quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Quem é o Catequista?

- O catequista é uma pessoa de fé.
Ele aprofunda a sua experiência pessoal com Deus. Esta vivência de espiritualidade não acontece somente nos momentos de oração e de retiro, mas em cada momento da sua vida.

- O catequista é uma pessoa que testemunha a sua fé.
Ele procura ser luz do mundo e sal da terra (Cf. Mt 5,13-16) no meio das pessoas. O catequista é um educador da fé e formador de comunidade, mais pelo que ele é do que pelo ele fala. Para isso, é necessário crescer na maturidade humana e Cristã.

O catequista, querendo ou não, é modelo, é referência para os catequizandos. Quanto mais rica e profunda é a sua vida, os valores que vive, suas atitudes e opções pessoais, tanto mais está sendo para os catequizandos uma continua chamada a ser novo modo de ser.

“O testemunho é fundamental. A Palavra de Deus é eficaz em si mesma mas adquire sentido concreto quando se torna realidade na pessoa que anuncia” – João Paulo II em visita ao Brasil. O catequista é uma pessoa engajada na comunidade e enviada por ela.

O catequista é uma pessoa sensível e aberta aos problemas da humanidade no hoje de nossa sociedade.
Por isso, o catequista tem consciência de que é Igreja e atua em nome da Igreja. “O catequista é alguém que, integrado na sua comunidade conhece bem a sua história e suas aspirações e sabe animar e coordenar a participação de todos” (Catequese Renovada – 144).

-   O catequista é uma pessoa que celebra a sua fé.
Procura perceber alegrias e esperanças, angustias e sofrimentos do povo, principalmente o povo pobre.

O catequista busca construir uma sociedade justa e fraterna. Ele é um inconformado com o sistema do país que, empobrecendo as pessoas, tira a dignidade humana das mesmas.

Por ser uma pessoa que celebra a sua fé, o catequista deve ter sempre em mente o aspecto celebrativo, que é vital no processo catequético, assim, ele poderá expressar a sua fé, e ao mesmo tempo transmitir aos catequizandos a vivência da fé.

-  O catequista é uma pessoa que anuncia o amor.
Por isso, deve ser uma pessoa autentica, dialogante, capaz de compreender e perdoar, digna de confiança alegre, responsável e equilibrada em seus sentimentos e afetos. Para isso busca formação na comunidade, junto com outros catequistas.

“A missão evangelizadora supõem no evangelizador um amor fraterno, sempre crescente, para com aqueles a quem ele evangeliza” (EM 79).

-  O catequista deve ser...
Autentico, sincero, dialogante, saber perdoar, compreensivo, digno de confiança, alegre, responsável, equilibrado, participativo, etc.

Deixe que os catequistas continuem a indicar características desejadas a um catequista.

 Refletindo:
      No chamado por Deus.
O catequista, por seu exercício e ministério pastoral, fala como profeta em nome de Deus, mesmo achando não ser digno (Cf. Is 6,5-8). Por isso, o catequista deve revelar o que Deus deseja e não aquilo que ele acha conveniente.

Nunca podemos parar de nos preparar, pois a missão exige de nós perseverança e vivencia. Devemos viver a nossa fé na vida. O exercício da catequese é exercido por Cristo (pela pessoa do catequista, em nome de Cristo) e com o envio pela Igreja. Não existe catequese desvinculada do chamado de Deus ou da comunidade, pois o catequista exerce o seu ministério na comunidade.

 Na vida de fé que vive e transmite.
Todo catequista deve viver o seu ministério no seu dia a dia, e ser o mesmo, dentro e fora da Igreja e da sua comunidade.

O catequista não é santo, mas deve viver o seu ministério na vida e assim com seu exemplo, suas palavras e suas ações, poderão mudar os outros.

        Na maturidade humana e cristã.
O catequista deve ser uma pessoa que não para no tempo, deve sempre procurar se ligar ao Pai, por meio da oração e da ação. A maturidade cristã é um processo que nos leva a entender a fé e a professa-la de forma concreta na vida.

       Na participação da missão da Igreja.
A missão catequética deve levar ao exercício da prática consciente da missão. Assim, maduros na fé, constantemente evangelizados e catequizados (catequese permanente), a vida do catequista deve refletir a luz de Cristo.


Tarefa:
Procure em sua comunidade catequistas, e coloque para eles as seguintes perguntas:

1.    Quais as características desejadas para que o catequista possa viver com autenticidade a sua missão?
2.    Quais as exigências para melhor viver a nossa missão catequética?
3.    Depois de alguns anos de catequese, como poderíamos renovar a nossa identidade de catequistas?

V.             Estudo Bíblico:

Lc 4, 14-21.
La Biblia en CD-ROM –Texto Pastoral.
O PROGRAMA DA ATIVIDADE DE JESUS
   14 Jesus voltou para a Galiléia, com a força do
Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza.  15 Ele ensinava nas sinagogas, e todos o elogiavam.    16 Jesus foi à cidade de Nazaré, onde se havia criado. Conforme seu costume, no sábado entrou na sinagoga, e levantou-se para fazer a leitura.  17 Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem onde está escrito:    18 "O
Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos,  19 e para proclamar um ano de graça do Senhor."  20 Em seguida Jesus fechou o livro, o entregou na mão do ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.   21 Então Jesus começou a dizer-lhes: "Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês acabam de ouvir."

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Mensagem de Natal

Hoje é dia de Natal... Dia em que celebramos o nascimento de Jesus Cristo! Jesus foi um homem que andou sobre a terra... mas então o que o fez de diferente, ao ponto de se tomar a festa do deus Sol romano para celebrar o seu nascimento???

Muito simples, ele mudou o mundo! Depois da vida, morte e principalmente da ressurreição de Jesus, o Cristo (titulo e não nome) que significa o ungido por Deus, toda a humanidade passou a ver a vida de forma diferente.

Não tinham internet, celular e nem mesmo uma forma de fazer a informação correr o mundo! Para se ter uma idéia, depois que Pedro Álvares Cabral tomou posse do Brasil, o rei de Portugal levou entre 20 e 30 dias para receber a informação! Mesmo assim em menos de 100 anos a fé em Jesus, o Nazareno, já havia se espalhado por toda a civilização conhecida!

E por que? Simples, por que ele prega o AMOR!

Nesse Natal, e em todos os dias da nossa vida, basta seguir a regra de ouro, relatada pelo evangelista Mateus no Sermão da Montanha (Mt 5-7): Faça para o outro aquilo que deseja que façam para você! (Cf. Mt 7,12).

Ora, um pensamento como esse foi capaz de mudar a história da humanidade... Muitos erros foram cometidos em nome de Jesus, mas muito também se realizou em nome dele...

Hoje, várias Igrejas e denominações religiosas se dizem propagadoras da Boa Nova (evangelho) mas muitas usam a sua força e o pensamento de Jesus para tomar vantagem dos outros!

Sejamos honestos com nós mesmos... não posso colher abóboras se não semear abóboras! Isso parece claro, não é? Então por que insistimos em falar em nome de Jesus e não pregar o amor?

Assim, encerro essa mensagem de natal desejando que cada um de nós consiga semear o amor, para que consigamos colher mais amor, respeito e uma vida melhor!

Feliz Natal, e um Ano Novo repleto das alegrias e do Amor de Cristo, o Bom Pastor, que alias é uma figura muito lembrada pela Igreja Ortodoxa, e esquecida por nós!

Autor: Zacarias Ribeiro Lobo
Catequista Católico

“Resistir contra a violência para construir a esperança”

I. Bíblia:
Conceitos Gerais:
Origem da Palavra:
A palavra Bíblia, designa as Sagradas Escrituras, os textos consagrados pelos judeus como sagrados. Ela foi traduzida em 1685 línguas diferentes, antigamente somente existia em Grego, Aramaico e Hebraico. O chamado povo de Deus, é composto inicialmente dos povos descendentes de Abraão.  Abraão, vivia na cidade de Ur, na Mesopotânea, que ficava entre os rios Tigre e Eufrates (onde hoje fica o Iraque). Abraão e seus parentes, saíram da cidade de Ur e deslocaram-se para a cidade de Harã. Naquele tempo a mudança era feita com toda a descendência e todos os bens. O pai de Abraão era Taré. da cidade de Harã, Abraão e sua esposa, Saara, mudaram-se  para Hebron próximo ao lago da Galiléia.
A palavra Bíblia é de origem grega, e significa Biblioteca, ou seja, coleção de Livros. A nossa Bíblia é composta de 73 livros, que compõem o Cânon (Lista oficial de livros), sendo 46 do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. Entretanto, existem outras listas (Cânon) diferentes da nossa (Alexandrina), sendo que o Cânon Judaico (usado pelos protestantes e evangélicos) é um dos mais conhecidos, e tem 7 livros a menos que o cânon Alexandrino. O Cânon Judaico, rejeita todos os livros que justificassem a fé dos Sauduceus (conhecidos como doutores da Lei) e foi elaborado pelos Fariseus.
Forma que chegou até nós:
A Bíblia que chegou até os nossos dias é originária de cópias, originalmente escritas em pergaminhos ou papiros, que eram costurados um nos outros e enrolados (Cf. Lc 4, 17). A pessoa deveria procurar o texto que desejava e então le-lo. Mais tarde, no século XIII d.C. o Cardeal Estevão Langton, dividiu a Bíblia em capítulo, para facilitar a consulta e a procura de textos. Em 1528, o frade Sante Pagnine dividiu o Antigo Testamento em versículos e em 1550, o tipografo Robert Estevão dividiu o Novo Testamento em Versículos.
As Bíblias eram copiadas por Monges copistas, que muitas vezes alteravam o texto, valorizando pontos que iam ao encontro das doutrinas católicas.
Diferenças entre o Cânon Judaico e Cânon Alexandrino:
A diferença entre a Bíblia Católica e a Bíblia Protestante, é que a segunda segue a divisão bíblica hebraica. Nessa versão não existem os seguintes livros: Judite, Tobias, I e II Macabeus, Baruc, Eclesiástico (ou Ben Sirac ou Sirácida) e Sabedoria. Na Bíblia Católica esses livros são chamados de Deutero Canônicos, considerados canônicos após o concilio dos Judeus (século II d.C.). O cânon Hebraico foi definido pelos fariseus, e estes apenas consideraram Canônico, aqueles livros que justificavam as suas doutrinas (Cf. PCB-AT Sirácida, as raízes na tradição - Missiale, Antonino - EP-1993) e é marcado pelos textos escritos em aramaico ou hebraico.
O Cânon Septuaginta, ou Alexandrino, também conhecido como dos LXX (Setenta em números romanos), tem os livros escritos (traduzidos) em grego. O rei Ptolomeu II Filadelfo (285-287 A.C.) solicitou ao sumo Sacerdote Eliazar de Jerusalém o envio de sábios a fim de traduzirem os livros de Moisés para o grego. Eliazar mandou 72 varões que em 72 dias executaram a tarefa. Por causa dos 72 tradutores (simplificado em 70), fala-se até hoje da tradução dos setenta ou em latim "Septuaginta".
A versão Vulgata, foi traduzida para o Latim por São Jerônimo (350-420 d.C.) a partir do Cânon Alexandrino e é muito popular, divulgada como uma Bíblia de Oração (a versão da Bíblia Ave Maria é uma das que seguem essa versão).
Existem outras versões de menor importância, da Bíblia, tais como:
- Aquila  Século II d.C., Símaco Século II d.C., Teodocião Século II d.C., Aramaica Século II a.C. (falavam, mas só chegou depois de Cristo), Cópta Século III d.C., Gótico Século IV d.C., Georgicana Século V d.C.
Divisão da Bíblia:
A Bíblia se divide, primeiro em duas grandes partes, o Antigo Testamento e o Novo Testamento. O Antigo Testamento (não é velho – velho é algo que perdeu o valor ou a importância) mostra o povo antes do nascimento de Jesus. O Novo Testamento é sobre os relatos da vida de Jesus e as comunidades que vieram depois.
Depois, dividimos cada testamento (que tem como tradução do Aramaico aliança), em livros, conforme o autor (ou pseudo autor). Cada livro é dividido em capítulos e cada capítulo é dividido em versículo.
Para facilitar, criou-se uma nomenclatura, que é composta pelo nome do livro, seguido do capítulo e dos versículos, conforme podemos ver abaixo na Regra Geral:
As citações bíblicas são indicadas pela abreviatura do nome do livro, seguido por seu capítulo e versículo inicial e a indicação do capítulo e versículo em que termina o teto.
Nome do Livro: é indicado por 2 consoantes - Ex. Mt = Mateus.
Vírgula: separa capítulo de versículo - Ex. Mt 3,5.
Ponto: separa versículo não continuo - Ex. Mt 3,3.8.
Traço: separa versículos contínuos - Ex Mt 3, 3-8.
Ponto e Virgula: separa grupos  de capítulos e versículos ou livros - Ex. Mt 3,5; 23,7; Jr 5,2.
Letra "a" : Indica a primeira parte de um versículo - Ex. Mt 3,5a
Letra "b" : Indica a segunda parte de um versículo - Ex. Mt 3,5b
Letra "c" : Indica a terceira parte de um versículo - Ex. Mt 3,5c.
Letra "s": indica o versículo seguinte - Ex. Mt 3,5s.
Letras "ss.": Indica  versículos  seguintes, do indicado até o fim do capitulo. Ex. Mt 3,5ss.
Indicação Cf. - Conforme ou confira em ... - Ex. Cf. Mt 3,5.
Observe também que certas pessoas (ou comunidades) usam o símbolo :  no lugar da virgula. Então, a citação que usamos como exemplo, ficaria assim: Mt 3:5.
Divisão do novo testamento:
O Novo Testamento, representa mais ou menos 1/3 das Sagradas Escrituras, e é composto de 4 Evangelhos (Oficiais), Marcos, Mateus, Lucas e João, um Evangelho da Comunidade (Atos dos Apóstolos) um conjunto de 21 Cartas, das quais 14 são tidas como de Paulo, e 7 são chamadas de cartas Católicas (Universais) e um Apocalipse, que embora muitos achem que fala do fim do mundo, é na realidade um relato de amor e de fé, revelada por Deus aos Homens por meio de Jesus (Cf. Ap 1).

II. Introdução ao Evangelho de Mateus:
Por que é Sinótico?
Sinóticos é todo o texto que não é igual, mas tem um sentido similar. Os evangelhos sinóticos não são iguais entre si, existem diferenças marcantes mas, seguem o mesmo roteiro básico. Os evangelhos sinóticos são Marcos, Mateus e Lucas (na ordem cronológica provável).
Quais as fontes utilizadas pela comunidade de Mateus?
Os evangelhos de um modo geral, fizeram uso da mesma fonte, pequenas cartas escritas entre pessoas que conviveram com Jesus e traziam em seu conteúdo as palavras do Mestre. Essa fonte é chamada de fonte Q. Outra fonte, conforme alguns estudiosos é chamada de fonte S. Alem disso deve ter tido, ainda como fonte, o chamado Proto-Evangelho de Marcos (Primeira versão do Evangelho de Marcos).
Quem é Mateus?
No popular, Mateus seria um dos doze discípulos de Jesus, o cobrador de impostos que se torna seguidor de Jesus (Cf. Mc 2, 13-17; Mt 9, 9-13; Lc 5, 27-32). Dentro dos estudos do Evangelho de Mateus, o evangelho teria sido escrito por uma comunidade exilada na região da Síria.
Como sabemos que é uma Comunidade de judeus?
Pela estrutura dos escritos. No Evangelho de Mateus, Jesus é colocado como o “novo Moisés”, e o livro escrito de forma a ser a nova Lei (Pentateuco [Gn, Ex, Dt, Lv e Nm]) e nos leva ao caminho do Novo Êxodo. O livro de Mateus procura colocar todos os temas como sendo judaicos. Por isso a anunciação se dá a José e não a Maria, como ocorre na anunciação do evangelho de Lucas pois esse escreve para uma comunidade de gentios (não judeus).
Qual a “face” do Jesus de Mateus?
Mateus nos coloca o Jesus presente, é o Deus conosco (Emanuel), sempre presente na vida do dia a dia. Lembra a teofânia do Antigo Testamento, quando Deus caminhava junto com o povo na saída do Egito.
Pentecostes e Assunção?
No livro de Mateus, Jesus não “entrega o Espírito Santo” aos discípulos, pois permanece com eles (e conosco – Emanuel) até o fim dos tempos. Assim sendo, não fala de assunção ou de pentecostes.
Como é a Comunidade de Mateus?
Aparentemente a comunidade de Mateus é composta de judeus que tornaram-se cristãos, e por isso foram expulsos das sinagogas. Vivem como estrangeiros em terras pagãs. São pobres, sem terra ou emprego, e vivem sob o estigma da fuga. Após a guerra Judaico Romana (64 a 70) que culminou com a destruição do Templo de Jerusalém, e a destruição da cultura judaica (desapareceram vários grupos importantes, como os sacerdotes, doutores da lei, levitas e essenios), sobrando basicamente os fariseus, que comandavam as sinagogas. Para os fariseus, a queda do judaísmo está diretamente ligada a sua benevolência para com os cristãos, em especial os helenistas (de origem grega), por serem mais brandos na interpretação da Lei.
A religiosidade judaica saiu do Templo para a Sinagoga. Os cristãos, inicialmente, viviam sua fé na Sinagoga, mas com a guerra e a perseguição contra os cristãos (especialmente os helenistas – que tem a cultura grega) passaram a vive-la nas casas.
Poucos estudos se preocuparam em mostrar a situação aproximada das comunidades, as quais o Evangelho se destinava. Essa omissão dificulta a compreensão do próprio evangelho e pode passar a idéia de que o escrito caiu do céu. Todavia, se tentarmos, ainda que timidamente, levantar algumas dificuldades e conflitos dessas comunidades, então o texto adquire nova luz e passa a falar face a face com as pessoas de ontem e de hoje. Quais teriam sido os maiores problemas? Eis algumas indicações  de como eram os cristãos das comunidades de Mateus:
- Migrantes: As comunidades de Mateus eram compostas de judeus migrantes. Pouco antes do ano 70, quando o general Tito arrasou Jerusalém e o Templo, muitos judeus abandonaram Jerusalém (e a Judéia), migrando para o Norte. Alguns grupos foram parar nas redondezas de Pela, na Decápole, do outro lado do Jordão, território pagão. Outros se afastaram ainda mais, indo estabelecer-se no limite norte da Galiléia, fixando-se na Siro-Fenícia (território pagão); outros ainda foram alem, refugiando-se nos arredores de Antioquia da  Síria. Esses grupos migraram  pelos mesmos motivos que hoje muitos povos abandonam sua terra natal, pelo fato de terem perdido a sua terra, em busca de trabalho, e melhores condições de vida. Acrescentam-se ao caso das comunidades de Mateus, as dificuldades econômicas decorrentes da pressão do império Romano e o medo de morrer diante da iminente destruição de Jerusalém.
Os judeus que migraram para a Siro-Fenícia e a região da Antioquia da Síria começaram a formar as comunidades às quais pouco mais de 10 anos após a sua instalação, é dirigido aquele que conhecemos como o Evangelho de Mateus (escrito após o ano 80). Certamente essa comunidade já conheciam o evangelho de Marcos, mas, para eles, Jesus deveria ter um rosto próprio. Buscavam um Jesus encarnado no mundo da migração, seus conflitos e esperanças. De fato Mateus é o único evangelista a mostrar desde o inicio, um Jesus migrante (2, 13-23), aquele que inicia nova história e novo êxodo. A fuga para o Egito e o retorno de lá recordam as comunidades de Mateus em suas andanças  pela sobrevivência.
- Sem Terras: Migração e falta de terra são duas realidades que freqüentemente se cruzam. E no caso da comunidade de Mateus, não foi diferente. Rasteando-se os textos próprios da comunidade, podemos ter uma visão rápida de como viviam esses cristãos migrantes. A preocupação pela terra, ocupa espaço importante, sobre tudo nas bem-aventuranças (5,1-12) e na parábola dos trabalhadores da vinha (20, 1-16).
As bem-aventuranças tem como contexto próximo uma montanha à qual Jesus sobe  com os discípulos. Mas num circulo  mais amplo é seguido por multidões de pessoas. Sua fama chegou a Síria (4,24a; é a região em que se instalaram as comunidades de Mateus), e entre os que o seguem há gente de Jerusalém e da Judéia (4,25; lugar de onde saíram como migrantes) e também da Decápole e do outro lado do rio Jordão (4,25; lugar para onde migraram muitos judeus cristãos). Mateus pôs entre os ouvintes das bem-aventuranças também as comunidades dele. Por trás das bem-aventuranças, portanto, temos um retrato da situação social das comunidades migrantes de onde nasceu o Evangelho de Mateus.
Para compor esse retrato, tomemos a primeira e a oitava bem-aventuranças: “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu”; “Felizes os que são perseguidos por causa da  justiça, porque deles é o Reino do Céu” (5,3.10). As comunidades de Mateus são compostas de pobres e de perseguidos por causa da justiça. Inútil pôr panos quentes na expressão “pobres de espirito”, como por exemplo, se um latifundiário pudesse estar entre eles (são “pobres EM espírito” e “não pobres DE espírito” - o termo quer dizer, pessoas sem apego material). Por trás da expressão “pobres em espírito” está a palavra hebraica ‘anawim, que quer dizer economicamente empobrecido. As duas bem-aventuranças formam uma unidade por terem a mesma conclusão: o Reino do Céu é deles (no presente e não no futuro, pois a perspectiva não é escatológica, mas sim colocar o Reino do Céu, aqui na Terra, e hoje). De forma que podemos unir as duas numa só: “Felizes os pobres em espírito e os perseguidos por causa da justiça, por que deles é o Reino do Céu”.
Isso não quer dizer que os pobres da comunidade de Mateus estivessem felizes por estarem na miséria. Eles são pobres, que amam a justiça e lutam por ela. E por quererem uma sociedade justa é que são perseguidos. Jesus lhes garante que Deus não fica indiferente à luta deles. Pelo contrario, o Reino esta sendo forjado a partir disso. Sua fome e sede de justiça  (Quarta bem-aventurança, 5,6) serão saciadas  quando o Reino que lhes foi dado, se manifestar em todo o seu vigor. Em síntese, o Reino pode ser traduzido como a ausência de injustiças, a eliminação total delas.
A segunda e a terceira bem-aventuranças são muito importantes para o perfil das comunidades de Mateus: Felizes os aflitos, porque serão consolados”; “Felizes os mansos, pois possuirão a Terra” (5,4-5). Ambas estão ligadas ao salmo 37, que é basicamente um salmo da luta pela terra (Cf. Sl 37, 3.9.22.29.34). Esses aflitos e mansos, são os sem-terra do tempo de Jesus, e os sem terra da comunidade de Mateus, que viviam nas regiões da Siro-Fenícia e da Síria. Eram migrantes sem-terra. Portanto as palavras mansos e aflitos, pode ser colocadas como afligidos e despossuídos. Afligidos por serem migrantes que sonham ter um pedaço de terra; despossuidos  por ainda não terem  (ou por terem perdido) uma terra onde morar. O Sl 37, 11 é dedicado aos injustamente despossuídos (e que tem outros contatos  com várias dessas bem-aventuranças). O salmo se reza no contexto da partilha ideal da terra (Js 12-21) e do injusto açambarcamento.
A quinta, sexta e sétima bem-aventurança (5,7-9) mostram que as comunidades de Mateus tem outras características bonitas: são solidárias entre elas (misericordiosos), mantêm firmes o ideal de justiça (puros de coração) e sonham com uma sociedade em que haja vida, bem estar para todos (promoção da paz/Shalom). Não obstante os conflitos, pobreza, aflição, amansamento (ou seja todas as formas de exclusão), essas comunidades sabem se ajudar solidariamente enquanto sonham e geram o novo, a promoção da paz/Shalom.
- Desempregados: Se não tinham terra para trabalhar, como viviam esses migrantes afligidos e despossuidos? A parábola de 20,1-16 nos ajuda a entender o fenômeno. Mas é preciso entender que Jesus contou as parábolas olhando a realidade do povo.
A parábola mostra uma realidade cruel: de um lado o latifúndio; do outro o desemprego. O latifúndio aparece por trás da preocupação do patrão que vai cinco vezes na praça para encontrar trabalhadores.
Entender como o povo de Israel chegou ao latifúndio, não é fácil, mesmo porque eles “dividiram a terra” entre as tribos de Israel. Concluímos que o processo de latifúndio foi lento e complicado. Aqui é suficiente constar a dura realidade: todo judeu sonhava em ter um pedaço de terra para plantar e viver, e esse ideal foi abortado. Terra era (e ainda é) sinônimo de vida. Acontece que a ganância tomou conta de tudo, e o que se constata na parábola é o seguinte: muita gente perdeu a terra e migrou para as cidades maiores à procura de trabalho (é sem dúvida o caso das comunidades de Mateus, que migraram da Judéia para a Siro-Fenícia e a Síria). Numa sociedade rural e artesanal como a daquele tempo, restava a esses desempregados uma só saída: fazer bicos nas lavouras dos latifundiários em época de colheita. Tornaram-se trabalhadores sazonais.
Notemos um detalhe na parábola. O patrão pergunta ao ultimo grupo de pessoas que encontra (o das 17 horas): “Por que vocês estão ai o dia inteiro desocupados?” (V.6). E a resposta é muito clara: “Porque ninguém nos contratou.” (V. 7). Desocupados, e não contratados. Eis a situação de muitas pessoas das comunidades de Mateus. Não estavam desocupados por capricho, nem nasceram decididos a não trabalhar, com vocação para a vadiagem. Não. Eram migrantes, sem terra, trabalhadores que inchavam a praça da cidade à espera de alguém que lhes desse algo para fazer...
Perseguidos: O tema da perseguição aparece com certa freqüência em Mateus. Da  origem dessas perseguições,  podemos identificar pelo menos dois focos. O primeiro já está esboçado, é a situação dos migrantes, sem terra e sem trabalho. A luta pela sobrevivência e a esperança de um mundo igual não os deixa morrer a mingua. Lutam, resistem, organizam-se e incomodam. Claro, os grupos sociais que pautam sua vida pela concentração tem duas preocupações, a primeira é ter cada vez mais. A segunda é preservar a riqueza que vai sendo acumulada. Os meios para se conseguir isso são a exploração, para ter mais e a violência para defender o que foi ajuntado. E ai surgem os conflitos. Voltemos às bem-aventuranças (5,1-12). Elas tem como pano de fundo o Sl 37 (o salmo dos sem terra). Por trás de cada uma delas nota-se um foco de tensão que às vezes explode num conflito; pobres, afligidos, despossuidos, famintos e sedentos de justiça, perseguidos  por causa da justiça, caluniados por causa de Jesus. Essas coisas vem da realidade hostil em que vivem como migrantes, sem terra e desempregados. Além disso deve-se supor a ganância do império romano, a indiferença ou hostilidade das pessoas do lugar (Sirio-Fenícia e Síria), como costuma acontecer  em relação a estrangeiros.
O outro foco de perseguição vem da parte das lideranças judaicas. Não nos esqueçamos de que as comunidades de Mateus compunham-se de judeus. Após a destruição do Templo e da cidade de Jerusalém pelos romanos (ano 70), o Judaísmo oficial tenta se manter de pé sobretudo graças aos esforços das lideranças (entre elas os fariseus e doutores da Lei). Os cristãos das comunidades de Mateus passam a ser vistos como inimigos e, aos poucos, são perseguidos (esse tema aparece fortemente no evangelho de João, escrito depois de Mateus).
Percorrendo Mateus, encontramos  várias referencias a esse tema (cf. Por exemplo 10, 16 ss.), mas é no capítulo 23 que estão condensados os 7 “ais” contra os fariseus e doutores da Lei, pilares do Judaísmo oficial (o ultimo desses “ais” fala do assassinato dos profetas). Os cristãos das comunidades de Mateus se interrogam a respeito disso, pois a situação é dramática. Alem de estrangeiros, despossuidos e sem ocupação fixa, são perseguidos exatamente pelos de sua raça, por causa de um judeu chamado Jesus. Estariam enganados? Estariam seguindo a pessoa errada? Seria Jesus de fato, o Messias? Vale a pena ficar com Ele?
Uma das preocupações de Mateus é ir ao encontro dessas questões. Entende-se então por que esse evangelho inicia-se com a genealogia (1,1-16)[1] que tem dois pilares importantes: Abraão, a quem foram feitas as promessas, e Davi, o rei ao qual foi  prometido um herdeiro no trono, para sempre. Além disso, Mateus é o único a mostrar insistentemente que Jesus cumpre as promessas (cf.1,22; 2,5-6.15.17-18.23; 4,14-16).
Desanimados, fechados, preocupados com o fim:   Evidentemente o desânimo tomava conta das comunidades. De fato, os migrantes, sem-terra, sem trabalho e perseguidos precisam de ânimo redobrado para conservar as esperanças e cultivar as utopias. O evangelho de Mateus torna-se então uma espécie de reserva de energias e de resistência contra todos esses obstáculos. Cá e lá são lançadas sementes na esperança. Nesse contexto as parábolas de Mateus funcionam como fogo que aquece e alumia (13,1-9.24-30.31-32.33.44.45-46). Lida com esse enfoque, a parábola do semeador, toma um sentido novo. Muitas das sementes são perdidas, à beira do caminho, entre as pedras, entre os espinhos... dando uma idéia de que o trabalho é inútil, que o Evangelho é uma semente perdida... mas o desfecho da parábola, com a semente que cai em solo bom, produz muito mais que as melhores expectativas do agricultor da época, produzindo cem, sessenta e trinta, percentagens que jamais seriam alcançadas  nos terrenos acidentados da Palestina. A luta, portanto, vale a pena e será bem sucedida.
Outra questão dizia respeito ao fechamento da comunidade, uma tendência de imitar aos essenios (ver os pergaminhos do Mar Morto) e os próprios fariseus. Ser solidário, não significa fechar-se num circuito, em relações sem risco, sem se contaminar com o mundo exterior. Só que os cristãos não deveriam ser fechados ao mundo, mesmo sendo perseguidos, desanimados, e sem perspectivas de melhora até mesmo no campo do trabalho, deveriam estar abertos ao que há de bom nas outras realidades e culturas, vendo o mundo não como algo mau, capaz de poluir e contaminar. Ao longo desse evangelho encontramos Jesus que não se restringe aos judeus, pelo contrario. É o que pode constatar do inicio ao fim: as primeiras pessoas que vem lhe visitar e render graças, são os reis magos (pagãos), e o evangelho termina com uma determinação, uma ordem bem clara: “Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos...” (28,19). O Jesus de Mateus impele as comunidades a se relacionar positivamente  com o mundo,  a não ter medo do diferente. É o que pode notar, por exemplo nos milagres dos capítulos 8 e 9, quando Jesus atende a todos, não crê no risco de se contaminar em contato com os pagãos. O mesmo pode-se dizer da mulher cananeia (15,21-28), uma conterrânea das comunidades de Mateus: com sua fé e esperteza consegue dobrar a Jesus e seus discípulos, que nesse episódio, se mostram muito fechados em seu mundo e sua raça.
E finalmente temos as preocupações com o fim dos tempos. Eles ficavam preocupados com o fim dos tempos, achando que a volta de Jesus seria muito em breve. E essa expectativa, paralisa as comunidades. Pois se o fim e iminente, para que eu preciso trabalhar? Nós, não precisamos nos preocupar com o quando o mundo vai terminar, apenas devemos ter uma visão de que o Reino de Deus deve ser implantado na Terra. Mateus se preocupa pacientemente em iluminar essas questões, mas não para responder quando e como, o que seria impossível. Sua visão é positiva e estimula as comunidades a se empenharem criativamente até o final dos tempos. É disso que fala a parábola das 10 moças (25,1-13) e a dos talentos (vv. 14-30), próprias de Mateus. Para reforçar essa idéia, mostra que o desfecho de tudo (juízo final, ou dia de Javé) terá como critério de julgamento a prática da justiça, característica de Jesus nesse evangelho, e mística das comunidades de Mateus (cf. 25, 46 b - “Os justos irão para a vida eterna”).
Divisão do livro: 
O livro de Mateus divide-se em 5 livrinhos (lembrando o Pentateuco). Esses livrinhos são divididos em duas partes, uma parte que é narrativa e a outra é um discurso.
Com a chave da justiça, até mesmo os textos aparentemente menos importantes, tomam uma nova luz. É o caso, por exemplo, da genealogia (1,1-16). São possíveis muitos enfoques, por exemplo como Abraão e Davi estão relacionados com a justiça, o que representava a justiça para eles, etc. Chama a atenção de várias mulheres: Tamar, Raab, Rute, Betsabéia (mulher de Urias). Todas estrangeiras (como as comunidades de Mateus, hostilizadas na terra estrangeira, por causa da fome e sede de justiça). Mas todas elas, ao seu modo estiveram comprometidas com a causa da justiça. Mateus minimiza a “moralidade” delas (Tamar fingiu-se de prostituta [Gn]; Raab, o era; Rute arriscou tudo indo a eira de Booz; Betsabéia, foi violentada por Davi [o rei Davi, determinou que o marido dela, Urias, fosse para a guerra, e que de lá nunca voltasse, para que ele pudesse ficar com a mulher dele]) para salientar o seu compromisso e sua luta com a justiça. Jesus, garante Mateus, poderia sentir-se orgulhoso de ter tais mulheres entre os seus antepassados. Supera-se pois, aquela visão antiga de ver essas mulheres como pecadoras. São, isso sim, amantes da justiça. A luz dessas mulheres comprometidas com a justiça vê-se melhor a coragem e a ousadia da mulher cananéia (15,21-28).
 






Narrativa

Discurso

19-23 -  O Reino é para todos
24-25 - O julgamento destroi a sociedade injusta.
13,53-17,27  O seguimento do Mestre da Justiça.
18  A justiça do Reino.
11-12  A Justiça do Reino entra em choque.
13, 1-52  Parábolas - A justiça do Reino vai vencer.
8-9  A justiça do Reino produz sinais concretos (Os milagres).
10  Os colaboradores para a justiça do Reino.
3-4  Com Jesus, o Reino chegou.
5-7   O Reino é a Justiça que Liberta.
Introdução: 1-2
Jesus é o Rei que vai fazer justiça.
A violência hoje e a lição do Evangelho de Mateus:
O povo que compunha as comunidades de Mateus nos legou algo importante, a lembrança que Jesus está vivo e nosso meio (Cf. Mt 28, 16-20) e por isso nós não podemos desistir da luta (Cf. Mt 20, 7-8).
Ninguém fala que a vida é fácil, pelo contrário, é difícil mas devemos permitir que Jesus permeie a nossa vida e permita que implantemos o reino (Cf. Mt 5, 3.10) com um coração pobre e justo.
A violência de hoje é igual a violência dos anos 80-100, decorrente de injustiças econômicas, preconceitos e ganância, por isso, devemos olhar o evangelho com os olhos da justiça e o coração cheio de fé.
Por isso, nós somos convidados a semear o reino na nossa vida e na nossa sociedade. Mas onde nós o semeamos? Será que é na beira do caminho? Entre as pedras? Entre os espinhos? Ou em solo bom? Onde sou cristão?
As perguntas indagam a nossa postura, pelo batismo, somos propriedade de Cristo (cristãos) e assim sendo, devemos semear o reino em todos os locais, não como fanáticos, que respiram a religião, mas como seres humanos, que cometem erros, mas por serem criados a imagem e semelhança de Deus, também são santos.
Acabar com a violência é uma utopia (sonho) que não vamos resolver enchendo os presídios, mas semeando o amor!
Viver bem as bem-aventuranças:
O Sermão da Montanha (Mt 5-7) é o centro do evangelho de Mateus, algo como um resumo e inicia-se com as bem-aventuranças (5, 3-12), que são ao mesmo tempo roteiro para se implantar o Reino de Deus e um novo modo de se encarar a vida, rompendo com o conformismo e a alienação.
A bem-aventurança é traduzida como caminho e fonte de felicidade. O bem-aventurado é aquele que consegue romper com a sociedade injusta.
Quando o Homem realmente conseguir viver e implantar as Bem-aventuranças, o Reino de Deus ira “descer” para a Terra (Cf. Ap 21) e cabe a cada cristão colaborar com essa missão.
As relações de Trabalho:
Nós costumamos ver as nossas relações de forma isolada e independente. Procuro o meu bem, sem me preocupar com o irmão. A parábola dos trabalhadores da vinha (Cf. Mt 20, 1-16) reflete essa situação, que muitas vezes repetimos no nosso dia a dia.
Quando eu estou trabalhando, me preocupo com os que procuram emprego (fora os membros da minha família)? Ou simplesmente procuro levar vantagem sobre o patrão? Ora, os trabalhadores da parábola foram contratados, cada grupo em um horário, e com uma promessa (exceto o último).
O primeiro grupo, contratado de madrugada, combinou com o patrão o salário de um dia. Os outros três grupos (9:00, 12:00 e 15:00 horas) ele prometeu pagar o que fosse justo. Ao último grupo, após certificar-se que não eram acomodados (“por que estão ai parados?” – Cf. Mt 20, 6b) manda-os para a vinha, sem nenhuma promessa.
Os primeiros, ao receberem o salário combinado reclamaram, chamando o patrão de injusto, pois eles se achavam no direito de ter vantagens, mesmo sem ter feito nada para merece-la. E nós, nos nossos empregos e trabalhos, inclusive pastorais, não agimos assim também?
O Perdão no Evangelho de Mateus:
Duas passagens de Mateus são muito importantes para nós, ao buscarmos o fim da violência na sua raiz e ambas tem ligação com o perdão. A oração do pai-nosso (Mt 6, 9-15) Jesus nos ensina a formula “mágica” da paz e do amor, o perdão. Mas nem assim, expressando-se de forma direta nós conseguimos (ou queremos) compreender. Vamos ver o exemplo de Pedro (achando que iria arrasar) pergunta a Jesus quantas vezes devemos perdoar, e imediatamente já dá a resposta, sete, uma vez que os doutores da Lei mandavam perdoar três vezes. Jesus mostra a nossa pequinitude e manda perdoar infinitas vezes (7 vezes 70 = 7 x 7 x 10) e assim quebra o rancor, a violência  e a vingança, semeada desde o código de Hamurabe ou Talião (olho por olho, dente por dente). Perdoar, não é esquecer, é apenas não desejar vingança e não querer mau. O perdão vai nos levar a justiça pois perdoando se é perdoado.
Os conflitos entre o puro e o impuro:
Os conflitos de Jesus com a sociedade judaica é marcado pela situação de dualidade, a separação entre o puro e o impuro. Toda a sociedade judaica baseava-se em 613 preceitos, que iam desde o guardar o sábado, até a forma de se lavar as mãos. Jesus rompe essa situação, mostrando que Deus é amor e assim perdoa, sem nenhum tipo de obrigação. Mas sem nunca esquecer o nosso passado (Cf. Mt 9, 1-8). Para os judeus, o único que pode curar é Deus, e isso ocorre pelo perdão dos pecados. Quando Jesus perdoa o sofrido aleijado,  os magistrados reclamam (sentem que podem perder o poder). Para provar que eles estão errados, Jesus manda ao sofrido paralítico, levanta-te e vá para a casa, mas o lembra, tome a tua cama (não esqueça que foi paralítico, que teve um passado).
Jesus não para ai, o conflito social e religioso é mais profundo, chega e diz diretamente ao povo o que é impuro são as nossas atitudes e palavras, não os nossos alimentos. Isso quer nos dizer que a vida é superior a Lei e é pela vida que daremos testemunho de Deus.
A Escolha:
Qual o caminho que vamos escolher? Servir a Deus ou aos Homens? Semear justiça, paz e amor ou injustiça, discórdia, rancor e ódio?
Mateus nos mostra  o rosto de Jesus, o Emanuel, o Deus conosco, que caminha ao nosso lado, mas nos dá o direito de escolher a vida ou a morte. E qual é a escolha da nossa comunidade? Será que ela já se abriu ou permanece fechada em si, julgando pelo seu próprio critério tudo aquilo que ela acha certo ou errado?
Sociedade Justa:
Uma sociedade justa, sem perseguições, sem rancor ou ódio, é uma utopia, um sonho, mas que podemos plantar. Basta para tanto respeito e amor. Faça ao irmão aquilo que você deseja para ti, nada mais (Cf. Mt 7, 12). Assim, vamos fazer essa utopia virar realidade, sem injustiçados e perseguidos...

Bibliografia:
Revista Vida Pastoral Ano XL  número 204 - Janeiro/Fevereiro 1999
O Evangelho de Mateus  e a Justiça do Reino
Pe. José Bortolini.
                              
Como Ler os Evangelhos
Paulus - Félix Moracho - Série “Como Ler...”

Bíblia Sagrada - Pastoral/TEB/Ave Maria/Peregrino/Jerusalém.




[1]  Por iniciar-se com a genealogia de Jesus, o Evangelista Mateus, é representado por um Homem.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Estudo Bíblico:






1.Introdução:
Antes de iniciarmos é preciso estudar o que é que buscamos através do Estudo Bíblico. Ele deve ser um meio de estudar e descobrir o que Deus quer nos dizer por meio da Palavra, e ao mesmo tempo não permitir que usemos essa mesma Palavra para justificar a nossa idéia ou ação.
A Palavra de Deus é fonte inesgotável de sabedoria, por isso, podemos passar a vida toda estudando um único versículo, e mesmo assim não chegar a um consenso.
Assim, devemos nos aproveitar do Magistério (Tradição) da Igreja e mesmo das fontes seculares (sociedade) para ilustrar e auxiliar o nosso estudo. Dessa forma o estudo bíblico nos ajuda a compreender melhor o que Deus nos fala, permitindo que tenhamos mais facilidade na transmissão do conteúdo (Ecoar = Catequizar).
Buscando essa perfeição, devemos escolher os textos e estudá-los com todo o carinho e amor, levando em conta vários pontos, entre eles, os textos paralelos e complementares, religiosos e seculares.
O estudo bíblico não pode ficar preso e amarrado numa visão simplória e simplista[1] amarrada e congelada dentro da Igreja, mas deve ser levada a vida.
Assim a pessoa que esta sempre realizando Estudo Bíblico, como os catequistas, precisam estar constantemente se instruindo e atualizando. A escolha do texto que irá trabalhar, deve levar em conta a idade de quem irá receber a mensagem e seu contexto social, pois um texto aparentemente ótimo para determinado tema, entra em conflito com a realidade vivida pelos catequizandos[2].

2.Os textos:
2.1.                 O que buscamos nos textos?
Todas as pessoas que buscam a Palavra[3] de Deus desejam algo dela, seja conforto espiritual, seja paz de espírito. Ao buscar o Sagrado, todos os seres humanos, buscam algo especial. Mas o que o catequista deve buscar no texto bíblico? Deve buscar algo que possa ecoar[4] (levar aos outros) através de suas próprias palavras e de sua vida. A Boa Nova proclamada pelo catequista deve obrigatoriamente ser vivida em sua vida. Não adianta pregar uma coisa e na prática  viver outra (Cf. Mt 7,3-5 – Cisco no olho do irmão).
Portanto a missão da Catequese é ecoar a Palavra, não com palavras mas com ações, pois é exatamente ai que ela frutifica (Cf. Tg 2,24 – O Homem é salvo pela obras e não somente pela fé).

 
2.2.                 Gênero Literário:
Para se poder entender e viver a Boa Nova, não basta ter boa vontade e nem mesmo decorar a Palavra, virgula por virgula. É necessário entende-la. Ai entram os gêneros literários, que são as formas pelas quais os autores (pessoas como nós) escreveram a Palavra de Deus (não como a tradição muçulmana, que coloca o Anjo Gabriel ditando diretamente as Palavras de Deus no ouvido do profeta islâmico Maomé, e este ditava a sua esposa que escrevia o Al Corão[5], mas vivida no dia a dia, aproveitando as experiências humanas).
Assim temos vários tipos de linguagem ou gênero literário que figuram nas Sagradas Escrituras. Vamos “estudar” algumas dessas formas de escrita, de forma bem leve, quem se interessar por esse assunto, pode entre outros locais, encontrar informações na introdução dos livros da Bíblia.
Pentateuco: É comum encontrar quatro formas ou padrões: Javista (J) onde o nome utilizado para Deus é Javé/Jeová[6] (YHWH). Seu modo de descrever os fatos é cheio de imagens e comparações. Por exemplo Ex 19, 16-25. Elóista (E): datada do século IX a.C. e provem do reino do Norte. Essa tradição  trata o nome de DEUS como Eloim. Usa menos imagens que o Javista. O Elóista deu mais importância  ao primitivo Israel como uma comunidade Obrigada religiosa e eticamente (comportamento) pelo pacto (ou aliança) com Javé. Menos ligada à monarquia. Por exemplo: Ex 24,8. Deuteronomista (D): Século VIII a.C.. Descobre-se essa tradição em textos que recordam ao povo que ele foi escravo no Egito. O livro do Deuteronônomio começa por uma segunda narração  da lei dada por Moisés. Não confundir a tradição Deuteronomista com o livro do Deuteronômio. Nesse livro descobre-se as características dessas tradições (D). Por Exemplo Dt. 13,11. Sacerdotal (P) - Priester - data da época  do exílio - desde o Genises até Números encontramos trechos dessa tradição. Por exemplo Ex 12; 13,16 (páscoa Israelita).
Antigo Testamento:  É muito presente no Antigo Testamento[7], incluindo o Pentateuco, alguns gêneros, como Contos – relatos, muitas vezes fantasiosos, que nos enviam a uma mensagem verdadeira; Canções – alem dos Salmos temos vários cantos de louvor, agradecimento, etc.; Epopéia – relata de forma grandiosa um acontecimento, de forma a valorizar a ação ou o herói, pois a ação vem sempre de Deus; Profecias e Oráculos – são pregações, normalmente negativas, realizadas pelos profetas e agentes que falavam em nome de Deus, mesmo não sendo identificados como tais; Anais Históricos – A história mais ou menos “real”, ligeiramente misturada com a teologia, ou com as manifestações religiosas.
Novo Testamento:   O Novo Testamento tem um tipo de gênero literário especifico, conhecido como Mashel. O gênero literário dos Evangelhos, é sempre voltado para a nossa salvação. Dentro dos Evangelhos, temos vários estilos literários diferentes.
Parábolas:  Pode ser de Comparação por imagens, Comparação com uma idéia só (parábolas comparativas). As Parábolas não são em hipótese alguma uma alegoria, a sua finalidade é sempre suscitar o discernimento, a opinião própria. Toda parábola fala de Ordem, Misericórdia do Pai, Mistério de Jesus.
Evangelhos: Mostram a “vida de Jesus” olhando pela lente teológica da comunidade.
Atos dos Apóstolos: História das comunidades primitivas, olhado não pelos olhos do historiador, mas do CRISTÃO LUCAS (Cf. At 1).
Cartas ou Epistolas: São documentos dirigidos a uma ou mais pessoas da comunidade como as nossas cartas modernas.
Apocalipse: Texto com grande número de figuras e simbolismos, mas não é exclusividade do Livro do Apocalipse mas surge como gênero literário (Apocalíptica) e figura em vários textos, tanto do Novo Testamento como do Antigo Testamento.
Cada um desses exemplos podem ser subdivididos em outras classes mais especificas, o que facilita a sua analise. Vamos ver alguns:
Parábolas: São contos com uma mensagem embutida. Podem ser comparativas, descritivas, de cunho moral, etc.
Cartas: Dentro do texto podemos encontrar cartas com destinatários definidos, com corpo, saudação, despedida, etc.
Narrativas: podemos encontrar a narrativa de um fato ou conjunto de fatos.
Discurso: quando alguém (Jesus, Pedro, Paulo, etc.) falam a multidão.
Diálogo: Quando duas pessoas conversam.
Alem disso, dentro de um texto ou livro, podemos encontrar mais de um gênero literário. No Apocalipse, por exemplo, encontramos cartas, completas com todas as partes.
Para conhecer o livro que estamos trabalhando e extrair dele o máximo possível de informações, devemos lançar mão de algumas ferramentas, como a introdução dos livros, as notas de roda-pé, e até mesmo outras publicações.

2.3.                 A data do Escrito:
Novamente recomendo que seja feita uma pesquisa nas notas de introdução do livro que esta sendo estudado, e se possível em bíblias de tradição diferentes (CNBB, Pastoral, TEB, Peregrino, Almeida, etc.) e sempre que possível em literatura especializada.
Mas às vezes vamos nos perguntar para que saber sobre a data do escrito? A resposta é relativamente simples, podendo fixar a data, podemos ver a situação social do grupo, muitos dos conflitos e da própria mensagem do texto esta escondido dentro da história dos destinatários, que foram pessoas históricas, que andaram, viveram, comeram e beberam como nós, por isso entendendo quando e qual a situação podemos ver melhor a mensagem.

2.4.                 O autor:
Pode parecer assombroso para quem nunca pensou nisso, mas não sabemos quem escreveu nem 5% das Sagradas Escrituras. Você pode ate falar que quem escreveu o Evangelho de Mateus, por exemplo, foi o Publicano Mateus (Cf. Mt 10,3; Lc 5, 27), mas isso não pode ser confirmado, uma vez que ele não assinou o escrito!
Vamos brincar um pouco? Quem escreveu o livro do Apocalipse? E quem escreveu o Evangelho de Marcos?
Nossa resposta imediata é João, para alguns o Discípulo amado, para outros João Evangelista (que pela tradição seria o mesmo), portanto, o mesmo escritor do Quarto Evangelho e três cartas, alem do próprio Apocalipse. Quanto ao Evangelho de Marcos, foi escrito pelo discípulo de Jesus, chamado Marcos. Correto?
A principio não!
De acordo com algumas correntes teológicas, o Evangelho de Marcos, que alias não era discípulo de Jesus, deveria-se chamar Evangelho de Pedro, uma vez que este teria ditado a João Marcos, seu secretário, o “Proto-Evangelho de Marcos”[8], sendo que esse Marcos seria o mesmo que acompanhou Paulo e Barnabé em sua primeira viagem missionária.
Quanto ao Apocalipse, sem sombra de dúvida, o autor é João, pois ele mesmo assinou a sua obra (Cf. Ap 1,1-2.4.9; 4,1; 22,8), mas daí para afirmar ou concluir que é o mesmo autor das cartas e do Evangelho existe um enorme abismo.
Alem disso existe a possibilidade de João, o discípulo de Jesus, ter sido martirizado em 64 d.C., o Evangelho foi escrito por volta do ano 90 d.C. e o Apocalipse por volta do ano 95 d.C..

2.5.                 Os Destinatários:
São as pessoas que, a principio, receberam o texto, conhece-los ajuda-nos a entender melhor os conflitos e os problemas  vividos no texto. Como exemplo, vamos tomar o Evangelho de Mateus. Sua estrutura básica é em cinco livros; Jesus esta sempre a  caminho; inicia-se com a genealogia. Por não ser um trabalho teológico, acredito que estes pontos já ajudam a entender para quem foi escrito o texto. 
Mateus é um evangelho escrito para uma comunidade da diáspora (fora de Jerusalém), composta de cristãos-judeus. Por isso, os cinco livros (complementos da Lei [Pentateuco]), Jesus é colocado a caminho, desde o nascimento, em constante  fuga e andando como as comunidades, que foram obrigadas a fugir e inicia-se com a genealogia, valorizando Davi e Abraão, pela pessoa de José, e mal cita a presença de Maria, mãe do Senhor, e esse ponto se opõem ao texto de Lucas, pois o segundo escrevia para comunidades de Cristãos de origem pagã.

3. A História:
Precisamos conhecer o mínimo sobre a história da qual estamos estudando. Essa história envolve a cultura, a ciência e a sociedade da época.

3.1.                 Conflitos:
Pode parecer estranho começarmos a estudar a história de um texto bíblico por seus conflitos, mas temos um motivo.
Jesus foi morto em decorrência de um conflito de interesses. A comunidade primitiva rompe com o judaísmo em decorrência de um conflito. Todas as comunidades e grupos, até nos nossos dias, vivem em constantes conflitos, pois o conflito é essencial ao crescimento humano.
Identificar o conflito, seja na comunidade, seja na proposta catequética, faz com que possamos escolher os textos que nos levam a atender as nossas necessidades catequéticas.
O conflito nem sempre é negativo, ele é uma colocação de idéias diferentes.

3.2.                 Posição Política:
Da mesma forma que o conflito é algo presente no dia a dia do ser humano, a política também o é. As relações políticas nascem com o ser humano e morrem com ele, apenas variam de intensidade e forma.
Portanto, para poder se conhecer melhor o texto, devemos buscar as relações políticas presentes no contexto social estudado.

3.3.                 Riscos:
Conhecendo a sociedade, a política e os conflitos, vamos estudar os riscos envolvidos na situação estudada.
Através do estudo dos riscos, podemos nos aprofundar mais nas relações inter-humanas e sociais, reconhecendo os problemas e as soluções existentes no texto. É preciso reconhecer os riscos diretos e indiretos, ou seja, aqueles presentes no texto de forma direta e aqueles que somente podem ser vistos a luz da pesquisa.
É muito importante conhecer os riscos, tanto na sociedade da época, como na nossa atualização e no nosso dia a dia.

3.4.                 Promessas e Esperanças:
Quase todos os textos bíblicos foram escritos, tendo como fundo a perseguição, a morte, a exclusão social e a diáspora (exílio). Daí nasceram os textos que tinham dentro do seu corpo uma promessa (escatológica ou não) de uma vida melhor. Vejamos como exemplo Ap 21-22, depois de uma série de conflitos, mostrando uma Jerusalém Celeste (O Reino de Deus) que desce para a Terra, ou seja, a grande promessa é a vinda (não escatológica) do Reino de Deus.

4.Parte Teológica:
Tudo o que estudamos nas três primeiras partes desse documento, servem para serem utilizadas nesta última parte, pois ela que ira subsidiar o encontro de catequese.
Temos duas formas de escolher um texto, dentro da catequese, para o estudo. A primeira é tomando-se o tema previamente definido e escolher o texto o que será trabalhado. Nessa escolha devo levar em conta a idade par quem vou preparar o texto, seu contexto social e seu grau de instrução. Essa é a forma mais difícil mas a mais gratificante, uma vez que cabe ao catequista “descobrir” o texto ideal. A segunda é tomando um texto já definido, e realizar o estudo. Mesmo assim, é recomendado que o catequista tenha em mente a idade do seu catequizando, a situação social e seu grau de instrução para evitar transformar o seu texto em algo muito erudito (difícil, clássico).

4.1. Mensagem Central do Texto:
Num primeiro olhar, pode-se dizer que o texto tem uma mensagem como uma frase pronta, do estilo “Deus é bom”. Mas isso não é a mensagem central, e sim um artifício para não realizar o estudo. A mensagem central do texto é aquela que permeia todo o texto, sendo que ela sozinha poderia “justificar” o texto todo. Normalmente a mensagem central do texto é o tema do encontro de catequese (ou ligado a ele).

4.2. Temas para um encontro:
Quando se esta preparando um encontro, vamos começar relacionando os textos que possivelmente podem ser usados num determinado encontro ou tema.
Depois de lido com cuidado, podemos extrair deles as mensagens centrais. Em posse da mensagem central, escolho a mensagem que melhor se adapte ao meu tema. Os outros textos podem ser utilizados como textos complementares.

4.3. Ensinamentos:
A mola mestra da Catequese por Idades. Retirar ensinamentos é “desmontar” o texto, retirando de cada linha, parágrafo ou versículo a mensagem central. Não é resumo, é algo extremamente simples, às vezes apenas uma palavra, às vezes pequenas frases. Os ensinamentos serão utilizados para elaborar todo o encontro de catequese.
Somente a prática leva a conhecer o como se extrai ensinamentos e essa técnica pode ser utilizada com qualquer texto, de qualquer fonte, seja ela religiosa ou não.

4.4. Os Textos e a nossa Realidade:
Não adianta tomar o texto, fazer uma analise criteriosa e muito bem feita da relação histórica, levantando toda a situação da época, mas esquecer de olhar a nossa situação atual.
A analise temporal serve para refletir o passado e traze-lo a nossa realidade, afinal, estamos fazendo ECO (Catequizando) no século XXI, e não no século I!

5.Bibliografia e Referencial:
Bíblia Pastoral, Ave Maria, Peregrino, TEB.
O Catequizando em Crescimento – Pe Paulo César Gil – Editora Vozes
Apontamentos particulares do Curso de Teologia para Leigos, Escola de Ministérios de Santana – RESA.
Apontamentos particulares da Escola de Catequese por Idades, Região Episcopal de Santana.
Série como ler... (Paulus – Diversos títulos e autores)

Autor: Zacarias Ribeiro Lobo
Contato: zacarias_ribeiro@ig.com.br
È(11) 9702-1153  Å (11) 6705-8709
H R. Luiz Juliani, 158
03978-270 – Vila Renato – São Paulo – SP



[1] Essa interpretação simplista e simplória leva a interpretação fundamentalista.

[2] Ao trabalhar com crianças abandonadas, por exemplo, não devemos usar a comparação de Deus com o Pai, pois para eles essas crianças tem em seus pais uma conotação negativa.

[3] A Palavra de Deus é sempre indicada no singular e preferencialmente com letra maiúscula, pois nosso Deus tem somente UMA palavra, por isso o termo palavras é errado ao indicar textos bíblicos.

[4] Lembre-se a palavra Catequizar é sinônimo de ECOAR, fazer escutar a Palavra de Deus.
[5] O nome Al Corão, tem como significado Livro de Deus (Al = Deus em árabe).

[6] Nunca é tarde para lembrar que o nome Javé (Aquele que é ou Aquele que está) e o nome Jeová tem o mesmo sentido e significado teológico. A utilização de um ou de outro nome é em decorrência de que vivemos num mundo globalizado, e em atendimento ao pedido do Santo Papa, João Paulo II, no seu documento Ut Unum Sinto (que todos sejam um) devemos sempre pregar o Ecumenismo (todas as religiões, não unidas em uma só, mas respeitando as suas diferenças).
[7] Nunca se usa o termo Velho ao indicar textos do Antigo Testamento, pois Velho é algo que não tem mais valor ou uso.
[8] Proto-Evangelho de Marcos = Primeira versão do Evangelho de Marcos.

Exemplo:

Texto : Lc 4, 14-21:

14- Jesus voltou para a Galiléia com a força do Espírito Santo
  
15- Ele ensinava na sinagoga e todos os elogiavam
  
16- Jesus foi a cidade de Nazaré, onde se havia criado.  Conforme seu costume no sábado entrou na sinagoga, e levantou-se para fazer a leitura.   

17- Deram-lhe o livro dos Profetas Isaías. Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem onde está escrito

18- “ O Espírito Santo está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Notícia aos pobres ; enviou-me para proclamar a libertação aos pobre; e aos cegos a recuperação da vista ; para libertar o oprimidos.

19- e para proclamar um ano de graças ao Senhor.”

20- em seguida Jesus fechou o livro, o entregou na mão do ajudante, e sentou-se .Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 

21- Então Jesus começou a dizer-lhes : “ Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura que vocês acabam de ouvir.”

Ensinamentos:
1º)  A força do Espírito Santo está sempre conosco . Devemos deixar o Espírito Santo agir em nós para cumprir nossa missão - Vr. 14

2º ) Ensinar com sabedoria e humildade para que todos possam compreender . Vr. 15

3°) Jesus nos dá o exemplo de disposição e participação na vida da comunidade . A leitura da Bíblia é importante para levar a Palavra de Deus aos outros. Vr. 16 

4º) Jesus foi chamado e nós também fomos chamados para anunciar. Vr. 17

5º) Transmitir a Boa Nova, levando a esperança da liberdade àqueles que estão presos ao mundo .Vr. 18


6º) Anunciar as graças que Deus tem para derramar sobre todos nós.Esta graça é o encontro com Deus .Vr. 19

7º) Jesus falava com sabedoria,lia com tanta convicção que as pessoas ficavam fixas, compenetradas nele .
  
8º) Isaías havia anunciado esta passagem e a Palavra cumpriu segundo a Escritura. 

No estudo Bíblico, retiramos os ensinamentos cuja mensagem central será usada na formação da Fé, Consciência , Oração e Engajamento,  momentos estes que devem estar ligados  fazendo uma interação Fé e Vida.