domingo, 19 de julho de 2020

Terceiro encontro sobre o Evangelho de Mateus - Capítulo 2

Neste breve encontro, vamos dar uma pincelada sobre o capitulo 2 do Evangelho de Jesus Cristo, segundo a comunidade de São Mateus!



O Capítulo 2 de Mateus inicia-se posicionando os fatos no seu “tempo histórico” (Cf. Mt 2, 1b “na época do Rei Herodes”). Mostra também a importância de Jesus, pois coloca autoridades vindo prestar homenagens ao menino (Cf. Mt 2, 1c “alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém”). É preciso entender alguns pontos, primeiro, os Reis Magos, provavelmente não eram reis e muito menos magos. Eram autoridades e provavelmente cientistas da época, Astrólogos da região do Oriente. Acredita-se que eles eram membros de uma tribo Sacerdotal da Pérsia.

O rei Herodes (preposto do poder romano) fica preocupado, não com a fé judaica, mas com a influência desse potencial novo rei no seu poder político. Chama aqueles que apoiam a manutenção do poder politico para descobrir onde estaria essa ameaça… Sumo Sacerdotes (em geral membros do grupo dos Saduceus), escribas (funcionários do Palácio). Lembrando que o termo Cristo é um título, por isso que Herodes questiona onde nascerá o Cristo? Os profetas anunciaram que o salvador, o escolhido ou o Ungido. Mas quem eram esses profetas? São vários… que vão buscar na pessoa de Davi (que também cometeu erros, como a geração de seu filho Salomão com Betsabéia, esposa do seu general Urias, que Davi mandou para a guerra, onde ele foi morto). Davi foi um rei guerreiro que acabou por apaziguar e politicamente organizar o Reino de Israel na época. Entre esses Profetas, podemos citar Isaías, Amós, Ezequiel e Jeremias. Jesus também vem para salvar e unificar o Povo, como Davi, mas de forma diferente, vai ser uma unificação de fé e não politica.

A indicação da cidade de Belém também tem a haver com Miqueias capítulo 5, versículo 1.

Ao indicar a cidade (Belém) para os visitantes, tenta convencê-los de lhe apoiar, a essa ação dá-se o nome de cooptação, que é uma ação, uma arma dos poderosos que consiste em se fazer passar como se estivesse ao lado do outro, enquanto, na realidade, se esta contra o outro. Uma espécie de suborno, que impossibilita o outro de se defender.

Isso nos faz pensar, por que os Reis Magos não seguiram simplesmente a Estrela Guia? Por conta de que a Estrela desaparece perante a perseguição ao humilde, ao menos favorecido. Ao saírem da situação de perseguição, a estrela volta a brilhar e orientar a viagem deles.

Ao encontrarem Maria, a mãe de Jesus, reconheceram o Senhor e lhe prestaram adoração.

Os presentes são significativos. Reconhecem a Jesus como Rei, ao prestar adoração, e lhe entregam os presentes, ouro, incenso e mirra. O nome dos Reis magos não é citado no Evangelho. Os nomes Gaspar, Belchior e Baltasar vem da Tradição popular. Mas qual o significado dos presentes?

Ouro que significa a realeza, uma realeza especial, voltada a justiça. O rei justo. Incenso indica a divindade. A queima do incenso indica a ação voltada a Deus.

E por fim, a Mirra. Uma espécie de perfume que é usada nos enterros. Assim, vamos ter um rei bondoso, ligado diretamente ao Senhor (Deus) mas que em decorrência dessa justiça, será morto.

Foram avisados em sonho para não voltar a Herodes. Da mesma forma, José também é avisado em sonho para fugir. E fugir para onde? Para o Egito… lembrando assim o segundo herói judaico, Moisés. O Egito era o lugar para onde as famílias fugiam por conta da perseguição do Rei Herodes.

Assim se vincula a história de Jesus com a História de Israel, lembrando a saída de Jacó e seus filhos (Cf. Gn 46,1-7 – que também é avisado em sonho). O uso dos sonhos para alertar é muito comum nos textos bíblicos. Lembrando, José interpreta os sonhos do Faraó, Pedro se vê no projeto de Jesus por meio de um sonho (At 10), para citar dois dos mais famosos. O Sono, ou melhor, o sonho, é uma situação onde a consciência não comanda o ser humano, o que permite a Deus lhe orientar.

Aqui temos a manifestação da maldade de Herodes. A morte dos inocentes, quando Herodes teria matado todos os meninos até dois anos, reportando novamente a pessoa de Moisés e a morte dos inocentes no Êxodo. Não existem registros históricos desse fato (como também não existem das mortes no Egito).

Encerrando o capítulo 2, teremos a morte de Herodes e o retorno de Jesus e seus pais a Israel, indo para a Nazaré, onde o autor do evangelho relembra a citação do livro de Juízes 13,5.7, onde fala que “Ele será chamado Nazareno”, que vem do Hebraico Nazir, ou seja, aquele que foi consagrado. Assim é o anuncio da obra de Jesus, o Consagrado, consagrado como pode ser visto no anuncio, na entrega do incenso por parte dos reis magos e de todos os sacrifícios que envolveram a vida e a paixão de Jesus.

Assim, encerramos, no final do capítulo 2 de Mateus, o Evangelho da Infância de Jesus segundo Mateus, pois o que interessa é mesmo a ressurreição!

De agora em diante, o Evangelista mostra a caminhada do Senhor com seu povo…


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