domingo, 25 de agosto de 2024

Bíblia e Sagradas Escrituras - Uma introdução para o Crisma e para Catequistas

 

Encontro 1 – Bíblia


Quando se fala em Catequese ou exercício da vida religiosa o que nos vem a cabeça? Normalmente o que pensamos quando falamos de fé é a Bíblia e a Cruz. Outro foco que muitas pessoas que estão do outro lado da “moeda” é que “é chato!”.

Assim, o nosso primeiro tópico é relativo as Sagradas Escrituras, a Bíblia Sagrada. Vamos entender um pouco sobre esses textos e compreender como elas chegaram até os nossos dias. Para isso, vamos fazer uso de material Bibliográfico, Iconográfico e ferramentas como a Eclesiologia, a Arqueologia Bíblica e outros que vão nos orientar nesses primeiros passos.

Em primeiro lugar, é interessante pensar que as Sagradas Escrituras são nada mais, nada menos do que a nossa Bíblia. Ela foi traduzida em 1685 línguas diferentes, mas na sua origem ela somente existia em Grego, Aramaico e Hebraico. Para compreender melhor é necessário compreender o povo que deu origem a esses textos.

1.1. Surgimento do Povo de Deus:

O chamado povo de DEUS é composto inicialmente pelos povos descendentes de Abraão, cujo o nome original era Abrão e Deus troca o seu nome para Abraão, pois o significado dese novo nome é Pai de Muitas Nações. Abraão vivia na cidade de Ur, na Mesopotâmia1, que fica entre os rios Tigre e Eufrates. Abraão e seus parentes saíram da cidade de Ur e deslocaram-se para a cidade de Harã. Naquele tempo a mudança era feita com toda a descendência e todos os bens. O pai de Abraão era Taré. Da cidade de Harã, Abraão e sua esposa, Saara, mudou-se para Hebron próximo ao lago da Galiléia. Mas para chegar até lá, passaram pelo Egito antes de chegar até a região do atual Israel.

1Mesopotâmia significa Terra entre Rios.

Fonte: Atlas Bíblico - Editora Paulus
Foram os mesmos anjos que anunciaram a destruição de Sodoma e Gomorra, que anunciaram a Abraão o nascimento de seu filho Isaac (o nome ISAAC significa aquele que ri, e ele tem esse nome, pois Saara, quando escutou, atrás da tenda o anúncio do anjo, que falava de que em um ano ele voltaria e Abraão teria um filho com Saara [já avançada em idade] e ela riu-se do anjo). 

É interessante observar que, embora o povo Israelita, tenha Abraão como seu pai, citado inclusive no novo testamento, a grande figura de importância para esse povo é moisés, um guerreiro. Abraão era um homem de paz, a única vez ou a única citação do envolvimento dele com guerras e batalhas foi para socorrer o sobrinho Ló, ele entrou na batalha, resgatou o sobrinho e saiu.

Abraão teve dois filhos diretos (considerados como sua descendência pois os filhos com escravas e concubinas não eram levados em conta), o mais velho Ismael, filho dele com a ama de sua esposa, dada para ele como “compensação” por ela não conseguir engravidar (Gn 16, 1 – 12:

1 Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos; mas tinha uma escrava egípcia chamada Agar. 2 Então Sarai disse a Abrão: "Javé não me deixa ter filhos: una-se à minha escrava para ver se ela me dá filhos". Abrão aceitou a proposta de Sarai. 3 Dez anos depois que Abrão se estabeleceu na terra de Canaã, sua mulher Sarai tomou sua escrava, a egípcia Agar, e a entregou como mulher a seu marido Abrão. 4 Este se uniu a Agar, que ficou grávida. Vendo que estava grávida, Agar perdeu o respeito para com Sarai. 5 Então Sarai disse a Abrão: "Você é responsável por essa injustiça. Coloquei em seus braços minha escrava, e ela, vendo-se grávida, não me respeita mais. Que Javé seja nosso Juiz". 6 Abrão disse a Sarai: “Muito bem. Sua escrava está em suas mãos. Trate-a como você achar melhor”. Sarai maltratou de tal modo Agar, que ela fugiu de sua presença. 7 O anjo de Javé encontrou Agar junto a uma fonte no deserto, a fonte que está no caminho de Sur. 8 E lhe disse: “Agar, escrava de Sarai, de onde você vem e para onde vai?” Agar respondeu: “Estou fugindo de minha patroa Sarai”. 9 O anjo de Javé lhe disse: “Volte para sua patroa e seja submissa a ela”. 10 E o anjo de Javé acrescentou: “Eu farei a descendência de você tão numerosa que ninguém poderá contar” que ninguém poderá contar". 11 E o anjo de Javé concluiu: “Você está grávida e vai dar à luz um filho e lhe dará o nome de Ismael, porque Javé ouviu sua aflição. 12 Ele será potro selvagem: estará contra todos, e todos estarão contra ele; e viverá separado de seus irmãos”.). 

A descendência de Ismael deu origem aos Ismaelitas, os árabes que chamam Deus de Alá (Senhor em Árabe) e deram assim origem aos Muçulmanos. Já Isaac deu origem a Jacó, que Deus troca de nome para Israel que por sua vez deu origem ao povo Israelita, com seus doze filhos.

1.2. Os Patriarcas e as Primícias do Povo:

A palavra Patriarca tem como significado o termo Pai, e para o Povo de DEUS, os Patriarcas são três:

Abraão, pai de Isaac e avô de Jacó;

Isaac, pai de Jacó e avô das doze tribos;

Jacó, pai dos doze que geraram as doze tribos.

Eles são os fundadores do povo da Bíblia. Abraão inicia a História do Povo na cidade de Ur no ano de +/- 1850 a.C.

Muitos Hebreus, provavelmente em decorrência de uma grande seca que devastou a região, mudam para o Egito, no tempo de José filho de Jacó. Depois de certo tempo, os Egípcios, escravizaram o povo Hebreu até o aparecimento de Moisés, que através de uma ovelha desgarrada, encontrou uma pequena árvore (ou espinheiro, que nos textos bíblicos figura como SARSA) ardendo, ou seja, queimando, e não se consumia. Deus conversou ai pela primeira vez com Moisés, esse foi libertar o povo (Ex 3,1-6):

1 Moisés estava pastoreando o rebanho do seu sogro Jetro, sacerdote de Madiã. Levou as ovelhas além do deserto e chegou ao Horeb, a montanha de Deus. 2 O anjo de Javé apareceu a Moisés numa chama de fogo do meio de uma sarça. Moisés prestou atenção: a sarça ardia no fogo, mas não se consumia. 3 Então Moisés pensou: “Vou chegar mais perto e ver essa coisa estranha: por que será que a sarça não se consome?”

4 Javé viu Moisés que se aproximava para olhar. E do meio da sarça Deus o chamou: “Moisés, Moisés!” Ele respondeu: “Aqui estou”. 5 Deus disse: “Não se aproxime. Tire as sandálias dos pés, porque o lugar onde você está pisando é um lugar sagrado”. 6 E continuou: “Eu sou o Deus de seus antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó”

Então Moisés cobriu o rosto, pois tinha medo de olhar para Deus.). Nessa época não existia uma fé única. Javé era adorado por vários grupos diferentes que tinham seus ritos a manifestações próprias. A organização do culto a Javé somente vai ser unificado no tempo de Davi e Salomão, com a construção do Templo de Jerusalém.

Moisés, apesar de ter sido o principal articulador da saída do povo do Egito, nunca entrou na terra Santa. Ele morreu antes, mas ungiu um sacerdote de nome JOSUÉ, para que completasse a sua missão. As terras foram divididas, em 12 partes, a cada uma das tribos coube uma parte da terra. Os lideres de cada uma das 12 tribos, era chamado Juiz. O último Juiz foi Samuel, que ungiu o primeiro Rei de Israel, que foi Saul. O mesmo Samuel, por ordem de DEUS ungiu como Rei também, um menino da família de Jessé. Esse menino é DAVI. Ele ficou amigo do Rei Saul. Davi somente se tornou rei após a morte de Saul. Davi teve o seu filho também ungido REI, entretanto não foi o primogênito, como mandava a tradição, mas outro filho, que era SALOMÃO (+/- 900 a.C.).

Com a morte de Salomão, o povo descontente não queria que o filho de Salomão assumisse o trono, dai Israel foi dividida em 2 partes. O reino do Norte e o reino do Sul. No sul ficou o Reino de Judá e no norte o Reino de Israel. Na parte política, no Reino do Norte, o rei foi ungido como sendo Jeroboão, que era um general de Salomão. No reino do sul, ficou com Roboão, filho de Salomão.

Foi na época de Salomão, que escreveram os primeiros textos da bíblia. O livro dos Salmos, por exemplo, é dedicado a Salomão, mas de acordo com os levantamentos realizados pela Arqueologia Bíblica, Salomão foi o responsável pela compilação dos textos, que foram juntados sob a sua ordem.

1.3. A Bíblia Sagrada:

1.3.1. Introdução:

A Bíblia é o livro mais vendido na Terra, porém é o menos lido. A Bíblia já foi traduzida para 1685 idiomas, mas continua sendo desconhecida. Os escritores da Bíblia foram muitos homens e mulheres, inspirados por DEUS (cf. 2Tm 3, 16ss: 16 Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra.)

A palavra Bíblia vem do Grego (Biblos) e significa “coleção de livros”, para nossa língua, mais precisamente o coletivo de livros ou biblioteca. A princípio podemos dividir a Bíblia em duas grandes partes, o Antigo (AT) e o Novo Testamento (NT). O AT é dividido em quarto partes, A Lei ou o Pentateuco. Os livros históricos que contam a história do povo de Deus olhada pelos olhos da fé e não realmente da história. Os livros Sapienciais que mostram a sabedoria de Deus expressa pelos Homens. E os livros proféticos, que narram as profecias anunciadas por Deus aos Homens.

A construção desses livros, em especial A Lei, segue um rito histórico construído, começando com a criação do mundo, onde primeiro mostra a criação do mundo (Gn 1-11) e depois a criação da sociedade (Gn 12-50) e termina com a saída do povo de Israel para o Egito. Depois mostra a saída do povo do Egito, sob o comando de Moisés, para voltar a Israel, passando pelo monte Horeb, o monte de Deus (Ex). Para essa saída ele constitui a primeiraordenação legal (Lv). Em seguida, narra a caminhada e a conquista de Israel (Nm) e mostra a segunda Lei (Dt) com uma reflexão sobre a caminhada e a saída do povo do Egito. Observe que cada livro da Lei (Pentateuco) inicia-se com a palavra que dá nome ao livro, em Gêneses, por exemplo, o versículo 1,1 tem a frase “No inicio…”.


1.3.2. Libertação e Volta a Terra Prometida:

O povo tornou-se escravo no Egito. Do meio daquele povo surgiu um redentor, Moisés. Ele era um líder nato, ou seja, ele tinha completo controle sobre o povo. Dentro da História, não existem provas da ocorrência de fatos ligados ao povo Hebreu (Cf. Ex 1, 8 ss):

8 Subiu ao trono do Egito um novo rei que não tinha conhecido José. 9 Ele disse ao seu povo: “Vejam! O povo dos filhos de Israel está se tornando mais numeroso e poderoso do que nós. 10 Vamos vencê-los com astúcia, para impedir que eles se multipliquem; do contrário, em caso de guerra, eles se aliarão com o inimigo, nos atacarão e depois sairão do país”. 11 Então impuseram sobre Israel capatazes, que os exploravam em trabalhos forçados. E assim construíram para o Faraó as cidades-armazéns de Pitom e Ramsés. 12 Contudo, quanto mais oprimiam o povo, mais ele crescia e se multiplicava. Os filhos de Israel começaram a se tornar um pesadelo para os egípcios. 13 Por isso, os egípcios impuseram sobre eles trabalhos duros, 14 e lhes amargaram a vida com dura escravidão: preparação de argila, fabricação de tijolos, vários trabalhos nos campos; enfim, com dureza os obrigaram a todos esses trabalhos.


15 O rei do Egito ordenou às parteiras dos hebreus, que se chamavam Sefra e Fua: 16 “Quando vocês ajudarem as hebreias a dar à luz, observem se é menino ou menina: se for menino, matem; se for menina, deixem viver”1. 17 As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram o que o rei do Egito lhes havia ordenado; e deixaram os meninos viver. 18 Então o rei do Egito chamou as parteiras e lhes disse: “Por que vocês fizeram isso, deixando os meninos viver?” 19 Elas responderam ao Faraó: “As mulheres hebreias não são como as egípcias: são cheias de vida, e dão à luz antes que as parteiras cheguem”. 20 Por isso, Deus favoreceu as parteiras. E o povo se multiplicou e tornou-se muito poderoso.

21 E como as parteiras temeram a Deus, ele deu a elas uma família numerosa. 22 Então o Faraó ordenou a todo o seu povo: “Joguem no rio Nilo todo menino que nascer; e se for menina, deixem viver”.

ou a Moisés (Cf. Ex 2, 1-10):

  1 Um homem da tribo de Levi casou-se com uma mulher da mesma tribo: 2 ela concebeu e deu à luz um filho. Vendo que era belo, o escondeu por três meses. 3 Quando não pôde mais escondê-lo, pegou um cesto de papiro, vedou com betume e piche, colocou dentro a criança, e a depositou entre os juncos na margem do rio. 4 A irmã da criança observava de longe para ver o que aconteceria. 5 Nesse momento, a filha do Faraó desceu para tomar banho no rio, enquanto suas servas andavam pela margem. Ela viu o cesto entre os juncos e mandou a criada apanhá-lo. 6 Ao abrir o cesto, viu a criança: era um menino que chorava. Ela se compadeceu e disse: "É uma criança dos hebreus!" 7 Então a irmã do menino disse à filha do Faraó: “A senhora quer que eu vá chamar uma hebreia para criar este menino?” 8 A filha do Faraó respondeu: “Pode ir”. A menina foi e chamou a mãe da criança. Então a filha do Faraó disse para a mulher: “Leve este menino, e o amamente para mim, que eu lhe pagarei”. A mulher recebeu o menino e o criou. 10 Quando o menino cresceu, a mulher o entregou à filha do Faraó, que o adotou e lhe deu o nome de Moisés1, dizendo: “Eu o tirei das águas”)

Essa é uma das frases em que a situação não faz sentido. Se eles eram escravos, na estrutura antiga, não faz o menor sentido matar os meninos, afinal, ao fazer isso, está se destruindo a mão de obra.

Outra falha no texto, encontra-se nos primeiros versículos do capítulo 2. É sabido que os pais de Moisés tinham, pelo menos, mais dois filhos, Aarão e Míriam. Assim colocar a situação de matrimônio no nascimento de Moisés é uma falha. A menina tinha no mínimo uns 7 a 10 anos, pois já vai acompanhar o cesto quando é colocado no rio e vai a princesa anunciar a possibilidade de oferecer uma ama de leite para o menino. 

.Entre eles, a questão do nome. No livro do Êxodo, a princesa diz que chamará o menino que ela adotou com o nome Moisés pois ela o tirou da água e o nome significaria “Salvo das Águas”, mas não cita e nem se conhece a língua ou o dialeto que o nome tem esse significado, não é em Aramaico, Hebraico ou Egípcio.

O povo é libertado, caminha pelo deserto durante 40 anos de vota a Canaã, a terra Prometida por DEUS, através da aliança com Abraão. Durante esses 40 anos, o povo é “purificado”, ou seja, todos os nascidos no Egito, morreram. Além disso a caminhada não foi constante (se tivessem andado sem parar, teriam chegado rapidamente à terra de Canaã, tendo em vista os relatos posteriores, como a fuga de Jesus de Belém para o Egito – Cf Mt 2, 12-15).

Quanto tempo a Ama de Leite (mãe de Moisés) ficou com a criança? Durante esse tempo, ele não tinha nome? Questões secundárias quando se olha o texto como um texto de fé. Entretanto, para os judeus, em especial os mais radicais, a Lei representa a História real e única do povo.


Josué, o sucessor de Moisés após a sua morte, conduz o povo até Canaã, e atravessa o Rio Jordão, como Moisés fez na travessia do mar Vermelho. Josué foi um sacerdote ungido por Moisés para que terminasse a sua missão. Com a morte de Josué, o povo passou a ser liderado por chefes tribais, chamados JUÍZES. O último Juiz foi Samuel. No tempo de Samuel, as tribos decidiram pela monarquia, que seria uma forma de garantir mais força no confronto direto com outras nações.

O primeiro rei é Saul, que foi ungido por Samuel contra a sua vontade. O segundo rei foi Davi, também ungido por Samuel, mas ai a unção foi ordenada por Deus, foi no tempo do Rei Davi que ocorreu a unificação das tribos em torno de um mandatário (rei). Davi é considerado pelos judeus como o seu organizador, pessoa que lutou pelo povo e um modelo a ser seguido, tanto que as profecias dirigidas ao Messias tomavam Davi como modelo ou exemplo. Essa visão fez com que muitos buscassem em Jesus um guerreiro e não um homem de paz. O filho de Davi, também sagrado Rei, foi o rei Salomão, que se casou com uma egípcia, podendo ter saído dai a ideia de uma serpente ter enganado a mulher no paraíso (tendo em vista que o símbolo do Egito era a serpente).

Foi no tempo de Salomão, que foi construído o templo de Jerusalém (onde hoje somente existe uma parede, chamada de muro das lamentações). Com a morte de Salomão, o reino de Israel é dividido em duas nações, a do Norte, chamada Israel cujo, a capital era a Samaria (não podemos confundir essa cidade com a região da Samaria do tempo de Jesus, pois são regiões diferentes) e o do Sul, chamado de Judá, cujo, a capital era Jerusalém. A divisão se deu em virtude de disputas internas do poder (Ver 1.2.).

O reino do Norte cai na mão da Assíria, que destrói a capital Samaria. 150 anos mais tarde a Babilônia, toma o Império Assírio, e toma também o reino do Sul (Judá), o povo é deportado para a Babilônia onde ficam durante 50 anos (587-538 a.C.). A Babilônia foi vencida pelos Persas, e o Rei Ciro, manda libertar o Povo de Israel, que voltando para a casa, vê que não existe mais o templo.

Embora livre, o povo sempre fica sob o julgo de algum dominador. Reforçando a ideia de um Messias Libertador, pois o povo espera um novo DAVI, uma vez que foi o Rei Davi, que depois de muita luta, conseguiu pacificar e unificar a nação. 

1.3.3. O Autor da Bíblia e quando a Bíblia foi escrita:

Deus é o verdadeiro autor da Bíblia, mas ela foi escrita pelo Homem (os escritores que emprestam suas habilidades a Deus para escrever os Textos Sagrados são chamados de Hagiógrafo) inspirado por Deus (cf. 2Tm 3,16 ss). É um livro em que Deus se manifestou ao Homem, fazendo com que este, colocasse no texto, aquilo que Deus queria, mas respeitando a natureza, a inteligência, a história e conhecimento do Homem.

Por isso o papel do Homem é de coautor da Bíblia pois por ser obra divina, nenhuma criatura pode alterar, acrescentar ou tirar qualquer texto. Quem faz essa afirmativa é o próprio Deus, através da Bíblia (Dt 4, 1-2; Ap. 22, 18-19), mas isso não significa que não possamos interpretar, traduzir ou simplificar os textos.

A Bíblia começou a ser escrita provavelmente, por volta do ano 900 a.C. (AT) e terminou por volta do ano 100 d.C. (NT) A outra possibilidade é dela ter começado a ser escrita por volta do ano de 1250 a.C., no tempo de Moisés (essa possibilidade é menor, mesmo porque, a grande maioria do povo era analfabeta e além de ser agrária [agrícola] o povo seria escravo), quando o Faraó Ramsés II, governava o Egito. E de qualquer forma, ela foi encerrada por volta do ano 100 d.C., quando morreu o último dos Apóstolos, São João Evangelista, autor de um evangelho (evangelho segundo João) e do Apocalipse, e mais 3 pequenas cartas (O mais provável, é que o João que escreveu as Cartas e o Evangelho, não sejam a mesma pessoa que escreveu o Apocalipse, podendo, inclusive, serem autores totalmente diversos para cada conjunto de textos). Os evangelhos e outros escritos podem não ter sido escritos pelos evangelistas, mas por comunidades orientadas ou criadas por eles. E de qualquer forma a ordem dos textos é diferente da ordem cronológica. As cópias mais antigas que se tem dos textos da Bíblia, estão guardadas no museu Britânico e na Biblioteca do Vaticano.

A Bíblia foi escrita em diversas línguas. Inicialmente em Hebraico (antigo), a língua falada pelos Semitas (oriente médio) – filho de N [Semi]. Aramaico, foi a segunda língua da Bíblia, estreitamente ligada ao hebraico. Foi a língua falada por Jesus e pelos apóstolos e pela Igreja de Jerusalém.

Mas de todas as línguas Bíblicas a que melhor se conhece, é o Grego. Entretanto, o grego Bíblico não é o Grego Clássico (Helenístico) mas o chamado Koine. A Bíblia divide-se em duas partes: Antigo Testamento e Novo Testamento. O AT foi escrito em Aramaico ou Hebraico, com exceção dos livros da Sabedoria, o II Macabeus e trechos dos livros de Daniel e Éster, que foram escritos em Grego, talvez acréscimos tardios.

O Novo Testamento [NT] foi todo escrito em Grego embora alguns pesquisadores coloquem que deva ter existido uma versão do evangelho de Matheus, que, em decorrência de ter sido escrito para uma comunidade de origem judaica tenha sido escrito em Aramaico.

1.3.4. O Gênero Literário:

Gênero Literário são as formas pelas quais um texto é escrito. Existem várias formas e a exemplo da língua, vão se alterando no tempo e conforme os locais. Na escrita das Sagradas Escrituras, são várias as formas ou maneiras de escrever usadas comumente entre os homens de uma determinada época ou região e colocadas em relação constante com determinados conteúdos.

Para entendermos qualquer livro da Bíblia Sagrada precisamos antes de tudo saber a que gênero literário pertence o livro, além de seu contexto histórico e destinatários. Isso é possível, lendo-se a introdução de cada livro, além de outros documentos, notas de rodapé, comentários, livros próprios sobre os autores ou escritos, etc. Cada livro tem a sua linguagem própria, permitida pela literatura.

Exemplos de Gêneros Literários:

Tratados Religiosos: Com aparência de narração de histórica, apresentam verdades

religiosas. Não podem ser entendidos como história propriamente dita. São textos que mostram o pacto com DEUS, coisas religiosas sem a preocupação temporal ou cientifica. É por exemplo o caso dos 11 primeiros capítulos do Gênesis.

História Popular: É quando se mistura um pouco de história verdadeira com elementos de fantasia. Trata-se de ensinar religião. É o caso da história dos patriarcas: Abraão; Isaac; Jacó e seus 12 filhos.

As parábolas de Jesus são exemplo bom do tipo de texto história popular. São usadas para mostrar verdades religiosas.

História Descritiva: Embora permaneça a finalidade religiosa, os personagens e os fatos são todos verdadeiros, documentados pela história. É o caso de Samuel, Reis, Esdras, Neemias e Atos.

Gênero Profético: Apresentam a palavra de DEUS através dos profetas que advertem, repreendem e encorajam o Povo de Israel diante da realidade em que vive. Exemplos: Isaias, Ezequiel, Jeremias, e outros.

No Antigo Testamento temos 18 livros proféticos, onde Deus nos comunica o que devemos fazer ou realizar. Já no Novo Testamento é o próprio Deus que fala na pessoa de Jesus.

Gênero Didático: São livros que trazem instrução religiosa ou moral. Fazem recomendações e dão orientações de vida. Exemplo: os livros Sapienciais (Sapiencial = Sabedoria): Provérbios; Eclesiastes; Eclesiástico; etc.

Gênero Apocalíptico: São visões proféticas sobre a sorte do povo de DEUS. Exemplo: Apocalipse e certos trechos dos profetas.

A palavra apocalipse, quer dizer revelação, ou mais precisamente tirar o véu, revelando o que está escondido. O Apocalipse é visto através de visões.

Gênero Poético: Apresenta a Palavra de Deus à maneira de poesia, usando, portanto de maior liberdade e recurso literário. Exemplo: os Salmos, o Cântico dos Cânticos, e outros hinos espalhados pela Bíblia.

Gênero Jurídico: É a palavra de Deus apresentada sob a forma de lei. Exemplo: Levítico (livro da Lei, apresenta normas sacerdotais), Números (livro que apresenta o recenseamento do povo de DEUS antes da entrada em Canaã), Deuteronômio (livro da segunda lei é uma revisão repensada do Levítico e do Êxodo). É um modo bem diferente daquele usado na poesia.

Gênero Epistolar: Epístola é uma palavra latina que significa CARTA. Este gênero traz a palavra de DEUS à maneira de Cartas dirigidas a certas comunidades ou pessoas. Exemplo mais conhecido são as cartas de São Paulo, ou as chamadas Epístolas Católicas.

No Novo Testamento, temos 21 Cartas, ou Epístolas. Existem ainda livros apócrifos, que são livros religiosos que não compõem a Bíblia (ou seja, não pertencem ao CÂNON).

As Epístolas, são como cartas comuns, divididas em 3 partes:

1-Saudação;

2-Conteúdo e

3-Despedida.

O exemplo mais constante dessa forma de carta está nos escritos de Paulo. Devemos lembrar também, que as cartas não necessariamente eram da forma em que temos hoje na Bíblia. Podemos afirmar que Paulo, por exemplo, escreveu outras cartas a comunidade de Corinto, conforme podemos ver nas atuais cartas aos Corintios (I e II Cor), além do qual, alguns fragmentos de uma carta, foram juntados a outras.

1.3.5. O nome de DEUS na Bíblia:

Quando Jesus nasceu foi-lhe dado o nome de “Jesus” (Jesus é o nome dado ao filho de Deus. Cristo veio depois, e significa crucificado ou ungido – cf. Mt 1,25). Antes disso, porém, não se encontrava na Bíblia nenhum lugar onde se dê um nome a Deus. Na Bíblia não vamos encontrar um nome próprio para DEUS, encontraremos, contudo certas expressões que designavam a Pessoa Divina.

Vamos ver, aqui, alguns desses nomes e seus significados. Devemos sempre ter em mente, que para o povo judeu, o nome representava aquilo que a pessoa deveria ser.

ELÔHIM – é o plural de el. Ao pé da letra significa: os deuses. Mas, o sentido que se dá é O SENHOR (Ex 18,11).

ADONAI – quer dizer: Meu Senhor, Meu Deus ou Meu Mestre (Dt 3,24).

ELOYN – A palavra "El-Eloyn" significa, traduzida ao pé da letra, a parte mais alta de um lugar. Porem essa palavra é usada para dizer "O DEUS ALTÍSSIMO de Abraão ou dos arameus" (cf. Gn 14,18-22; Nm 24,16).

SADDAI – é uma palavra que significa o Todo Poderoso, o Senhor. Por exemplo: Pelo DEUS de teu pai, que te socorre. Por El Saddai, que te abençoa (cf. Gn 49,25). O livro de Jó emprega 31 vezes o nome SADDAI.

Podemos encontrar o nome SADDAI, escrito também como SHADDAI, que tem como significado, O TODO PODEROSO.

JAVÉ – é o nome de DEUS deu a si mesmo, quando Moisés lhe perguntou qual o Seu nome. Mas não é propriamente um nome. Javé (Yahweh) quer dizer: “Eu sou aquele que sou” ou “Eu sou aquele que é” (Cf. Ex 3,14). Algumas vezes nessa expressão, EU SOU O QUE SOU, uma afirmação de que DEUS existe por si mesmo, enquanto os deuses pagãos não passam de estátuas feitas pelas mãos dos Homens. Também tem o sentido de um Deus presente, que é fiel e está quase junto de seu povo.

Jeová – é uma tradução considerada errada do nome de Yahweh (Javé), mas que não faz diferença em relação a convivência. No seu dia a dia, procure sempre usar nomes que não deem margem a conflitos, usando o nome Senhor, a exemplo do exposto pelo projeto TEB (Tradução Ecumênica da Bíblia – de origem francesa).

1.3.6. Como chegou até nós (escrita e material usado)

ARGILA: São tabuinha ou placas de barro, onde gravam as letras (símbolos) com auxílio de uma ponta de madeira a seguir colocam-nas no sol para secar ou no forno para queimar como tijolos. A Escrita Cuneiforme – Escrita em símbolos inventada pelos Sumerianos (3500 a.C. - que é considerado como o fim da Pré-história e inicio da História). Era mais usada pelos povos das mais importantes culturas do Oriente Antigo, ou seja, Sumerianos, Babilônios, Assírios e Hititas.

Hieróglifos – Usada pelos Egípcios, era menos difícil, constituído em sinais representando objetos que significavam palavras, sílabas ou consoantes. Existiram outros tipos, menos conhecidos como: Herática, Demótica, Paleo-Hebraica, Quadrada, etc (era hieróglifo simplificado).

 

Papiro – menos durável que a tabuinha de argila. Era usado pelos Egípcios. É uma planta cultivada às margens do rio Nilo. É interessante notar que a própria Bíblia faz menção do papiro como planta nativa do brejo (Jó 8,11-12). O papiro é uma árvore que chega até à altura de 4 metros. Do Egito o papiro passou para a Síria, Sicília e Palestina, que é a terra onde foi escrita a Bíblia. 

Pergaminho - Somente mais tarde os Hebreus conheceram um material mais durável, mas também mais caro, a pele de animais. A preparação do couro de carneiro e cabra para tal uso foi aperfeiçoada na cidade de Pérgamo (cidade mais importante da Ásia Menor), por volta do ano 200 a.C. pelo Rei Éumenes II.

Os pergaminhos (Couro Tratado), assim como os papiros, não eram encadernados em livros como fazemos hoje. Os antigos ligavam uma folha às outras e faziam rolos. É por isso que, muitas vezes encontramos na Bíblia Sagrada a expressão “enrolar” e “desenrolar” o livro (cf. Jr 36,2).

Lucas escreve que Jesus foi a Sinagoga e “desenrolando o livro” leu um trecho do Profeta Isaías. Depois “enrolando o livro”, entregou-o novamente ao ministro da Sinagoga (cf. Lc 4,16-21).


Foto de Ardon Bar HamaFonte Wikipedia (Livro de Isaías – encontrado nos vasos das cavernas de Quran, na região do Mar Morto)

1.3.7. As Versões (traduções):

O Antigo Testamento (AT) tem duas versões importantes:

a) Hebraica – 39 livros, onde os livros foram escritos em ARAMAICO. É a versão usada pelos protestantes. Essa versão foi aceita pelos Fariseus, rejeitando os acréscimos que justificava a fé dos Sauduceus.

b) Septuaginta, ou Alexandrina, ou LXX (Setenta em números romanos), escrita em grego. O rei Ptolomeu II Filadelfo (285-287 a.C.) solicitou ao sumo Sacerdote Eliazar de Jerusalém o envio de sábios a fim de traduzirem os livros de Moisés para o grego. Ele enviou 72 varões que em 72 dias executaram a tarefa. Por causa dos 72 tradutores (simplificado em 70), fala-se até hoje da tradução dos setenta ou em latim "Septuaginta".

Vulgata – Traduzida por São Jerônimo em latim (350-420 d.C.). É uma versão das Sagradas escrituras, voltada para orações. Para nós, é representada pela Bíblia Ave Maria, e neste caso, é composta pelos dois Testamentos.

Existem outras versões de menor importância, da Bíblia, tais como:

Aquila Século II d.C., Símaco Século II d.C., Teodocião Século II d.C., Aramaica Século II a.C. (falavam, mas só chegou depois de Cristo), Cópta Século III d.C., Gótico Século IV d.C., Georgicana Século V d.C.

1.3.8. Conceito de Inspiração:

Inspiração é um fluxo divino que age sobre o Hagiógrafo, chama-se assim o autor humano que serve a DEUS.

Foram elaborados vários critérios para se identificar à inspiração. Vamos analisar alguns:

1.3.8.1. Martinho Lutero (1483-1546):

Vamos fechar este estudo sobre a Introdução e a História das Sagradas Escrituras com a visão de Lutero, principal e primeiro reformador moderno. Tivemos dois grandes Cismas (o termo Cisma significa quebra ou cisão, rompimento de algo), o primeiro foi na idade média, por ocasião de uma cruzada no ano de 1204 (quarta cruzada), mas a discussão iniciou-se no ano de 1054, com uma questão teológica sobre o Espírito Santo. Esses fatos levaram aperseguição e morte de Cristãos Ortodoxos e de Cristãos Romanos (Cristãos Ortodoxos são aqueles que professam a fé ortodoxa e Cristãos Romanos são os que professam a fé |Católica Romana, independente de suas nacionalidades) e provocaram a separação das Igrejas Católicas Apostólica Romana, comandada pelo Papa e a Apostólica Grega ou Ortodoxa, chefiada pelo Patriarca.

O segundo grande Cisma foi provocado por discussões que iniciaram antes, com vários questionamentos políticos sobre a gestão da Igreja sobre o Estado. Entretanto, para a maior parte dos historiadores a Reforma Protestante (como ficou conhecida), iniciou com a publicação das 95 teses de Lutero no ano de 1517, sendo excomungado e suas ideias proibidas no Império através do Édito de Worms, em maio de 1521 que baniu oficialmente o cidadãos que defendiam o propagavam as ideias de Lutero. Gutemberg e sua pensa móvel, que era alemão, acabou fornecendo meios para a divulgação das ideias, blindados pela proteção política Frederico, o Sábio.

Na visão de Lutero, apenas os livros que tivesse a doutrina da justificação pela fé (só a fé salva) seriam inspirados por Deus. Martinho Lutero nasceu em 11/11/1483, na Alemanha. No dia 02/07/1505, ele sofreu um acidente com um raio que quase o fulminou. Fez voto de se tornar religioso. Entrou para a ordem dos Agostinianos e emitiu os votos de Castidade Fidelidade e Pobreza aos 23 anos de idade. No convento, ele não encontrou a paz, mas sim motivos para reformular a sua fé. Nota-se que Martim Lutero via o demônio em tudo o que estivesse errado. No ano de 1507 ele foi ordenado PADRE, e 10 anos depois (em 1517) fixou as 95 teses (Hoje, a própria Igreja Católica reconhece a importância das Teses de Lutero. Algumas estavam erradas, outras corretas), atacando algumas verdades e principalmente as indulgências, procedimento pelo qual um indivíduo, pagando, podia conseguir, pelo intermédio do Papa, a sua salvação. Então Lutero pregava que o Papa deveria, livrar todos do inferno, mesmo sem receber nada por isso.

Foi nessa época que a Igreja encontrava-se no fundo do posso, foi a época da inquisição. Os soldados iam em nome da Igreja e matavam a todos os que não fossem católicos. A Igreja era subordinada ao Estado, e todos os impostos eram pagos na igreja, então os reis queriam que todos fossem cristãos. Nas confissões os pecados eram pagos em dinheiro para o rei.

M. Lutero teve apoio de príncipes alemães, e continuou a atacar a Igreja.

Cronologia:

1520 – foi publicada uma Bula Papal.

1520 – Excomunhão de Lutero

1521 – Casou-se com Catarina de Borá (ex-freira da cidade de Borá)1529 – Lutero, teve um golpe provocado pelo Rei Alexandre da Alemanha, e Lutero começou a nova Igreja protestando contra esse congresso que proibiu a todos de seguir a Lutero (dai o nome Igreja Protestante).

A verdadeira intenção inicial de Lutero, não era a separação, mas a saudável discussão, que ajudaria a corrigir graves erros da fé da época. Mas com a visão exclusivista e estadista da Igreja, ele foi julgado e condenado.

1.3.8.1.1. Doutrinas de Lutero:

Baseou-se em princípios fundamentais:

1. Só a fé salva, sem as obras da Lei (Rm 3,28);

Paulo escreve aos Romanos que estavam acostumados a adorar deuses, por isso Paulo coloca que a fé é muito necessária, mas os cristãos, devem ter obras para justificar sua fé como exemplo, citamos I Cor 13,2-3 "Caridade é obra da fé". Paulo também diz que a caridade é necessária ao cumprimento da fé. Outros exemplos Mt 7,21 “falar Senhor, Senhor é ter fé, e não praticar a caridade, não salva”. O mesmo Paulo, na mesma carta, coloca: “Deus dará a cada um segundo as suas obras” (Cf. Rm 2,6).

Lutero considerava a carta de Tiago, como uma carta “falsa” sem valor, pela afirmativa que ele faz: “A fé sem obras é morta” (Tg 2,17). Ele não aceitava a carta de Tiago. Pregava que todos deveriam ter acesso à Bíblia (o que a Igreja na época não aceitava) e que todos deveriam poder interpretá-la. Poucos anos depois, o próprio Lutero rejeita essa ideia, pois percebe que não basta a leitura da Bíblia para poder interpretá-la.

Cristo foi ainda mais duro com os que não realizam obras, como podemos ver em Mt 24, 37-51

(37A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé. 38Porque, nos dias antes do dilúvio todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. 39E eles nada perceberam, até que veio o dilúvio, e arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem. 40Dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro será deixado. 41Duas mulheres estarão moendo no moinho: uma será levada, a outra será deixada. 42Portanto, fiquem vigiando! Porque vocês não sabem em que dia virá o Senhor de vocês. 43Compreendam bem isto: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente ficaria vigiando, e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44Por isso, também vocês estejam preparados. Porque o Filho do Homem virá na hora em que vocês menos esperarem.45Qual é o empregado fiel e prudente? É aquele que o Senhor colocou como responsável pelos outros empregados, para dar comida a eles na hora certa. 46Feliz o empregado cujo senhor o encontrar fazendo assim quando voltar. 47Eu garanto a vocês: ele colocará esse empregado à frente de todos os seus bens. 48Mas, se for mau empregado, pensará: ‘Meu senhor está demorando’. 49Então começará a bater nos companheiros, a comer e a beber com os bêbados. 50O senhor desse empregado virá num dia em que ele não espera, e numa hora que ele não conhece. 51Então o senhor o cortará em pedaços e o fará participar da mesma sorte dos hipócritas. Aí haverá choro e ranger de dentes.”)

2. Somente a Bíblia escrita é fonte de Fé.

Isto é somente a Bíblia escrita é verdade, sem levar em conta as tradições e os textos falados. A doutrina para os protestantes está na Bíblia. Para os católicos é importante a Bíblia como doutrina juntamente e acompanhada das tradições faladas. Todos os apóstolos foram enviados para as obras evangelizadoras, mas, somente alguns poucos escreveram, e escreveram no final de suas vidas ou secretariados.

1.3.9. Critério Inferido pelo Próprio Livro:

Esse critério foi proferido por São Tomas de Aquino. Define-se como sendo o Critério defendido pelo próprio através de:

sublimidade da doutrina;

simplicidade;

beleza literária;

eficácia.

1.3.10. Critério Inferido pelo Leitor:

João Calvino (1509-1564) defendia a doutrina da predestinação, ou seja, a pessoa já nascia com uma predestinação. É dai que surgiu o presbiterianismo, que hoje está multiplicado. 

1.3.11. Critério Inferido por DEUS:

É o critério Católico Universal. O Cânon, que é um conjunto de regras, normas e lista dos livros inspirados, e a inspiração Bíblica são realidades de ordem sobrenatural através do Espírito Santo.

1.3.12. Critério do Apostolado:

Foi definido por Davi Michaelis (1750). Pelo Antigo Testamento a Inspiração é dada por Jesus Cristo e pelo Novo Testamento só seria aceito se fosse escrito por Apóstolos. O Evangelho de Lucas é comparado ao Deuteronômio.

1.3.13. O que diz a Bíblia:

II Tm 3, 15-16 – Toda a Escritura é inspirada por DEUS.

II Pe 1,20-21; II Sm 23,2; Jr 30,2; 36,2; Hab 2, 2.

1.4. As Distorções:

A Bíblia foi escrita por um povo singular, na sua escrita, e principalmente os textos mais antigos, não tinham vogais. Para nós, hoje, somente chegaram cópias. Em 1948, achou-se fragmentos do livro de Sirac, que podemos dizer é um original.

1.5. Formação Do Cânon:

Os cânones são as normas que regem a Igreja Católica, sendo que o Direito Canônico rege a Igreja Católica, como uma constituição rege um país. O termo Cânon, até o século III a.C. tinha como significado modelo, regra ou norma. Depois além destes, também passou a designar listas e catálogos, e elencos (canonizar Santos).

Cânon da Missa: São Gregório Magno (590-604).

O Cânon Bíblico divide-se em duas partes: Os PROTOCANÔNICOS e os DEUTEROCANÔNICOS. Na versão Hebraica o Cânon tem 39 livros, e na versão Septuaginta, tem 46.

Os sete livros que compõem essa diferença são chamados de APÓCRIFOS (livros não reconhecidos por protestantes) ou DEUTEROCANÔNICOS, e são: Baruc; Tobias; Judite; Sabedoria; Eclesiástico; I e II Macabeus. São livros da Bíblia cuja inserção fora negada por certo tempo, ou posta em dúvida pela Igreja.

Os livros Deuterocanônicos, que foram considerados santos depois, no Sixto de Siena (1528-1569), e são sete também: Hebreus, II Pedro, II João, III João, Thiago, Judas e Apocalipse, e é aceita pelos Católicos e Protestantes.

Apócrifos, também é usado para identificar os livros de autenticidade duvidosa ou de conteúdo fantasioso. Citamos aqui alguns exemplos:

Salmos de Salomão; Evangelho de Paulo; Evangelho de Tomé; Evangelho de Thiago; Evangelho de Nicodemos;  Evangelho de Bartolomeu; Atos de João; Atos de Paulo; Atos de Pedro; Atos de André; Atos de Tomé; Atos de Felipe; Epistolas de Abgar; Epistolas de Paodicences; Epistolas dos Apóstolos; III Livro dos Macabeus; Livro dos Jubileus; Livro de Adão e Eva; Martírio de Isaías; Livro de Enoc; Testamento dos 12 Patriarcas; Oráculos Sibilinos; Assunção de Moisés; II e III livros de Baruc; Alem de muitos outros. 

1.6. LEITURA DA BIBLIA:

1.6.1. Como começar? Para que ler?

A leitura da Bíblia proporciona um aumento de conhecimento (cf. Rm 1,20-23 e Tg 1,22), no sentido de conhecermos melhor a DEUS.

A Bíblia é um todo, e para lermos corretamente, não devemos nos prender apenas a uma parte, como o N.T., e nem tentar lê-la de uma vez só. Ler a Bíblia de uma só vez, não nos permite conhecê-la, pois para termos uma boa leitura da Bíblia, deve lê-la com consciência, e refletindo a cada trecho. Não devemos pensar que a Bíblia é composta somente de orações, pois isso não é verdade (Cf. Ef 6,18).

1.6.2. Recomendações:

Devemos ter nossa própria Bíblia.

Ler todos os dias, nem que seja um pequeno trecho.

Tudo em Espírito de Oração.

O importante é não desanimar (Cf. II Pd 3,15b-16; II Tm 1,5-8).

1.7. ASSUNTOS QUE ENCONTRAMOS NA BIBLIA:

De modo geral, encontramos na Bíblia tudo o que o Homem pode pensar, meditar, viver. A Bíblia trata da história, da oração, da sabedoria popular, da religião, faz reflexão sobre os problemas humanos: religiosos, sociais, políticos e econômicos; faz criticas e propõe soluções; fala de grandes heróis, fala de amor das pessoas, fala das fraquezas, degradações maldades e pecados do Homem.

Em fim a Bíblia é um livro perene, porque fala do Homem e de Deus.

1.8. O CENTRO DA MENSAGEM BÍBLICA:

1.8.1. No Principio:

DEUS criou o céu e a terra, animais, vegetais e por ultimo, como coroação da criação, criou o Homem, todas as coisas foram criadas (Cf. Gn 1,1 ss.).

Teologicamente, podemos fazer duas afirmações sobre a estória da Criação, é que DEUS, quando criou tudo em 6 dias, ele nos mostra que deseja o Homem como parceiro da criação, pois se ele tivesse criado o mundo em 7 dias, (número perfeito que significa a totalidade), o homem não teria nenhuma participação.

A segunda hipótese, explica o SABADO, como um dia de descanso. Quando o capitulo um do Gênesis foi escrito, o povo estava sobre as ordens do Rei Salomão, e esse queria que o povo trabalhasse os 7 dias da semana, dai, escreverem que DEUS descansou no sétimo dia, para justificar o dia de descanso para os Homens. 

1.8.2. A resposta do Homem:

O Homem se afasta de DEUS. Este é o chamado pecado original, isto contaminou toda a humanidade. O Homem tornou-se cada vez mais frio, calculista, insensível, egoísta, materialista. Isto provocou no Homem o medo, a insegurança e um mal estar, então ele percebeu que não se consegue nada sem DEUS.

Devemos, também ter consciência que o maior pecado do Homem, sempre foi a autossuficiência, ou seja, sempre achou que podia fazer tudo, sem a ajuda de DEUS.

1.8.3. Intervenção de DEUS (Cf. Ex 3,7-9):

DEUS promete o envio de um Salvador, prepara uma pessoa, ou seja, uma família: Abraão, Isaac e Jacó (povo de Israel). DEUS faz um pacto, uma Aliança com esse povo, que é selada com sangue de animais. Deus é sempre fiel ao compromisso, mais o Homem nem sempre. Contra esse povo recaiam sérias consequências, ou seja, não ganhavam guerras, muitas doenças, etc.

1.8.4. Na plenitude dos Tempos:

Com o passar do tempo o povo foi amadurecendo, e na cidade de Belém, cidade de Maria, nasceu Jesus Cristo, o Homem perfeito voltado para DEUS e para os Homens, verdadeiramente Homem e verdadeiramente DEUS (Jesus) - cf. Jo 1,5.

1.8.5. A Nova Aliança:

O Homem se liberta da escravidão do pecado com a crucificação de Jesus, pois o Homem também é crucificado, tornando-se homem novo. O sangue de Jesus é o novo selo da nova Aliança. Jesus não ofereceu flores, mas sim sacrifício (cada um carrega a sua cruz).

1.8.6. A Libertação Hoje:

Leitura e reflexão de vida, exemplo: texto Evangélico (a Palavra de DEUS) e o povo passam a perceber as causas e consequências, Igreja é acontecimento.

1.9. CITAÇÕES BIBLICAS:

No século XIII d.C. o Cardeal Estevão Langton, dividiu a Bíblia em capítulo, para facilitar a consulta e a procura de textos.

Em 1528, o frade Sante Pagnine dividiu o Antigo Testamento em versículos. Em 1550, o tipógrafo Robert Estevão dividiu o Novo Testamento em Versículos.

1.9.1. Como entender as citações Bíblicas (Regra Geral):

As citações bíblicas são indicadas pela abreviatura do nome do livro, seguido por seu capítulo e versículo inicial e a indicação do capítulo e versículo em que termina o teto.

Nome do Livro: é indicado por 2 consoantes – Ex. Mt = Mateus.

Vírgula: separa capítulo de versículo – Ex. Mt 3,5.

Ponto: separa versículo não continuo – Ex. Mt 3, 3.8.

Traço: separa versículos contínuos – Ex Mt 3, 3-8.

Ponto e Virgula: separa grupos de capítulos e versículos ou livros – Ex. Mt 3,5; 23,7; Jr 5,2.

Letra “a”: Indica a primeira parte de um versículo – Ex. Mt 3,5a.

Letra “b”: Indica a segunda parte de um versículo – Ex. Mt 3,5b.

Letra “c”: Indica a terceira parte de um versículo – Ex. Mt 3,5c.

Letra “s”: indica o versículo seguinte – Ex. Mt 3,5 s.

Letras “ss”: Indica versículos seguintes, do indicado até o fim do capítulo. Ex. Mt 3,5ss.

Indicação Cf. - Conforme ou confira em… - Ex. Cf. Mt 3,5.

1.10. ANTIGO TESTAMENTO:

1.10.1. Introdução:

A Bíblia se divide em duas partes, o Antigo Testamento, e o Novo Testamento. A versão Católica da Bíblia tem 73 livros, com 1333 capítulos e 35.700 versículos, sendo 46 livros do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. A versão dos Protestantes ou Evangélicos contem 66 livros, sete livros a menos que a Católica (livros Deuterocanônicos), todos do A. T. Já a versão Judaica, tem apenas 39 livros do A.T., uma vez que eles esperam o Messias até hoje.

Vamos estudar, aqui apenas a Bíblia Católica, citando sempre que oportuno às versões protestantes e judaicas.

1.10.2. BÍBLIA CATÓLICA – Antigo Testamento: Divisão dos 46 livros:

1.10.2.1 – Pentateuco ou Lei de Moisés:

A palavra Pentateuco, quer dizer Cinco Livros, e esse conjunto de cinco livros, é chamado pelos judeus de Tora, ou a Lei de Moisés. É composto dos seguintes livros:

Gêneses – Gn – Livro da origem, do nascimento, tanto do mundo como da humanidade.

Os capítulos 3-11 mostram a história dos Homens, dominada pelo mal e ao mesmo tempo é amparado por DEUS. O Homem reduz a história ao caos (fratricídio – primeiro Crime, quando Caim matou Abel, a palavra FRATRICÍDIO significa assassinato de irmão; Dilúvio, etc.).

Nos capítulos 1 e 2, temos duas versões para a criação do mundo e do Homem, sendo que o capítulo 1 é provavelmente mais novo que o capítulo 2. No livro do Gn, temos ainda, a introdução do pecado na sociedade, com o pecado pessoal de Eva e Adão, e o pecado social, representado pela Torre de Babel, onde os Homens em sua autossuficiência desejavam alcançar o Céu.

Dos capítulos 12 a 36, temos a história dos Patriarcas, ou seja, do início do povo de DEUS, com Abraão, Isaac e Jacó, a quem DEUS promete uma terra Santa e uma descendência prospera.

Dos capítulos 37-50, temos a história de José e seus irmãos, que representam também o pecado social dentro da própria família, podemos ainda afirmar que, a história de José faz a ligação entre o livro do Gêneses, e o livro do Êxodo (cf. Pequeno Comentário Bíblico – AT – gêneses 37-50 EP). 

Êxodo: - Saída, é o livro que relata a saída do povo do Egito, em direção a Terra Prometida, liderados por Moisés, por volta do ano 1250 a.C. Nesse livro vamos ver, o nascimento de Moisés, a sua fuga e encontro com DEUS, seu retorno para com o faraó, seu trabalho profético junto ao faraó para convence-lo de libertar o povo, as 10 Pragas contra o Egito, a saída do povo, a travessia do Mar Vermelho, o Decálogo (dez mandamentos), as dificuldades do povo, impuro no Deserto por 40 anos, e sua purificação (nenhuma das pessoas que saíram do Egito, inclusive Moisés, chegou a Terra Prometida, todos morreram), a desobediência a Deus, com a confecção do BEZERRO DE OURO, a construção da Arca da Aliança para a guarda dos mandamentos, e finalmente a morte de Moisés, a liderança de Josué.

Levítico - O nome do livro provem do nome LEVI (filho de Jacó). A tribo de Levi (Os Levitas) era a tribo de Israel escolhida para exercer a função sacerdotal, no meio do povo. Por isso os levitas não receberam terra.

Capítulos 1-7 – Ritual do Sacrifício;

Capítulos 8-10 – Consagração dos Sacerdotes;

Capítulos 11-16 – Lei do Puro e Impuro;

Capítulos 17-26 – Lei da Santidade.

Números – Começa com o primeiro recenseamento do povo hebreu no deserto.

Nm 1-9 – O povo de DEUS se reorganiza;

Nm 10-21 – O povo de DEUS em marcha;

Nm 22-36 – O povo de DEUS diante da Terra Prometida.

Deuteronômio – Segunda Lei, trata-se de uma readaptação da Lei, tendo em vista a vida de Israel na Terra Prometida.

Dt 1-4 – Primeiro discurso de Moisés, rever o passado em vista do futuro;

Dt 5-11 – Segundo discurso de Moisés, o fundamento da aliança.

Dt 12-26 – Código Deuterocanônico, projeto de uma nova sociedade.

Dt 27-30 – Bênçãos e Maldições – vida ou morte.

Dt 31-34 – Continuação da História.

1.10.2.2 – Livros Históricos:

São compostos de 16 livros, que mostram o processo histórico. Entre as Bíblias Católicas e Protestantes, existem diferenças nesses livros.

Josué – O livro de Josué (Js), nos relata a chegada do povo na terra prometida. Devemos lembrar que Josué foi o sucessor de Moisés.

Juizes – Eram lideres que tinham plenos poderes. Pelas divisões eles ficaram fracos, por isso no final de Jz, surge a ideia de constituírem uma monarquia, terem um só rei.

Jz 1 – É continuação do livro de Josué;

Jz 3-16 – Temos os nomes das tribos e seus Juízes;

Jz 17-18 – Culto a Javé;

Jz 19-21 – Justiça;

Ruth – O livro de Ruth (Rt), foi anexado aos livros históricos. É um livro com quatro capítulos e conta uma história familiar. 

A história, conta que uma hebréia, casada e mãe de dois filhos, que se casam com mulheres estrangeiras. Quando ficou viúva, foi para o estrangeiro e lá os filhos morrem, e ela diz as noras que podem ir embora, mas Ruth escolhe ficar com a sogra, e cuidar dela.

No futuro, ela casa-se com "Boos". Ela é Bisavó de Davi, e parente de Jesus.

I e II Samuel Os livros de Samuel são uma seqüência do livro dos Juizes. Aparece a idéia do Rei, e Samuel foi o responsável pela unção de Saul (Primeiro Rei) e dentro da aliança ele deveria ser obediente a DEUS. Mas ele a quebrou, pois o próprio Saul queria ser um deus. Mandou matar os sacerdotes.

DEUS determina, e Samuel unge um filho de Jessé, o filho caçula, que era Davi, e essa unção é feita ás escondidas, e depois que Davi derrota Golias, é perseguido por Saul. Este o persegue até que morre, dai Davi reuniu o povo.

I e II Reis – Os livros dos reis, são continuação dos Livros de Samuel. Conta à história de Davi e de Salomão. Salomão apenas precisaria administrar o que o pai lhe havia deixado. Por isso ele pediu a DEUS somente a sabedoria.

Com a morte de Salomão, parte do povo não queria que seu filho assumisse o trono. Pela disputa o reino de Israel foi dividido em 2; o do Sul (administrado pelo filho de Salomão) e o do Norte (cujo, o rei era um ex-general de Salomão).

No livro dos Reis aparece o profeta Elias (1Rs) e depois (2Rs) aparece o profeta Eliseu. No final do livro dos Reis, (2Rs) aparece à queda do Império, e o exílio na Babilônia.

I e II Crônicas Esdras e Neemias – Os quatro livros formavam um só livro, e narra desde Adão até a criação do Judaísmo, após o exílio da Babilônia.

1 Cr 1 – 9 Adão até Saul;

1 Cr 10 – 2 Cr 1 ss. Saul ate o exílio;

Esd, Ne – História dos repatriados até +/ 400 a.C. (+/ 138 anos).

I e II MacabeusA palavra Macabeus, tem como significado Martelo, e narra a resistência de cinco filhos de Matatias. São um conjunto de livros que não se encaixam nem antes e nem diretamente depois do Exílio.

O livro do I Mc narra fatos mais históricos, enquanto que o II Mc mostra o lado religioso. Existe ainda um III Macabeus, um livro Apócrifo.

Tobias; Judite; éster – São romances que narram estórias do Povo.

Tb – A estória de Tobias, narra que ele foi comido por um peixe, e lá dentro leu um livro.

Est – Foi uma rainha em defesa do seu povo.

Jd – Situação similar à de éster, ela luta pelo povo. Devemos notar, que Judite luta no próprio Israel, enquanto Tobias e éster, lutam no estrangeiro.

1.10.2.3 – Livros Sapienciais:

O termo Sapiencial significa SABEDORIA, ou seja, os livros sapienciais, são os livros da Sabedoria. É um conjunto formado por sete livros.

– Podemos colocar que o livro de Jó se mostra como uma peça teatral, onde o personagem peca, por se achar puro e perfeito (autossuficiência).

Salmos – Os Salmos são canções, e orações escritas por vários autores, mas a maior parte recebe como autor, o Rei Salomão.

Provérbios – É composto por uma coletânea dos provérbios populares, da Palestina ou coletados fora.

Eclesiastes (Ecl); Cântico dos Cânticos (Ct); Sabedoria (Sb);

Eclesiástico (Eclo) - Também recebe o nome de Sirac, foi escrito por Jesus Ben Sirac, por volta do ano 200 a.C. Traduzido para o grego por seu neto.

1.10.2.3 – Livros Proféticos:

Os livros proféticos foram escritos por pessoas inspiradas por Deus, e em épocas de dificuldades, essas pessoas recebem o nome de Profeta (Rabï), que podemos traduzir como “Aquele que fala em nome de”, no caso em nome de Deus.

Os profetas aprecem em épocas diferentes, e o primeiro profeta a aparecer é Elias (livro dos Reis) depois aparece o seu discípulo Eliseu, embora não existam livros deles.

Isaías – O livro de Isaías é dividido em 3 partes, e cada uma foi escrita por um profeta distinto. O nome do segundo e terceiro Isaías não aparecem, apenas figura o pseudo Isaías.

Is 1-39 Primeiro Isaías;

Is 40-55 Segundo Isaías;

Is 56-66 Terceiro Isaías.

Jeremias (Jr); Lamentações (Lm); Baruc (Bc); Ezequiel (Ez); Daniel (Dn); Oséias (Os); Joel (Jl); Amós (Am); Abdias (Ab); Jonas (Jn); Miqueias (Mq); Naum (Na); Habacuc (Hab); Sofonias (Sf); Ageu (Ag); Zacarias (Zc) e Malaquias.

1.10.2.4 – Livros Que não constam na Bíblia Protestante:

Os livros que não constam das bíblias protestantes são os seguintes: Tobias, Judite, I e II Macabeus (livros Históricos), sabedoria, Eclesiástico (livros sapienciais) e Baruc (livro Proféticos). Além disso existem alguns trechos que não constam dessas bíblias: O livro de éster, não tem os capítulos de 10 a 16 (livro histórico); O livro de Daniel não tem os capítulos 3,13 e cap. 14 (livro Profético).

1.11. NOVO TESTAMENTO:

1.11.1. Introdução:

O novo testamento narra a vida de Jesus Cristo seu projeto, sua doutrina, além de nos mostrar como viviam e deveriam viver os cristãos.

1.11.2. Divisão do novo testamento:

O novo testamento divide-se em 27 livros, deste quatro são os Evangelhos, um Atos dos Apóstolos, Cartas Paulinas, Católicas e Apocalipse. Vamos, ter uma breve exposição sobre esses 27 livros.

1.11.2.1. Evangelhos:

a) Marcos: O evangelho de Marcos, que não foi discípulo de Jesus, é o mais antigo dos sinópticos, e também dos evangelhos. Acredita-se que seja a Didaque (Catequese) de Pedro, discípulo de Jesus. Marcos seria o Secretário de Pedro e teria deixado Paulo e Barnabé para atender a um chamado e Pedro que econtrava-se preso.

b) Matheus: A Tradição o coloca como sendo discípulo de Jesus. Era o Publicano, o cobrador de impostos.

c) Lucas: Também não foi discípulo de Jesus, foi sim discípulo de Paulo, e além do Evangelho, escreveu também os Atos.

d) João: O Evangelho de João é um tratado teológico de altíssimo nível. Na primeira parte, que vai do capítulo 2 ao capítulo 12, ele tem sete sinais, e do capítulo 13 ao 21, faz a glorificação de Jesus.

e) Atos dos Apóstolos: Os Atos dos Apóstolos é a continuação do Evangelho escrito por Lucas, e seria como um evangelho da Comunidade, mostrando os conflitos e a vida da comunidade primitiva.

1.11.2.2. Cartas Paulinas e Católicas:

Escritas antes dos Evangelhos, as cartas (Principalmente as Paulinas), sendo que a I Tessalonicenses é o escrito mais antigo do Novo Testamento (por volta do ano 51), Paulo morreu por volta do ano 67, provavelmente decapitado, antes do Evangelho de Marcos, que foi o primeiro a ser escrito. Foram escritas para as comunidades (com raras exceções) para resolver problemas de fé. São 21 textos sendo 14 dadas como tendo sido escritas por Paulo e sete de outros autores.

As Epístolas Paulinas, compõem 14 livros, sendo 9 dirigidas as comunidades Cristãs, fundadas por Paulo, e são:

Romanos – Ultimo texto escrito por Paulo, é de todas a mais teológica, escrita para uma comunidade que não foi fundada por Paulo, mas a qual ele tinha grande desejo de conhece.

I e II Corintios – Na realidade, foram pelo menos 3 cartas escritas por Paulo à comunidade de Corinto, cidade importante da Ásia, que tinha uma comunidade fundada por ele. A comunidade tinha muitos problemas com o fortalecimento da fé.

Galatas; Efésios; Felipenses; Colossenses; I e II Tessalonicenses.

Além dessas nove, Paulo escreveu mais um bilhete a Filemon, um cristão, que deveria perdoar um escravo que havia se convertido.

Temos também 3 cartas Pastorais escritas por Paulo, onde ele define regras pastorais para as comunidades. São elas:

I e II Timóteo e Tito. Timóteo é tido por Paulo, como seu discípulo mais querido.

Por último, temos a Carta aos Hebreus, que aparentemente não é um escrito Paulino verdadeiro. Na verdade a Carta aos Hebreus é um texto litúrgico.

As Epístolas Católicas, são sete livros, e são chamadas católicas por seu âmbito universal, ou seja, dirigido a todas as comunidades Cristãs. Elas são:

Thiago; I e II Pedro; I, II e III João; Judas - Quem escreveu essa carta foi São Judas Tadeu.

1.11.2.3. Apocalipse:

Texto escrito por João, na Ásia, para 7 comunidades e embora as maiores parte das pessoas achem que se trata de um livro de morte, é um livro de vida, é a revelação da bondade de DEUS, vencendo o poder opressor. João teve um sonho, onde Cristo o mandou escrever tudo o que ele via. 

Bibliografia:

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https://www.descobriregipto.com/quem-escreveu-os-hieroglifos/ consultado em 27/09/2021

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Revisão 0 28-09-2021

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