Olhar a Igreja e ver à frente dela um homem como o Papa
Francisco é ter renovada a esperança de que essa instituição de importância
impar pode mudar... A renuncia de Bento XVI, ocorrida no dia 11/02/2013,
tirando um papa vivo do comando da Igreja depois de 598 anos, e abrindo um
precedente inovador para a Igreja, pois ele deixava o comando da mesma
admitindo não ser capaz de cuidar das funções a ele legadas (como alias o Papa
João Paulo II havia dado indícios no ano jubilar de 2000 de renunciar) e que
ele já sentia o peso, dos seus 85 anos junto com as responsabilidades assumidas
e para muitos causas de parte do “fracasso” de seu papado, na gestão do Santo
Papa João Paulo II, que acabou por ocultar ou negligenciar vários fatos da
cúria Romana, e lembrando quando o então cardeal alemão Joseph Aloisius
Ratzinger, tomou posse no primado de Pedro como Papa, e adotou o nome de Bento,
já dava sinais de que seu pontificado não seria longo, pois a maioria dos papas
que adotaram o nome Bento tiveram pontificados curtos. Bento XV, por exemplo
teve um pontificado de apenas 8 anos.
Seu sucessor, o então cardeal argentino Jorge Mario
Bergoglio, assume o pontificado com uma visão totalmente diferente da Igreja.
Traz uma Igreja mais fraterna, mais humana, mais voltada a comunidade... a
comunidade Universal, ou seja cumprindo a premissa do nome Católica que
significa Universal!
Na sua posse rejeita uma série de vantagens do cargo (afinal
na Igreja Católica temos poucas funções na ordem, são elas os Leigos
[população, fieis, e membros em geral, não ordenados], os Diáconos [aqueles que
são ordenados para servir], os Presbíteros [os Padres, que deveriam assumir a
postura de um pai, conselheiro, etc] e os Bispos [Representantes dos 12
apóstolos de Jesus Cristo]) e assume o nome de um santo que, filho de pais
ricos, de nome Giovanni di Pietro di Bernardoni, mais conhecido como São
Francisco, da cidade de Assis, rejeita toda a fortuna da família e vai viver na
pobreza, criando uma ordem, a ordem dos Frades Menores, mais conhecida como os
Franciscanos, que na sua origem foi, inclusive, rejeitada pela Igreja e pelo
Papa Inocêncio III, que acabou reconhecendo as virtudes e aceitou a ordem como
parte da Igreja!
Neste artigo, publicado no jornal A Boa Noticia, da diocese
de Santo André, nos trás a Homilia desse papa impar, que promete, como o
fundador da sua ordem, revolucionar a Igreja!
Ele mostra de forma simples, como o povo deve reconhecer a
Deus como fonte de luz... a festa de Natal, como aqueles que estudam bem sabem,
não é a marca do nascimento de Jesus (Jesus não nasceu em 25/12) mas sim uma
adaptação para permitir a conversão dos pagãos a Igreja Católica, na época
nascente. A festa celebrada originalmente era a festa do deus Sol (Solstício de
Inverno) e somente adotada pela Igreja no século III da era Cristã. O povo,
desde o Patriarca Abraão, é um povo que caminha em busca da luz, não somente a
luz externa, mas também a luz interna, ou seja, Deus nos deu o Livre Arbítrio, o
direito de escolher que queremos realmente ser luz ou não... cabe a cada um
decidir o que quer seguir!
Ao mesmo tempo, o Santo Padre nos lembra que desde o tempo
de Abraão, lá no livro do Genisis, passando por Maria, quando da anunciação que
aparece no Evangelho de Lucas, Deus não obriga ninguém a cumprir a missão, ele
os convida, como nos convida hoje também.
O convite é feito para que sigamos o caminho da Terra Santa, da
Jerusalém Celeste, proposta no Apocalipse, não uma nova Terra na concepção de
um novo planeta, mas uma nova Terra como uma nova sociedade.
Somos humanos e portanto suscetíveis a erros e
“escorregões”, e a humanidade se desviou por várias vezes, como nos exemplos
bíblicos do Bezerro de Ouro (Êxodo) ou a rejeição do projeto de Jesus por um
dos Homens que ele mais amava e confiava, o antecessor de Francisco, o primeiro
Papa Pedro, que rejeita o projeto de Deus por três vezes... lembra ainda os
discípulos de Emaus, relatados no evangelho de Lucas que estão dando as constas
ao projeto de Jesus e somente quando vêem a Eucaristia é que percebem a
grandeza e voltam correndo. Mas o ser humano é como Jô, acredita que se basta
em si mesmo... é preciso uma grande mudança para perceber que caminhávamos nas
trevas pois as trevas nos cegavam, e caminhávamos sem saber por onde íamos (Cf.
I Jô 2,11) até que a luz, que começa pequena, no nascimento de Jesus Cristo,
cresce e ilumina a toda a humanidade (povo que lavou e alvejou as roupas no
sangue do Cordeiro – Cf. Ap 7) pois a graça de Deus, manifestada no amor de
Jesus Cristo por nós, nos traz a Salvação (Cf. Tt 2,11).
Concluindo, o Santo Padre coloca como Jesus vem para
COMPARTILHAR conosco a nossa vida, o nosso caminho, tornando-se homem, com
carne, com problemas e até com dúvidas... Jesus não é apenas um mestre de
sabedoria, é a encarnação do Deus Vivo e essa encarnação recebe primeiro a
visita dos pastores, pessoas rejeitadas pela sociedade, ignoradas por seus
iguais pois tinham que ficar a noite tomando conta de seus rebanhos!
Depois, de acordo com o evangelho de Mateus, Jesus recebe a
visita de três reis, os Reis Magos (Gaspar, Belchior e Baltazar) que seriam
como cientistas modernos que seguiram os sinais (Teofânia) do nascimento de
Jesus!
Mas Jesus é a Luz do Mundo... e como ele mesmo coloca para
nós, no Sermão da Montanha (Mt 5-7) nós somos LUZ DO MUNDO e SAL DA TERRA, para
vivermos esse projeto e cumprir que Jesus é a própria luz que ilumina a nossa
existência!
Só para constar, gostaria de acrescentar o comentário que o
presépio, a obra de arte que liga os evangelhos de Lucas e Mateus também é obra
de São Francisco de Assis!
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