Perguntas:
1- Quando se iniciou o
crescimento das comunidades Cristãs?
2- A partir de quando?
3- Quem é Barnabé?
4- Quem é Saulo de Tarço?
3- Quem é Barnabé?
4- Quem é Saulo de Tarço?
5- Quem é João Marcos?
6- Porque ocorreu o concilio de
Jerusalém?
7- O porque do Naziriato de
Paulo?
Para poder se
entender a expansão da Igreja, e mais precisamente do Cristianismo, é preciso
antes entender o que é Igreja, e o que é Cristianismo. O Cristianismo é a fé
professada na Ressurreição de Cristo. A Igreja é uma instituição, uma organização
que levou (e deveria levar) a fé as pessoas. A arma do cristianismo é o Evangelho,
que foi escrito a partir da ressurreição de Jesus, e não do seu nascimento.
O mais antigo
dos Evangelhos, o Proto-Marcos (vamos ver isso melhor no Módulo sobre
Sinóticos), traz-nos a proposta da comunidade para ser batizada, descobrir o
caminho do Senhor. Esse querigma, mostra ao povo que mesmo ma perseguição e até
na morte, encontraremos a vida que vem de Jesus.
Por isso,
podemos dizer que a expansão cristã começou com os discípulos e apóstolos de
Jesus, iniciado por João Batista, que anunciava a vinda do messias e foi
aumentando até alcançar uma multidão incontável (Cf. Mt 5, 1-2).
O próprio livro
de Atos, inicia-se com um relato onde elenca um conjunto de comunidades que
expressa a grande divulgação e relata a expansão por todo o oriente conhecido
(Cf. At 2, 8-11). Mas o que os pregadores, discípulos e apóstolos de Jesus
pregavam? Era sobre as maravilhas que Deus realizou (cf. At 2, 11b) vistas e enfocadas
a partir da Ressurreição de Cristo, que rompe com o medo e a morte, mostrando
ser possível viver sempre mais e melhor (Cf. Jo 10, 10).
Jesus de
Nazaré, cujo o título para os cristãos era Cristo (Messias = Ungido) não fundou
nenhuma Igreja (instituição, organização), Ele deu as “metas”, os princípios
pelos quais devemos ser norteados, e deixou a organização para os Apóstolos.
Jesus fazia um trabalho missionário e de evangelização, que depois foi seguido
por outros missionários, como Filipe, Barnabé, João Marcos e Paulo, entre
outros. Com o decorrer do livro, o foco muda de Jerusalém (Comunidade Petrina)
para os Pagãos (Comunidades Paulinas).
O principal
personagem do livro dos Atos, é Saul, nascido na cidade de Tarço, um porto
importante da Ásia. O nome Saul, é equivalente a Saulo, cujo o paralelo latino
é Paulo, e é considerado como o último dos apóstolos (que viu a Jesus, não como
os outros apóstolos, que viveram com Ele, mas por efeito de uma parusia), e foi
um grande perseguidor da Igreja (em especial das comunidades de Jerusalém),
participando inclusive do apedrejamento de Estevão (o primeiro Mártir cristão,
morto por volta do ano 37 d.C.), segurando as túnicas daqueles que o
apedrejavam (Cf. At 7, 58; 8, 1; 22, 20). Aos poucos, Paulo vai assumindo o
lugar de Pedro dentro do livro dos Atos, fazendo o foco sair de Jerusalém para
os gentios. Antes de Paulo ser citado, vários missionários vão ao encontro dos
gentios, em especial os helenistas, como Filipe, que evangelizou a Samaria, e o
funcionário Etíope.
Para se
conhecer bem um livro, ou um assunto, é preciso conhecer bem também para quem,
e como foi escrito o livro. No nosso livro de Atos, temos diversos personagens
que levam a Boa Nova a vários locais, e muitas vezes envolvem-se em conflitos.
O primeiro modelo de comunidade, é um modelo utópico, um sonho, que serve de
base para a criação real das comunidades, e é nesses moldes de sonho que o
livro nos relata o episódio de Ananias e Safira, um casal que vendeu um
terreno, e resolveu por algum motivo enganar a comunidade (só que eles estavam
mentindo para Deus, e não para a comunidade). Foram punidos com a morte. Antes
desse episódio, é apresentado um levita de nome José, nascido na Ilha do
Chipre, que entregou tudo o que tinha para a comunidade e abraçou a fé cristã
como missionário. Ele recebeu por parte da comunidade o nome de Barnabé (Cf. At
4, 36). Esse mesmo missionário, será no futuro o fiador da fé paulina, pois ele
atesta perante os apóstolos que Paulo é fiel a Cristo (Cf. At 9, 26-30).
Barnabé tinha
como outro companheiro de missão, certo João Marcos, que a tradição ligou como
o Marcos, autor do Evangelho, que seria a compilação da pregação oral feita por
Pedro. João Marcos acompanhou os missionários Paulo e Barnabé na sua primeira
viagem missionária, indo até a Panfilia (Cf. At 15,38), onde sem explicação
explicita no livro, abandona o grupo e volta para Jerusalém (a tradição costuma
colocar essa deserção de Marcos como sendo a sua volta para escrever o Evangelho).
Aparentemente,
a primeira viagem missionária de Paulo terminaria com o concilio de Jerusalém
(Cf. At 15, 5ss), entretanto, parece mais correto colocar esse concilio no fim
do livro (Cf. At 21, 17-26), explicando entre outras coisas, o Nazariato de
Paulo, uma promessa em que só se corta o cabelo após cumpri-la, sendo então que
a promessa de Paulo seria pela aceitação dos cristãos gentios dentro das
comunidades.
As 4 Grandes Viagens de Paulo:
Primeira
Viagem (At 13-14):
Essa primeira
missão envolvia Barnabé, João Marcos e Paulo. Marca o fim da primeira etapa da
vida da Igreja, ligada diretamente a Jerusalém. Como Barnabé era natural do
Chipre, justifica o motivo pelo qual Lucas começa a missão deles por essa
região.
Segunda Viagem
(At 15,38-18,22):
O concilio de
Jerusalém escancara as portas da Igreja para a entrada dos gentios. Assim,
Paulo começa a sua segunda viagem, com a missão de evangelizar o mundo pagão.
Ele alcança a Macedônia e a Grécia, penetrando no mundo Europeu.
Lucas salienta
que as comunidades surgiram por obra do Espírito Santo, talvez por que
comunidades cristãs surgidas em ambientes pagãos fossem mau vistas pelos outros
cristãos (vindos do Judaísmo), que enxergavam nessas comunidades a ambição dos
missionários.
A segunda missão começa com o
conflito de Paulo, Barnabé e João Marcos, que se desentenderam. Aparentemente,
Marcos deixou Paulo e Barnabé por discordar com o método deles. Entretanto, na
carta aos Gálatas (cf. Gl 2, 11-14) Paulo fala que o motivo do desentendimento
é mais grave. De qualquer forma, Marcos e Barnabé vão para Chipre, terra natal
de Barnabé, e Paulo tomando Silas como novo companheiro, parte para o ocidente.
Terceira
Viagem (At 18,22-21,16):
A terceira
viagem de Paulo é ancorada em Éfeso. Nessa cidade, Paulo escreve a I carta aos
Corintios, uma outra, provavelmente embutida na II Corintios (Cf. II Cor
10-13), escreve aos Galatas e aos Filipenses. Paulo ficou preso em Éfeso (Cf.
II Cor 1, 8; Fl), porém Lucas não menciona nada desse tempo. Ele está mais
interessado nos desvios que podem comprometer a fé dos cristãos.
Éfeso parece ser um centro meio judaico, meio cristão, com
judeus seguidores do Batista (Cf. At 19, 1-17). Entretanto, conheciam apenas o
Cristo Histórico. Como Apólo, doutrinado no cristianismo por Priscila e Aquila,
esses Homens citados por Lucas, 12 no total - que pode ser um número simbólico,
tinham como Apólo uma “Jesulogia”, e que o Batismo transforma em Cristianismo.
É o terceiro Pentecostes do livro, pelo batismo eles recebem o Espírito Santo
(cf. At 2,10).
Paulo em Roma
(At 21,17-28,16):
A prisão de
Paulo, ocorre em Jerusalém, dai, vai preso para Cesaréia, onde é julgado pelo
Tribuno Lísias, e pelo Governador Félix. Quando Félix é substituído por Festo, as autoridades de Jerusalém tentam convence-lo de mandar
Paulo para ser julgado em Jerusalém, mas Festo não cai nessa armadilha.
Festo propõem
a Paulo que seja julgado em Jerusalém, mas ele apela a Roma, quer ser julgado
por César. O imperador na época, era Nero, mas Paulo já conhecia a sua
sentença, se fosse julgado pelos judeus, então arrisca tudo para ser levado a
Roma.
A viagem de
Paulo a Roma é marcada por muitos acidentes, o que quer mostrar que o
missionário, condenado pelos judeus (como Jesus) é capaz de levar a vida a
todos (como Jesus na ressurreição).
Paulo na
Espanha:
Embora o livro
dos Atos não fale, pode ser que Paulo tenha ido até a Espanha. Isso por que ele
não teria ficado preso todo o tempo, teria ficado preso, sendo libertado, e
depois, retornando da Espanha, teria sido preso novamente, e ai decapitado.
Aparentemente
Paulo teve uma curta liberdade em Roma, podendo, até ter vivido lá durante os 2
anos citados em Atos, ou também ter sido liberto e ido até a Espanha (Cf.
Epistola de São Clemente) de onde quando
retornou a Roma, foi preso e
martirizado pelo imperador Nero.
Até
o relato dos Atos, parece justificar, pois se Paulo foi martirizado em Roma,
por que esperar dois anos? Isso mostra bem a possibilidade de ter sido
libertado, e depois novamente preso e ai decapitado.
Bibliografia:
- Bíblia Sagrada - Versão: TEB - Tradução Ecumênica da
Bíblia/Versão: Pastoral/ Bíblia de Jerusalém/Bíblia do Peregrino - Novo
Testamento
-
Como Ler Os Atos dos Apóstolos
O
caminho do Evangelho - Ivo Storniolo
-
Pequeno Vocabulário da Bíblia - W. Gruen - 11a. Edição
-
Apontamentos do Curso de Teologia - RESA - 1998
-
Revista Vida Pastoral nº 201
Julho/Agosto
1998
Espírito
Sopra onde quiser.
Pe.
José Bortolini
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