sábado, 20 de julho de 2013

Eucaristia, Pão e Vinho da Libertação


I - Introdução:
Para compreendermos melhor o que vem a ser a Eucaristia, antes precisamos entender o que é Páscoa. 

A Páscoa, é uma festa de origem Judaica, que surgiu com a saída do povo  de Israel do Egito, sobre o comando de Moisés (cf. Ex.). O povo foi parar no Egito, com José e seus irmãos (cf. Gn 27-50), que geraram as 12 tribos de Israel.

A origem da festa da Páscoa (bem como o seu nome) vem de um deus pagão, chamado Pesh, que conforme a lenda, por onde passava matava a todos. Os povos que viram os Airapurus[1], associaram YAHWEH (JAVÉ) a esse deus poderoso, podendo, dai ter surgido a décima praga contra o Egito que foi a mortandade dos primogênitos (Cf. Ex. 11-12,30). A palavra Pesh, e depois a palavra Páscoa, tem como significado “PASSAGEM”, para os hebreus, a passagem para a libertação dos Egipicios, para os cristãos, a libertação da morte.

A Páscoa Judaica, era uma festa familiar, onde cada família  matava um cordeiro e comiam-no com ervas amargas e pão ázimo (sem fermento) conforme Deus lhes havia determinado (Cf. Ex. 12,3-15).

O Pão sem Fermento, não é um pão gostoso, é o pão da miséria (Cf. Dt 16,3; Ex. 12,8,a). Para os israelitas (e depois para os judeus) tudo o que contém bactérias (como o fermento biológico) é impuro, e para se festejar a Páscoa, tudo o que é impuro deve ser jogado fora (inclusive o fermento). Então durante 7 dias (tempo que dura a festa da Páscoa) eles comem pão sem fermento, e depois, o novo fermento estará pronto para ser usado (a massa terá fermentado). 

As ervas amargas, são para lembrar as dificuldades que o povo teve para sair do Egito e chegar até a Terra prometida, onde mana leite e mel (Cf. Ex. 3,6-8; Ex. 12,8b).

O cordeiro deverá estar em perfeito estado, não ter nem um osso quebrado, ter um ano de idade, e ser assado. Tudo deve ser comido em casa, e nada deverá sair da casa (Cf. Ex. 12,3-8). A tradição judaica coloca que os hebreus ofereciam a Deus aquilo que a terra lhes proporcionava (animais e vegetais, como podemos ver em Caim e Abel [Cf. Gn 4,3-4}).

Se a família for pequena, devera tomar uma família vizinha para comemorar com ela. Durante a cerimônia, sempre, uma criança, que deve ser a mais nova da casa, deverá perguntar ao pai, o porque daquilo, e o pai lhe contará a História do povo.

Jesus como todo judeu, sempre comemorou a Páscoa, com sua família e dentro da sua tradição. Uma dessas tradições, diz que toda a família deverá pelo menos uma vez na vida, ir ao Templo, e diz ainda que deve apresentar o filho primogênito ao Templo quando este completar 12 anos, e Jesus cumpriu inclusive essa determinação (Cf. Lc  3,41-52).

II - Eucaristia e Páscoa:
A Eucaristia é uma lembrança da Páscoa judaica, pois Jesus colocou aos seus discípulos a Eucaristia numa solene ceia Pascal (a ultima Ceia) e é ainda um memorial que nos faz sempre lembrar de Jesus Cristo (façam isso em memória de mim).

2.1. Eucaristia e Serviço:
A Eucaristia é marca e sinal do serviço do Homem para Deus e a comunidade. Não existe Eucaristia sem a participação viva da comunidade.

Jesus, no dia em que ia constituir a Eucaristia, em sinal de humildade lavou os pés dos 12 apóstolos. Isso era uma ato de submissão e serviço, pois Ele que era o filho de Deus feito homem, estava reduzido ao mais ralé dos servos (Cf. Jo 13,1-20). Jesus mostra aos seus apóstolos que para ser merecedor do Reino é preciso trabalhar por ele, divulga-lo, pois apenas aquele que esta ligado a Cristo é merecedor do Reino (Cf. Jo 15,5).

O próprio Jesus anuncia, aquele que é seu discípulo e seguidor, será colocado a prova, rejeitado e até morto (cf. Jo 16). A Eucaristia não pode dar a receita para organizar a sociedade, mas exige que o cristão coloque-se a serviço da comunidade e pela justiça.

III - Evolução da Celebração Eucaristia:
Jesus usou da tradição judaica para implantar um novo mundo na Terra, um mundo de Paz e Vida, só que ao mesmo tempo ele rompeu com as mais fortes tradições judaicas, como os ritos da pureza e da impureza, comendo com Samaritanos, Publicanos (funcionários do Império Romano), etc. 

No inicio, as comunidades cristãs foram perseguidas e até mesmo por causa da Eucaristia, pois alguns pesquisadores Romanos, se perguntavam como podia uma “seita” comer da carne de seu fundador e beber de seu sangue? Mas isso não desanimava aos cristãos que celebravam a Eucaristia em qualquer casa, ou até mesmo em grutas (conhecidas como catacumbas). O maior pecado, era rejeitar a Cristo e a sua Eucaristia. Hoje nos nossos dias, a perseguição oficial não existe, mas muitos são os que rejeitam o seu batismo e até mesmo a sua Eucaristia, fugindo das obrigações decorrentes dela, procurando na primeira dificuldade uma caminho mais simples e “lógico”, como mudar de religião. Nós sabemos que Cristo não fundou nenhuma religião, ele apenas balizou o caminho a ser seguido. A religião Católica foi fundada pelos apóstolos (liderados por Pedro e Thiago - tido como irmão do senhor, que pode ter sido um filho de José [do seu primeiro casamento] ou um primo de Jesus, em decorrência da língua Aramaica não ter palavras para diferenciar parentes próximos), e nessa religião que se “COMEMORAVA” a morte e principalmente a ressurreição de Jesus de Nazaré, o Cristo filho de Deus feito Homem. 

Com o passar do tempo, as comunidades Cristãs foram crescendo e os ritos da Eucaristia deixaram de ser uma festa familiar para passar a ser uma comemoração comunitária. Só que o ponto da doutrina dos Apóstolos deveria sempre estar em primeiro lugar na comunidade (Cf. At 2,42). Para os primeiros cristãos, era inconcebível haver uma forma especial de se dirigir a Deus e outra para se dirigir aos homens. Os judeus (e por conseguinte os primeiros cristãos) não separavam a fé da vida do dia-a-dia. Havia forte insistência de se estar em paz com o irmão (Mt 5,23-24). Deviam repartir os bens como repartiam o pão (At 4,32-35). Essa partilha dos bens NÃO era uma obrigação, mas um convite. Quem não quisesse repartir os bens com os outros não precisava (Cf At 5,1-11). Mas o crescimento das comunidades fez com que os cristãos perdessem o sentido de partilha em família.
 
IV - A nossa Celebração Eucaristia:
Para os primeiros cristãos a Eucaristia estava intimamente ligada à partilha do Pão. Eles tentavam praticar o que lhes fora ensinado, de tal forma que entre eles não houvesse necessitados. Celebravam a Eucaristia  por que praticavam o que celebravam. Este era o requisito primeiro para fazer parte dos cristãos.

O Pão é o alimento, e o Vinho a bebida, frutos do trabalho, que não podem estar fora da mesa de ninguém. Por isso não podemos aceitar uma situação social onde isso ocorra. Mas a Igreja, durante muitos anos foi condescendente com isso, permitindo aos reis explorarem povos inteiros em nome de Cristo, mas com o interesse dos reis. Esqueciam-se da Eucaristia e do Evangelho e nossas celebrações eram feitas em Latim ou Grego, línguas que somente os ‘ricos e cultos’ sabiam, ou seja os pobres, que são os verdadeiros ‘donos’ do reino, ficavam de fora.

Só que não é isso que Jesus queria. Pela Eucaristia ele criou um pacto de sangue e vida com a humanidade, a ultima e eterna aliança, marcada pela carne do justo (Jesus Cristo = cordeiro = Pão Ázimo = Hóstia ) e pelo sangue do justo (vinho = Sangue de Jesus Cristo derramado na cruz), por isso a Eucaristia tem o dever de quebrar e libertar-nos para a vitória do Reino, rompendo o egoísmo e fazendo-nos iguais.  Só que esta igualdade não pode acabar durante a celebração, deve nos acompanhar em nossas vidas.

4.1. Os Ritos:
O rito quando unido ao profetismo, dá vida ao acontecimento, o homem religioso deve marcar a sua vida com gestos concretos (“A fé sem obras é morta” Tg 2,17). Pelo rito o Homem se comunica com Deus e com a comunidade.

A Eucaristia deve ser o rito da realidade, ligando as soluções as dificuldades da comunidade. Não podemos dizer que o cristianismo é uma religião de bens espirituais, mas sim uma religião que busca, pela fé e pelas obras, uma vida melhor, agora e já, pois Cristo disse: “Na casa de Meu Pai existem várias moradas” mas ele tambem disse  “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho, e aquele que crer e for batizado será salvo”. Ele falava e pregava no hoje, agora, não escatologicamente no futuro, na outra vida, a nossa obrigação como Cristãos (pertencentes a Cristo) é pregar e preparar o Reino para que ele comece agora no nosso meio, na nossa comunidade.

Os primeiros cristãos não tinham forma fixa para o rito Eucarístico.  Foi por volta do século III d. C. que a missa começou a ter forma fixa, parecida com a que conhecemos hoje. Na Idade Média, a missa era celebrada em grego ou latim e de diversas formas diferentes, o que prejudicava a união e a unidade. O maior esforço para unificada num só rito, o latim, ocorreu com o Papa Pio V, por ocasião do concilio de Trento. Outra reforma, só ocorreu no século XX, com o concilio do Vaticano II (1965), quando a missa passou a ser celebrada na língua de cada povo (afinal quem celebra a Eucaristia é a comunidade e não o padre).

4.2. - Conclusões sobre a nossa Eucaristia:
Podemos concluir, pelos fatos e pistas apresentados, que a nossa Eucaristia não é uma cerimonia fria, vazia e sem sentido. Ela não pode parar no tempo, e deve sempre estar pronta para aceitar as alterações decorrentes das mudanças no mundo. Por isso a importância de estarmos sempre celebrando a memória de Nosso Senhor Jesus Cristo, não como uma obrigação e sim como uma participação viva e presente na nossa vida. A participação, simplesmente pela participação esvazia o sentido da Eucaristia e não deixa ela penetrar no nosso ser, mudando a nossa vida e nosso modo de ver o mundo. Pela Eucaristia, as comunidades dão o seu grito profético, desafiando a todos e a tudo para melhor atender ao projeto de Deus, que por meio de seu Filho Jesus Cristo, quis implantar o Reino aqui na Terra.

A Eucaristia é uma força transformadora da sociedade, que busca a fraternidade e a vida. Devemos, conhecendo melhor a Eucaristia, saber que o papel do cristão na história não é o de dar esmolas, mas sim o de trabalhar pelo Reino, transformando esse mundo num mundo melhor.

V - A Instituição da Eucaristia, segundo Lucas:
O texto que vamos ver, relata a constituição da  Eucaristia segundo um dos Evangelho Sinópticos (similares). Nos mostra de uma forma bem simples qual a intenção de Jesus Cristo, ao instituir a Eucaristia.
Lc 22, 14-34
Do texto acima citado, podemos com certa facilidade afirmar o seguinte: A Eucaristia é desejo de Jesus Cristo, e representa a Vida de Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Ele deseja  que participemos do Banquete Eucarístico, de forma a nunca esquece-lo.

Devemos partilhar da mesa do banquete eterno da Eucaristia, não só na missa, mas na vida, para não trair o Cristo. A nossa Eucaristia deve ser representação do nosso serviço a Cristo.

O Reino de DEUS deve ser promovido na terra por nós, e Hoje, e para que isso ocorra devemos levar em conta a nossa Eucarista. Por isso, mesmo sofrendo provações, nunca devemos  rejeitar a nossa Eucaristia, abandonando-a da forma mais vil. Muitos rejeitam a Eucaristia, por ser a forma mais fácil, entretanto, retornam a ela quando percebem ser o único caminho.

Eucaristia: Memória e presença da libertação definitiva:
                        As colocações do texto de Lucas, são bastante  parecidas com o texto de Paulo em ICor 11, e ambos provavelmente refletem as celebrações da Igreja de Antioquia e das celebrações  das comunidades Paulinas.

                   O texto de Lucas é complexo e mostra a ligação da  Eucaristia com  a celebração Judaica da Páscoa (Judaica - 22, 15-18; Crista 22, 19-20). Ele quer mostrar que a Eucaristia  crista substituiu a Páscoa Judaica, assumindo os seus significados, levando esses significados  ao máximo. A libertação que ela registra  e uma libertação total e para todos.

                       O cordeiro Pascal, é substituído na Eucaristia pelo Pão e o Sangue-vinho do cordeiro é substituído pelo Vinho-Sangue de Jesus. Mas o que significa a Eucaristia? O supremo dom do Amor de DEUS em Jesus, que entrega o seu próprio corpo e derrama o seu próprio sangue. Com isso  ele mostra até o fim a sua fidelidade ao projeto de DEUS, mostrando o caminho para todos os que se dispuseram a segui-lo. A Eucaristia celebrada em memória  de Jesus é lembrança  contínua  e ao mesmo tempo a presença do gesto que sela a fidelidade  de Jesus e daqueles que o seguem. Sua celebração nas comunidades cristas é a lembrança do preço da fidelidade a morte de Jesus e de todos os que seguem, é a consequência  provocada por todos  aqueles que rejeitam o testemunho da justiça que luta pela liberdade e pela vida, para todos. O traidor também está presente, e participando dessa celebração.

                        Quem é ele? Jesus sabe, mas não conta. E a ansiedade toma conta de todos os que até hoje participaram  da eucaristia. Serei Eu? Será Você? Quem é que vai trair Jesus e o seu projeto? 

            O maior é aquele que serve (22,24-30)
                        Em meio a Páscoa Eucarística, surge a questão: "Quem é o Maior?" sinal de que os apóstolos não entenderam nada. Não perceberam que a justiça  produz a igualdade, e esta se manifesta como partilha e fraternidade. Pelo contrário, deseja poder! Em resposta, Jesus contra põem o costume das nações (reis) e o que devera ser a sua comunidade. O maior será como o mais novo, aquele que governa será como aquele que serve. Dessa forma, Jesus inverte completamente o esquema do poder. Não se trata mais de agir com o pano de fundo da desigualdade, mas com o da igualdade. Em vista da igualdade do poder de dominação cede o seu lugar ao poder do amor, que não se impõem pela violência  nem produz dominação. E Jesus é o modelo. Ele é o maior, mas esta entre todos como aquele que serve. Quando soubermos respeitar  aquele ultimo  que serve, então certamente saberemos respeitar  a todos.

                        E mais: é aquele que ser e que se sentará como Juiz para julgar o povo de DEUS.

         De Traidor a Chefe (22, 31-34):
                        Costumamos ficar impressionados  com a traição feita por Judas Iscariotes, e nos esquecemos  da que foi feita por Pedro, igualmente séria, e até mais radical. Não só vai negar a Jesus, mas vai negar que o conhece! E isso nos faz pensar. Até o líder dos discípulos  traiu a Jesus. Será que a traição é necessária ao AMOR? Da traição Pedro se converte, e depois da conversão se torna o líder que fortalece os outros seguidores de Jesus. Mas fica sempre em aberto a pergunta: Será que a traição é necessária  como provação para a fidelidade ao amor? Parece que sem o contraste das trevas, não conseguimos enxergar a luz.

Outros textos complementares: I Cor 11, 17 ss.
                        Com base nesse textos, podemos refletir ainda o seguinte: A eucaristia, é a celebração da Páscoa, dando a liberdade aos Homens, traz para todos nós a libertação,  é o ato supremo de amor de DEUS para nós. A Eucaristia Celebra a vida de Jesus Cristo RESSUSCITADO, e não do Cristo Morto, crucificado. Renegar a Eucaristia é ser inimigo de Jesus, e rejeitar  a justiça de DEUS, mas tambem temos que ter a consciência que cada um de nós pode ser o traidor de Cristo, bastando rejeitar a Eucaristia e a Justiça Eterna.

                        A Eucaristia coloca-nos que o maior, é o humilde que serve, pois Cristo deu a sua vida por nós, e nós devemos assumir as nossas responsabilidade Eucarísticas fazendo parte do Corpo de Cristo. O amor é a única ferramenta  para a construção do mundo melhor, e respeitando os humildes  estaremos aceitando a nossa Eucaristia.  

                        Todo aquele que traiu a Jesus, pode voltar a ele desde que se converta realmente, e aceite o trabalho pela melhoria do mundo. A traição da Eucaristia, muitas vezes acaba como ferramenta para chegar a fidelidade a Jesus e ao seu projeto. 

5.1. Conclusões:
                        Dentre os Sacramentos, a Eucaristia, deve ser tomada com muita importância, pois é a expressão viva da nossa fé na vida.

                        Muitas pessoas, vão a missa no domingo, mas não tomam a Eucaristia, por motivos dos mais variados. O mais comum, é dizer que não estão preparados, pois não se confessaram antes. Isso é errado, pois quem vai a festa, deve comer da festa. Ou seja, quem vai ao banquete, deve ser alimentado com o cordeiro de DEUS, que é o corpo de Cristo Santificado no Sacrifício Eucarístico.

                        O importante, para vivermos bem a nossa fé, é saber que para receber a Eucaristia e vive-la bem, precisamos participar da celebração, não como simples ouvintes mas como membros da comunidade. Esse erro é clássico e “Pré-Conciliar”[2], nossos pais achavam que não estavam preparados para receber o corpo de Cristo, se antes não tivessem se confessado. Mas como o texto de Lucas nos colocou, até mesmo o traidor de Jesus comeu com ele a Eucaristia, então devemos reconhecer sim, o valor Eucarístico e Sacramental da Reconciliação (Confissão), mas aceitarmos e assumirmos que a Participação da celebração Eucarística nos habilita a tomar a Eucaristia, desde que iniciados no Sacramento. Receber o sacramento da penitencia de forma auricular, ou seja confessando os pecados para o padre, não é uma exigência para a Eucaristia, pois o ato Penitencial, é a aplicação do sacramento da reconciliação, ministrado como preparação para o recebimento do Sacramento Eucarístico. Cristo Ressuscitado dos mortos deseja  que participemos do Banquete  Eucarístico, de forma a nunca esquece-lo (“Façam isso em memória de Mim”). 

                        A partilha eucarística, é a manifestação, que se dá com o ofertório, em especial aquele que nós realmente partilhamos o pouco que temos com aqueles que tem menos ainda. São Paulo, na sua I carta aos Corintios, coloca que nós vamos ao Banquete Eucarístico, não para comer e nos fartamos, mas para celebrar a vida eterna de Cristo.

                        Assumir a nossa Eucaristia, não é fácil, pois depende de grandes mudanças nas nossas vidas. Colocar os nossos  dons a serviço de Cristo, não é fácil, pois muitos são os que se dizem  participantes desse banquete, mas agem como os FARISEUS, e o povo da cidade de Corinto, ou seja, não trabalha em prol do Corpo de Cristo, e não deixam os outros trabalharem. Devemos ter consciência  de que a apostolicidade NÃO é exclusividade  de alguns membros da Igreja, mas uma característica de toda a Igreja.  Ou como os Corintios, que iam ao Banquete Eucarístico, se fechavam em grupos pequenos que ressaltavam as diferenças sociais. Isto é o oposto do que Jesus prega, que é o Amor e a fidelidade  do povo.

                        O Reino de DEUS, deve ser construído aqui na terra, com a nossa fé, a nossa piedade e a Justiça, que iguala a todos. Muitos são os que se dizem cristãos, mas estão preocupados apenas com os aspectos terrenos, estão ligados ao dinheiro, ao status e não ao Cristo, esses abandonam a Eucaristia e vão atras de caminhos mais fácies, que na realidade  não os leva para lugar algum. 

                        Alguns  percebem que Cristo é o único caminho, e voltam para a Eucaristia, reconvertidos, na fé e na esperança, pois a Eucaristia, é a celebração da Páscoa de Jesus Cristo, onde é celebrada a maior das liberdades, que é a própria  vida. Jesus nos dá a liberdade de escolher  entre o Certo e o Errado. 

                        Pela Eucaristia, celebramos o maior ato de amor de DEUS, que foi entregar o seu filho Unigênito a nós, para a remissão dos nossos pecados, portanto a recepção do sacramento Eucarístico, onde se expressa  e se cria a unidade da comunidade é direito divino, a todos os batizados que já tenham sido iniciados na comunidade Eucarística.

                        Entretanto, devemos sempre respeitar os ministros das igrejas saídas da reforma, em especial as mais tradicionais, que celebram a Ceia Eucarística, pois eles seriam, ministros extraordinários do sacramento da Ordem, em função da graça do Batismo. A Eucaristia protestante, portanto possui um status real  e sacramental, embora imperfeita. Com vista a entrada do terceiro milênio, e da busca do Ecumenismo Cristão, precisamos ter sempre em mente, o respeito  para com os Protestantes, para poder pedir deles o mesmo respeito. Assim estaremos  praticando  o maior dos mandamentos de Cristo: "Amem-se uns aos outros, assim como eu vos Amei".

                        Alguns dos que traíram o projeto de Cristo, traindo a sua Eucaristia, quando voltam, usam essa experiência terrível, para fortalecer o sue amor a Jesus Cristo, ressuscitado e ao seu projeto. 

VI Bibliografia:
Sagradas Escrituras:
            Chave Bíblica;
            Bíblia Sagrada - Versão Ave Maria
            Bíblia Sagrada - Versão Pastoral
Como ler o Evangelho de Lucas - E.P. - Ivo Storniolo
Eucaristia Pão e Vinho da Libertação - Série Caminhos - E.P. -  Pe. Antônio F. Falcone

[1] Airapurus, foi o nome dado aos grupos que fugiram do Egito, por ocasião do Êxodo.
[2] O termo pré conciliar, quer dizer que é anterior ao conclio do Vaticano II (1965).

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