Apocalipse
de São João:
I.
Introdução Geral:
O que você
pensa quando se fala em apocalipse?
Normalmente, as pessoas pensam em fim de mundo, destruição, monstros e
morte. Na realidade, o apocalipse, por ser um livro da Bíblia, inspirado por
Deus, não poderia e não tratar desses assuntos.
1.1. As
chaves do Apocalipse:
Ao contrario do
que as pessoas pensam, o Apocalipse é um livro de:
1.
Resistência (Convicção, certeza da mudança).
2.
Denúncia (Profecia
- a denúncia profética, é aquela que revela uma situação que leva a
morte).
3.
Celebração (Convida a celebrarmos a Ressurreição de
Jesus Cristo, que venceu a morte e está vivo, junto ao Pai [Cf. Ap 1]).
4.
Testemunho (Representado principalmente pelo Martírio,
aquele que jamais nega a Cristo).
5.
Felicidade (É um livro que nos mostra a felicidade,
mostrando-nos como viver as 7 bem aventuranças [Mt 5, 1-12; Lc 6,20-23]).
6.
Urgente (É um livro sempre atual, que nos trás hoje, a
mesma esperança que trouxe quando foi escrito em 95).
7.
Esperança (Vida melhor, vida com Cristo e junto a Deus,
na Jerusalém Celeste, descida para a Terra [Cf. Ap 21]).
1.2.
Estilo Literário do Apocalipse:
O estilo
apocalíptico (Apocalíptica), não é exclusividade do Apocalipse de São João,
podemos encontra-lo em diversos textos, como por exemplo nos Evangelhos (Cf. Mc
13), nos livros Proféticos (Cf. Dn; Ez 37, 1 ss.), em livros sapienciais e em
muitos apócrifos (livros de cunho religioso, mas que não fazem parte do Cânon
Católico ou cristão/judaico).
1.3. Autor
do Apocalipse:
O autor do
Apocalipse é um certo João (Cf. Ap 1,1; 2,4. 9; 22, 8) que a tradição costuma
ligar com o Discípulo Amado, autor do quarto Evangelho (João) e de 3 cartas (I,
II e III João).
Não é possível
garantir que o autor do Evangelho, das Cartas e do Apocalipse seja o mesmo. Pelo
menos dois nomes de peso, colocam como autor do Apocalipse outros homens: Gaio,
presbítero romano do inicio do século III, atribui ao herege Arinto, fundador
dos Ebionitas (Pobres de Cristo). O outro é Dionisio, bispo de Alexandria
(metade do Século III) que relata a existência em Éfeso, de um outro João,
distinto do Apóstolo, que seria o autor.
1.3.1.
Quem era “esse” João:
Profeta:
Ap 22, 8-9; 1, 10-11 - É chamado de Profeta pelo anjo (Cf. Ap 22,
9), e lhe é dito que deve escrever tudo o que vê (1,10-11), portanto, fala em
nome de Deus.
Perseguido:
exilado em Patmos, provavelmente por causa do Evangelho (Cf. Ap 1,9).
1.4.
Significado do nome Apocalipse:
O significado
da Palavra Apocalipse, aparece logo
no inicio do livro (cf. Ap 1,1), e deriva da palavra grega Apokálipsis, e é
traduzida como revelação, mas no sentido de descobrir, retirar o véu.
1.5.
Destinatários Originais:
O Apocalipse é
destinado a 7 comunidades da Ásia, que representam todas as comunidades cristãs
do mundo.
Éfeso:
Capital da Ásia Menor.
Localizada no
Mar Egeu.
Porto
importante.
Dona do
Colossos de Rodes (uma das 7 maravilhas do mundo antigo, das quais sobrou
apenas as pirâmides do Egito).
Tinha o
importante Templo de Ártemis, local de
peregrinação para os gregos.
Era uma
cidade imperialista (culto ao Imperador de Roma), por isso tinha o título de
NEÓCORIS.
Paulo pregou
ali, numa comunidade fundada por João Batista (cf. At 18, 19ss).
Tinha uma
industria de jóias sofisticada, tanto que os seus ourives sentiam-se prejudicados
pelo cristianismo.
Conforme a
tradição popular, João, o discípulo de Jesus, teria fugido com Maria, mãe do
Senhor, para Éfeso, após a morte do Mestre (Cf. 19,25-27).
Esmirna:
Fundada em 600 a.C..
Cidade
moderna e funcional, bem planejada.
Tinha um
porto importante, ao norte de Éfeso.
Tinha muitos
pobres (comunidades cristãs).
Templos a
deusa Roma, ao Imperador e ao Senado.
Judeus
perseguiam cristãos.
Não via o seu
lado negativo. Não enxergava os seus problemas.
Única cidade
que existe até hoje, a moderna Izmir.
Ruínas mais
importantes, é o fórum onde o bispo Policarpo confessou a Cristo e foi
martirizado por volta do ano de 155.
Pergamo:
Cidade originaria do Pergaminho.
Localizava-se
na Acrópole.
O grande
trono de Satanás, pode ser uma alusão ao grande altar de Zeus.
Base do culto
ao imperador.
Centro
terapêutico, baseado no Templo de Esculápio.
Tiatira:
Centro comercial.
Atividade
Cerâmica e Tecelagem (Cf. At 16,14).
Sardes:
Ex-capital do antigo reino da Lídia.
Creso, rei de
Sardes, era muito rico.
Colônia
grega.
Arqueólogos,
descobriram uma Sinagoga.
Filadélfia:
Localizada num vale de ricas culturas.
Algumas
referencias encontradas no Apocalipse, podem dizer respeito a antigos templos,
como o erguido sobre a colina, atras da cidade.
Leodicéia:
Cidade prospera, próxima a Colossos e Hierápolis, no vale do Lico.
Cidade rica.
Produzia lã e
colírio.
Centro
econômico.
Julgava-se
auto-suficiente.
Foi destruída
no ano 60, por uma erupção.
Rejeitou ajuda
do senado.
Tinha fontes
térmicas (Vulcânicas e sulforosas).
Fabricava
remédios para os ouvidos e colírio.
II.
Introdução ao livro do Apocalipse:
É importante
ler e conhecer o apocalipse, e principalmente, não o interpretar de forma
fundamentalista. O escritor e teólogo D.H. Lawrence escreveu: “O Apocalipse é o
mais detestável livro da Bíblia, quando tomado superficialmente”. E para
contrapor essa afirmação, o teólogo italiano Eugênio Corsini escreveu: “Pior
que conhecer superficialmente o apocalipse, é não conhece-lo” (Cf. Grande
Comentários Bíblicos - O Apocalipse de São João - Editora Paulinas - Eugênio
Corsini [Introdução do Livro]).
O livro do
Apocalipse, é dividido em 22 capítulos curtos, e podemos dividido em 3 grandes
partes: uma introdução (Ap 1-3) e dois roteiros, sendo que o primeiro mostra a
história do Povo, sua caminhada de salvação com Deus (Ap 4-11). E o segundo
roteiro, que mostra o julgamento de Deus (Ap 12-22).
Outra forma de
dividir o Apocalipse é em Setenários, ai teremos 4 setenários que se
complementam e refletem-se entre si. O primeiro é o das Cartas (7 cartas -
2-3); o segundo é o dos selos (7 selos - 6,1-8,1); o terceiro é o das trombetas
(7 trombetas -8,6-11,19); e o quarto e ultimo é o das taças (7 taças - 16).
Cada um desses setenários tem uma introdução e uma conclusão.
O inicio do
Apocalipse, ocorre no céu (Ap 1,10), João é levado pelo anjo para ver e
conhecer o anuncio da revelação, e termina com o Céu (Jerusalém Celeste)
descendo para a Terra (Ap 21,2). Quem mostra a João o que ele deve falar e
escrever é o próprio Jesus Cristo (Cf. Ap 1, 12ss).
III. As
Sete Cartas:
As sete cartas
(Ap 2,1-3,22) são pequenas cartas quase bilhetes que tem todas as mesma
estrutura e forma.
As cartas se
apresentam como palavra de Jesus (Cf. Ap 2,1) - “Assim diz aquele que tem na
mão direita as sete estrelas”, referindo-se ao Ap 1. Jesus recebe sempre um
título, que serve de motivação.
São dirigidas a
um anjo, provavelmente líder da comunidade - “...escreva ao anjo da Igreja de
Éfeso...” (Cf. Ap 2,1 a).
Inicia-se com a
motivação - “conheço a conduta de vocês” (Cf Ap 2, 2-3).
Após a
motivação, vem a critica (porem), que mostra
algo negativo da comunidade - “mas há uma coisa que reprovo...” (Cf. Ap
2,4). Duas comunidades não apresentam sinais negativos, Esmirna e Filadélfia.
A carta sempre
termina com um aviso final - “Preste atenção, repare onde caiu...” (Cf. Ap
2,5).
Aos vencedores,
aqueles que conseguem a conversão, é dado um prêmio conforme a cultura ou a
tradição da comunidade - “Ao vencedor, Eu darei como prêmio...” (Cf. Ap 2,7).
Todas as cartas
tem a mesma estrutura literária, e o mesmo estilo.
IV. 1º
Roteiro - Os Sete Selos:
A maior parte
dos estudiosos, dividem o livro do Apocalipse em 3 partes, a introdução, que
vai de Ap 1,1-3; o primeiro Roteiro, dos Selos, que é composto de Ap 4-11; e o
segundo Roteiro, o Julgamento de Deus, Ap 12-22.
João inicia o
roteiro dos selos, mostrando como era o Céu. O trono e aquele que se apresenta
no trono, lembra o Êxodo.
O Céu não é
exclusividade de Deus, está numa comunidade com 24 anciões e 4 seres vivos, que
lembram os 4 evangelhos, conforme o comentário de Irineu (Leão - Marcos; Homem
- Mateus; Touro - Lucas e Águia - João), e convida as comunidades que já
conhecem o Evangelho, o seu conteúdo, e as suas exigências a participarem de um
novo êxodo.
O roteiro dos
sete selos, mostra um livro escrito por dentro e por fora (AT) e será aberto
por Jesus (Leão de Judá).
Os 4 primeiros
selos, mostram a história da humanidade, controlada pelo mau.
4.1. Os
Cavaleiros do Apocalipse:
A visão dos
cavaleiros do Apocalipse, João vai buscar no livro do Profeta Zacarias (Cf. Zc
1,8. 6,1ss).
Cada um dos
cavaleiros, tem uma cor e um simbolismo.
1º. Selo: Cavalo Branco - poder militar, avanço do
poder militar Romano.
2º. Selo: Cavalo Vermelho - guerras sangrentas
entre os povos do império Romano.
3º. Selo: Cavalo Preto: fome e carestia, custo de
vida.
4º. Selo: Cavalo Esverdeado - representa a morte,
peste e doenças, também conseqüência do avanço do império.
5º. Selo: Ano presente (ano de 95 d.C.) - ninguém
pode impedir o avanço dos dominadores. Os que recebem as vestes brancas já
alcançaram a vitória do Cordeiro (6, 9-11).
6º. O que vai
acontecer?
É dividido em 3
partes:
- 6,12-17 -
Manifestação da ira de Deus.
- 7, 1-8 -
Marca de Deus.
- 7, 9-17 - A
multidão se encontra.
Na primeira
parte, os dominadores que vem dominando até o 5º selo, fogem apavorados.
O texto da 2ª
parte, mostra que os fieis a Deus são marcados (Batismo). O povo, até então
desorganizado aparece agora organizado em 12 tribos (Cf. Nm 1, 20-43).
O terceiro
texto (Ap 7, 9-17) mostra o encontro de todos os povos, perseguidos pela Besta,
que serão acolhidos por Deus (Lavaram e Alvejaram as roupas no sangue do
cordeiro - Ap 7, 13ss).
7º. O sétimo selo, anuncia o julgamento e a tentativa
do poder em sufocar a profecia (matar as testemunhas).
As catástrofes
naturais, mostradas nesse trecho, lembram o poder de Deus.
V. 2º
Roteiro - Os Sinais do Céu:
5.1.
Introdução:
No primeiro
roteiro, João esta na terra (Patmos - Cf. Ap 1,9) e de lá vai ver as coisas que
realizam-se no céu. No segundo roteiro, ele começa olhando o céu (12,1), e esse
sinal desce para a terra, para que seja realizada a implantação do Reino (Cf.
Ap 21,2). No segundo roteiro, vamos ver o julgamento.
5.2.
Primeira Visão - A mulher e o Dragão:
O segundo
roteiro, começa com uma luta desigual, uma mulher gravida contra um dragão, e
Deus vem ao encontro dos mais desfavorecidos (12, 1-6).
5.2.1.
Quem é a mulher?
Podemos dizer
que a mulher é Eva (mãe de todos, a primeira mulher), Maria (Mãe de Jesus, e
por isso gravida) ou ainda Israel, o povo de Deus, escolhido desde o Êxodo.
5.2.2.
Quem é o Dragão?
Lembra aqui o
livro do Gênesis, a antiga serpente, o diabo, satanás, todo poder do mau e do
pecado. O Dragão, figura com características romanas (sete cabeças, que podem
ser as sete colinas do império), a cor vermelha (sangue e martírio) muito
utilizada pelos soldados romanos e mantos dos reis e imperadores. O Dragão é
forte, mas não é perfeito (10 chifres).
5.2.3.
A Batalha:
Deus socorre a
mulher, mandando-a para o deserto (a exemplo de Elias, que para fugir da
perseguição de Jezabel e Acab, foge para o monte Carmelo [Cf. I Rs 17-19; 21,
52-54]).
A mulher deu a
luz (inicio da Igreja) e o Dragão, derrotado, desce para a terra atras da
mulher.
Outra lembrança
que o Dragão é Roma, sede do poder perseguidor, é o rio (12, 15-16) lembrando a
lenda da fundação de Roma (quando os dois irmãos, Romulo e Remo, mamavam nas
tetas de uma loba, nas margens do rio).
5.3. A
Besta:
O Dragão foi
vencido (podemos dizer que ele representava o poder político). Ele para de
frente a uma praia, na beira do mar (12,18). O mar, para os judeus, era um
limite intransponível, por isso mesmo, morada de todo mau.
O Dragão
transfere o seu poder para a Besta Fera, que tinha as mesmas características do
Dragão. Podemos aqui dizer que o Dragão é Nero (conforme a interpretação de um
grande número de estudiosos), e a Besta é Domiciliano.
A aparência da
Besta revela suas intenções: tudo o que havia de mau nos grandes impérios antigos
(descrição da Besta - 13, 1-8). A aparência de Pantera ou Leopardo = Império Persa;
Pés de Urso = Império Medo; Boca de Leão = Império Babilônico.
5.3.1.
Cabeça Ferida de Morte:
Pode ser uma
referencia usada para comparar ou lembrar a ressurreição de Cristo, só que aqui
alude a Nero, recuperado em Domiciliano pelo culto ao imperador.
5.3.2.
A segunda Besta:
João faz
referencia a uma segunda Besta, menor que a primeira e que na aparência lembra
o cordeiro (Cristo), mas que fala como o Dragão (podemos dizer que essa segunda
Besta, lembra o poder religioso corrompido). São os falsos profetas, e
representam a propaganda ideológica do Império.
Quando se fala,
em marcados na mão direita e na fronte, esta lembrando o culto ao imperador,
pelo qual quem não comparecesse e participasse, aceitando o imperador como um
representante da divindade, não podia comprar nem vender nada (mão direita).
Quando se aceita o imperador como representante da divindade, aceita-se a sua
ideologia de morte e perseguição (marcados na fronte - 13, 16-17).
O número da
Besta, o 666, é explicado de várias formas, mas a mais corrente é que ele
representa César Nero, o 8º Imperador de sua dinastia, que suicidou-se por
volta do ano 68. Existia uma lenda, que dizia que Nero iria voltar para retomar
o seu poder, comandando um exercito de soldados de fora do império Romano,
entre eles os Pardos e Medos, que usavam o gás de enxofre como arma química.
Aplicando-se o
cálculo pitagórico (Somatória dos números de 1 a n) teremos:
Nero 8º Imperador.
n=8.
(1+2+3+...+N)=
[nx(n+1)]/2 = [8x(8+1)]/2=36.
Ora, para os
antigos cristãos, Domiciliano era a reencarnação da maldade de Nero, portanto,
Nero nasceu de novo:
n=36, é
novamente aplicado ao cálculo pitagórico, novamente temos:
[36x(36+1)]/2 =
[36 x 37]/2 = 666
Outra forma de
ver esse número misterioso, é mostrando-o como imperfeito (metade de 12, e não
chega a 7). Então ele se contrapõem ao número 777, que representaria a total perfeição.
5.4. O
povo do Cordeiro:
É uma nova
visão. João vê o inicio do julgamento, e que Roma (representada pela Babilônia)
com seus representantes e sistemas vai cair. Recupera as imagens anteriores, os
4 seres vivos, e os 144 mil marcados com o sinal do Cordeiro (Israel). Ele
mostra também quem presidirá o julgamento, Jesus (14, 14ss).
5.5.
Julgamento definitivo (15-16):
Agora são os
vencedores da Besta que entoam um canto, canto novo, canto de Moisés e do
Cordeiro (Novo Moisés). Lembra e relê Ex 15 (Ap 15, 3-5).
O novo Moisés,
ira conduzir o povo para a nova Terra Prometida (Jerusalém Celeste - 21). O
projeto de Deus será executado, por isso os anjos saem do templo.
Todos tiveram
tempo para se converter e aceitar o Evangelho. Ao ver que o povo preferia não
se converter, Deus determina o inicio do julgamento (16, 1).
As pragas
lembram as do Êxodo:
- Ulceras;
- Água em
Sangue (rios e mares);
- Sol que
queima o Homem (não pertence as pragas do Egito);
- Trevas.
Mesmo após as 5
primeiras pragas, que atingiram todo o universo, os Homens ainda não se
converteram (Cf. 16,11).
- Seca
(Eufrates é um dos rios da Mesopotânea, terra da origem de Abraão, o outro é o
rio Tigre - aqui lembra a saga de Elias [I Rs 17]). A praga não é a seca, mas a
guerra (Cf. 16,12).
A Besta, Dragão
e Falso Profeta, contrapõem a Santíssima Trindade.
Ai, o mau reúne
todos aqueles aliados que sobraram e prepara-se para o confronto final.
Harmagedon (16, 16) significa Montanha Meguido, lugar de derrotas famosas,
narradas no Antigo Testamento.
- Terremoto.
- Granizo.
A sétima praga
é a consumação da ira de Deus, contra todos os infiéis.
5.6.
Consumação Final (17-18):
No deserto
encontramos outra mulher, não a mesma protegida por Deus, mas uma suntuosa
prostituta (ROMA). Ela representa todo o mau e poder do imperador (nomes usados
pelo imperador). Ela utiliza-se do sangue dos mártires e testemunhas de Cristo
para embriagar-se (o vício reduz o Homem a um escravo).
Os chifres se revoltam contra a Besta (17, 16-18), ou
seja, vendo a derrota iminente, os dominados se rebelam contra Roma a dominadora.
Ap 18, 1-19:
Ap 18, 1-3 -
Mostra que Deus não abandonou o seu povo, e a prostituta, jaz derrotada.
A queda da
cidade faz com que os grupos dominantes fiquem tristes: Lamentações dos reis
(Poder Político), Mercadores (Poder econômico), Navegantes (Poder da
Comunicação).
5.7.
Celebração da Vitória (19):
Mostra a
manifestação da Gloria de Deus, e ao mesmo tempo, traz um alerta, não devemos
engrandecer e glorificar aquele que é instrumento de Deus (At 10; Ap 19, 9-10).
Quem vai julgar
e executar o julgamento é o próprio Jesus, usando o seu Evangelho.
A Besta e o
Falso Profeta são jogados no lago de fogo e enxofre (Império Medo) e os corpos
são abandonados para serem comidos pelas aves (19, 19-21). Quem mata os
inimigos é o Evangelho.
5.8. Fim
da História (20-22):
O capítulo 20,
já deu origem a muitos problemas, o mais conhecido e divulgado é o Milenarismo.
Muitas seitas (até nos nossos dias) usam a expressão 1000 anos como referencia
a grandes tragédias. Mas isso não é novo. Santo Agostinho escreveu um livro
para combater o Milenarismo, chamado XX.
Os mil anos
citados no Apocalipse, significam um longo tempo, e comparado a ação da Besta
(3 anos e meio, 46 meses ou 1260 dias), vamos perceber que o domínio é curto.
No capítulo 21,
o mar não existe mais, pois para os judeus antigos, o mar é morada do mau,
barreira intransponível. A cidade Celeste desce, é o reino de Deus no nosso
meio. A tenda de Deus lembra a tenda da Aliança (Ex). Deus passa a habitar com
os Homens, recuperando o equilíbrio quebrado em Gênesis (Gn 3) por ocasião do
pecado. Existe uma fonte de água viva (lembra o batismo), uma água que cura e
purifica. Aqui, não existem rejeitados, todos são filhos de Deus. Os infiéis,
foram jogados no “inferno” representado pelo lago de fogo e enxofre.
A cidade que
desce é a noiva do cordeiro, é toda perfeita, seus números são perfeitos e sua
construção valiosa (pedras preciosas). Ela não tem templo, pois Deus habita
nela com o Homem, por isso não precisa de religião (religação do Homem com
Deus). Nessa cidade, não tem sol nem lua, a noite não existe, pois representa
as trevas, e a cidade será morada de todos os povos. Todos estão inscritos no
livro da vida, no Evangelho.
O capítulo 22,
encerra o livro com uma tranqüilidade e paz, sem nunca esquecer que para se
viver na Jerusalém celeste, é preciso viver a profecia e a verdade.
O livro do
apocalipse, não é para ser escondido, mas para ser anunciado e vivido (22, 10).
Deus está
pronto para nos julgar, mas não como nós, humanos, e sim como Ele, Deus (Cf. Mt
20, 1-12).
6.
Bibliografia (Leituras para aprofundamento):
Esperança De Um
Povo Que Luta
Carlos Mester -
Paulus
Grande
Comentário Bíblico - Apocalipse de São João
Eugênio Corsini
- Paulinas/Paulus
Dicionário de
Figuras e Símbolos Bíblicos
Paulus
Como ler o
Apocalipse (resistir e denunciar)
Pe. José
Bortolini - Ed. Paulus
Não Tenham Medo
(Apocalipse)
Frei Gorgulho/
Ana Flora Anderson - Ed. Paulus
Os lugares da
Bíblia
Ed. Paulus
Jornal Mundo
Jovem - Maio/98
José Afonso
Beraldin, professor de Bíblia na PUC-RS.
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