quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Da Homilia do Papa Francisco (25/12/2013 – Missa do Galo)

Olhar a Igreja e ver à frente dela um homem como o Papa Francisco é ter renovada a esperança de que essa instituição de importância impar pode mudar... A renuncia de Bento XVI, ocorrida no dia 11/02/2013, tirando um papa vivo do comando da Igreja depois de 598 anos, e abrindo um precedente inovador para a Igreja, pois ele deixava o comando da mesma admitindo não ser capaz de cuidar das funções a ele legadas (como alias o Papa João Paulo II havia dado indícios no ano jubilar de 2000 de renunciar) e que ele já sentia o peso, dos seus 85 anos junto com as responsabilidades assumidas e para muitos causas de parte do “fracasso” de seu papado, na gestão do Santo Papa João Paulo II, que acabou por ocultar ou negligenciar vários fatos da cúria Romana, e lembrando quando o então cardeal alemão Joseph Aloisius Ratzinger, tomou posse no primado de Pedro como Papa, e adotou o nome de Bento, já dava sinais de que seu pontificado não seria longo, pois a maioria dos papas que adotaram o nome Bento tiveram pontificados curtos. Bento XV, por exemplo teve um pontificado de apenas 8 anos.

Seu sucessor, o então cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, assume o pontificado com uma visão totalmente diferente da Igreja. Traz uma Igreja mais fraterna, mais humana, mais voltada a comunidade... a comunidade Universal, ou seja cumprindo a premissa do nome Católica que significa Universal!

Na sua posse rejeita uma série de vantagens do cargo (afinal na Igreja Católica temos poucas funções na ordem, são elas os Leigos [população, fieis, e membros em geral, não ordenados], os Diáconos [aqueles que são ordenados para servir], os Presbíteros [os Padres, que deveriam assumir a postura de um pai, conselheiro, etc] e os Bispos [Representantes dos 12 apóstolos de Jesus Cristo]) e assume o nome de um santo que, filho de pais ricos, de nome Giovanni di Pietro di Bernardoni, mais conhecido como São Francisco, da cidade de Assis, rejeita toda a fortuna da família e vai viver na pobreza, criando uma ordem, a ordem dos Frades Menores, mais conhecida como os Franciscanos, que na sua origem foi, inclusive, rejeitada pela Igreja e pelo Papa Inocêncio III, que acabou reconhecendo as virtudes e aceitou a ordem como parte da Igreja!

Neste artigo, publicado no jornal A Boa Noticia, da diocese de Santo André, nos trás a Homilia desse papa impar, que promete, como o fundador da sua ordem, revolucionar a Igreja!

Ele mostra de forma simples, como o povo deve reconhecer a Deus como fonte de luz... a festa de Natal, como aqueles que estudam bem sabem, não é a marca do nascimento de Jesus (Jesus não nasceu em 25/12) mas sim uma adaptação para permitir a conversão dos pagãos a Igreja Católica, na época nascente. A festa celebrada originalmente era a festa do deus Sol (Solstício de Inverno) e somente adotada pela Igreja no século III da era Cristã. O povo, desde o Patriarca Abraão, é um povo que caminha em busca da luz, não somente a luz externa, mas também a luz interna, ou seja, Deus nos deu o Livre Arbítrio, o direito de escolher que queremos realmente ser luz ou não... cabe a cada um decidir o que quer seguir!

Ao mesmo tempo, o Santo Padre nos lembra que desde o tempo de Abraão, lá no livro do Genisis, passando por Maria, quando da anunciação que aparece no Evangelho de Lucas, Deus não obriga ninguém a cumprir a missão, ele os convida, como nos convida hoje também.  O convite é feito para que sigamos o caminho da Terra Santa, da Jerusalém Celeste, proposta no Apocalipse, não uma nova Terra na concepção de um novo planeta, mas uma nova Terra como uma nova sociedade.

Somos humanos e portanto suscetíveis a erros e “escorregões”, e a humanidade se desviou por várias vezes, como nos exemplos bíblicos do Bezerro de Ouro (Êxodo) ou a rejeição do projeto de Jesus por um dos Homens que ele mais amava e confiava, o antecessor de Francisco, o primeiro Papa Pedro, que rejeita o projeto de Deus por três vezes... lembra ainda os discípulos de Emaus, relatados no evangelho de Lucas que estão dando as constas ao projeto de Jesus e somente quando vêem a Eucaristia é que percebem a grandeza e voltam correndo. Mas o ser humano é como Jô, acredita que se basta em si mesmo... é preciso uma grande mudança para perceber que caminhávamos nas trevas pois as trevas nos cegavam, e caminhávamos sem saber por onde íamos (Cf. I Jô 2,11) até que a luz, que começa pequena, no nascimento de Jesus Cristo, cresce e ilumina a toda a humanidade (povo que lavou e alvejou as roupas no sangue do Cordeiro – Cf. Ap 7) pois a graça de Deus, manifestada no amor de Jesus Cristo por nós, nos traz a Salvação (Cf. Tt 2,11).

Concluindo, o Santo Padre coloca como Jesus vem para COMPARTILHAR conosco a nossa vida, o nosso caminho, tornando-se homem, com carne, com problemas e até com dúvidas... Jesus não é apenas um mestre de sabedoria, é a encarnação do Deus Vivo e essa encarnação recebe primeiro a visita dos pastores, pessoas rejeitadas pela sociedade, ignoradas por seus iguais pois tinham que ficar a noite tomando conta de seus rebanhos!

Depois, de acordo com o evangelho de Mateus, Jesus recebe a visita de três reis, os Reis Magos (Gaspar, Belchior e Baltazar) que seriam como cientistas modernos que seguiram os sinais (Teofânia) do nascimento de Jesus!

Mas Jesus é a Luz do Mundo... e como ele mesmo coloca para nós, no Sermão da Montanha (Mt 5-7) nós somos LUZ DO MUNDO e SAL DA TERRA, para vivermos esse projeto e cumprir que Jesus é a própria luz que ilumina a nossa existência!


Só para constar, gostaria de acrescentar o comentário que o presépio, a obra de arte que liga os evangelhos de Lucas e Mateus também é obra de São Francisco de Assis!