quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Breve visão do Apocalipse

Apocalipse de São João:
I. Introdução Geral:
O que você pensa quando se fala em apocalipse?  Normalmente, as pessoas pensam em fim de mundo, destruição, monstros e morte. Na realidade, o apocalipse, por ser um livro da Bíblia, inspirado por Deus, não poderia e não tratar desses assuntos.

1.1. As chaves do Apocalipse:
Ao contrario do que as pessoas pensam, o Apocalipse é um livro de:
1.      Resistência (Convicção, certeza da mudança).
2.      Denúncia (Profecia  - a denúncia profética, é aquela que revela uma situação que leva a morte).
3.      Celebração (Convida a celebrarmos a Ressurreição de Jesus Cristo, que venceu a morte e está vivo, junto ao Pai [Cf. Ap 1]).
4.      Testemunho (Representado principalmente pelo Martírio, aquele que jamais nega a Cristo).
5.      Felicidade (É um livro que nos mostra a felicidade, mostrando-nos como viver as 7 bem aventuranças [Mt 5, 1-12; Lc 6,20-23]).
6.      Urgente (É um livro sempre atual, que nos trás hoje, a mesma esperança que trouxe quando foi escrito em 95).
7.      Esperança (Vida melhor, vida com Cristo e junto a Deus, na Jerusalém Celeste, descida para a Terra [Cf. Ap 21]).

1.2. Estilo Literário do Apocalipse:
O estilo apocalíptico (Apocalíptica), não é exclusividade do Apocalipse de São João, podemos encontra-lo em diversos textos, como por exemplo nos Evangelhos (Cf. Mc 13), nos livros Proféticos (Cf. Dn; Ez 37, 1 ss.), em livros sapienciais e em muitos apócrifos (livros de cunho religioso, mas que não fazem parte do Cânon Católico ou cristão/judaico).

1.3. Autor do Apocalipse:
O autor do Apocalipse é um certo João (Cf. Ap 1,1; 2,4. 9; 22, 8) que a tradição costuma ligar com o Discípulo Amado, autor do quarto Evangelho (João) e de 3 cartas (I, II e III João).
Não é possível garantir que o autor do Evangelho, das Cartas e do Apocalipse seja o mesmo. Pelo menos dois nomes de peso, colocam como autor do Apocalipse outros homens: Gaio, presbítero romano do inicio do século III, atribui ao herege Arinto, fundador dos Ebionitas (Pobres de Cristo). O outro é Dionisio, bispo de Alexandria (metade do Século III) que relata a existência em Éfeso, de um outro João, distinto do Apóstolo, que seria o autor.

1.3.1. Quem era “esse” João:
Profeta: Ap 22, 8-9;  1, 10-11 -  É chamado de Profeta pelo anjo (Cf. Ap 22, 9), e lhe é dito que deve escrever tudo o que vê (1,10-11), portanto, fala em nome de Deus.
Perseguido: exilado em Patmos, provavelmente por causa do Evangelho (Cf.  Ap 1,9).

1.4. Significado do nome Apocalipse:
O significado da Palavra Apocalipse, aparece logo no inicio do livro (cf. Ap 1,1), e deriva da palavra grega Apokálipsis, e é traduzida como revelação, mas no sentido de descobrir, retirar o véu.

1.5. Destinatários Originais:
O Apocalipse é destinado a 7 comunidades da Ásia, que representam todas as comunidades cristãs do mundo.
Éfeso: Capital da Ásia Menor.
Localizada no Mar Egeu.
Porto importante.
Dona do Colossos de Rodes (uma das 7 maravilhas do mundo antigo, das quais sobrou apenas as pirâmides do Egito).
Tinha o importante Templo de  Ártemis, local de peregrinação para os gregos.
Era uma cidade imperialista (culto ao Imperador de Roma), por isso tinha o título de NEÓCORIS.
Paulo pregou ali, numa comunidade fundada por João Batista (cf. At 18, 19ss).
Tinha uma industria de jóias sofisticada, tanto que os seus ourives sentiam-se prejudicados pelo cristianismo.
Conforme a tradição popular, João, o discípulo de Jesus, teria fugido com Maria, mãe do Senhor, para Éfeso, após a morte do Mestre (Cf. 19,25-27).

Esmirna: Fundada em 600 a.C..
Cidade moderna e funcional, bem planejada.
Tinha um porto importante, ao norte de Éfeso.
Tinha muitos pobres (comunidades cristãs).
Templos a deusa Roma, ao Imperador e ao Senado.
Judeus perseguiam cristãos.
Não via o seu lado negativo. Não enxergava os seus problemas.
Única cidade que existe até hoje, a moderna Izmir.
Ruínas mais importantes, é o fórum onde o bispo Policarpo confessou a Cristo e foi martirizado por volta do ano de 155.

Pergamo: Cidade originaria do Pergaminho.
Localizava-se na Acrópole.
O grande trono de Satanás, pode ser uma alusão ao grande altar de Zeus.
Base do culto ao imperador.
Centro terapêutico, baseado no Templo de Esculápio.

Tiatira: Centro comercial.
Atividade Cerâmica e Tecelagem (Cf. At 16,14).

Sardes: Ex-capital do antigo reino da Lídia.
Creso, rei de Sardes, era muito rico.
Colônia grega.
Arqueólogos, descobriram uma Sinagoga.

Filadélfia: Localizada num vale de ricas culturas.
Algumas referencias encontradas no Apocalipse, podem dizer respeito a antigos templos, como o erguido sobre a colina, atras da cidade.

Leodicéia: Cidade prospera, próxima a Colossos e Hierápolis, no vale do Lico.
Cidade rica.
Produzia lã e colírio.
Centro econômico.
Julgava-se auto-suficiente.
Foi destruída no ano 60, por uma erupção.
Rejeitou ajuda do senado.
Tinha fontes térmicas (Vulcânicas e sulforosas).
Fabricava remédios para os ouvidos e colírio.

II. Introdução ao livro do Apocalipse:
É importante ler e conhecer o apocalipse, e principalmente, não o interpretar de forma fundamentalista. O escritor e teólogo D.H. Lawrence escreveu: “O Apocalipse é o mais detestável livro da Bíblia, quando tomado superficialmente”. E para contrapor essa afirmação, o teólogo italiano Eugênio Corsini escreveu: “Pior que conhecer superficialmente o apocalipse, é não conhece-lo” (Cf. Grande Comentários Bíblicos - O Apocalipse de São João - Editora Paulinas - Eugênio Corsini [Introdução do Livro]).
O livro do Apocalipse, é dividido em 22 capítulos curtos, e podemos dividido em 3 grandes partes: uma introdução (Ap 1-3) e dois roteiros, sendo que o primeiro mostra a história do Povo, sua caminhada de salvação com Deus (Ap 4-11). E o segundo roteiro, que mostra o julgamento de Deus (Ap 12-22).
Outra forma de dividir o Apocalipse é em Setenários, ai teremos 4 setenários que se complementam e refletem-se entre si. O primeiro é o das Cartas (7 cartas - 2-3); o segundo é o dos selos (7 selos - 6,1-8,1); o terceiro é o das trombetas (7 trombetas -8,6-11,19); e o quarto e ultimo é o das taças (7 taças - 16). Cada um desses setenários tem uma introdução e uma conclusão.
O inicio do Apocalipse, ocorre no céu (Ap 1,10), João é levado pelo anjo para ver e conhecer o anuncio da revelação, e termina com o Céu (Jerusalém Celeste) descendo para a Terra (Ap 21,2). Quem mostra a João o que ele deve falar e escrever é o próprio Jesus Cristo (Cf. Ap 1, 12ss).

III. As Sete Cartas:
As sete cartas (Ap 2,1-3,22) são pequenas cartas quase bilhetes que tem todas as mesma estrutura e forma.
As cartas se apresentam como palavra de Jesus (Cf. Ap 2,1) - “Assim diz aquele que tem na mão direita as sete estrelas”, referindo-se ao Ap 1. Jesus recebe sempre um título, que serve de motivação.
São dirigidas a um anjo, provavelmente líder da comunidade - “...escreva ao anjo da Igreja de Éfeso...” (Cf. Ap 2,1 a).
Inicia-se com a motivação - “conheço a conduta de vocês” (Cf Ap 2, 2-3).
Após a motivação, vem a critica (porem), que mostra  algo negativo da comunidade - “mas há uma coisa que reprovo...” (Cf. Ap 2,4). Duas comunidades não apresentam sinais negativos, Esmirna e Filadélfia.
A carta sempre termina com um aviso final - “Preste atenção, repare onde caiu...” (Cf. Ap 2,5).
Aos vencedores, aqueles que conseguem a conversão, é dado um prêmio conforme a cultura ou a tradição da comunidade - “Ao vencedor, Eu darei como prêmio...” (Cf. Ap 2,7).
Todas as cartas tem a mesma estrutura literária, e o mesmo estilo.

IV. 1º Roteiro - Os Sete Selos:
A maior parte dos estudiosos, dividem o livro do Apocalipse em 3 partes, a introdução, que vai de Ap 1,1-3; o primeiro Roteiro, dos Selos, que é composto de Ap 4-11; e o segundo Roteiro, o Julgamento de Deus, Ap 12-22.
João inicia o roteiro dos selos, mostrando como era o Céu. O trono e aquele que se apresenta no trono, lembra o Êxodo.
O Céu não é exclusividade de Deus, está numa comunidade com 24 anciões e 4 seres vivos, que lembram os 4 evangelhos, conforme o comentário de Irineu (Leão - Marcos; Homem - Mateus; Touro - Lucas e Águia - João), e convida as comunidades que já conhecem o Evangelho, o seu conteúdo, e as suas exigências a participarem de um novo êxodo.
O roteiro dos sete selos, mostra um livro escrito por dentro e por fora (AT) e será aberto por Jesus (Leão de Judá).
Os 4 primeiros selos, mostram a história da humanidade, controlada pelo mau.

4.1. Os Cavaleiros do Apocalipse:
A visão dos cavaleiros do Apocalipse, João vai buscar no livro do Profeta Zacarias (Cf. Zc 1,8. 6,1ss).
Cada um dos cavaleiros, tem uma cor e um simbolismo.
1º.  Selo: Cavalo Branco - poder militar, avanço do poder militar Romano.
2º.  Selo: Cavalo Vermelho - guerras sangrentas entre os povos do império Romano.
3º.  Selo: Cavalo Preto: fome e carestia, custo de vida.
4º.  Selo: Cavalo Esverdeado - representa a morte, peste e doenças, também conseqüência do avanço do império.
5º.  Selo: Ano presente (ano de 95 d.C.) - ninguém pode impedir o avanço dos dominadores. Os que recebem as vestes brancas já alcançaram a vitória do Cordeiro (6, 9-11).
6º. O que vai acontecer?
É dividido em 3 partes:
- 6,12-17 - Manifestação da ira de Deus.
- 7, 1-8 - Marca de Deus.
- 7, 9-17 - A multidão se encontra.
Na primeira parte, os dominadores que vem dominando até o 5º selo, fogem apavorados.
O texto da 2ª parte, mostra que os fieis a Deus são marcados (Batismo). O povo, até então desorganizado aparece agora organizado em 12 tribos (Cf. Nm 1, 20-43).
O terceiro texto (Ap 7, 9-17) mostra o encontro de todos os povos, perseguidos pela Besta, que serão acolhidos por Deus (Lavaram e Alvejaram as roupas no sangue do cordeiro - Ap 7, 13ss).
. O sétimo selo, anuncia o julgamento e a tentativa do poder em sufocar a profecia (matar as testemunhas).
As catástrofes naturais, mostradas nesse trecho, lembram o poder de Deus.

V. 2º Roteiro - Os Sinais do Céu:
5.1. Introdução:
No primeiro roteiro, João esta na terra (Patmos - Cf. Ap 1,9) e de lá vai ver as coisas que realizam-se no céu. No segundo roteiro, ele começa olhando o céu (12,1), e esse sinal desce para a terra, para que seja realizada a implantação do Reino (Cf. Ap 21,2). No segundo roteiro, vamos ver o julgamento.

5.2. Primeira Visão - A mulher e o Dragão:
O segundo roteiro, começa com uma luta desigual, uma mulher gravida contra um dragão, e Deus vem ao encontro dos mais desfavorecidos (12, 1-6).

5.2.1. Quem é a mulher?
Podemos dizer que a mulher é Eva (mãe de todos, a primeira mulher), Maria (Mãe de Jesus, e por isso gravida) ou ainda Israel, o povo de Deus, escolhido desde o Êxodo.

5.2.2. Quem é o Dragão?
Lembra aqui o livro do Gênesis, a antiga serpente, o diabo, satanás, todo poder do mau e do pecado. O Dragão, figura com características romanas (sete cabeças, que podem ser as sete colinas do império), a cor vermelha (sangue e martírio) muito utilizada pelos soldados romanos e mantos dos reis e imperadores. O Dragão é forte, mas não é perfeito (10 chifres).

5.2.3. A Batalha:
Deus socorre a mulher, mandando-a para o deserto (a exemplo de Elias, que para fugir da perseguição de Jezabel e Acab, foge para o monte Carmelo [Cf. I Rs 17-19; 21, 52-54]).
A mulher deu a luz (inicio da Igreja) e o Dragão, derrotado, desce para a terra atras da mulher.
Outra lembrança que o Dragão é Roma, sede do poder perseguidor, é o rio (12, 15-16) lembrando a lenda da fundação de Roma (quando os dois irmãos, Romulo e Remo, mamavam nas tetas de uma loba, nas margens do rio).

5.3. A Besta:
O Dragão foi vencido (podemos dizer que ele representava o poder político). Ele para de frente a uma praia, na beira do mar (12,18). O mar, para os judeus, era um limite intransponível, por isso mesmo, morada de todo mau.
O Dragão transfere o seu poder para a Besta Fera, que tinha as mesmas características do Dragão. Podemos aqui dizer que o Dragão é Nero (conforme a interpretação de um grande número de estudiosos), e a Besta é Domiciliano.
A aparência da Besta revela suas intenções: tudo o que havia de mau nos grandes impérios antigos (descrição da Besta - 13, 1-8). A aparência de Pantera ou Leopardo = Império Persa; Pés de Urso = Império Medo; Boca de Leão = Império Babilônico.

5.3.1. Cabeça Ferida de Morte:
Pode ser uma referencia usada para comparar ou lembrar a ressurreição de Cristo, só que aqui alude a Nero, recuperado em Domiciliano pelo culto ao imperador.

5.3.2. A segunda Besta:
João faz referencia a uma segunda Besta, menor que a primeira e que na aparência lembra o cordeiro (Cristo), mas que fala como o Dragão (podemos dizer que essa segunda Besta, lembra o poder religioso corrompido). São os falsos profetas, e representam a propaganda ideológica do Império.
Quando se fala, em marcados na mão direita e na fronte, esta lembrando o culto ao imperador, pelo qual quem não comparecesse e participasse, aceitando o imperador como um representante da divindade, não podia comprar nem vender nada (mão direita). Quando se aceita o imperador como representante da divindade, aceita-se a sua ideologia de morte e perseguição (marcados na fronte - 13, 16-17).
O número da Besta, o 666, é explicado de várias formas, mas a mais corrente é que ele representa César Nero, o 8º Imperador de sua dinastia, que suicidou-se por volta do ano 68. Existia uma lenda, que dizia que Nero iria voltar para retomar o seu poder, comandando um exercito de soldados de fora do império Romano, entre eles os Pardos e Medos, que usavam o gás de enxofre como arma química.
Aplicando-se o cálculo pitagórico (Somatória dos números de 1 a n) teremos:
Nero 8º Imperador. n=8.
(1+2+3+...+N)= [nx(n+1)]/2 = [8x(8+1)]/2=36.
Ora, para os antigos cristãos, Domiciliano era a reencarnação da maldade de Nero, portanto, Nero nasceu de novo:
n=36, é novamente aplicado ao cálculo pitagórico, novamente temos:
[36x(36+1)]/2 = [36 x 37]/2 = 666
Outra forma de ver esse número misterioso, é mostrando-o como imperfeito (metade de 12, e não chega a 7). Então ele se contrapõem ao número 777, que representaria a total perfeição.

5.4. O povo do Cordeiro:
É uma nova visão. João vê o inicio do julgamento, e que Roma (representada pela Babilônia) com seus representantes e sistemas vai cair. Recupera as imagens anteriores, os 4 seres vivos, e os 144 mil marcados com o sinal do Cordeiro (Israel). Ele mostra também quem presidirá o julgamento, Jesus (14, 14ss).

5.5. Julgamento definitivo (15-16):
Agora são os vencedores da Besta que entoam um canto, canto novo, canto de Moisés e do Cordeiro (Novo Moisés). Lembra e relê Ex 15 (Ap 15, 3-5).
O novo Moisés, ira conduzir o povo para a nova Terra Prometida (Jerusalém Celeste - 21). O projeto de Deus será executado, por isso os anjos saem do templo.
Todos tiveram tempo para se converter e aceitar o Evangelho. Ao ver que o povo preferia não se converter, Deus determina o inicio do julgamento (16, 1).
As pragas lembram as do Êxodo:
- Ulceras;
- Água em Sangue (rios e mares);
- Sol que queima o Homem (não pertence as pragas do Egito);
- Trevas.
Mesmo após as 5 primeiras pragas, que atingiram todo o universo, os Homens ainda não se converteram (Cf. 16,11).
- Seca (Eufrates é um dos rios da Mesopotânea, terra da origem de Abraão, o outro é o rio Tigre - aqui lembra a saga de Elias [I Rs 17]). A praga não é a seca, mas a guerra (Cf. 16,12).
A Besta, Dragão e Falso Profeta, contrapõem a Santíssima Trindade.
Ai, o mau reúne todos aqueles aliados que sobraram e prepara-se para o confronto final. Harmagedon (16, 16) significa Montanha Meguido, lugar de derrotas famosas, narradas no Antigo Testamento.
- Terremoto.
- Granizo.
A sétima praga é a consumação da ira de Deus, contra todos os infiéis.

5.6. Consumação Final (17-18):
No deserto encontramos outra mulher, não a mesma protegida por Deus, mas uma suntuosa prostituta (ROMA). Ela representa todo o mau e poder do imperador (nomes usados pelo imperador). Ela utiliza-se do sangue dos mártires e testemunhas de Cristo para embriagar-se (o vício reduz o Homem a um escravo).
Os chifres  se revoltam contra a Besta (17, 16-18), ou seja, vendo a derrota iminente, os dominados se rebelam contra Roma a dominadora.
Ap 18, 1-19:
Ap 18, 1-3 - Mostra que Deus não abandonou o seu povo, e a prostituta, jaz derrotada.
A queda da cidade faz com que os grupos dominantes fiquem tristes: Lamentações dos reis (Poder Político), Mercadores (Poder econômico), Navegantes (Poder da Comunicação).

5.7. Celebração da Vitória (19):
Mostra a manifestação da Gloria de Deus, e ao mesmo tempo, traz um alerta, não devemos engrandecer e glorificar aquele que é instrumento de Deus (At 10; Ap 19, 9-10).
Quem vai julgar e executar o julgamento é o próprio Jesus, usando o seu Evangelho.
A Besta e o Falso Profeta são jogados no lago de fogo e enxofre (Império Medo) e os corpos são abandonados para serem comidos pelas aves (19, 19-21). Quem mata os inimigos é o Evangelho.

5.8. Fim da História (20-22):
O capítulo 20, já deu origem a muitos problemas, o mais conhecido e divulgado é o Milenarismo. Muitas seitas (até nos nossos dias) usam a expressão 1000 anos como referencia a grandes tragédias. Mas isso não é novo. Santo Agostinho escreveu um livro para combater o Milenarismo, chamado XX.
Os mil anos citados no Apocalipse, significam um longo tempo, e comparado a ação da Besta (3 anos e meio, 46 meses ou 1260 dias), vamos perceber que o domínio é curto.
No capítulo 21, o mar não existe mais, pois para os judeus antigos, o mar é morada do mau, barreira intransponível. A cidade Celeste desce, é o reino de Deus no nosso meio. A tenda de Deus lembra a tenda da Aliança (Ex). Deus passa a habitar com os Homens, recuperando o equilíbrio quebrado em Gênesis (Gn 3) por ocasião do pecado. Existe uma fonte de água viva (lembra o batismo), uma água que cura e purifica. Aqui, não existem rejeitados, todos são filhos de Deus. Os infiéis, foram jogados no “inferno” representado pelo lago de fogo e enxofre.
A cidade que desce é a noiva do cordeiro, é toda perfeita, seus números são perfeitos e sua construção valiosa (pedras preciosas). Ela não tem templo, pois Deus habita nela com o Homem, por isso não precisa de religião (religação do Homem com Deus). Nessa cidade, não tem sol nem lua, a noite não existe, pois representa as trevas, e a cidade será morada de todos os povos. Todos estão inscritos no livro da vida, no Evangelho.
O capítulo 22, encerra o livro com uma tranqüilidade e paz, sem nunca esquecer que para se viver na Jerusalém celeste, é preciso viver a profecia e a verdade.
O livro do apocalipse, não é para ser escondido, mas para ser anunciado e vivido (22, 10).
Deus está pronto para nos julgar, mas não como nós, humanos, e sim como Ele, Deus (Cf. Mt 20, 1-12).

6. Bibliografia (Leituras para aprofundamento):

Esperança De Um Povo Que Luta
Carlos Mester - Paulus

Grande Comentário Bíblico - Apocalipse de São João
Eugênio Corsini - Paulinas/Paulus

Dicionário de Figuras e Símbolos Bíblicos
Paulus

Como ler o Apocalipse (resistir e denunciar)
Pe. José Bortolini - Ed. Paulus

Não Tenham Medo (Apocalipse)
Frei Gorgulho/ Ana Flora  Anderson - Ed. Paulus

Os lugares da Bíblia
 Ed. Paulus

Jornal Mundo Jovem - Maio/98
José Afonso Beraldin, professor de Bíblia na PUC-RS.


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