreus conheceram um material mais durável, mas também mais caro, a pele de animais. A preparação do couro de carneiro  e cabra  para tal uso, foi aperfeiçoada na cidade de Pérgamo (cidade mais importante da Ásia Menor), por volta do ano 200 a.C. pelo Rei Éumenes II.
Os pergaminhos (Couro Tratado), assim como os papiros, não eram encadernados em livros como fazemos hoje. Os antigos ligavam uma folha as outras e faziam rolos. É por isso que, muitas vezes encontramos na Bíblia Sagrada a expressão "enrolar" e "desenrolar" o livro (cf. Jr 36,2)
Lucas escreve que Jesus foi a Sinagoga e "desenrolando o livro" leu um trecho do Profeta Izaías. Depois "enrolando o livro", entregou-o novamente  ao ministro da Sinagoga (cf. Lc 4,16-21).
3.7. As Versões (traduções):
                                O Antigo Testamento (AT) tem duas versões importantes:
         a) Hebraica - 39 livros, onde parte dos livros foi escrita em ARAMAICO, e é a versão usada pelos protestantes.
          b) Septuaginta, Alexandrina, ou LXX (Setenta em números romanos), escrita em grego. O rei Ptolomeu II Filadelfo (285-287 A.C.) solicitou ao sumo Sacerdote Eliazar de Jerusalém o envio de sábios a fim de traduzirem os livros de Moisés para o grego. Eliazar mandou 72 varões que em 72 dias executaram a tarefa. Por causa dos 72 tradutores (simplificado em 70), fala-se até hoje da tradução dos setenta ou em latim "Septuaginta".
c) Vulgata - Traduzida por São Jerônimo em latim (350-420 d.C.).
Existem outras versões de menor importância, da bíblia, tais como:
- Aquila  Século II d.C., Símaco Século II d.C., Teodocião Século II d.C., Aramaica Século II a.C. (falavam, mas só chegou depois de Cristo), Cópta Século III d.C., Gótico Século IV d.C., Georgicana Século V d.C.

3.8. Conceito de Inspiração:
Inspiração é um fluxo divino que age sobre o Hagiógrafo, chama-se  assim o autor humano que serve a DEUS.
Foram elaborados vários critérios para se identificar a inspiração. Entre eles o utilizado pelos reformadores do século XVI, como Martinho Lutero (1483-1546) que afirma que apenas os livros que tivesse a doutrina da justificação pela fé (só a fé salva) seriam inspirados por DEUS.
Outro Critério Inferido pelo Próprio Livro, critério esse proferido por São Tomas de Aquino. Define-se como sendo o Critério defendido pelo próprio através de:  sublimidade da doutrina; simplicidade; beleza literária; eficácia.
Temos ainda o critério Inferido pelo Leitor criado por João Calvino, (1509-1564) e defendia a doutrina da predestinação, ou seja, a pessoa já nascia com uma predestinação. É dai que surgiu o presbiterianismo, que hoje está multiplicado.
O critério da apostolacidade, foi definido por Davi Michaelis (1750). Pelo Antigo Testamento a Inspiração é dada por Jesus Cristo e pelo Movo Testamento  só seria aceito se fosse escrito por Apóstolos. O Evangelho de Lucas é comparado ao Deuteronômio.
Por ultimo, temos o Critério Inferido por DEUS que é o critério Católico Universal. O Cânon, que é um conjunto de regras, normas e lista dos livros inspirados, e a inspiração Bíblica são realidades de ordem sobrenatural através do Espírito Santo.
A Bíblia nos coloca que toda a Escritura é inspirada por Deus (Cf. II Tm 3, 15-16; II Pe 1,20-21; II Sm 23,2; Jr 30,2; 36,2; Hab 2, 2).

4. AS DISTORÇÕES:
A Bíblia foi escrita por um povo singular, na sua escrita, e principalmente os textos mais antigos, não tinham vogais.
Para nós, hoje, somente chegaram cópias. Em 1948, achou-se fragmentos do livro de Sirac, que podemos dizer é um original.

5. FORMAÇÃO DO CANON:
O cânon, são as normas que regem a Igreja, sendo que o Direito Canônico rege a Igreja enquanto constituição. O termo Cânon, até o século III a.C. tinha como significado modelo, regra ou norma. Depois além destes, também passou a designar listas e catálogos, e elencos (canonizar Santos).
O Cânon Bíblico divide-se em duas partes: Os PROTOCANONICOS e os DEUTEROCANONICOS. Na versão Hebraica o Cânon tem 39 livros, e na versão Septuaginta, tem 46.
Os sete livros que compõem essa diferença, são chamados de APÓCRIFOS (livros não reconhecidos por protestantes) ou DEUTEROCANONICOS, e são: Baruc; Tobias; Judite; Sabedoria; Eclesiástico; I e II Macabeus. São livros da Bíblia cuja a inserção fora negada por certo tempo, ou posta em dúvida pela Igreja.
Os livros Deuterocanônicos, que foram considerados santos depois, no Sixto de Siena (1528-1569), e são sete também: Hebreus, II Pedro, II João, III João, Thiago, Judas e Apocalipse, e é aceita pelos Católicos e Protestantes.
Outro termo de Apócrifos, são os livros de autenticidade duvidosa ou de conteúdo fantasioso.

6. LEITURA DA BÍBLIA:
Como começar? Para que ler?
A leitura da Bíblia proporciona um aumento de conhecimento (cf. Rm 1,20-23 e Tg 1,22), no sentido de conhecermos melhor a DEUS.
A Bíblia é um todo, e para lermos corretamente, não devemos nos prender apenas a uma parte, como o N.T., e nem tentar le-la de uma vez só. Ler a Bíblia de uma só vez, não nos permite conhece-la, pois para termos uma boa leitura da Bíblia, devemos le-la com consciência, e refletindo a cada trecho. Não devemos pensar que a Bíblia é composta somente de orações, pois isso não é verdade (Ef 6,18).
Recomendações:
Devemos ter nossa própria Bíblia.
Ler todos os dias, nem que seja um pequeno trecho.
Tudo em espírito de Oração.
O importante é não desanimar (Cf. II Pd 3,15b-16; II Tm 1,5-8).

7. ASSUNTOS QUE ENCONTRAMOS NA BÍBLIA:
De modo geral, encontramos na Bíblia tudo o que o Homem pode pensar, meditar, viver. A Bíblia trata da história, da oração, da sabedoria popular, da religião, faz reflexão sobre os problemas humanos: religiosos, sociais, políticos e econômicos; faz criticas e propõe soluções; fala de grandes heróis, fala de amor das pessoas, fala das fraquezas, degradações maldades e pecados do Homem.
Em fim a Bíblia é um livro  perene, porque fala do Homem  e de Deus.

8. CITAÇÕES BÍBLICAS: 
No século XIII d.C. o Cardeal Estevão Langton, dividiu a Bíblia em capítulo, para facilitar a consulta e a procura de textos.
Em 1528, o frade Sante Pagnine dividiu o Antigo Testamento em versículos. Em 1550, o tipógrafo Robert Estevão dividiu o Novo Testamento em Versículos.

8.1. Como entender as citações Bíblicas (Regra Geral):
As citações bíblicas são indicadas pela abreviatura do nome do livro, seguido por seu capitulo e versículo inicial e a indicação do capitulo e versículo em que termina o teto.
Nome do Livro: em geral é indicado por 2 consoantes - Ex. Mt = Matheus.
Vírgula: separa capítulo de versículo - Ex. Mt 3,5.
Ponto: separa versículo não continuo - Ex. Mt 3,3.8.
Traço: separa versículos contínuos - Ex Mt 3, 3-8.
Ponto e Vírgula: separa grupos  de capítulos e versículos ou livros - Ex. Mt 3,5; 23,7; Jr 5,2.
Letra "a" : Indica a primeira parte de um versículo - Ex. Mt 3,5a
Letra "b" : Indica a segunda parte de um versículo - Ex. Mt 3,5b
Letra "c" : Indica a terceira parte de um versículo - Ex. Mt 3,5c.
Letra "s": indica o versículo seguinte - Ex. Mt 3,5s.
Letras "ss.": Indica  versículos  seguintes, do indicado até o fim do capitulo. Ex. Mt 3,5ss.
Indicação Cf. - Conforme ou confira em ... - Ex. Cf. Mt 3,5.

9. ANTIGO TESTAMENTO:
9.1. Introdução:
A Bíblia se divide em duas partes, o Antigo ou Velho Testamento, e o Novo Testamento. A versão Católica da Bíblia tem 73 livros, com 1333 capítulos e 35.700 versículos, sendo 46 livros do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. A versão dos Protestantes ou Evangélicos, contem 66 livros, 7 livros a menos que a Católica (livros Deuterocanônicos), todos do A. T.. Já a versão Judaica, tem apenas 39 livros do A.T., uma vez que eles esperam o Messias até hoje.

9.2. BÍBLIA CATÓLICA - Antigo Testamento: Divisão dos 46 livros:
9.2.1 - Pentateuco ou Lei de Moisés:
A palavra Pentateuco, quer dizer Cinco Livros, e esse conjunto de cinco livros, é chamado pelos judeus de Torá, ou a Lei de Moisés. É composto dos seguintes livros:
Genises - Gn - Livro da origem, do nascimento, tanto do mundo como da humanidade.
Os capítulos 3-11 mostram a história dos Homens, dominados pelo mal, ao mesmo tempo que é amparado por DEUS. O Homem reduz a história ao caos (fratricídio - 1o.  Crime, quando Caim matou Abel, a palavra FRATRICÍDIO significa assassinato de irmão; Diluvio, etc.).
Nos capítulos 1 e 2, temos duas versões para a criação do mundo e do Homem, sendo que o capitulo 1 é provavelmente mais novo que o capitulo 2.
No livro do Gn, temos ainda, a introdução do pecado na sociedade, com o pecado pessoal de Eva e Adão, e o pecado social, representado pela Torre de Babel, onde os Homens em sua autossuficiência, queriam alcançar o Céu.
Dos capítulos 12 a 36, temos a história dos Patriarcas, ou seja, do inicio do povo de DEUS, com Abraão, Isac e Jacó, a quem DEUS promete uma terra Santa e uma descendência prospera.
Dos capítulos 37-50, temos a história de José, e seus irmãos, que representam também o pecado social, dentro da própria família, podemos ainda afirmar que, a história de José faz a ligação entre o livro do Genises, e o livro do Êxodo (cf. Pequeno Comentário Bíblico - AT - Genises 37-50  EP).
 
Êxodo: - Saída, é o livro que relata a saída do povo do Egito, em direção a Terra Prometida, liderados por  Moisés, por volta do ano 1250 a.C. Nesse livro vamos ver, o nascimento de Moisés, a sua fuga e encontro com DEUS, seu retorno para com o faraó, seu trabalho profético junto ao faraó para convence-lo de libertar o povo, as 10 Pragas contra o Egito, a saída do povo, a travessia do Mar Vermelho, o Decálogo (dez mandamentos), as dificuldades do povo, impuro no Deserto por 40 anos, e sua purificação (nenhuma das pessoas que saíram do Egito, inclusive Moisés, chegaram a Terra Prometida, todos morreram), a desobediência a DEUS, com a confecção do BEZERRO DE OURO, a construção da Arca da Aliança para a guarda dos mandamentos, e finalmente a morte de Moisés, a liderança de Josué.
Levitico - O nome do livro provem do nome LEVI (filho de Jacó). A tribo de Levi (Os Levitas), eram a tribo de Israel escolhida para exercer a função sacerdotal, no meio do povo. Por isso os levitas não receberam terra.
Números - Começa com o primeiro recenseamento do povo hebreu no deserto.
Nm 1-9 - O povo de DEUS se reorganiza;
Nm 10-21 - O povo de DEUS em marcha;
Nm 22-36 - O povo de DEUS diante da Terra Prometida.
Deuteronomio - Segunda Lei, trata-se de uma readaptação da Lei, tendo em vista a vida de Israel na Terra Prometida.

9.2.2 - Livros Históricos:
São compostos de 16 livros, que mostram o processo histórico. Entre as Bíblias Católicas e Protestantes, existem diferenças nesses livros.
Josué - O livro de Josué (Js), nos relata a chegada do povo na terra prometida. Devemos lembrar que Josué, foi o sucessor de Moisés.
Juizes - Eram lideres que tinham plenos poderes. Pelas divisões eles ficaram fracos, por isso no final de Jz, surge a idéia de constituírem uma monarquia, terem um só rei.

Ruth - O livro de Ruth (Rt), foi anexado aos livros históricos. É um livro com 4 capítulos e conta uma história familiar.
A história, conta que uma hebréia, casada e mãe de 2 filhos, que se casam com mulheres estrangeiras. Quando ficou viuva, foi para o estrangeiro e lá os filhos morrem, e ela diz as noras que podem ir embora, mas Ruth escolhe ficar com a sogra, e cuidar dela.
No futuro, ela casa-se com "Boos". Ela é Bisavó de David, e parente de Jesus.

I e II Samuel  - Os livros de Samuel são uma seqüência do livro dos Juizes. Aparece a idéia do Rei, e Samuel foi o responsável pela unção de Saul (Primeiro Rei) e dentro da aliança ele deveria ser obediente a DEUS. Mas ele a quebrou, pois o próprio Saul queria ser um deus. Mandou matar os sacerdotes.
DEUS determina a Samuel, que unge um filho de Jesse, o filho caçula, que era David, e essa unção é feita  as escondidas, e depois que David derrota Golias, é perseguido por Saul. Este o persegue até que morre, dai David reuniu o povo.

I e II Reis - Os livros dos reis, são continuação dos Livros de Samuel. Conta a história de David e de Salomão. Salomão apenas precisaria administrar o que o pai lhe havia deixado. Por isso ele pediu a DEUS somente a sabedoria.
Com a morte de Salomão, parte do povo não queria que seu filho assumisse o trono. Pela disputa o reino de Israel foi dividido em 2; o do Sul (administrado pelo filho de Salomão) e o do Norte (cujo o rei era um ex-general de Salomão).
No livro dos Reis aparece o profeta Elias (1Rs) e depois (2Rs) aparece o profeta Eliseu. No final do livro dos Reis, (2Rs) aparece a queda do Império, e o exílio na Babilônia.

I e II Crônicas Esdras e Neemias - Os 4 livros formavam um só livro, e narra desde Adão até a criação do Judaísmo, após o exílio da Babilônia.

I e II Macabeus - A palavra Macabeus, tem como significado Martelo, e narra a resistência de 5 filhos de Matatias. São um conjunto de livros que não se encaixam  nem antes e nem diretamente depois do Exílio.
O livro do I Mc, narra fatos mais históricos, enquanto que o II Mc mostra o lado religioso.

Tobias; Judite; Ester - São romances que narram estórias do Povo.
Tb - A estória de  Tobias, narra que ele foi comido por um peixe, e lá dentro leu um livro.
Est - Foi uma rainha em defesa do seu povo.
Jd - Situação similar a de Ester, ela luta pelo povo. Devemos notar, que Judite luta no próprio Israel, enquanto Tobias e Ester, lutam no estrangeiro.

9.2.3 - Livros Sapiências:
O termo Sapiência, significa SABEDORIA, ou seja, os livros Sapiências, são os livros da Sabedoria. É um conjunto formado por 7 livros.
- Podemos colocar que o livro de Jó se mostra como uma peça teatral, onde o personagem, peca, por se achar puro e perfeito (autossuficiência).

Salmos  - Os Salmos, são canções, e orações escritas por vários autores, mas a maior parte recebe como autor, o Rei Salomão.

Provérbios - É composto por uma coletânea dos provérbios populares, da Palestina ou coletados fora.

Eclesiastes  (Ecl):  Mostra uma série de meditações sobre a instabilidade da vida humana (Cf. Comentario da Biblia AVE MARIA).

Cântico dos Cânticos (Ct): Mostra a relação de amor entre um homem e uma mulher. Por muitos anos foi tido como um livro erotico.

Sabedoria (Sb); Mostra a sabedoria popular.

Eclesiástico (Eclo) - Também recebe o nome de Sirac, foi escrito por Jesus Ben Sirac, por volta do ano 200 a.C.. Traduzido para o grego por seu neto.

9.2.3 - Livros Proféticos:
Os livros proféticos foram escritos por pessoas inspiradas por DEUS, e em épocas de dificuldades, essas pessoas recebem o nome de Profeta (Rabï), que podemos traduzir como "Aquele que fala em nome de", no caso em nome de DEUS.
Os profetas aparecem em épocas diferentes, e o primeiro profeta a aparecer é Elias (livro dos Reis) depois aparece o seu discípulo Eliseu, embora não existam livros deles.
Isaías - O livro de Isaías é dividido em 3 partes, e cada uma foi escrita por um profeta distinto. O nome do segundo e terceiro Isaías, não aparece, apenas figura o pseudo Isaías.
Is 1-39 Primeiro Isaías; Is 40-55 Segundo Isaías; Is 56-66 Terceiro Isaías.
Jeremias (Jr); Lamentações (Lm); Baruc (Bc); Ezequiel (Ez); Daniel (Dn); Oséias (Os); Joel (Jl);  Amós (Am); Abdias (Ab); Jonas (Jn); Miquéias (Mq); Naum (Na); Habacuc (Hab); Sofonias (Sf); Ageu (Ag); Zacarias (Zc) e Malaquias.

10. NOVO TESTAMENTO:
10.1. Introdução:
O novo testamento, narra a vida de Jesus Cristo, seu projeto, sua doutrina, alem de nos mostrar como viviam e deveriam viver os cristãos
10.2. Divisão do novo testamento:
O novo testamento divide-se em 27 livros, destes 4 são os Evangelhos, um Atos dos Apóstolos, Cartas Paulinas, Católicas e Apocalipse.
Vamos, ter uma breve exposição sobre esses 27 livros.
10.2.1. Evangelhos:
a) Marcos: O evangelho de Marcos, que não foi discípulo de Jesus, é o mais antigo dos sinópticos, e também dos evangelhos.
b) Matheus: Ele foi discípulo de Jesus. Era o Publicano, o cobrador de impostos.
c) Lucas: Também não foi discípulo de Jesus, foi sim discípulo de Paulo, e além do Evangelho, escreveu também os Atos.
d) João: O Evangelho de João, é um tratado teológico de altíssimo nível. Na primeira parte, que vai do capitulo 2 ao capitulo 12, ele tem sete sinais, e do capitulo 13 ao 21, faz a glorificação de Jesus.
e) Atos dos Apóstolos: Os Atos dos Apóstolos, é a continuação do Evangelho escrito por Lucas, e seria como um evangelho da Comunidade, mostrando os conflitos e a vida da comunidade primitiva.
10.2.2. Cartas Paulinas e Católicas:
Foram escritas antes dos Evangelhos (Principalmente as Paulinas), sendo que a I Tessalonicenses é o escrito mais antigo do Novo Testamento (por volta do ano 51). Paulo morreu por volta do ano 67, provavelmente decapitado, antes do Evangelho de Marcos, que foi o primeiro a ser escrito (provavelmente por volta do ano 70). Foram escritas para as comunidades (com raras exceções) para resolver problemas de fé da comunidade. São 21 textos sendo 14 dadas como tendo sido escritas por Paulo e sete de outros autores.
As Epistolas Paulinas, compõem 14 livros, sendo 9 dirigidas as comunidades Cristãs, fundadas ou não por Paulo, e são:
Romanos - Ultimo texto escrito por Paulo, é de todas a mais teológica, escrita para uma comunidade que não foi fundada por Paulo, mas a qual ele tinha grande desejo de conhece.
I e II Corintios - Na realidade, foram pelo menos 3 cartas escritas por Paulo a comunidade de Corinto, cidade importante da Ásia, que tinha uma comunidade fundada por ele. A comunidade tinha muitos problemas com o fortalecimento da fé.
Galatas; Efésios; Felipenses; Colossenses; I e II Tessalonicenses.
Alem dessas nove, Paulo escreveu mais um bilhete a Filemon, um cristão, que deveria perdoar um escravo que havia se convertido.
Temos também 3 cartas Pastorais escritas por Paulo, onde ele define regras pastorais para as comunidades. São elas:
I e II Timóteo e Tito. Timóteo, é tido por Paulo, como seu discípulo mais querido. 
Por ultimo, temos a Carta aos Hebreus, que aparentemente não é um escrito Paulino verdadeiro. Na verdade a Carta aos Hebreus é um texto liturgico.
As Epistolas Católicas, são sete livros, e são chamadas católicas por seu âmbito universal, ou seja dirigido a todas as comunidades Cristãs. Elas são:
Thiago; I e II Pedro; I, II e III João; Judas - Quem escreveu essa carta foi São Judas Tadeu.

10.2.3. Apocalipse:
Texto escrito por João, na Ásia, para 7 comunidades, e embora a maior parte das pessoas achem que se trata de um livro de morte, é um livro de vida, é a revelação da bondade de DEUS, vencendo o poder opressor. João teve um sonho, onde Cristo o mandou escrever tudo o que ele via.

Bibliografia:
Apostila de Apontamentos do Curso de Teologia para Leigos da Região Episcopal Santana.
Biblia Pastora; Biblia TEB; Biblia Ave Maria.


[1]  O mais provável, é que o João que escreveu as Cartas e o Evangelho, não sejam a mesma pessoa que escreveu o Apocalipse.