Neste encontro, vamos explorar um pouco da Celebração Eucarística e da Celebração da Palavra no rito litúrgico da nossa Igreja.
Em primeiro lugar, precisamos entender a diferença entre Celebração Eucarística e a Celebração da Palavra. Essa diferença é muito simples. Ela tem como centro da Celebração. No caso da Celebração Eucarística é o Rito da Consagração, quando o Sacerdote (apenas o sacerdote pode consagrar) consagra o Pão e o Vinho, para transformar no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo, nosso Senhor!
Quanto a Celebração da Palavra, o centro da celebração vai para a Liturgia da Palavra. Na prática ambas tem o mesmo efeito, cumprir o preceito celebrativo do fiel de participar da Santa Missa!
O rito, por assim se dizer, é o mesmo. A forma da Celebração da Palavra e da Liturgia Eucarística, quando na celebração dominical segue a mesma fórmula. A Celebração da Palavra, dependendo da situação poderá ser realizada com fórmulas mais livres, quando não se tem a entrega da Eucaristia.
Vamos, neste breve trabalho, explorar a fórmula tradicional da liturgia. Essa celebração é dividida em quatro grandes partes, Ritos de Entrada ou Ritos Iniciais; Liturgia da Palavra; Liturgia Eucarística e Ritos Finais.
A Celebração Litúrgica inicia-se com o comentário inicial. Esse comentário nos mostra o “caminho” por se assim dizer, o assunto tratado pelas leituras ou pela festa que se está celebrando. Esse comentário pode ser realizado por um leitor ou alguém da equipe de liturgia, por exemplo, da equipe do Canto (animação). Após a leitura, vamos dar início com o Canto Inicial. Nesse ponto, podemos ter ou não a procissão de entrada, mas é realizada a entrada formal do celebrante (presbítero quando é celebração Eucarística). Tradicionalmente se faz a entrada com o grupo de liturgia: Cerimoniários, coroinhas (auxiliares) leitores, ministros da Eucaristia, diáconos e o celebrante.
Ainda dentro dessa fase da celebração, o Presidente da Celebração vai invocar a Santíssima Trindade, no rito chamado de Saudação e em seguida vamos passar para o Ato Penitencial. O Ato Penitencial, como o nome fala, é um pedido de perdão. Essa ação, também chamada de Kýrie ou Kýrie Eléison, que significa vem do grego (Κύριε ελέησον) e é traduzido como sendo Senhor, Tende piedade, que de acordo com os pesquisadores o seu uso litúrgico remonta ao século IV, já na comunidade de Jerusalém e no século V no Rito Romano como prece de pedido de perdão. O uso dessa expressão é utilizada por vários seguimentos cristãos, entre eles o Católico, o Ortodoxo, o Luterano e o Anglicano. O seu uso iniciou-se no chamado Rito Tridentino, que foi utilizado entre até o ano de 1969, pois obedecia o Decreto Sacrosancti Concillii Tridentini Restitutum, baseado nas decisões do concílio de Trento que ocorreu entre 13 de dezembro de 1545 a 4 de dezembro de 1593, sendo o 19º Concílio Ecumênico da Igreja Católica, convocado pelo Papa Paulo III, em resposta, entre outros pontos, a Reforma da Igreja Católica para enfrentar o Cisma liderado por Matinho Lutero e suas 95 teses, no período chamado historicamente de Reforma e Contra Reforma. Esse concílio foi o responsável pela unificação da liturgia Católica. Esse modelo ficou em vigor até a publicação do Decreto Sacrosantum Concilio publicado no Concilio do Vaticano II (que foi iniciado em dezembro de 1961 e terminou em dezembro de 1965), e o Papa Bento XVI (atual Papa Emérito) autorizou o uso da liturgia Tridentina em celebrações sem a presença do povo, chamadas de Motu Proprio Summorum Pontificum. O rito também pode ser usado em paróquias onde houver pessoas fixas interessadas em participar dessa liturgia, lembrando que a celebração é realizada em Latim com o presbítero virado de costas para a nave. Hoje, temos duas formas oficiais de liturgia oficial, a Ordinária ou Normal (promulgada pelo Papa Paulo VI em 1969) e a revisada pelo Papa João Paulo II (em 1975 e em 2002). Muitas vezes nós usamos a fórmula do Kýrie Eléison em canções com pedido de perdão. A fórmula original, a exemplo da utilizada hoje, usa a repetição por três vezes da oração “Senhor Tende piedade de nós”, seja em língua vernácula seja em latim.
Todo o Rito inicial tem o objetivo de unir o povo em torno da fé, da Igreja e da liturgia, por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Esse ato é para nos preparar para celebrar a Comunhão, participar da partilha e da consagração da Eucaristia. Recomenda-se ao fiel para que participe de toda a celebração Eucarística, mas de forma mais marcante, o fiel que não participa do Ato Penitencial não deve receber a Eucaristia, pois ele não pediu perdão por suas faltas ou falhas, lembrando ainda que temos dois grandes tipos de pecado, o pessoal, quando eu causo ou sou culpado pela falta e o social, quando aceito as falhas da sociedade e não faço nada para mudar.
O pedido de perdão passa, pela fórmula tradicional, pelo pedir perdão ao Pai (Senhor, tende piedade de nós) e a Jesus Cristo (Cristo tende piedade de nós). As orações podem ser substituídas por uma música que deve ter o mesmo intuito, nos fazer pensar nos nossos pecados. Ao proferir o perdão, o Celebrante vai se incluir nesse pedido de perdão.
Após pedir perdão, vamos glorificar a Jesus e a Deus pela realização do Glória. O Glória somente não deve ser invocado em duas ocasiões, durante o Advento e durante a Quaresma. No Advento esperamos a chegada do Senhor e na Quaresma nós estamos nos preparando para o momento do sacrifício de Jesus e da sua ressurreição. O grande Glória vai ser entoado na celebração do Sábado Santo. É um hino muito antigo e venerável que a Igreja reunida no Espírito Santo glorifica e súplica a Deus e seu Cordeiro (Jesus Cristo). Não pode ser substituído por outro canto e deve ser iniciado pelo sacerdote ou por um cantor e acompanhado por toda a Assembleia. Quando não se canta, deve ser recitado, de preferência por todos ou em grupos.
Após o Glória, vamos ter a Oração da Coleta. Por que esse nome? É uma oração que se colhe todos os pedidos da Celebração, convidando a comunidade a participar dela. As orações inicia-se sempre com o silêncio. O presidente convida com o pedido: OREMOS, em seguida fica em silêncio. Depois é proclamada a oração da coleta que ocorre apenas uma vez por celebração. A oração é normalmente dirigida ao Pai, por Cristo no Espírito Santo, terminando sempre na forma trinitária.
Com essa oração, encerramos a primeira parte da celebração.
A segunda parte é a Liturgia da Palavra, que tem como centro as leituras da Palavra de Deus. Primeiro vamos falar sobre quais são as leituras. Durante a semana, salvo celebrações específicas ou especiais, temos duas leituras diretas e o Salmo Responsorial. As leituras semanais são: Primeira Leitura em geral é do Antigo Testamento. Pode ser também do Apocalipse ou dos Atos dos Apóstolos. O salmo, em geral, é retirado do livro dos Salmos. O terceiro texto é dos evangelhos.
A celebração dominical é composta de 4 textos bíblicos diretos. A primeira Leitura é do Antigo Testamento, ligada em geral diretamente ao Evangelho, mas pode ser dos Atos dos Apóstolos ou do livro do Apocalipse. O salmo, como na celebração da semana, é normalmente retirado do livro dos Salmos. A segunda leitura é em geral, uma carta, especialmente as cartas de Paulo, mas podem ser de Pedro, João, Thiago, etc. Os evangelhos seguem a ordem anual, ano A Mateus; ano B Marcos e ano C Lucas. O evangelho de João é lido principalmente nas festas. O salmo pode ser lido (recitado) ou cantado. Além do Salmo ainda cantamos a Aclamação ao Santo Evangelho. No caso da liturgia da Palavra (onde não temos a consagração) esse é o centro da celebração. O celebrante pode salmodiar as leituras, do texto e do Evangelho. As leituras devem ser bem realizadas, como se diz, proclamadas e dar entendimento ao conteúdo. Recomendamos ainda que os leitores tenham ciência dos conteúdos, estudem as leituras e seus contextos. Não devemos substituir os textos bíblicos por outros textos quaisquer, isso inclui o Salmo responsorial.
Após a leitura temos a homilia. Na homilia o presidente da celebração faz o comentário sobre as leituras e a sua atualização. Não deve e não pode ser confundido com Sermão. O sermão é uma ferramenta teológica, que pode versar sobre um texto ou conjunto de textos.
Em seguida, vamos ter a Profissão de Fé. A profissão de fé é composta, tradicionalmente por uma das duas formas de Creio. O Creio curto é o Símbolos dos Apóstolos e o creio longo é o Símbolo Niceno Constantinopolitano. Ambos tem como meta a renovação das nossas promessas batismais.
Depois temos a chamada tradicionalmente de Oração dos Fieis, que também recebe o nome de Oração Universal. Elas podem ser elaboradas levando em conta a realidade das comunidades associada ao tema da liturgia. Nas leituras é Deus que fala ao povo, após ser alimentado pela misericórdia do Senhor, elevamos a Ele as nossas preces, pela Igreja e pela salvação do mundo.
A Liturgia da Palavra deve ser respeitada e ouvida em silêncio, de maneira a favorecer a meditação, não devendo ser realizada de maneira apressada, para que o Espírito Santo possa atingir a todos que estão na assembleia. As orações dos fiéis, normalmente segue a seguinte ordem: Pelas necessidades da Igreja; Pelas autoridades civis e pela salvação do mundo; por aqueles que sofrem dificuldades; Pela comunidade local. Em celebrações especiais as intenções podem assumir as circunstâncias.
Essas orações são, de alguma forma, nossa resposta e pedido a Deus. As orações podem ser realizadas pelo Celebrante, por um diácono, um ministro leitor ou um leigo. O povo deve, em pé, fazer suas essas orações.
Com as orações encerra-se a Liturgia da Palavra e se dá incio a Liturgia Eucarística.
A Liturgia Eucarística é a celebração a memória de Jesus Cristo pedida na última Ceia, quando ele constitui esse sacramento.
A Liturgia Eucarística inicia-se com a apresentação das ofertas. Esse momento poderá ser realizado com uma procissão, onde ofertamos nossos frutos, trabalho, objetos, objetos litúrgicos, etc. No altar são colocados os objetos e paramentos para que seja realizada a consagração, entre eles o Corporal (pano onde é depositado o cálice e as ambulas), o cálice onde será realizada a consagração e as ambulas consagradas ou que serão consagradas. O padre realiza orações de dedicação, chamadas orações secretas (pois não são realizadas em voz alta) e os fiéis podem oferecer seus dons para a Igreja ou para as obras sociais que serão recolhidas por pessoas da equipe e colocadas em local conveniente, mas fora da mesa da consagração (altar), onde teremos apenas os objetos litúrgicos acompanhados do Missal Romano. Após dispor os objetos sobre o altar, o celebrante (presbítero) lava as mãos em sentido de purificação. Após o sacerdote lavar as mãos, convida a assembleia a realizar uma oração sobre as oferendas.
Feito isso, entramos no momento central da Celebração Eucarística, a Consagração. Vamos ter a Oração Eucarística. Ela é uma oração de Ação de Graças e de consagração, onde o sacerdote convida ao povo para elevar os corações ao Senhor. A Oração Eucarística tem várias fórmulas, todas elas buscando ligar o fiel ao Senhor.
Os pontos chaves da Oração Eucarística são os seguintes:
1 – Ação de Graças onde todo o povo glorifica ao Senhor.
2 – Aclamação que é quando toda a Assembleia reunida canta ou proclama o Santo.
3 – Epiclese é uma invocação especial implorando que pelo Espírito Santo os nossos dons sejam consagrados e se convertam no Corpo e Sangue de Jesus Cristo e que a partícula, transformada em Hóstia opere a salvação de todos os que vão recebê-la.
4 – Narração da constituição da Eucaristia. Lembra a última ceia narrada nos evangelhos, em especial em Lc 22, onde Jesus tomou o Pão e o Vinho e os transformou em seu corpo e seu sangue para ser compartilhado com todos os Homens, lembrando que entregou aos Apóstolos e depois a cada um de nós para perpetuar essa ação (Façam isso em memória de mim).
5 – Fazer memória de obediência a esse mandato que recebemos do Senhor e devemos sempre nos lembrar Dele, sua Paixão, Morte e principalmente a Sua Ressurreição.
6 – Oblação, elevando o memorial a Igreja e a cada um que se reúne para celebrar a Eucaristia, oferecendo a Deus Pai, pelo Espírito Santo a Hóstia imaculada, mas não podemos apenas oferecer a Hóstia, mas nos tornemos a verdadeira oferta a Jesus Cristo.
7 – Interseções, pois a Eucaristia é celebrada em comunhão com toda a Igreja em todo o mundo, no Céu e na Terra e que a oblação é realizada por todos os fiéis, vivos e defuntos, convidando todos a participar da redenção adquirida pelo sacrifício de Jesus Cristo.
8 – Doxologia final que exprime a glória de Deus e a confirmação é dada pelo povo no seu Amem!
Após termos nos oferecido com Cristo (Por Cristo, por Cristo e em Cristo…) nós vamos realizar a oração que o próprio Cristo nos ensinou, o Pai Nosso. Em seguida, temos o Rito da Paz, onde pedimos a Paz de Cristo para todo o mundo e oferecemos a nossa vontade de cultivar a paz. A forma de se desejar a paz pode variar de uma comunidade para outra.
O Presbítero parte o pão eucarístico e o eleva para que o povo possa ver, lembrando que todo o povo é um só, através da comunhão em Cristo! O sacerdote pega uma pequena parte a coloca junto ao vinho, dentro do cálice.
Então o sacerdote eleva o corpo de Cristo sobre a Pátena ou em cima do Cálice e convida a todos para que participem do banquete!
Quando o presidente da celebração comunga, inicia-se o cântico da comunhão. A comunhão será oferecida a todos os fiéis aptos a recebê-la. Após recebermos a Eucaristia, vamos então a Oração Após a Comunhão, rito pré-definido que nos implora os frutos do mistério celebrado.
Ai entramos nos ritos finais. É a parte mais simples de toda a celebração. São apresentados os avisos da comunidade, saudação e benção do sacerdote (na nossa comunidade costuma-se antes da benção rezar uma Ave Maria) e reverencia com beijo no altar pelo Sacerdote e pelo Diácono (se houver), e uma reverencia de todos os participantes do rito de liturgia. Em seguida, eles saem e glorificam a Jesus pela liturgia celebrada, enquanto o povo acompanha o canto final. A celebração está terminada quando termina o canto final.
Bibliografia:
VVAA, Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO
VVAA, Secretariado Nacional de Liturgia, INTRODUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO – SINOPSE






