Comemoramos o Dia de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil!
Assim, nessa data especial, muitas pessoas se levantam para acusar a Igreja Católica e os seus membros de IDOLATRAS, ou seja, pessoas que "Adoram" outra coisa ou ser no lugar de Deus.
Por isso, a alguns anos, baseado em um texto que li, publicado pela Paulus ou pela Paulinas (não recordo mais) escrevi um encontro de catequese para adultos, onde o tema era exatamente esse. E para ilustrar o encontro, construí o texto abaixo (Síntese do Catequista), o qual ofereço agora a todos, e desejo que tenham um dia abençoado, na presença de Nossa Senhora, a Mãe de Jesus e nossa!
"O
tema da idolatria pode esquentar qualquer discussão entre católicos, protestantes
ou evangélicos. Mas o que é idolatria? Quem a comete? Como e quando a
cometemos? Perguntas difíceis de responder, mas necessárias, pois na catequese
infantil, muitas crianças já enfrentam esse problema nas suas famílias ou na
escola, o que dizer então dos adultos, que muitas vezes ainda nem encontraram a
sua maturidade na fé?
Quantas
e quantas vezes já não ouvimos a frase “católico é idolatra, pois adora aos
santos e se ajoelha para imagens”. E o que é pior, muitas vezes os críticos são
ex-católicos (pessoas que abandonaram a Igreja Católica) e se integram a
comunidades pentecostais.
Essas
pessoas criticam a Igreja Católica, mas será que em algum momento das suas
vidas elas descruzaram os braços para por se a serviço da Igreja de Cristo? E
hoje, será que ela é realmente cristã?
Quantos
catequizandos adultos já foram de outras denominações religiosas, mas nem mesmo
sabem encontrar uma citação na Bíblia.
Pois
bem, para entender o problema, é preciso equaciona-lo, identificando os seus
principais pontos.
A idolatria ocorre quando o Homem deixa qualquer coisa tomar
o lugar de Deus. No antigo Israel o grande conflito com os pagãos dava-se por
causa disso. No livro dos Reis (I Rs 18) o profeta Elias enfrenta a idolatria,
o Rei Acab e sua Mulher Jezabel, queriam fazer com que Baal (cuja tradução do
nome é Senhor) tomasse o lugar de Javé no coração dos israelitas. O profeta
reagiu, matando os profetas de Baal, ligados à rainha.
Jesus
acusa os fariseus de Idolatria, pois eles permitiam que a Lei (que vem de Deus)
tomasse o lugar que é de Deus no coração deles. Para eles, cumprir os 613
preceitos da Lei era mais importante que ajudar a um necessitado (Cf. Lc 10,
21-37 – Parábola do Bom Samaritano). Ora, então não é a imagem de um santo que
transforma um Homem em idolatra, e sim a sua atitude.
A
veneração é a lembrança que uma imagem faz de algo ou alguém. Os santos
(imagem) nos trazem, ou deveria trazer a lembrança do exemplo daquele ser
humano, que como nós também errou, mas soube elevar o seu espírito ao serviço
de Deus. A veneração aos santos é antiga, remonta (no cristianismo) ao martírio
de Estevão (primeiro santo mártir cristão, morto por apedrejamento por volta do
ano 37 d.C. – Cf. At 7, 59s), mas ganha força no Brasil, no período colonial,
quando as Primeiras Ordens (de padres, como os Jesuítas e Beneditinos) e as
Segundas Ordens (Freiras) foram expulsas do país. Ai, a opção do povo (quase
100% católico ou declarado católico) era celebrar com as Ordens Terceiras
(ordem de leigos) que tinham um santo como patrono (como por exemplo, a Ordem
Terceira de São Francisco que construiu a Faculdade de Direito do Largo São
Francisco). Nessa época, a maior honra era ser enterrado no cemitério da ordem.
Sem
o controle e a coordenação presbiterial, as ordens terceiras acabaram criando
no povo uma religiosidade popular, da qual ainda existem traços muito fortes,
misturando o sagrado com o profano e em certas festas, mistura-se até mesmo as
religiões (sincretismo) como na festa de Nossa Senhora dos Navegantes e
Iemanjá.
A
iconografia barroca (iconografia = utilização da arte para representar pessoas
ou cenas – ícone) surgiu para combater a reforma Luterana (1514) com seus belos
afrescos e imagens, colaborou com a veneração excessiva por parte dos fieis.
Ora,
a Igreja fechou o acesso a Palavra, o povo encontrou alternativas nas figuras
sacras.
Outro
ponto importante é ver que a iconografia antiga, especialmente das primeiras
comunidades, a figura do Cristo, que nos é trazida, é o bom pastor e da suas
ovelhas (povo), depois, principalmente na idade média, surge a figura do Cristo
sofrendo na cruz e no monte das Oliveiras, principalmente.
Mas
o que é veneração? A nós ser humano, é difícil colocar a nossa vontade
diretamente a Deus ou a Cristo, tanto que o próprio Cristo disse a Pedro “O que
abrires na Terra será aberto no Céu, e o que fechar na Terra será fechado no
Céu” (Cf. Mt 16, 18-19), então utilizamos os exemplos dos santos, pessoas
próximas a Deus, para nos agarrar e pedir a eles que intervenham junto a Cristo
por nós.
Muitos
cristãos costumam colocar que Jesus é nosso advogado, mas Ele é nosso juiz (Cf.
Ap 20, 11-15) então, teremos Deus como o executor e os santos e santas como
advogados e intercessores.
Hoje,
ao invés de “lutar” contra idéias e posições arraigadas por pessoas,
especialmente de outra fé que nos criticam precisamos esclarecer a nossa
posição e cobrar deles o mesmo respeito.
Atente
também, que o respeito que cobramos à nossa fé, devemos oferecer aos outros,
mesmo que não sejam cristãos (como as pessoas ligadas ao candomblé, por
exemplo).
Voltando
ao questionamento inicial, procuremos esclarecer as dúvidas:
O
que é Idolatria?
Toda
a ação que coloca algo no lugar que pertence a Deus.
Quem
a comete?
Todo
aquele que acha em “algo”, seja num santo (fé popular), num objeto, ou mesmo no
dinheiro a solução completa e imediata de sua vida, esquecendo que ela pertence
a Deus (Cf. Lc 12, 14-21).
Quando
e como a cometemos?
Quando
permitimos e achamos que as soluções dos nossos problemas podem ocorrer como
num passe de mágica, por que eu tenho um certo amuleto, ou pagarei um certo
valor. Não podemos também engrandecer aos outros (cantores, jogadores, padres,
etc.) permitindo assim que eles sejam endeusados (Cf. At 10, 25-26 – “Sou homem
como vocês”).
Conclusão.
Muitos
dos acusadores da fé católica como idolatra, praticam a idolatria, pois pregam
abertamente que se você pagar um valor, o seu problema “terá” que ser
resolvido. Ou seja, perante certo valor ou uma atitude, Deus deve em contra
partida (como se fosse um contrato) pagar-me com a graça. Lembremos sempre que
devemos fazer a vontade de Deus e não Deus que deve fazer a nossa vontade, pois
isso é nos colocar no lugar de Deus, e assistimos isso muitas vezes, mesmo
dentro da nossa Igreja (alguns membros do RCC, por exemplo).
Devemos sim, ser fieis
servidores da vontade de Deus (Cf. Lc 12-13-21)."
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