quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Ato dos Apóstolos

Perguntas:
1- Quando se iniciou o crescimento das comunidades Cristãs?
2- A partir de quando?
3- Quem é Barnabé?
4- Quem é Saulo de Tarço?
5- Quem é João Marcos?
6- Porque ocorreu o concilio de Jerusalém?
7- O porque do Naziriato de Paulo?

Para poder se entender a expansão da Igreja, e mais precisamente do Cristianismo, é preciso antes entender o que é Igreja, e o que é Cristianismo. O Cristianismo é a professada na Ressurreição de Cristo. A Igreja é uma instituição, uma organização que levou (e deveria levar) a fé as pessoas. A arma do cristianismo é o Evangelho, que foi escrito a partir da ressurreição de Jesus, e não do seu nascimento.
O mais antigo dos Evangelhos, o Proto-Marcos (vamos ver isso melhor no Módulo sobre Sinóticos), traz-nos a proposta da comunidade para ser batizada, descobrir o caminho do Senhor. Esse querigma, mostra ao povo que mesmo ma perseguição e até na morte, encontraremos a vida que vem de Jesus.
Por isso, podemos dizer que a expansão cristã começou com os discípulos e apóstolos de Jesus, iniciado por João Batista, que anunciava a vinda do messias e foi aumentando até alcançar uma multidão incontável (Cf. Mt 5, 1-2).
O próprio livro de Atos, inicia-se com um relato onde elenca um conjunto de comunidades que expressa a grande divulgação e relata a expansão por todo o oriente conhecido (Cf. At 2, 8-11). Mas o que os pregadores, discípulos e apóstolos de Jesus pregavam? Era sobre as maravilhas que Deus realizou (cf. At 2, 11b) vistas e enfocadas a partir da Ressurreição de Cristo, que rompe com o medo e a morte, mostrando ser possível viver sempre mais e melhor (Cf. Jo 10, 10).
Jesus de Nazaré, cujo o título para os cristãos era Cristo (Messias = Ungido) não fundou nenhuma Igreja (instituição, organização), Ele deu as “metas”, os princípios pelos quais devemos ser norteados, e deixou a organização para os Apóstolos. Jesus fazia um trabalho missionário e de evangelização, que depois foi seguido por outros missionários, como Filipe, Barnabé, João Marcos e Paulo, entre outros. Com o decorrer do livro, o foco muda de Jerusalém (Comunidade Petrina) para os Pagãos (Comunidades Paulinas).
O principal personagem do livro dos Atos, é Saul, nascido na cidade de Tarço, um porto importante da Ásia. O nome Saul, é equivalente a Saulo, cujo o paralelo latino é Paulo, e é considerado como o último dos apóstolos (que viu a Jesus, não como os outros apóstolos, que viveram com Ele, mas por efeito de uma parusia), e foi um grande perseguidor da Igreja (em especial das comunidades de Jerusalém), participando inclusive do apedrejamento de Estevão (o primeiro Mártir cristão, morto por volta do ano 37 d.C.), segurando as túnicas daqueles que o apedrejavam (Cf. At 7, 58; 8, 1; 22, 20). Aos poucos, Paulo vai assumindo o lugar de Pedro dentro do livro dos Atos, fazendo o foco sair de Jerusalém para os gentios. Antes de Paulo ser citado, vários missionários vão ao encontro dos gentios, em especial os helenistas, como Filipe, que evangelizou a Samaria, e o funcionário Etíope.
Para se conhecer bem um livro, ou um assunto, é preciso conhecer bem também para quem, e como foi escrito o livro. No nosso livro de Atos, temos diversos personagens que levam a Boa Nova a vários locais, e muitas vezes envolvem-se em conflitos. O primeiro modelo de comunidade, é um modelo utópico, um sonho, que serve de base para a criação real das comunidades, e é nesses moldes de sonho que o livro nos relata o episódio de Ananias e Safira, um casal que vendeu um terreno, e resolveu por algum motivo enganar a comunidade (só que eles estavam mentindo para Deus, e não para a comunidade). Foram punidos com a morte. Antes desse episódio, é apresentado um levita de nome José, nascido na Ilha do Chipre, que entregou tudo o que tinha para a comunidade e abraçou a fé cristã como missionário. Ele recebeu por parte da comunidade o nome de Barnabé (Cf. At 4, 36). Esse mesmo missionário, será no futuro o fiador da fé paulina, pois ele atesta perante os apóstolos que Paulo é fiel a Cristo (Cf. At 9, 26-30).
Barnabé tinha como outro companheiro de missão, certo João Marcos, que a tradição ligou como o Marcos, autor do Evangelho, que seria a compilação da pregação oral feita por Pedro. João Marcos acompanhou os missionários Paulo e Barnabé na sua primeira viagem missionária, indo até a Panfilia (Cf. At 15,38), onde sem explicação explicita no livro, abandona o grupo e volta para Jerusalém (a tradição costuma colocar essa deserção de Marcos como sendo a sua volta para escrever o Evangelho).
Aparentemente, a primeira viagem missionária de Paulo terminaria com o concilio de Jerusalém (Cf. At 15, 5ss), entretanto, parece mais correto colocar esse concilio no fim do livro (Cf. At 21, 17-26), explicando entre outras coisas, o Nazariato de Paulo, uma promessa em que só se corta o cabelo após cumpri-la, sendo então que a promessa de Paulo seria pela aceitação dos cristãos gentios dentro das comunidades.

As 4 Grandes Viagens de Paulo:
Primeira Viagem (At 13-14):
Essa primeira missão envolvia Barnabé, João Marcos e Paulo. Marca o fim da primeira etapa da vida da Igreja, ligada diretamente a Jerusalém. Como Barnabé era natural do Chipre, justifica o motivo pelo qual Lucas começa a missão deles por essa região.

Segunda Viagem (At 15,38-18,22):
O concilio de Jerusalém escancara as portas da Igreja para a entrada dos gentios. Assim, Paulo começa a sua segunda viagem, com a missão de evangelizar o mundo pagão. Ele alcança a Macedônia e a Grécia, penetrando no mundo Europeu.
Lucas salienta que as comunidades surgiram por obra do Espírito Santo, talvez por que comunidades cristãs surgidas em ambientes pagãos fossem mau vistas pelos outros cristãos (vindos do Judaísmo), que enxergavam nessas comunidades a ambição dos missionários.
A segunda missão começa com o conflito de Paulo, Barnabé e João Marcos, que se desentenderam. Aparentemente, Marcos deixou Paulo e Barnabé por discordar com o método deles. Entretanto, na carta aos Gálatas (cf. Gl 2, 11-14) Paulo fala que o motivo do desentendimento é mais grave. De qualquer forma, Marcos e Barnabé vão para Chipre, terra natal de Barnabé, e Paulo tomando Silas como novo companheiro, parte para o ocidente.

Terceira Viagem (At 18,22-21,16):
A terceira viagem de Paulo é ancorada em Éfeso. Nessa cidade, Paulo escreve a I carta aos Corintios, uma outra, provavelmente embutida na II Corintios (Cf. II Cor 10-13), escreve aos Galatas e aos Filipenses. Paulo ficou preso em Éfeso (Cf. II Cor 1, 8; Fl), porém Lucas não menciona nada desse tempo. Ele está mais interessado nos desvios que podem comprometer a fé dos cristãos.
Éfeso parece ser um centro meio judaico, meio cristão, com judeus seguidores do Batista (Cf. At 19, 1-17). Entretanto, conheciam apenas o Cristo Histórico. Como Apólo, doutrinado no cristianismo por Priscila e Aquila, esses Homens citados por Lucas, 12 no total - que pode ser um número simbólico, tinham como Apólo uma “Jesulogia”, e que o Batismo transforma em Cristianismo. É o terceiro Pentecostes do livro, pelo batismo eles recebem o Espírito Santo (cf. At 2,10).

Paulo em Roma (At 21,17-28,16):
A prisão de Paulo, ocorre em Jerusalém, dai, vai preso para Cesaréia, onde é julgado pelo Tribuno Lísias, e pelo Governador Félix. Quando Félix é substituído  por Festo, as autoridades  de Jerusalém tentam convence-lo de mandar Paulo para ser julgado em Jerusalém, mas Festo não cai nessa armadilha.
Festo propõem a Paulo que seja julgado em Jerusalém, mas ele apela a Roma, quer ser julgado por César. O imperador na época, era Nero, mas Paulo já conhecia a sua sentença, se fosse julgado pelos judeus, então arrisca tudo para ser levado a Roma.
A viagem de Paulo a Roma é marcada por muitos acidentes, o que quer mostrar que o missionário, condenado pelos judeus (como Jesus) é capaz de levar a vida a todos (como Jesus na ressurreição).

Paulo na Espanha:
Embora o livro dos Atos não fale, pode ser que Paulo tenha ido até a Espanha. Isso por que ele não teria ficado preso todo o tempo, teria ficado preso, sendo libertado, e depois, retornando da Espanha, teria sido preso novamente, e ai decapitado.
                        Aparentemente Paulo teve uma curta liberdade em Roma, podendo, até ter vivido lá durante os 2 anos citados em Atos, ou também ter sido liberto e ido até a Espanha (Cf. Epistola de São Clemente) de onde quando  retornou  a Roma, foi preso e martirizado pelo imperador Nero.
                        Até o relato dos Atos, parece justificar, pois se Paulo foi martirizado em Roma, por que esperar dois anos? Isso mostra bem a possibilidade de ter sido libertado, e depois novamente preso e ai decapitado.

Bibliografia:
- Bíblia Sagrada - Versão: TEB - Tradução Ecumênica da Bíblia/Versão: Pastoral/ Bíblia de Jerusalém/Bíblia do Peregrino - Novo Testamento
- Como Ler Os Atos dos Apóstolos
O caminho do Evangelho - Ivo Storniolo
- Pequeno Vocabulário da Bíblia - W. Gruen - 11a. Edição
- Apontamentos do Curso de Teologia - RESA - 1998
- Revista Vida Pastoral nº 201
Julho/Agosto 1998
Espírito Sopra onde quiser.

Pe. José Bortolini

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