Baseado nas memórias de Dona Terezinha Vita Garcia
mostrando os relatos de Luiz Garcia, com apoio de Benedito Garcia.
A nossa história começa no ano de 1964, quando as
vilas da região começaram a se formar. Dona Terezinha e o Sr. Luiz moravam na
região da atual Vila Renato, Jardim Adutora, que são os loteamentos mais velhos
e como sempre foram católicos muito devotos iam a missa de domingo na
comunidade Nossa Senhora de Fátima, no bairro de Sapopemba, ou na Vila Clarissa
(Vila Lucinda), no município de Santo André.
Dona Terezinha e o Sr. Luiz cortavam caminho por uma
chácara abandonada que ficava, mais ou menos, onde hoje esta a Escola Estadual
Aroldo de Azevedo (Av. Inácio de Anhaia Melo) para chegar a Igreja de Nossa
Senhora de Fátima, no Sapopemba
No ano de 1965, vendo a devoção da família os
vizinhos começaram a se organizar com suas famílias em torno do Sr. Luiz e da
Dona Terezinha para rezarem o terço todo domingo. Gostaria de lembrar que em
1965 encerrou-se o Concilio Vaticano II, e o terço era uma forma muito presente
de manifestação da fé popular na época.
O terço começou a ser rezado por conta de uma
promessa dedicada a São João, realizada por uma certa dona Maria, esposa de um
certo Sr. Joaquim. No dia combinado a casa se encheu com muitas pessoas que
buscavam manifestar a sua fé.
Surgiu ai o primeiro embrião do que seria no futuro
a comunidade, ou seja com a reza do terço todos os domingos, cada dia na casa
de uma pessoa. Esse projeto, recebeu o apoio e ajuda de dona Albertina (que
hoje manifesta uma outra fé, tornou-se evangélica).
Esse embrião estava estruturado da seguinte forma,
enquanto o Sr. Luiz puxava o terço, dona Albertina e dona Terezinha, alem de
outras mulheres buscavam as casas onde iriam realizar a reza.
A companhia loteadora tinha cedido um lote de
terreno na Vila Renato para a construção de uma igreja, mas o lote era caído
para o fundo e muito pequeno. Isso ainda antes da abertura da venda do
loteamento Parque Santa Madalena.
Entre os anos de 1965 e 1966, o grupo se organizou,
criando uma estrutura coordenada na forma de diretoria, e buscaram na Cúria o
apoio para a construção de uma comunidade. Foram ao encontro de D. Bruno, na
época o bispo auxiliar e do Arcebispo Dom Carlos Carmelo Vasconcelos Melo, que
logo depois tornou-se bispo da arquidiocese de Aparecida do Norte. Eles
autorizaram ao grupo procurar um terreno em que pudesse ser construída a
igreja, passando para o grupo o número do telefone do bispo, caso encontrassem
um terreno “digno”.
Quando se iniciaram a venda dos lotes no Loteamento
Parque Santa Madalena, o bispo veio a auxiliou o grupo, que comprou três lotes
de terreno (onde hoje esta a comunidade), sendo que a Cúria pagou a entrada e a
então nascente comunidade tinha que pagar as prestações e ainda construir o
templo.
Compraram o terreno por volta do ano de 1967 e o
cercaram com cerca de arame farpado.
Para angariar os fundos, começaram a realizar
quermesses que duravam mais ou menos três meses por ano, alem de festas
organizadas principalmente durante os feriados, buscando juntar recursos para o
pagamento das prestações e para a construção do templo. Nessa época não havia
no loteamento nem água e nem energia elétrica. Para abastecer a comunidade (a
igreja), inclusive a obra foi cavado um poço de 23 metros de profundidade, mas
que gerava pouca água. Então, para se dar continuidade à obra era preciso
comprar água. A luz era apenas a de lampiões a querosene ou bicos de gás. Alem
da quermesse, ainda em 1967, começaram uma campanha para angariar material de
construção, como cal, areia e até cimento.
Saiam de caminhão buscando nas várias chácaras
existentes no entorno do bairro material que pudesse ser doado e leiloado
durante as quermesses.
Com o material arrecadado nas campanhas
(principalmente) começaram a construir o salão em regime de mutirão e sob a
coordenação de um pedreiro profissional, que infelizmente era alcoólatra, hoje
falecido, chamado Arthur.
Em 1968, quando a obra estava na altura do telhado,
uma forte chuva com rajadas de vento derrubou mais da metade da construção, e a
obra ficou parada por alguns anos.
Com a chegada dos Capuchinhos na comunidade Nossa
Senhora de Fátima do Sapopemba, em especial os freis Mateus e Jerônimo que se
comprometeram a auxiliar a comunidade na construção do salão paroquial. Quando
derrubaram a antiga capela de Nossa Senhora de Fátima no Sapopemba, para a
construção da atual Igreja, comprometeram e enviaram materiais em bom estado
para a construção do salão paroquial da atual Igreja Santa Madalena. Alem
disso, enviaram um engenheiro para orçar e orientar a construção do salão. A
comunidade pagou ao engenheiro o tratado, com recursos provindos principalmente
das quermesses.
A construção foi realizada como se fosse um “salão
comercial” ou um “galpão”. Em nada lembrava uma Igreja.
O Sr. Luiz construiu uma cruz de madeira e numa
procissão em que os meninos iam vestidos de franciscanos (inclusive o seu filho
Benedito) foi solenemente colocada no alto da entrada do salão comunitário.
Uma vez por mês vinha um padre celebrar a missa na
comunidade, que mesmo antes de ter o salão paroquial tinha um cruzeiro (mais ou
menos onde hoje esta o salão paroquial). A comunidade foi inaugurada
oficialmente em 1970, e um padre da comunidade Cristo Rei, chamado Padre José
Glicério foi nomeado como o primeiro Padre da nossa comunidade, e ficou até o
ano de 1974, quando então, solicitou seu afastamento dos votos para contrair
matrimônio.
Interessante observar que o Pe José Glicério, antes
de ser nomeado para a comunidade Cristo Rei, prestou serviços missionários na
África, o que gerou um certo pouco caso pelo acabamento da comunidade, não se
preocupava com a aparência simples do salão paroquial. Um episódio interessante
foi o que se segue: Como não havia forro, muitos passarinhos, em especial
pardais, faziam ninho no telhado do salão. Certo dia, durante a celebração de
uma missa, um passarinho sujou a cabeça do Pe. José Glicério, e ele percebeu a
necessidade de se colocar forro no salão da comunidade.
As esculturas que decoram até hoje a nossa
comunidade (madeira entalhada) foram feitas por um amigo alemão do Pe. José
Glicério, e doadas a comunidade.
Com a sua saída, entra o Padre Juarez, um jovem
padre de origem catarinense, que foi o responsável pela reforma e atual
configuração da nave da comunidade, reforma essa levada a cabo com recursos
provindos de doações da Alemanha. Depois, escreveu a Roma e solicitou seu
afastamento dos votos sacerdotais para contrair matrimônio, por volta de 1977.
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Foto da Consagração da Comunidade, cedida
pela Dona Terezinha e Família. Ao centro (com a mitra) Dom Paulo Evaristo
Arnes, a sua direita o Pe. José Glicério e a sua esquerda o Pe. Francisco,
que depois foi ordenado Bispo de Osasco.
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Em seu lugar, tivemos
o Padre Moacir, muito ativo e ficou na comunidade por volta de quatro anos
(1981). Com a sua saída, entram na administração da comunidade a ordem dos
Combonianos, que coordenam a comunidade até a chegada do Pe. Eduardo
Aparecido, ocorrida por volta de 1993.
A consagração da
comunidade ocorreu, se não falha a memória, em 12/12/1971.
Outras curiosidades
que envolvem a comunidade foi a briga e afastamento de uma de suas
fundadoras, a Sra. Albertina que discutiu e brigou com o então padre responsável
pela comunidade, Padre Valentino, o que fez com que ela, inclusive, se
afastasse da fé católica.
Durante a construção
da comunidade a família do Sr. Luiz, dona Terezinha e seus filhos moraram no
terreno da comunidade (nove anos e meio), o que gerou um sem número de
acusações injustas, como a de roubar a comunidade.
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“Embora o desejo inicial
da família tenha sido morar próximo a igreja, essa proximidade gerou muito
sofrimento, mas muitos falavam por inveja!” como relata a dona Terezinha. Em
1980 a família saiu do terreno da comunidade, mas continua forte e presente em
sua história, seja com o Bene, seja com o Luizinho (canto) seja com os netos e
netas do casal!
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