quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Leitura da Missa de Cristo Rei - 2015

Comentário sobre os textos da Missa de 22/11/2015 – Cristo Rei

A festa de Cristo Rei marca o inicio do novo ano Litúrgico, ou seja, nessa festa se inicia o novo ano, estaremos entrando, liturgicamente, em 2016. Depois dessa festa teremos o inicio do Advento (aquele que há de vir), preparando o nosso coração para receber a Jesus Cristo!

Os textos vem mostrar a realeza de Jesus Cristo, um Rei que não é desse mundo, mas baseado no Amor, amor que se espalha e ganha força na vida e vivencia da comunidade.

A primeira Leitura, liga-se diretamente à segunda leitura, ambos textos apocalípticos, ou seja, que revelam algo oculto. O texto do Apocalipse inicia-se com a narrativa de uma visão, e o trecho do texto de Daniel (Dn 7, 13-14) inicia-se com a visão de um ser que vem do Céu, como “Um Filho de Homem”, e que ao se aproximar do Ancião (líder) recebe dele o Poder e a Gloria para reinar, não como os reis mortais, mas como alguém que não pode ser destituído nem destruído.

Na segunda leitura, mostra que Jesus Cristo é o primogênito, aquele que, por meio de seu sangue, nos faz merecedores de sermos herdeiros do Reino de Deus, reino esse mostrado no final do livro do Apocalipse, como uma terra sem Males.

A primeira leitura clama pela chegada, a segunda reconhece a presença de Jesus no nosso meio, mas ambas mostram-nos quem é Ele, o Filho de Deus afinal em uma leitura nos mostra chegando como Filho do Homem (Dn 7, 13) e na segunda, mostra-se como “Aquele que é, que era e que vem” (Ap 8b, lembrando a Sarça Ardente onde Moisés recebe a missão de Deus e escuta o nome do Todo Poderoso – Eu Sou Aquele que Sou – Cf. Ex 3,14).

Completando os textos, temos no evangelho de João um Jesus, já aprisionado e levado a Pôncios Pilatos, que por sua vez, questiona sobre a realeza de Jesus. Jesus, lhe devolve a questão, afinal, quem falou a um Gentio (aqueles que não são Judeus) que ele seria o Rei? Pilatos lhe responde que foram os seus “lideres”, aqueles que deveriam guiar o povo. Jesus então esclarece a Pilatos que o seu Reino não é o reino daqueles que buscam apenas a satisfação material e financeira, mas aqueles que buscam, acima de tudo a verdade.


Desejo a todos os irmãos, em Cristo, muita Paz e Saúde, sempre lembrando que devemos viver com esperança e força de Cristo, o Bom Pastor!

(Bibliografia: Revista Vida Pastoral, 11-12/2015 nº 306; Bíblia Pastoral; Imagem Internet)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Salvação

Tomando como base o questionamento sobre a salvação do ser humano, devemos tomar a Bíblia Sagrada (Sagradas Escrituras) como base para a resposta dos questionamentos.

Assim, gostaria de lembrar que Jesus Cristo não criou ou fundou nenhuma religião, ele viveu a fé judaica, e é nesse parâmetro inicial que gostaria de iniciar a minha exposição.

Tomando como base o Livro do Apocalipse de São João (Ap), vamos ver os que foram salvos antes do sacrifício de Jesus Cristo (ouvi o número dos marcados com selo: 144.000... – cf. Ap 7, 4-8) que representam o povo judeu, fiel aos mandamentos de Deus. Da mesma forma, como bem escreve o Beato Papa João Paulo II na sua encíclica “Ut Unum Sint” (Para que Todos Sejam Um) de 25/05/1995, devemos procurar aquilo que nos aproxima, de forma a criar uma união em torno da fé comum, respeitando todas as diferenças que, por ventura, nos afastem. O peso da incompreensão, herança de um passado não tão distante, pesa sobre os ombros dos teólogos de hoje, que devem buscar a justificativa e o caminho de salvação, que deve atingir a todos os fieis, independente da sua profissão de fé!

Um dos nossos maiores erros, que muitas vezes nos levam ao fundamentalismo, tão atacado e rejeitado pela sociedade, que com razão o condena como meio de pregação, é se achar o único senhor da verdade. Assim, não podemos nos considerar como sendo os donos absolutos da verdade e da vida. Essa verdade e vida pertencem ao Senhor, nas três pessoas que o compõem (Santíssima Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo). Da mesma forma, voltando a Palavra de Deus, escrita sob a Inspiração de Deus, mas por meio dos Hagiógrafos (seres humanos que usaram de sua vida, experiências e ações para colocar no “papel” as orientações de Deus), Jesus NUNCA rejeitou auxiliar os excluídos, nem lhes negou a SALVAÇÃO, independente da forma com que a sociedade lhes observava, como no caso da parábola do Bom Samaritano (Cf. Lc 10,25-37), onde a sociedade da época condenava aqueles que tinham como origem a Samaria, pois a considerava terra impura. E Jesus busca nessa rejeição várias ações, como a Samaritana que tivera vários maridos (Cf Jo 4,5-42) e que pelo seu testemunho levou a salvação a sua comunidade.

Por fim, podemos afirmar que para que haja a salvação, precisamos, antes de tudo, aceitar a vontade de Deus, dentro ou fora da Igreja, e leva-la como ferramenta de vida, proclamando a Boa Nova como ferramenta de libertação e vida e não como motivo de condenação, assim como Jesus prega aos Fariseus “Vocês atam cargas pesadas sobre os ombros dos outros, mas não as tocam nem com um dedo!” (Cf Lc 11, 46), não podemos ser agentes que, conhecendo a Boa Nova, a escondemos sob uma tigela (Cf. Mt 5-7 – Sermão da Montanha). Precisamos saber, conhecer e divulgara as ações de salvação e, mostrando a aqueles que ainda não conhecem a Jesus Cristo, mas já estão inseridos na caridade e na bondade! Esses irmãos, independente de sua fé ou crença, não podem ser taxados como pessoas indignas de salvação!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Autor do Livro do Apocalipse

O autor do livro do Apocalipse de São João, chamava-se João... Se era ou não o escritor do Evangelho e das cartas é uma outra discussão, que alias não conseguiremos levar a terno num trabalho desse nível, se é que é possível chegar a uma conclusão.
Sabemos que o nome do escritor é João, e que ele é conhecido da comunidade para quem escreve, pois, logo no inicio do texto ele se identifica (Ap 1,1b). Não dedica o livro a alguém como faz Lucas, que destina o seus livros a um certo Teófilo (Lc 1,3 e At 1,1 - lembrando que o nome Teófilo, significa Amigo de Deus), e João se apresenta mostrando a condição de perseguido por causa da fé (Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na paciência em união com Jesus, estava na Ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do Testemunho de Jesus - Cf. Ap 1, 9). De acordo com esse texto, esse João é um exilado, alguém reconhecido pela comunidade a quem escreve (as Sete Igrejas da Ásia - lembrando que o número 7 indica plenitude, assim ele escreve para todos os fieis), pois cita "vosso irmão e companheiro", e como cristão estava na celebração da Eucaristia no Dia do Senhor (domingo) quando então é arrebatado. A figura que ele vê é de extrema importância e cheia de simbolismos que precisaremos estudar, trecho a trecho!

João faz menção a Jesus que retorna do Céu, pois vem das nuvens e todos poderão vê-lo (Cf. 1,7) e lembra a visão de Lucas (At 1,9) que coloca Jesus deixando os Apóstolos na terra e subindo aos Céus, até que a nuvem cobre a visão dele. Os anjos anunciam que ele voltará (At 1,11) da mesma forma. Só que o Apocalipse vai mas longe, pois todos (1,7b) podem vê-lo, inclusive os seus algozes, os que o mataram. Lembrando que a morte de Jesus merece todo um estudo a parte, pois não foram os Romanos que o mataram (eles executaram) e nem os judeus (que pediram) mas sim a humanidade, a sociedade, que não aceitou o projeto de PAZ e AMOR proposto por Cristo!

domingo, 11 de janeiro de 2015

Apocalipse de São João - introdução

Considerando a curiosidade de muitos sobre o livro do Apocalipse, dado como de autoria de São João, o apóstolo de Jesus Cristo, pode-se dizer o livro mais cercado de mistérios da Bíblia Sagrada e que é um dos livros mais apaixonantes que conheço e estudei, por isso resolvi escrever, neste espaço algumas linhas sobre o assunto.

Antes de mais nada gostaria de apresentar o meu currículo, fui catequista de primeira eucaristia durante aproximadamente 15 anos, prestando meu magistério na Comunidade Santa Madalena, paróquia da Reconciliação, atual Paróquia Santa Maria Madalena, no Parque Santa Madalena, zona leste da cidade de São Paulo. Nessa mesma comunidade atuei como orientador na Escola da Fé, por mais ou menos 5 anos, onde tive a oportunidade de trabalhar com diversos leigos e religiosos (padres seculares e religiosos) alem de ter atuado por 10 anos como monitor da Escola de Catequese por Idades, criada por D. Joel Ivo Catapan, e me formei no curso livre de formação de Leigos (Teologia para Leigos) na Escola de Teologia da Região Episcopal Sant’Anna.

Apaixonei-me pelo livro da revelação e desde então luto pela sua divulgação e desmistificação. Já ministrei cursos e palestras sobre esse tema. Recomendo ainda leituras complementares como o Grande Comentário Bíblico sobre o Apocalipse e o livro (mais simples) Como Ler o Apocalipse e fico aqui aberto para os comentários que por ventura venham a enriquecer este pequeno trabalho.

Breve Relato Histórico:

Para se falar sobre o Apocalipse é sempre necessário posicionar o leitor com a situação histórica da época e alguns dados históricos importantes. Vamos falar primeiro do autor do livro, de acordo com a Tradição da Igreja, o autor do Livro da Revelação é João o Apóstolo de Jesus. Não é possível afirmar isso, nem mesmo é possível afirmar que o redator do Apocalipse e o relator das três cartas e do Evangelho de João sejam a mesma pessoa. Na época do escrito e nos séculos anteriores (e muitos séculos anteriores) era comum um discípulo, amigo ou mesmo um admirador assinar como sendo a autoridade ou pessoa reconhecida pela comunidade. Assim temos 3 Isaías, 4 Zacarias, etc. O que é, ou parece consenso entre os Teólogos é que o nosso escritor deveria realmente ter no nome de João. Ele se apresenta logo no inicio do texto (Ap 1,1b – a partir desse momento quando me referir ao livro do Apocalipse não citarei a abreviação [Ap], mas somente a referencia [1,1b]). Ele realmente pode ter pertencido à comunidade Joanina, mas não deve ter sido o mesmo autor, pois, entre outros fatos, poucas são as referencias entre as duas obras.


Quanto à época, o livro deve ter sido escrito por volta do ano 95 d.C., ou seja, um dos últimos escritos considerados canônicos. O povo vivia uma época de perseguição, Roma (o Império Romano) perseguia os seguidores do Nazareu, o Yeshua, Jesus que nasceu em Nazaré e que recebeu o titulo de Cristo (Ungido). Para eles, os seguidores do Nazareu (o titulo Cristo é posterior) “comiam” a carne do fundador da sua seita e “tomavam” o seu sangue. Durante muito tempo, devido ao culto oculto dos cristãos, que celebravam a Eucaristia (o Pão que se torna Corpo e o Vinho que se torna Sangue) para os romanos e autoridades da época o que se fazia era uma ação de canibalismo do seu fundador.